30.12.13

O amor de Deus por Sua Igreja

O objeto de seu supremo cuidado
Melbourne, Austrália
23 de Dezembro de 1892
Queridos Irmãos da Associação Geral:
Testifico aos meus irmãos e irmãs que a Igreja de Cristo, por débil e defeituosa que seja, é o único objeto sobre a Terra a que Ele confere Sua suprema atenção. Enquanto a todos dirige o convite para irem a Ele e serem salvos, comissiona Seus anjos, para prestar divino auxílio a toda alma que a Ele se achega com arrependimento e contrição; e, pessoalmente, por meio de Seu Espírito Santo, está no meio de {IR52 2.1}
Sua Igreja. “Se Tu, Senhor, observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirá? Mas contigo está o perdão, para que sejas temido. Aguardo o Senhor; a minha alma O aguarda, e espero na Sua Palavra. A minha alma anseia pelo Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã.” Salmos 130:3-6. “Espere Israel no Senhor, porque no Senhor há misericórdia, e nEle há abundante redenção, e Ele remirá a Israel de todas as suas iniquidades.” Salmos 130:7, 8. {IR52 2.2}
Ó pastores e toda a Igreja, sejam estas as expressões que, brotando do coração, correspondam à grande bondade e amor de Deus para conosco, como um povo e a cada um de nós individualmente. “Espere Israel no Senhor” (Salmos 130:7), “desde agora e para sempre”. Salmos 115:18. “Vós que assistis na casa do Senhor, nos átrios da Casa do nosso Deus. Louvai ao Senhor, porque o Senhor é bom; cantai louvores ao Seu nome, porque é agradável. Porque o Senhor escolheu para Si a Jacó e a Israel para Seu tesouro peculiar. Porque eu conheço que o Senhor é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses.” Salmos 135:2-5. Considerai, meus irmãos e irmãs, que o Senhor tem um povo, um povo escolhido — a Sua Igreja — para ser Sua propriedade. Sua própria fortaleza, que Ele mantém num mundo contaminado pelo pecado, e rebelde; e determinou que nenhuma autoridade nela se conhecesse, lei alguma fosse por ela reconhecida, a não serem as Suas próprias. {IR52 2.3}
Satanás tem uma grande confederação, que é sua igreja. Cristo a denomina sinagoga de Satanás, porque seus membros são filhos do pecado. Os membros da igreja de Satanás têm estado sempre a trabalhar para inutilizar a lei divina e estabelecer confusão entre o bem e o mal. Satanás trabalha com grande poder nos filhos da desobediência, e por meio deles, a fim de exaltar a traição e a apostasia como se fossem verdade e lealdade. E, na presente época, o poder de sua inspiração satânica está movimentando as forças vivas para {IR52 3.1}promover a grande rebelião contra Deus, iniciada no Céu. {IR52 3.2}
Distinções claras e determinadas
Na época atual, a Igreja precisa vestir suas belas vestes — “Cristo, justiça nossa”. Há distinções claras e precisas a serem restauradas e expostas ao mundo, exaltando-se acima de tudo os mandamentos de Deus e a fé de Jesus. A beleza da santidade deve aparecer em seu brilho natural, em contraste com a deformidade e trevas dos que são desleais, daqueles que se revoltam contra a lei de Deus. Assim reconhecem a Deus, e a Sua lei — fundamento de Seu governo no Céu e em todos os Seus domínios terrestres. Sua autoridade deve ser conservada distinta e clara perante o mundo; e não ser reconhecida lei alguma que esteja em oposição às leis de Jeová. Se, em desafio às disposições divinas, for permitido ao mundo influenciar nossas decisões ou ações, o propósito de Deus será frustrado. Se a Igreja vacilar aqui, por mais enganador que seja o pretexto apresentado para tal, contra ela haverá, registrada nos livros do Céu, uma quebra da mais sagrada confiança, uma traição ao reino de Cristo. A Igreja tem que manter seus princípios perante todo o Universo celeste e os reinos deste mundo, de maneira firme e decidida; uma inabalável fidelidade na manutenção da honra e da santidade da lei de Deus, despertará a atenção e admiração do mundo, e muitos, pelas boas obras que contemplarem, serão levados a glorificar nosso Pai celestial. Os que são leais e verdadeiros, são portadores de credenciais do Céu e não dos potentados da Terra. Todos os homens saberão quem são os escolhidos e fiéis discípulos de Cristo, e os conhecerão quando forem coroados e glorificados como hão de ser os que honraram a Deus, e a quem Ele honrou, tornando-os possuidores de um peso eterno de glória. {IR52 3.3}
O Senhor proveu a Sua Igreja de capacidade e bênçãos, {IR52 4.1}
para que apresentasse ao mundo uma imagem de Sua própria suficiência, e nEle se completasse, como uma contínua representação de outro mundo, eterno, onde há leis mais elevadas que as terrestres. Sua Igreja deve ser um templo construído segundo a semelhança divina, e o anjo arquiteto trouxe do Céu a sua vara de ouro para medir, a fim de que cada pedra seja lavrada e ajustada pela medida divina, e polida para brilhar como um emblema do Céu irradiando em todas as direções os refulgentes e luminosos raios do Sol da Justiça. A Igreja há de ser alimentada com o maná do Céu e guardada unicamente sob a proteção de Sua graça. Vestida com a completa armadura de luz e justiça ela entra em seu conflito final. A escória, material imprestável, será consumida, e a influência da verdade testifica ao mundo de seu caráter santificador e enobrecedor. {IR52 4.2}
Experiências divinas
O Senhor Jesus está provando os corações humanos, por meio da concessão de Sua misericórdia e graça abundantes. Está efetuando transformações tão admiráveis que Satanás, com toda a sua vanglória de triunfo, com toda a sua confederação para o mal, reunida contra Deus e contra as leis de Seu governo, fica a olhá-las como a uma fortaleza, inexpugnável aos seus e enganos. São para ele um mistério incompreensível. Os anjos de Deus, serafins e querubins, potestades encarregadas de cooperar com as forças humanas, vêem, com admiração e alegria, que homens decaídos, que eram filhos da ira, estejam por meio do ensino de Cristo formando caráter segundo a semelhança divina, para serem filhos e filhas de Deus, e desempenharem um papel importante nas ocupações e prazeres do Céu. {IR52 4.3}
À Sua Igreja deu Cristo amplas possibilidades, para que viesse a receber de Sua possessão resgatada e comprada um grande tributo de glórias. {IR52 4.4}

A Igreja, revestida da justiça de Cristo, é Sua depositária, na qual as riquezas de Sua misericórdia, amor e graça, se hão de por fim revelar plenamente. A declaração que fez em Sua oração intercessora, de que o amor do Pai é tão grande para conosco como para consigo mesmo, na qualidade de Filho unigénito, e que estaremos com Ele onde estiver, e que seremos um com Cristo e o Pai, é uma maravilha para o exército celestial, e constitui sua grande alegria. O dom de Seu Espírito Santo, rico, pleno e abundante, deve ser para Sua Igreja semelhante a uma protetora muralha de fogo, contra que não prevalecerão os poderes do inferno. Na imaculada pureza e perfeição de Seu povo, Cristo vê a recompensa de todos os Seus sofrimentos, humilhação e amor, e como suplemento de Sua glória — sendo Ele o grande centro de que irradia toda glória. “Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro.” Apocalipse 19:9. — Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, 15-19. {IR52 4.5}

23.12.13

Transformados à Sua Imagem

E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na Sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. 2 Coríntios 3:18.


Pessoas oprimidas, que se debatem com o pecado: Jesus, em Sua humanidade glorificada, ascendeu aos Céus para fazer intercessão por nós. “Porque não temos Sumo Sacerdote que não possa compadecer-Se das nossas fraquezas; antes, foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça.” Hebreus 4:15-16. Devemos olhar continuamente para Jesus, o Autor e Consumador de nossa fé, pois ao contemplá-Lo seremos transformados na Sua imagem, e nosso caráter será feito semelhante ao Seu. Devemos regozijar-nos de que todo juízo foi dado ao Filho, pois em Sua humanidade Ele Se tornou familiarizado com todas as dificuldades que afligem a humanidade.
Santificar-se é tornar-se participante da natureza divina, captando o espírito e mente de Jesus, e aprendendo sempre na escola de Cristo. “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na Sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” 2 Coríntios 3:18. É impossível para qualquer um de nós realizar tal transformação em nós mesmos por meio de nossa própria capacidade ou nossos próprios esforços. É o Espírito Santo, o Consolador, o qual Jesus prometeu enviar ao mundo, que transforma nosso caráter na imagem de Cristo; e quando isto é realizado, refletimos como num espelho, a glória do Senhor. Isto é, o caráter daquele que assim contempla a Cristo é tão semelhante ao dEle, que quando alguém olha para ele vê o próprio caráter de Cristo brilhando como de um espelho. De modo imperceptível a nós mesmos, somos transformados dia a dia, de nossos caminhos e vontade nos caminhos e vontade de Cristo, no encanto de Seu caráter. Assim crescemos em Cristo, e inconscientemente refletimos Sua imagem.
Cristãos professos freqüentemente se mantêm muito próximos das baixadas. Seus olhos estão treinados para ver apenas coisas comuns, e sua mente se demora sobre as coisas que os olhos contemplam. Sua experiência religiosa é muitas vezes superficial e insatisfatória, e suas palavras levianas e fúteis. Como poderão eles refletir a imagem de Cristo? Como poderão eles irradiar os brilhantes raios do Sol da Justiça para os lugares escuros da Terra? Ser cristão é ser semelhante a Cristo.
Enoque esteve sempre sob a influência de Jesus. Ele refletia o caráter de Cristo, exibindo as mesmas qualidades em bondade, misericórdia, compaixão, simpatia, longanimidade, mansidão, humildade e amor. Sua associação diária com Cristo o transformou na imagem dAquele com quem ele esteve tão intimamente ligado.
Refletindo a Cristo, pág. 12.

18.12.13

O Representante de Cristo

Mas Eu vos digo a verdade: Convém-vos que Eu vá, porque, se Eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, Eu for, Eu vo-Lo enviarei. João 16:7. {RP 12.1}
O Consolador é chamado “o Espírito da verdade”. Sua obra é definir e manter a verdade. Ele primeiro habita no coração como o Espírito da verdade, tornando-Se assim o Consolador. Há conforto e paz na verdade, mas nenhuma paz ou conforto real se pode achar na falsidade. É por meio de falsas teorias e tradições que Satanás adquire seu domínio sobre a mente. Ele deforma o caráter dirigindo os homens a falsos padrões. O Espírito Santo fala à mente por meio das Escrituras e grava a verdade no coração. Assim expõe o erro, expelindo-o da alma. É pelo Espírito da verdade, atuando pela Palavra de Deus, que Cristo submete a Si Seu povo escolhido. {RP 12.2}
Descrevendo para Seus discípulos a obra oficial do Espírito Santo, Jesus procurou inspirá-los com a alegria e a esperança que Lhe animavam o próprio coração. Regozijava-Se pelas abundantes medidas que providenciara para auxílio de Sua igreja. O Espírito Santo era o mais elevado dos dons que Ele podia solicitar do Pai para exaltação de Seu povo. O Espírito ia ser dado como agente de regeneração, sem o qual o sacrifício de Cristo de nenhum proveito teria sido. O poder do mal se estivera fortalecendo por séculos, e espantosa era a submissão dos homens a esse cativeiro satânico. Ao pecado só se poderia resistir e vencer por meio da poderosa atuação da terceira pessoa da Divindade, a qual não viria com energia modificada, mas na plenitude do divino poder. É o Espírito que torna eficaz o que foi realizado pelo Redentor do mundo. É por meio do Espírito que o coração é purificado. Por Ele, o crente torna-se participante da natureza divina. Cristo deu Seu Espírito como um poder divino para vencer todas as tendências hereditárias e cultivadas para o mal, e para gravar Seu próprio caráter em Sua igreja. — The Review and Herald, 19 de Novembro de 1908. {RP 12.3}
A Pomba Celestial
E João testemunhou, dizendo: Vi o Espírito descer do Céu como pomba e pousar sobre Ele. João 1:32. {RP 13.1}
Cristo é nosso exemplo em todas as coisas. Em resposta à Sua oração ao Pai, o Céu se abriu e o Espírito desceu como pomba e pousou sobre Ele. O Santo Espírito de Deus comunica-Se com o homem e habita no coração dos obedientes e fiéis. Luz e força virão aos que sinceramente as buscam a fim de terem sabedoria para resistir a Satanás e para vencer em ocasiões de tentação. Devemos vencer assim como Cristo venceu. {RP 13.2}
Jesus iniciou Sua missão pública com fervorosa oração, e Seu exemplo evidencia o fato de que a oração é necessária para levar uma vida cristã bem-sucedida. Ele estava constantemente em comunhão com o Pai, e Sua vida nos apresenta um modelo perfeito que devemos imitar. Apreciava o privilégio da oração e Sua obra manifestava os resultados da comunhão com Deus. Examinando o registro de Sua vida, verificamos que em todas as ocasiões importantes Ele Se retirava a um bosque ou à solidão das montanhas e oferecia fervorosa e perseverante oração a Deus. Frequentemente dedicava a noite inteira à oração pouco antes de ter de realizar algum milagre muito importante. Durante esses períodos de oração noturnos, após a labuta do dia, despedia compassivamente Seus discípulos, para que pudessem retornar a seus lares, repousar e dormir, enquanto Ele, com forte clamor e lágrimas, extravasava a alma em ferventes súplicas a Deus em favor da humanidade. {RP 13.3}
Jesus era preparado para o dever e fortalecido para a provação por meio da graça de Deus que Lhe advinha em resposta à oração. Dependemos de Deus para levar uma vida cristã bem-sucedida, e o exemplo de Cristo nos abre o caminho pelo qual podemos ir ter a uma inesgotável fonte de energia, da qual possamos extrair graça e poder para resistir ao inimigo e sair vitoriosos. Nas margens do Jordão, Cristo orou como o Representante da humanidade, e o abrir do Céu e a voz de aprovação nos asseguram que Deus aceita a humanidade pelos méritos de Seu Filho. — The Signs of the Times, 24 de Julho de 1893. {RP 13.4}
Invisível como o Vento
O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito. João 3:8. {RP 14.1}
Ouve-se o vento por entre os ramos das árvores, fazendo sussurrar as folhas e as flores; é todavia invisível, e homem algum sabe de onde ele vem, nem para onde vai. O mesmo se dá quanto à operação do Espírito Santo na alma. Como os movimentos do vento, não pode ser explicada. Talvez uma pessoa não seja capaz de dizer o tempo ou o lugar exatos de sua conversão, nem delinear todas as circunstâncias no processo da mesma; isso, porém, não prova não estar ela convertida. {RP 14.2}
Mediante um agente tão invisível como o vento, está Cristo continuamente operando no coração. Pouco a pouco, sem que o objeto dessa obra tenha talvez consciência do fato, produzem-se impressões que tendem a atrair a alma para Cristo. Estas se podem causar meditando nEle, lendo as Escrituras, ou ouvindo a palavra do pregador. De repente, ao chegar o Espírito com mais direto apelo, a alma entrega-se alegremente a Jesus. Isso é chamado por muitos uma conversão repentina; é, no entanto, o resultado de longo processo de conquista efetuado pelo Espírito de Deus — processo paciente e prolongado. {RP 14.3}
Se bem que o vento seja invisível, seus efeitos são vistos e sentidos. Assim a obra do Espírito sobre a alma revelar-se-á em cada ato daquele que lhe experimentou o poder salvador. Quando o Espírito de Deus toma posse do coração, transforma a vida. Os pensamentos pecaminosos são afastados, renunciadas as más ações; o amor, a humildade, a paz tomam o lugar da ira, da inveja e da contenda. A alegria substitui a tristeza, e o semblante reflete a luz do Céu. Ninguém vê a mão que suspende o fardo, nem a luz que desce das cortes celestiais. A bênção vem quando, pela fé, a alma se entrega a Deus. Então, aquele poder que olho algum pode discernir, cria um novo ser à imagem de Deus. {RP 14.4}

É impossível à mente finita compreender a obra da redenção. Seu mistério excede ao conhecimento humano; todavia, aquele que passa da morte para a vida percebe que é uma divina realidade. O começo da redenção, podemos conhecê-lo aqui, mediante uma experiência pessoal. Seus resultados estendem-se através da eternidade. — O Desejado de Todas as Nações, 172, 173. {RP 14.5}

10.12.13

Introdução à Verdade sobre o Santuário

Escrevendo sobre o que devia ser realizado antes da vinda do Senhor, pela Igreja Adventista do Sétimo Dia que despontava, Ellen G. White disse em 1883: {CS 7.1}
“O espírito dos crentes devia se dirigido ao santuário celeste, aonde Cristo entrara para fazer expiação por Seu povo.” — Mensagens Escolhidas 1:67. {CS 7.2}
Numa situação de crise em 1906, quando vários dos ensinos básicos dos adventistas do sétimo dia estavam sendo ameaçados, ela escreveu: {CS 7.3}
“A compreensão correta do ministério do santuário celestial constitui o alicerce de nossa fé.” — Evangelismo, 221. {CS 7.4}
O fim dos 2300 dias
Entre as profecias que formam a base do despertamento do movimento adventista na primeira década dos anos 1830 e 1840 estava a de Daniel 8:14: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.” Ellen White, que passou pela experiência, esclarece com respeito à aplicação desta profecia: {CS 7.5}
“Em conformidade com o resto do mundo cristão, os adventistas admitiam, nesse tempo, que a Terra, ou alguma parte dela, era o santuário. Entendiam que a purificação do santuário fosse a purificação da Terra pelos fogos do último grande dia, e que ocorreria por ocasião do segundo advento. Daí a conclusão de que Cristo voltaria à Terra em 1844.” — O Grande Conflito, 408. {CS 8.1}
Este período profético chegou ao fim em 22 de Outubro de 1844. Para os que esperavam encontrar o Senhor nesse dia, o desapontamento foi grande. Hirão Edson, um criterioso estudioso da Bíblia na parte média do Estado de Nova Iorque, descreve o que aconteceu entre o grupo de crentes de que ele era parte: {CS 8.2}
“Nossas expectações haviam-se elevado alto, e assim aguardávamos a vinda de nosso Senhor, até que o relógio soou as doze horas da meia-noite. O dia havia-se passado então, e nosso desapontamento havia-se tornado uma certeza. Nossas mais fundas esperanças e expectações foram derruídas, e sobre nós veio tal espírito de pranto como jamais havíamos experimentado antes. Parecia que a perda de todos os amigos terrestres não podia ter comparação. Choramos e choramos, até que o dia raiou. ... {CS 8.3}
“Ponderando em meu coração, eu disse a mim mesmo: ‘Minha experiência do advento tem sido a mais bela de toda a minha experiência cristã. ... Falhou a Bíblia? Não há Deus, nem Céu, nem cidade dourada e nem Paraíso? Não passa tudo isto de uma fábula habilidosamente engendrada? Não são reais nossas mais fundas esperanças e expectações?’... {CS 8.4}
“Eu comecei a sentir que devia haver luz e auxílio para nós nesta hora de agonia. Eu disse a alguns dos irmãos: ‘Vamos para o celeiro.’ Entramos no celeiro, fechamos a porta, e dobramo-nos perante o Senhor. Oramos ferventemente, pois sentíamos nossa necessidade. Prosseguimos em fervorosa oração até que nos fosse dado o testemunho do Espírito de que nossas orações eram aceitas, e luz ser-nos-ia concedida — nosso desapontamento explicado e satisfatoriamente esclarecido. {CS 8.5}
“Depois do desjejum eu disse a um de meus irmãos: ‘Vamos sair e encorajar a alguns de nossos irmãos.’ Saímos, e enquanto caminhávamos através de um grande campo, fui obstado aproximadamente na metade do campo. O Céu parecia abrir-se ante meus olhos, e eu vi clara e distintamente que em vez de nosso Sumo-Sacerdote haver saído do lugar santíssimo do santuário celestial para a Terra no décimo dia do sétimo mês, ao final dos 2300 dias, Ele, pela primeira vez, entrava nesse dia no segundo compartimento daquele santuário, e que Ele tinha um trabalho a realizar no lugar santíssimo antes de vir à Terra; que Ele veio para as bodas, ou em outras palavras, ao Ancião de Dias, a fim de receber o reino, e o domínio e a glória; e que devíamos esperar Seu retorno das bodas. E minha mente foi dirigida para o décimo capítulo de Apocalipse, onde pude ver que a visão havia falado e não havia mentido.” — Manuscrito inédito, publicado em parte na The Review and Herald, 23 de Junho de 1921. {CS 8.6}
Seguiu-se daí uma cuidadosa investigação das Escrituras, de todos os textos que tocavam neste assunto — particularmente os de Hebreus — por parte de Hirão Edson e dois íntimos associados; o Dr. F. B. Hahn, médico, e O. R. L. Crosier, professor. O resultado do estudo deste grupo foi escrito por Crosier e publicado, primeiro no The Day Dawn, um jornal de circulação limitada, e então reescrito e ampliado no formato num exemplar especial do The Day-Star, 7 de Fevereiro de 1846. Este foi o jornal adventista mais amplamente lido, publicado em Cincinnati, Ohio. Por este meio foi alcançado certo número dos desapontados crentes do advento. A então extensa apresentação, bem comprovada pelas Escrituras, levou esperança e coragem ao coração deles, ao mostrar claramente que o santuário devia ser purificado ao fim dos 2300 dias no Céu, e não na Terra, como haviam crido então. {CS 9.1}
Ellen G. White, numa afirmação escrita em 21 de Abril de 1847, declarou em endosso do artigo de Crosier sobre a questão do santuário: {CS 9.2}
“O Senhor me mostrou em visão, passado mais de um ano, que o irmão Crosier tinha a verdadeira luz sobre a purificação do santuário, etc.; e que foi Sua vontade que o irmão Crosier escrevesse a visão que ele nos apresentou no The Day-Star, 7 de Fevereiro de 1846. Sinto-me inteiramente autorizada pelo Senhor a recomendar esse Extra a cada santo.” — A Word to the Little Flock, 12. {CS 9.3}
Posteriormente ela escreveu a respeito do rápido desenvolvimento da compreensão doutrinal que se seguiu ao desapontamento: {CS 9.4}
“O passamento do tempo em 1844 foi um período de grandes eventos, abrindo-se a nossos olhos atónitos a purificação do santuário que ocorria no Céu, e tendo decidida relação com o povo de Deus sobre a Terra.” — Manuscrito 13, 1889, publicado em Counsels to Writers and Editors, 30. {CS 9.5}
A verdade estabelecida pelo testemunho do Espírito Santo
As visões dadas a Ellen White, conquanto não alcançando além do estudo da Bíblia, confirmavam a solidez da posição assumida de que uma importante fase do ministério de Cristo no santuário celestial tivera início em 22 de Outubro de 1844. Gradualmente a largura e a profundidade do assunto abriram-se perante os crentes do advento. Olhando retrospectivamente à experiência nos últimos anos, ela relembrou seus estudos e as manifestas provas da mão guiadora de Deus: {CS 10.1}
“Muitos de nosso povo não reconhecem quão firmemente foram lançados os alicerces de nossa fé. Meu esposo, o Pastor José Bates, o Pai Pierce,* o Pastor [Hirão] Edson, e outros que eram inteligentes, nobres e verdadeiros, achavam-se entre os que, expirado o tempo em 1844, buscavam a verdade como a tesouros escondidos. Reunia-me com eles, e estudávamos e orávamos fervorosamente. Muitas vezes ficávamos reunidos até alta noite, e às vezes a noite toda, pedindo luz e estudando a Palavra. Repetidas vezes esses irmãos se reuniram para estudar a Bíblia, a fim de que conhecessem seu sentido e estivessem preparados para ensiná-la com poder. Quando, em seu estudo, chegavam a ponto de dizerem: ‘Nada mais podemos fazer’, o Espírito do Senhor vinha sobre mim, e eu era arrebatada em visão, e era-me dada uma clara explanação das passagens que estivéramos estudando, com instruções quanto à maneira em que devíamos trabalhar e ensinar eficientemente. Assim nos foi proporcionada luz que nos ajudou a compreender as passagens acerca de Cristo, Sua missão e sacerdócio. Foi-me tornada clara uma cadeia de verdades que se estendia daquele tempo até ao tempo em que entraremos na cidade de Deus, e transmiti aos outros as instruções que o Senhor me dera. {CS 10.2}
“Durante todo tempo eu não podia compreender o arrazoamento dos irmãos. Minha mente estava por assim dizer fechada, e não podia compreender o sentido das passagens que estudávamos. Esta foi uma das maiores tristezas de minha vida. Fiquei neste estado de espírito até que nos fossem tornados claros todos os pontos principais de nossa fé, em harmonia com a Palavra de Deus. Os irmãos sabiam que, quando não em visão, eu não compreendia esses assuntos, e aceitaram como luz direta do Céu as revelações dadas.” — Mensagens Escolhidas 1:206, 207. {CS 10.3}
A compreensão de que Cristo havia entrado no lugar santíssimo do santuário celestial para iniciar a parte final de Seu ministério em nosso favor, tipificada no serviço do santuário observado por Israel no passado,

8.12.13

PRIVILÉGIO E RESPONSABILIDADE NA ESCOLHA

Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Génesis 2:17. {VF 8.1}
Os nossos primeiros pais, se bem que criados inocentes e santos, não foram colocados fora da possibilidade de praticar o mal. ... Deviam desfrutar comunhão com Deus e com os santos anjos; antes, porém, que pudessem tornar-se eternamente livres de perigo, devia ser provada sua fidelidade. No início mesmo da existência do homem, um empecilho fora posto ao desejo de satisfação própria, paixão fatal que jaz à base da queda de Satanás. A árvore da ciência, que se achava próxima da árvore da vida, no meio do jardim, devia ser uma prova da obediência, fé e amor de nossos primeiros pais. Ao mesmo tempo em que se lhes permitia comer livremente de todas as outras árvores, era-lhes proibido provar desta, sob pena de morte. Deviam também estar expostos às tentações de Satanás; mas, se resistissem à prova, seriam finalmente colocados fora de seu poder, para desfrutarem o favor perpétuo de Deus. ... {VF 8.2}
Deus poderia ter criado o homem sem a faculdade de transgredir a Sua lei; poderia ter privado a mão de Adão de tocar no fruto proibido; neste caso, porém, o homem teria sido, não uma entidade moral, livre, mas um simples autómato. Sem liberdade de opção, sua obediência não teria sido voluntária, mas forçada. Não poderia haver desenvolvimento de caráter. ... Seria indigna do homem como um ser inteligente, e teria apoiado a acusação, feita por Satanás, de governo arbitrário por parte de Deus. {VF 8.3}
Deus fez o homem reto; deu-lhe nobres traços de caráter, sem nenhum pendor para o mal. Dotou-o de altas capacidades intelectuais, e apresentou-lhe os mais fortes incentivos possíveis para que fosse fiel a seu dever. A obediência, perfeita e perpétua, era a condição para a felicidade eterna. Sob esta condição teria ele acesso à árvore da vida. ... {VF 8.4}

Enquanto permanecessem fiéis à lei divina, sua capacidade para saber, vivenciar e amar, cresceria continuamente. Estariam constantemente a adquirir novos tesouros de saber, a descobrir novas fontes de felicidade, e a obter concepções cada vez mais claras do incomensurável, infalível amor de Deus. — Patriarcas e Profetas, 48, 49, 51. {VF 8.5}

6.12.13

A Igreja — Propriedade de Deus

A igreja é a propriedade de Deus, e Ele Se lembra constantemente que ela está no mundo sujeita às tentações de Satanás. Cristo nunca Se esquece dos dias de Sua humilhação. Ao passar pelas cenas de Sua humilhação Jesus nada perdeu de Sua humanidade. Tem o mesmo amor terno e compassivo e sempre Se compadece dos ais humanos. Sempre tem em mente que foi um Varão de dores, familiarizado com a tristeza. Não Se esquece do povo que representa, que se está esforçando por manter a Sua espezinhada lei. Sabe que o mundo que O odiou, odeia-os também. Embora Jesus Cristo tenha entrado nos Céus, ainda há uma corrente viva que liga os Seus crentes ao Seu próprio coração de infinito amor. O mais humilde e fraco é ligado intimamente ao Seu coração por um elo de simpatia. Nunca Se esquece Ele de que é o nosso representante, de que tem a nossa natureza. {IR 15.1}
Jesus vê na Terra a Sua igreja verdadeira, cuja maior ambição é com Ele cooperar na grande obra de salvar almas. Ouve-lhes as orações, apresentadas em contrição e poder, e a Onipotência não lhes pode resistir aos rogos para a salvação de qualquer membro provado e tentado do corpo de Cristo. “Visto que temos um grande sumo-sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos Céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo-sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos pois com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” Jesus sempre vive para interceder por nós. Por nosso Redentor, que bênçãos não poderá o verdadeiro crente receber? A igreja, prestes a entrar no seu mais duro conflito, será para Deus o objeto mais querido na Terra. A confederação do mal será estimulada com poder de baixo e Satanás lançará todo o opróbrio possível sobre os escolhidos que ele não pode enganar e iludir com suas invenções e falsidades satânicas. Mas, exaltado “a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados”, fechará Cristo, nosso Representante a Cabeça, o coração, ou encolherá Sua mão, ou falsificará Sua promessa? — Não; nunca, nunca. {IR 16.1}
Identificado com sua igreja
Deus tem uma igreja, um povo escolhido; e pudessem todos ver como eu tenho visto, quão intimamente Cristo Se identifica com Seu povo, não se ouviria uma mensagem como essa que denuncia a igreja como Babilónia. Deus tem um povo que é Seu coobreiro e este tem avançado em frente, tendo em vista a Sua glória. Ouvi a oração de nosso representante nos Céus: “Pai, aqueles que Me deste, quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a Minha glória.” Oh, como o Chefe divino almejava ter Sua igreja consigo! Com Ele haviam comungado em Seus sofrimentos e humilhação, e é a Sua mais elevada alegria tê-los consigo, para serem participantes de Sua glória. Cristo reclama o privilégio de ter Sua igreja consigo. “Quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo.” Tê-los consigo, está de acordo com o concerto da promessa e o pacto feito com Seu Pai. Reverentemente, apresenta Ele, no trono da graça, a consumada redenção para Seu povo. O arco da promessa circunda nosso Substituto e Penhor ao lançar Sua amorável petição: “Pai, aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a Minha glória.” Contemplaremos o Rei em Sua beleza e a igreja será glorificada. {IR 16.2}
Como Davi, podemos agora orar: “Já é tempo de operares ó Senhor, pois eles têm quebrantado a Tua lei.” Têm os homens prosseguido na desobediência à lei de Deus, até alcançarem um grau de insolência sem paralelo. Os homens estão se educando na desobediência e apressadamente se aproximam do limite da paciência e do amor de Deus, e Ele certamente intervirá. Certamente Ele vindicará Sua honra e reprimirá a iniquidade prevalecente. Será o povo que guarda o mandamento de Deus arrastado na iniquidade dominante? Por ser a lei de Deus alvo de escárnio universal, serão tentados a pensar menos nessa lei que é o fundamento de Seu governo, tanto no Céu como na Terra? — Não. Para Sua igreja, Sua lei se torna mais preciosa, santa e digna de honra ao lançarem os homens sobre ela escárnio e desprezo. Como Davi, podem dizer: “Eles têm quebrantado a Tua lei. Pelo que amo os Teus mandamentos mais do que o ouro, e ainda mais do que o ouro fino. Por isso tenho em tudo como retos todos os Teus preceitos, e aborreço toda a falsa vereda.” {IR 17.1}
A igreja militante não é a igreja triunfante; mas Deus a ama, e descreve pelo profeta como Ele Se opõe e resiste a Satanás, que veste os filhos de Deus nos trajes mais negros e corruptos, e pleiteia o privilégio de destruí-los. Os anjos de Deus protegiam-nos dos assaltos do inimigo. Diz o profeta: {IR 18.1}
“E me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do Anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita, para se Lhe opor, mas o Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreende; ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende: Não é este um tição tirado do fogo? Ora Josué, vestido de vestidos sujos, estava diante do anjo. Então falando, ordenou aos que estavam diante d´Ele, dizendo: Tirai-lhe estes vestidos sujos. E a ele lhe disse: Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniquidade, e te vestirei de vestidos novos. E disse Eu: Ponham-lhe uma mitra limpa sobre a sua cabeça. E puseram uma mitra limpa sobre a sua cabeça, e o vestiram de vestidos: E o anjo do Senhor estava ali. E o anjo do Senhor protestou a Josué, dizendo: Assim diz o Senhor dos exércitos: Se andares nos Meus caminhos, e se observares as Minhas ordenanças, também tu julgarás a Minha casa, e também guardarás os Meus átrios, e te darei lugar entre os que estão aqui.” {IR 18.2}
Mestres que devem ser evitados

Quando homens se levantam, pretendendo ter uma mensagem de Deus, mas em vez de combaterem contra os principados e potestades, e os príncipes das trevas deste mundo, eles formam um quadrado, virando as armas de guerra contra a igreja militante, tende medo deles. Não possuem as credenciais divinas. Deus não lhes deu tal responsabilidade no trabalho. Eles desejam derrubar aquilo que Deus deseja restaurar pela mensagem de Laodicéia. Ele só fere para poder curar e não para fazer perecer. O Senhor não confere a nenhum homem uma mensagem que desanimará e desalentará a igreja. Ele reprova, censura, castiga; mas é apenas para poder restaurar e por fim aprovar. Quanto se alegrou meu coração com o relatório da Associação Geral de que muitos corações foram abrandados e conquistados, que muitos fizeram humildes confissões, e removeram da porta do coração o entulho que conserva fora o Salvador! Que alegria tive ao saber que muitos deram as boas-vindas a Jesus como hóspede permanente! Como é que esses folhetos que denunciam a Igreja Adventista do Sétimo Dia como Babilónia se espalharam por toda a parte, no mesmo tempo em que a igreja estava recebendo o derramamento do Espírito de Deus? Como é que os homens podem ser tão enganados que imaginem consistir o alto clamor em retirar o povo de Deus da comunhão de uma igreja que está gozando um período de refrigério? Oh, que essas almas enganadas entrem na corrente, e recebam a bênção e sejam dotadas do poder do Alto. — The Review and Herald, 17 de Outubro de 1893. Reimpresso em Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, 19-23. {IR 18.3}

3.12.13

Paulo em Roma

Este capítulo é baseado em Atos 28:11-31 e da Epístola a Filemom.
Vindo o tempo próprio para a navegação, o centurião e seus prisioneiros retomaram a viagem para Roma. Um navio alexandrino, o “Castor e Polux” (Atos 28:11), tinha invernado em Malta, em sua viagem para o oeste, e nele os viajantes embarcaram. Embora um pouco retardada por ventos contrários, a viagem foi concluída, e o navio lançou âncora no belo porto de Potéoli, na costa da Itália. {AA 251.1}
Nesse lugar havia uns poucos cristãos, e eles se empenharam com Paulo para permanecer com eles por sete dias, privilégio esse bondosamente concedido pelo centurião. Desde que receberam a epístola de Paulo aos romanos, os cristãos da Itália tinham avidamente desejado uma visita do apóstolo. Não haviam imaginado vê-lo como prisioneiro, mas seus sofrimentos apenas o tornaram mais querido deles. Sendo a distância de Potéoli a Roma de apenas uns 220 quilômetros, e estando o porto marítimo em constante comunicação com a metrópole, os cristãos de Roma foram informados da aproximação de Paulo, e alguns deles se adiantaram para encontrá-lo e saudá-lo. {AA 251.2}
No oitavo dia depois de sua chegada, o centurião e seus prisioneiros retomaram o caminho de Roma. Júlio de boa vontade permitiu ao apóstolo cada favor que estava em suas forças conceder, mas não lhe podia mudar a condição de prisioneiro nem libertá-lo das cadeias que o ligavam ao soldado que o guardava. Foi com o coração opresso que Paulo partiu para sua muito ansiada visita à metrópole do mundo. Quão diversas eram as circunstâncias do que ele imaginara! Como poderia ele, acorrentado e estigmatizado, proclamar o evangelho? Suas esperanças de conquistar muitos conversos para a verdade em Roma, pareciam destinadas ao desapontamento. {AA 251.3}
Os viajantes chegaram, afinal, à praça de Ápio, sessenta e quatro quilômetros distante de Roma. Enquanto abriam caminho entre a multidão que transitava na grande via, o encanecido ancião, acorrentado com um grupo de criminosos mal-encarados, recebeu muitos olhares de zombaria, tornando-se objeto de muito gracejo rude e escarnecedor. {AA 251.4}
De súbito ouviu-se um grito de alegria e um homem se destacou da turba que passava, e lançou-se ao pescoço do prisioneiro, abraçando-o e chorando de alegria, como um filho que saudasse o pai por muito tempo ausente. A cena se repetiu muitas vezes à medida que, com a vista aguçada por expectante amor, muitos reconheceram no preso acorrentado aquele que, em Corinto, Filipos e Éfeso, lhes havia pregado as palavras da vida. {AA 251.5}
Os amantes discípulos ansiosamente afluíram ao redor de seu pai no evangelho, obrigando todo o cortejo a parar. Os soldados impacientaram-se com a demora, mas não tiveram coragem de interromper essa feliz reunião; pois também eles aprenderam a respeitar e estimar seu prisioneiro. Nessa face macerada e batida pela dor, os discípulos viam refletida a imagem de Cristo. Asseguraram a Paulo que nunca o esqueceram nem deixaram de amá-lo; que lhe eram devedores pela feliz esperança que lhes animava a vida, e dava-lhes paz para com Deus. Na grandeza de seu amor o levariam nos ombros todo o caminho até a cidade, fosse-lhes dado esse privilégio. {AA 252.1}
Poucos consideram o significado das palavras de Lucas, quando diz que Paulo, vendo seus irmãos “deu graças a Deus e tomou ânimo”. Atos 28:15. No meio do simpatizante e lacrimoso grupo de crentes, os quais não se envergonhavam de suas cadeias, o apóstolo louvou a Deus em voz alta. A nuvem de tristeza que estava sobre seu espírito se dissipara. Sua vida cristã tinha sido uma sucessão de sofrimentos, desapontamentos e provações, mas nesse momento ele se sentia abundantemente recompensado. Com passos mais firmes e o coração repleto de alegria, ele continuou seu caminho. Não podia queixar-se do passado nem temer o futuro. Cadeias e aflições o esperavam, isso ele sabia; mas sabia também que lhe coubera libertar as pessoas de um cativeiro infinitamente mais terrível, e se rejubilava em seus sofrimentos por amor de Cristo. {AA 252.2}
Em Roma, o centurião Júlio entregou seus prisioneiros ao comandante da guarda imperial. A boa referência que deu de Paulo, somada à carta de Festo, permitiram ser o apóstolo favoravelmente considerado pelo comandante, e em vez de ser trancado na prisão, foi-lhe permitido viver em uma casa alugada. Embora ainda ficasse constantemente acorrentado a um soldado, tinha liberdade para receber seus amigos e trabalhar para o avanço da causa de Cristo. {AA 252.3}
Muitos dos judeus que haviam sido banidos de Roma alguns anos antes, tiveram permissão para voltar, de maneira que, então, ali se encontravam em grande número. A eles, antes de tudo, queria Paulo apresentar os fatos que diziam respeito a si mesmo e a sua obra, antes que seus inimigos tivessem ocasião de os incitar contra ele. Três dias depois de sua chegada a Roma, portanto, reuniu os líderes judeus, e de maneira simples e direta, declarou porque viera a Roma como prisioneiro. {AA 252.4}
“Varões irmãos”, disse ele, “não havendo eu feito nada contra o povo, ou contra os ritos paternos, vim contudo preso desde Jerusalém, entregue nas mãos dos romanos; os quais, havendo-me examinado, queriam soltar-me, por não haver em mim crime algum de morte. Mas, opondo-se os judeus, foi-me forçoso apelar para César, não tendo, contudo, de que acusar a minha nação. Por essa causa vos chamei, para vos ver e falar; porque pela esperança de Israel estou com essa cadeia”. Atos 28:17-20. {AA 252.5}
Ele nada disse dos abusos que havia sofrido às mãos dos judeus, nem das repetidas tramas para assassiná-lo. Suas palavras caracterizaram-se pela prudência e bondade. Ele não estava procurando ganhar atenção pessoal ou simpatia, mas defender a verdade e manter a honra do evangelho. {AA 253.1}
Em resposta, seus ouvintes afirmaram que não tinham recebido acusação alguma contra ele, por carta pública ou particular, e que nenhum dos judeus que tinham vindo a Roma o acusara de qualquer crime. Expressaram, ainda, um forte desejo de ouvir as razões de sua fé em Cristo. “Quanto a essa seita”, disseram, “notório nos é que em toda a parte se fala contra ela”. Atos 28:22. {AA 253.2}
Uma vez que eles próprios desejavam isso, Paulo pediu que escolhessem um dia, quando lhes apresentaria as verdades do evangelho. No tempo marcado, “muitos foram ter com ele à pousada, aos quais declarava com bom testemunho o reino de Deus, e procurava persuadi-los à fé em Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas, desde pela manhã até à noite”. Atos 28:23. Ele relatou-lhes sua experiência, e apresentou argumentos das Escrituras do Antigo Testamento com simplicidade, sinceridade e poder. {AA 253.3}
O apóstolo mostrou que a religião não consiste em ritos e cerimônias, credos e teorias. Se assim fosse, o homem natural poderia entendê-la pela pesquisa, como entende as coisas do mundo. Paulo ensinou que a religião é uma coisa prática, uma energia salvadora, um princípio inteiramente de Deus, uma experiência pessoal do poder renovador de Deus sobre o coração. {AA 253.4}
Mostrou como Moisés tinha apontado Cristo a Israel como o profeta a quem deviam ouvir; como todos os profetas haviam testificado dEle como o grande remédio de Deus para o pecado, o inocente que devia levar os pecados do culpado. Paulo não censurou sua observância de formas e cerimônias, mas mostrou que, enquanto mantinham o ritual com grande exatidão, estavam rejeitando a Cristo, que era o antítipo de todo aquele sistema. {AA 253.5}
Paulo declarou que, antes da conversão, tinha conhecido a Cristo, não por contato pessoal, mas simplesmente pela concepção que, em comum com outros, tinha nutrido concernente ao caráter e obra do Messias por vir. Tinha rejeitado a Jesus de Nazaré, considerando-O impostor porque Ele não preenchia essa concepção. Finalmente, a visão que passara a ter de Cristo e Sua missão era muito mais espiritual e exaltada; pois tinha sido convertido. O apóstolo afirmou que não lhes apresentava a Cristo segundo a carne. Herodes tinha visto a Cristo nos dias de Sua humanidade; vira-O Anás; Pilatos, os sacerdotes e príncipes tinham-nO visto; viram-nO os soldados romanos. Mas não O haviam visto com os olhos da fé; não O tinham visto como o Redentor glorificado. Receber a Cristo pela fé, ter dEle um conhecimento espiritual era mais para desejar que um contato pessoal com Ele como apareceu na Terra. A comunhão com Cristo na qual Paulo agora se rejubilava era mais íntima, mais duradoura que um mero e humano companheirismo terrestre. {AA 253.6}
Ao falar Paulo do que sabia e testificar do que vira, concernente a Jesus de Nazaré como a esperança de Israel, os que honestamente estavam procurando a verdade foram convencidos. Em alguns espíritos, pelo menos, suas palavras produziram uma impressão que jamais se apagou. Mas outros se recusaram obstinadamente a aceitar o claro testemunho das Escrituras, mesmo quando apresentado a eles por alguém que tinha especial iluminação do Espírito Santo. Eles não podiam refutar seus argumentos, mas se recusaram a aceitar suas conclusões. {AA 254.1}
Muitos meses se passaram depois da chegada de Paulo a Roma, antes que os judeus de Jerusalém aparecessem pessoalmente para apresentar suas acusações contra o prisioneiro. Tinham sido repetidas vezes impedidos em seus desígnios; e agora que Paulo deveria ser julgado perante o mais elevado tribunal do império romano, não tinham desejo de se arriscar a mais uma derrota. Lísias, Félix, Festo e Agripa tinham todos declarado acreditar na sua inocência. Seus inimigos poderiam esperar êxito unicamente procurando, pela intriga, influenciar o imperador em favor deles. A demora lhes favoreceria o objetivo, visto que lhes proporcionaria tempo para aperfeiçoar e executar seus planos; e assim esperaram algum tempo antes de levarem pessoalmente suas acusações contra o apóstolo. {AA 254.2}
Na providência de Deus, essa demora resultou no avanço do evangelho. Pelo favorecimento daqueles que tinham Paulo sob sua guarda, foi-lhe permitido morar em uma casa cômoda, onde podia encontrar-se livremente com seus amigos e também apresentar diariamente a verdade aos que o iam ouvir. Assim, durante dois anos continuou suas atividades, “pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum”. Atos 28:31. {AA 254.3}
Durante esse tempo, [Paulo] não se esqueceu das igrejas que havia estabelecido em muitas terras. Compreendendo os perigos que ameaçavam os conversos da nova fé, o apóstolo procurou tanto quanto possível satisfazer-lhes às necessidades por meio de cartas de admoestação e instrução prática. E de Roma enviou obreiros consagrados para trabalharem não somente por essas igrejas, mas em campos que ele próprio não tinha visitado. Tais obreiros, como sábios pastores, fortaleciam a obra tão bem iniciada por Paulo; e o apóstolo, que se conservava informado das condições e perigos das igrejas mediante comunicação constante com elas, estava habilitado a exercer uma sábia direção sobre todas. {AA 254.4}
Desse modo, enquanto estivesse aparentemente separado do trabalho ativo, Paulo exercia uma influência maior e mais duradoura do que se estivesse livre para viajar entre as igrejas como nos anos anteriores. Como prisioneiro do Senhor, ele retinha mais firmemente as afeições de seus irmãos; e suas palavras, escritas por quem estava em cadeias por amor de Cristo, impunham maior atenção e respeito do que quando ele estava pessoalmente com eles. Não antes que Paulo fosse deles separado, compreenderam os irmãos quão pesados eram os encargos que ele tinha levado em benefício deles. Até então, tinham-se em grande parte escusado de responsabilidades e obrigações, porque sentiam a falta de sua sabedoria, tato e indomável energia; mas agora, deixados em sua inexperiência a aprender as lições que tinham rejeitado, apreciaram seus conselhos, advertências e instruções como não haviam considerado seu trabalho pessoal. E ao aprenderem de sua coragem e fé durante sua longa prisão, foram estimulados a maior fidelidade e zelo na causa de Cristo. {AA 254.5}
Entre os assistentes de Paulo em Roma, havia muitos de seus anteriores companheiros e colaboradores. Lucas, “o médico amado” (Colossences 4:14), que o tinha assistido em sua viagem a Jerusalém, durante os dois anos de sua prisão em Cesaréia, e em sua perigosa viagem a Roma, estava ainda com ele. Timóteo também ministrava para o seu conforto. Tíquico, um “irmão amado e fiel ministro, e conservo no Senhor” (Colossences 4:7), permaneceu nobremente ao lado do apóstolo. Demas e Marcos também estavam com ele. Aristarco e Epafras eram seus companheiros de prisão. Colossences 4:7-14. {AA 255.1}
Desde os primeiros anos de sua profissão de fé, a experiência cristã de Marcos tinha-se aprofundado. Ao estudar mais acuradamente a vida e a morte de Cristo, tinha ele obtido mais clara visão da missão do Salvador, Suas provas e conflitos. Lendo nas cicatrizes das mãos e pés de Cristo as marcas de Seu serviço pela humanidade, e até aonde leva a abnegação para salvar os perdidos e quase a perecer, Marcos se dispusera a seguir o Mestre no caminho do sacrifício. Depois, partilhando a sorte de Paulo, o prisioneiro, ele compreendeu melhor que nunca, que é infinito lucro ganhar a Cristo, e infinita perda ganhar o mundo e perder a vida, por cuja redenção foi o sangue de Cristo derramado. Em face de severa adversidade e prova, Marcos continuou firme, um sábio e amado auxiliar do apóstolo. {AA 255.2}
Demas, firme por algum tempo, abandonou mais tarde a causa de Cristo. Referindo-se a isso, Paulo escreveu: “Demas me desamparou, amando o presente século”. 2 Timóteo 4:10. Por ganho mundano, trocou Demas toda alta e nobre consideração. Com que pouco discernimento fizera ele a troca! Possuindo apenas riquezas e honras mundanas, Demas era de fato pobre, por muito que pudesse orgulhosamente considerar seu; enquanto Marcos, escolhendo sofrer por amor de Cristo, possuía riquezas eternas, sendo considerado no Céu como herdeiro de Deus e co-herdeiro de Seu Filho. {AA 255.3}
Entre os que deram o coração a Deus por intermédio do trabalho de Paulo em Roma, estava Onésimo, escravo pagão que havia lesado a seu senhor, Filemom, crente cristão de Colosso, e havia escapado para Roma. Na bondade de seu coração, Paulo procurou aliviar a pobreza e angústia do desventurado fugitivo e, em seguida procurou derramar a luz da verdade em sua mente obscurecida. Onésimo ouviu as palavras da vida, confessou seus pecados e foi convertido à fé em Cristo. {AA 255.4}
Onésimo tornou-se caro a Paulo por sua piedade e sinceridade, não menos que por seu terno cuidado com o conforto do apóstolo, e seu zelo em promover a obra do evangelho. Paulo viu nele traços de caráter que poderiam torná-lo um útil auxiliar no trabalho missionário, e aconselhou-o a retornar sem demora a Filemom, suplicar-lhe perdão, e fazer planos para o futuro. O apóstolo prometeu responsabilizar-se pela soma que de Filemom havia sido roubada. Estando pronto para enviar Tito com cartas para várias igrejas na Ásia menor, enviou com ele Onésimo. Era uma severa prova essa para o servo, apresentar-se ao senhor a quem havia lesado, mas havia sido convertido de verdade, e não se furtou a esse dever. {AA 256.1}
Paulo tornou Onésimo portador de uma carta a Filemom, na qual, com seu usual tato e bondade, o apóstolo pleiteava a causa do servo arrependido, e manifestava o desejo de retê-lo para seu serviço no futuro. A carta começava com uma afetuosa saudação a Filemom como um amigo e cooperador: {AA 256.2}
“Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo. Graças dou ao meu Deus, lembrando-me sempre de ti nas minhas orações; ouvindo a tua caridade e a fé que tens para com o Senhor Jesus Cristo, e para com todos os santos; para que a comunicação da tua fé seja eficaz no conhecimento de todo o bem que em vós há por Cristo Jesus”. Filemom 4-6. O apóstolo recordava a Filemom que cada bom propósito e bom traço de caráter que ele possuía devia-o à graça de Cristo; somente esta o tornara diferente dos perversos e pecadores. A mesma graça pode transformar o mais vil criminoso num filho de Deus e útil obreiro no evangelho. {AA 256.3}
Paulo podia ter imposto a Filemom seu dever como cristão; mas escolheu antes a linguagem da súplica: “..sendo eu tal como sou, Paulo o velho, e também agora prisioneiro de Jesus Cristo. Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões; o qual noutro tempo te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil”. Filemom 9-11. {AA 256.4}
O apóstolo pedia a Filemom, que em vista da conversão de Onésimo, recebesse o arrependido escravo como a seu próprio filho, mostrando-lhe tal afeição que ele escolhesse permanecer com seu senhor de outrora, “não já como servo, antes, mais do que servo, como irmão amado”. Filemom 16. Expressava seu desejo de reter Onésimo como alguém que poderia servi-lo em suas prisões, como o próprio Filemom teria feito, todavia, ele não desejava os seus serviços a menos que Filemom de própria vontade libertasse o escravo. {AA 256.5}
O apóstolo bem conhecia a severidade que os senhores usavam para com os seus escravos, e sabia também que Filemom estava grandemente indignado pela conduta de seu servo. Procurou escrever-lhe de maneira a despertar seus mais profundos e ternos sentimentos como cristão. A conversão de Onésimo o tornara um irmão na fé, e qualquer punição aplicada a seu novo converso seria considerada por Paulo como aplicada a si próprio. {AA 257.1}
Paulo se propôs voluntariamente a assumir o débito de Onésimo para que ao criminoso fosse poupado o sofrimento da punição, e pudesse ele, de novo, se regozijar nos privilégios que tinha rejeitado. “Se me tens por companheiro”, escreveu a Filemom, “recebe-o como a mim mesmo. E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta. Eu, Paulo, de minha própria mão o escrevi; eu o pagarei”. Filemom 17-19. {AA 257.2}
Quão apropriadamente isso ilustra o amor de Cristo pelo pecador arrependido! O servo que defraudara a seu senhor não tinha com que fazer a restituição. O pecador que tem roubado a Deus de anos de serviço não tem meios de cancelar o débito. Jesus Se interpõe entre o pecador e Deus, dizendo: Eu pagarei o débito. Poupa o pecador; Eu sofrerei em seu lugar. {AA 257.3}
Depois de oferecer-se para assumir o débito de Onésimo, Paulo recordou a Filemom o quanto ele próprio era devedor ao apóstolo. Devia-lhe sua própria vida, uma vez que Deus tinha feito Paulo o instrumento de sua conversão. Então, num apelo fervoroso e terno, suplicou a Filemom que, assim como ele havia por sua liberalidade vivificado os santos, também vivificaria o espírito do apóstolo concedendo-lhe essa causa de regozijo. “Escrevi-te”, ele acrescentou, “confiado na tua obediência, sabendo que ainda farás mais do que digo”. Filemom 21. {AA 257.4}
A carta de Paulo a Filemom mostra a influência do evangelho nas relações entre senhores e servos. A escravidão era instituição estabelecida em todo o império romano, e tanto senhores como escravos eram encontrados na maioria das igrejas pelas quais Paulo trabalhou. Nas cidades, onde os escravos eram muitas vezes muito mais numerosos do que a população livre, leis de terrível severidade eram consideradas necessárias para mantê-los em sujeição. Um romano rico possuía, não raro, centenas de escravos de toda categoria, de todas as nações e de toda habilidade. Com pleno controle sobre a vida e o corpo dessas desajudadas criaturas, podiam infligir-lhes o castigo que desejassem. Se um deles, por vingança ou autodefesa, ousasse levantar a mão para seu proprietário, toda a família do ofensor poderia ser cruelmente sacrificada. O mais leve erro, acidente ou descuido eram, muitas vezes, punidos sem misericórdia. {AA 257.5}
Alguns senhores, mais humanos que outros, eram mais indulgentes para com seus servos; mas a grande maioria dos ricos e nobres, procedendo sem restrição à luxúria, paixão e apetite, tornava seus escravos miseráveis vítimas de capricho e tirania. A tendência de todo o sistema era desesperadamente degradante. {AA 257.6}
Não era obra do apóstolo subverter arbitrária ou subitamente a ordem estabelecida da sociedade. Tentar isso seria impedir o sucesso do evangelho. Mas ele ensinava os princípios que atingiam o próprio fundamento da escravatura, os quais, se postos em execução, minariam seguramente todo o sistema. “Onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade”, declarou ele. 2 Coríntios 3:17. Quando convertido, o escravo tornava-se membro do corpo de Cristo, e como tal, devia ser amado e tratado como irmão, co-herdeiro com seu senhor das bênçãos de Deus e dos privilégios do evangelho. Por outro lado, os servos deviam cumprir seus deveres, “não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus”. Efésios 6:6. {AA 258.1}

O cristianismo cria um forte laço de união entre o senhor e o servo, o rei e o súdito, o ministro do evangelho e o degradado pecador que encontrou em Cristo a purificação do pecado. Foram lavados no mesmo sangue, vivificados pelo mesmo Espírito; e são feitos um em Cristo Jesus. {AA 258.2}

1.12.13

Como foi nos dias de Noé

Assim como foi nos dias de Noé, será também nos dias do Filho do homem: comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e destruiu a todos. Lucas 17:26, 27. {VF 37.4}
Deus não condenou os antediluvianos por comerem e beberem; dera-lhes os frutos da terra em grande abundância para suprirem suas necessidades físicas. Seu pecado consistia em tomar esses dons sem gratidão para com o Doador, e aviltar-se condescendendo com o apetite sem restrições. Era-lhes lícito casarem. O matrimónio estava dentro da ordem determinada por Deus; foi uma das primeiras instituições que Ele estabeleceu. Deu instruções especiais concernentes a esta ordenança, revestindo-a de santidade e beleza; estas instruções, porém, foram esquecidas, e o casamento foi pervertido, e feito com que servisse às paixões. {VF 37.5}
Uma idêntica condição de coisas existe hoje. Aquilo que em si mesmo é lícito, é levado ao excesso. O apetite é satisfeito sem restrições. ... Multidões não se sentem sob qualquer obrigação moral de reprimirem seus desejos sensuais, e tornam-se escravos da luxúria. Os homens estão vivendo para os prazeres dos sentidos, para este mundo e para esta vida unicamente. ... O quadro que a Inspiração nos deu do mundo antediluviano representa mui verdadeiramente a condição a que rapidamente a sociedade moderna caminha. ... {VF 37.6}
Estando a encerrar-se o seu tempo de graça, entregavam-se os antediluvianos a divertimentos e festas empolgantes. Os que possuíam influência e poderio aplicavam-se em conservar a mente do povo ocupada com júbilo e prazer, para que não acontecesse alguém ficar impressionado pela última e solene advertência. — Patriarcas e Profetas, 101-103. {VF 38.1}
Antes do dilúvio, Deus enviou Noé para advertir o mundo, a fim de que o povo pudesse ser levado ao arrependimento, e assim escapar da destruição ameaçada. Ao aproximar-se o tempo do segundo aparecimento de Cristo, o Senhor envia Seus servos com uma advertência ao mundo para que este se prepare para aquele grande acontecimento. Multidões têm estado a viver em transgressão à lei de Deus, e agora Ele, misericordiosamente, os chama para obedecerem aos Seus sagrados preceitos. A todos os que abandonarem seus pecados pelo arrependimento para com Deus e fé em Cristo, se oferece o perdão. — Patriarcas e Profetas, 102. {VF 38.2}
Deus desce para ver
E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a Terra. Génesis 11:4. {VF 38.3}
Durante algum tempo os descendentes de Noé continuaram a habitar entre as montanhas onde a arca repousara. Aumentando o seu número, a apostasia logo determinou a divisão. Aqueles que desejavam esquecer-se de seu Criador, e lançar de si as restrições de Sua lei, sentiam um incómodo constante pelo ensino e exemplos de seus companheiros tementes a Deus; e depois de algum tempo resolveram separar-se dos adoradores de Deus. Portanto viajaram para a planície de Sinear, nas margens do rio Eufrates. ... Ali resolveram edificar uma cidade, e nela uma torre de altura tão estupenda que havia de torná-la uma maravilha do mundo. ... {VF 38.4}
Os moradores da planície de Sinear não criam no concerto de Deus de que não mais traria um dilúvio sobre a Terra. Muitos deles negavam a existência de Deus, e atribuíam o dilúvio à operação de causas naturais. Outros criam em um Ser supremo, e que fora Ele que destruíra o mundo antediluviano; e seu coração, como o de Caim, ergueu-se em rebelião contra aquele Ser. Um objetivo que tinham na construção da torre era garantir sua segurança em caso de outro dilúvio. Elevando a construção a uma altura muito maior do que a que foi atingida pelas águas do dilúvio, julgavam colocar-se fora de toda possibilidade de perigo. E, como pudessem subir à região das nuvens, esperavam certificar-se da causa do dilúvio. ... {VF 39.1}
Há edificadores de torre em nosso tempo. Os incrédulos constroem suas teorias pelas supostas deduções da Ciência, e rejeitam a Palavra revelada de Deus. ... No professo mundo cristão, muitos se desviam dos claros ensinos da Bíblia, e edificam um credo com especulações humanas e fábulas aprazíveis; e apontam para a sua torre como um caminho para subir ao Céu. ... {VF 39.2}

O tempo do juízo de Deus está próximo. O Altíssimo descerá para ver o que os filhos dos homens têm edificado. Revelar-se-á Seu poder soberano; derribar-se-ão as obras do orgulho humano. — Patriarcas e Profetas, 118, 119, 123, 124. {VF 39.3}

27.11.13

Quem é rei?

Um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos. Mateus 23:8. {OA 70.1}
Antes que os servos de Deus empreendam qualquer tarefa, devem orar a Deus com toda humildade, com um senso de sua dependência de Deus, considerando que devem ser comandados por Seu Espírito. Devem guardar-se de se colocarem como reis, porque se o fazem, desonrarão ao Senhor e fracassarão no seu trabalho. “Todos sois irmãos.” {OA 70.2}
A habilidade do homem, seu juízo, seu poder para executar, tudo procede de Deus. Tudo deveria ser devotado ao serviço de Deus. Os princípios da Bíblia devem controlar os servos do Senhor. Seus obreiros devem sempre fazer justiça e juízo, guardando firmemente o caminho do Senhor. “Buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu reino e a Sua justiça.” Mateus 6:33. Tornai isto o ponto central em torno do qual vossa vida gira, e então todas as coisas necessárias ser-vos-ão concedidas. Colocai os interesses do Redentor diante de vós mesmos ou de qualquer outro ser humano. Ele vos comprou, e todas as vossas faculdades a Ele pertencem. {OA 70.3}
Não torneis nenhum homem vosso rei. Quem é vosso rei? Aquele que é chamado “Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. Isaías 9:6. Ele é o nosso Salvador, nosso Rei. A Ele deveis sempre ir com vossas cargas. Por maiores que sejam os vossos pecados não necessitais ter medo de repulsa. Se feristes vosso irmão, ide a ele e confessai o erro que cometestes. Quando houverdes feito isto, podeis ir ao Rei pedindo-Lhe perdão. Ele nunca tirará vantagem de vossas confissões, nunca vos desapontará. Ele empenhou Sua palavra de perdoar vossas confissões e purificar-vos de toda contaminação. Os nomes de todos os Seus estão escritos em Seu livro da vida. {OA 70.4}
Lembrai-vos de que Cristo é nossa única esperança, nosso único refúgio. “Carregando Ele mesmo em Seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça.” 1 Pedro 2:24. “Portanto, se o sangue de bode e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a Si mesmo Se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! Por isso mesmo, Ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.” Hebreus 9:13-15. — Manuscrito 3, 1903.
Misturando fé com o ouvir
Porque também a nós foram anunciadas as boas novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram. Hebreus 4:2.
A vida é um sagrado tesouro. ... Cristo nos deu o tempo presente para que nos preparemos para o lar celestial. Exatamente de acordo com a vida que o agente humano vive no tempo de prova que lhe é concedido, será a decisão tomada quanto a seu caso pelo Juiz de todos. {OA 71.3}
Precisamos reconhecer a necessidade de exercer aquela fé que é aceitável a Deus — a fé que opera pelo amor e purifica a alma. Sem fé é impossível ouvir a Palavra de modo a tirar proveito do ouvir, mesmo que seja apresentada de um modo bem impressionante.
A menos que misturemos fé com o ouvir a Palavra, a menos que recebamos as verdades que ouvimos como uma mensagem do Céu, para ser cuidadosamente estudada, a ser comida pela alma e assimilada na vida espiritual, perdemos a influência do Espírito de Deus. Não compreendemos por experiência o que significa encontrar descanso por receber a divina garantia da Palavra. {OA 71.5}
Nunca é demais repetir a importância de estudar a Palavra. Suas promessas são amplas e plenas de riquezas. De modo algum deveríamos falhar em assegurar-nos os tesouros celestes. Cristo é nossa única segurança. Não podemos confiar no raciocínio humano. O mundo está cheio de homens e mulheres que acariciam teorias enganosas e é perigoso dar ouvidos a elas. ... {OA 71.6}
A religião de Jesus Cristo opera uma reforma na vida e no caráter. O verdadeiro cristão busca constantemente a graça que transforma os aspectos objetáveis do caráter natural. Em vez de proferir palavras agudas, ditatoriais, ele profere palavras de encorajamento que Cristo falaria se estivesse em seu lugar. Ele revela benevolência para com todos, não somente aos poucos que possam elogiar e exaltar sua sabedoria. A pureza e santidade reveladas na vida de Cristo irradia da vida do verdadeiro cristão. {OA 72.1}
Os cristãos devem ser portadores de luz no mundo, resplandecendo em meio às trevas do pecado e do crime. No reino deste mundo, os principados e poderes que têm a Satanás como seu líder devem ser constantemente enfrentados. Seguir o exemplo de Cristo em suportar a cruz e revelar negação própria transforma em filhos de Deus aqueles que recebem a Cristo. “Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no Seu nome.” João 1:12. São vencedores na batalha da vida; pois foram revestidos pelo novo homem. “Que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem dAquele que o criou.” Colossences 3:10. — Manuscrito 30, 1902. {OA 72.2}
Deus chama obreiros
Certamente, guardareis os Meus sábados; pois é sinal entre Mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que Eu sou o Senhor, que vos santifica. Êxodo 31:13.
O Senhor fala àqueles que desviam seus pés do sábado. Este é o sábado referido no capítulo trigésimo primeiro de Êxodo, o qual Deus declara ser um sinal entre Ele e Seu povo. Por santificar este dia demonstramos ao mundo que reconhecemos a Deus como Aquele que criou o mundo em seis dias, e repousou no sétimo. Zelosa e incansavelmente devemos levar a mensagem que nos foi dada, para que não passe o tempo e o povo seja deixado sem advertência. {OA 72.4}
Meu coração dói quase ao ponto de partir-se, quando vejo o quanto é deixado por fazer. Os embaixadores de Deus devem manter uma viva ligação com Ele. Devem ampliar suas fronteiras e estender seus labores. Sua vida deve ser tornada pura, santa, pronta para o grande dia que em breve sobrevirá ao mundo. Quando estiverem imbuídos com o Espírito de seu Mestre, verão por todo seu redor pessoas... perecendo em pecado e farão todo esforço para salvar aqueles que estão próximos — mesmo em suas próprias famílias — e os que estão distantes. Zeloso e consagrado esforço por aqueles que estão fora do redil não deixa tempo para críticas e questionamento. {OA 72.5}
Não deve haver compromisso com o egoísmo, pois o egoísmo conduz à idolatria. Mentes que estão nas trevas da ignorância com respeito à verdade da Palavra de Deus devem ser iluminadas. Uma brecha foi feita na lei de Deus pela transgressão do quarto mandamento. A ordenança do sábado deve receber sua legítima posição na lei de Deus e ser apresentada ao mundo pelos que vêem e percebem sua importância. Aqueles que trabalham unidos, que desempenham fielmente sua parte em formar os fundamentos de muitas gerações com esforço paciente e perseverante, serão chamados reparadores de brechas, restauradores das veredas. {OA 73.1}

Não há escusa para os que possuem a luz da verdade presente e ainda deixam de compartilhar esta luz com outros. Deus apela por obreiros. Temos um grande trabalho a fazer em cooperar com Ele como Sua voz e mão ajudadora. Satanás está lançando sua sombra infernal sobre o caminho de toda pessoa, buscando eclipsar a prova da verdade para estes últimos dias. Devemos fazer soar a mensagem de advertência a uma raça culpada. Devemos apresentar aos homens as reivindicações da lei de Deus para que quando Cristo vier eles não sejam achados em deslealdade, ao lado do Apóstata. Devemos agora preparar o caminho do Senhor. Devemos estabelecer no deserto uma vereda para nosso Deus. — Manuscrito 22, 1901. {OA 73.2}

Poder nas Palavras de Cristo

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! João 1:29.
A obediência pronta, implícita desses homens, sem promessas de remuneração, parece notável; mas as palavras de Cristo eram um convite que encerrava um poder dinâmico. Cristo faria desses humildes pescadores, ligados com Ele, o meio de tirar homens do serviço de Satanás, levando-os ao serviço de Deus. Nessa obra eles se tornariam Suas testemunhas, levando ao mundo Sua verdade sem mistura de tradições e enganos de homens. Mediante a prática de Suas virtudes, o andar e trabalhar com Ele, haviam de se qualificar para serem pescadores de homens. ... {RC 18.3}
Durante três anos, trabalharam junto ao Salvador, e, por Seus ensinos, obras e exemplo, prepararam-se para levar avante a obra que Ele começara. Pela simplicidade da fé, pelo serviço puro, humilde, os discípulos foram ensinados a assumir responsabilidades na causa de Deus. Há, na experiência dos apóstolos, lições que nos convém aprender. Esses homens eram como o aço em sua fidelidade ao princípio. Eram homens incapazes de falhar, ou de desanimar-se. Eram cheios de reverência e zelo para com Deus, de nobres desígnios e aspirações. Eram por natureza tão fracos e impotentes como qualquer dos que se acham agora empenhados na obra, mas punham no Senhor toda a sua confiança. Eram ricos, mas sua riqueza consistia na cultura da mente e da alma, e isso pode conseguir todo aquele que colocar a Deus como primeiro, e último, e melhor em tudo. Longamente labutaram para aprender as lições que lhes foram dadas na escola de Cristo, e não labutaram em vão. Ligaram-se com o mais forte dos poderes, e ansiavam sempre uma compreensão mais profunda, elevada e ampla das realidades eternas, a fim de poderem com êxito apresentar ao mundo necessitado os tesouros da verdade. ... {RC 18.4}
Por toda parte a luz da verdade deve brilhar, para que os corações possam despertar e converter-se. Em todos os países deve ser proclamado o evangelho. Os servos de Deus devem trabalhar em lugares vizinhos e distantes, alargando as porções cultivadas da vinha, e indo às regiões além. Devem trabalhar enquanto dura o dia; pois vem a noite, na qual nenhum homem pode trabalhar. — Obreiros Evangélicos, 24-26. {RC 18.5}
Cristo e a dignidade humana
Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derrubado a parede da separação que estava no meio. Efésios 2:13-14.
Cristo não conhecia distinção de nacionalidade, posição ou credo. Os escribas e fariseus desejavam fazer dos dons celestes um privilégio local e nacional, e excluir o resto da família de Deus no mundo. Mas Cristo veio derrubar todo muro de separação. Veio mostrar que Seu dom de misericórdia e amor é tão ilimitado como o ar, a luz ou a chuva que refrigera a terra. {RC 19.2}

24.11.13

Como Ser um Cristão Renascido

Quando Deus perdoa ao pecador, afasta o castigo que ele merece e o trata como se não tivesse pecado, recebe-o no favor divino e o justifica em virtude dos méritos da justiça de Cristo. O pecador só pode ser justificado mediante a fé no sacrifício expiatório feito pelo amado Filho de Deus, que Se tornou um sacrifício pelos pecados do mundo culpado. Ninguém pode ser justificado por quaisquer obras próprias. Só pode ser liberto da culpa do pecado, da condenação da lei, da pena da transgressão, pela virtude do sofrimento, morte e ressurreição de Cristo. A fé é a condição única de obter a justificação, e a fé abrange não só a crença mas também a confiança. ... {RR 11.1}
Muitos concordam que Jesus Cristo seja o Salvador do mundo, mas ao mesmo tempo se conservam afastados dEle, e deixam de arrepender-se de seus pecados, e de aceitar a Jesus como seu Salvador pessoal. Sua fé é apenas o assentimento da mente e do juízo à verdade; mas esta não é introduzida no coração, para santificar a alma e transformar o caráter. ... {RR 11.2}
Posso arrepender-me sem auxílio?
Muitos se acham confundidos quanto ao que constitui os primeiros passos na obra da salvação. O arrependimento é considerado uma obra que o pecador deve realizar por si mesmo, a fim de poder chegar a Cristo. Pensam que o pecador deve por si mesmo conseguir a habilitação para obter a bênção da graça de

20.11.13

Os planos de Deus são perfeitos

Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador. Hebreus 11:9, 10. {OA 38.1}
Jesus ascendeu ao Pai como representante da raça humana, e Deus levará aqueles que refletem Sua imagem a contemplá-Lo e compartilhar de Sua glória. Há mansões para os peregrinos da Terra. Há vestes para os justos, com coroas de glória e palmas de vitória. Tudo quanto nos deixa perplexos nas providências de Deus será então tornado claro. As coisas difíceis de compreender encontrarão então uma explicação. Os mistérios da graça ser-nos-ão desvelados. Onde nossa mente finita descobria somente confusão e propósitos interrompidos, veremos a mais perfeita e bela harmonia. Saberemos que o amor infinito ordenou as experiências que pareciam mais difíceis e duras de suportar. Ao reconhecermos o terno cuidado d´Aquele que faz todas as coisas concorrerem para o nosso bem, regozijar-nos-emos com alegria indescritível ... {OA 38.2}
A dor não pode existir na atmosfera do Céu. No lar dos remidos não haverá lágrimas, cortejos fúnebres, sinais de luto. “Nenhum morador de Jerusalém dirá: Estou doente; porque ao povo que habita nela, perdoar-se-lhe-á a sua iniquidade.” Isaías 33:24. Uma rica corrente de felicidade fluirá e se aprofundará ao transcorrer a eternidade. Pensai nisto; dizei-o aos filhos do sofrimento e da dor e animai-os a regozijar-se na esperança. {OA 38.3}
Quanto mais perto nos achegamos de Cristo mais claramente contemplamos a pureza e grandeza de Seu caráter e menos sentimos desejo de exaltar o eu. O contraste entre nosso caráter e o Seu conduzirá à humilhação de alma e profunda pesquisa de coração. Quanto mais amarmos a Jesus, mais inteiramente será o eu humilhado e esquecido. ... {OA 38.4}
Aquele que é manso de espírito, que é mais puro e semelhante a uma criança, se tornará poderoso para a batalha. Será fortalecido com poder pelo Seu Espírito no homem interior. Aquele que sente sua fraqueza e luta com Deus como fez Jacó, e como esse servo no passado clamar: “Não Te deixarei ir se me não abençoares” (Génesis 32:26), prosseguirá com a unção do Espírito Santo. A atmosfera do Céu o rodeará. Ele sairá para fazer o bem. Sua influência será uma força positiva em favor da religião de Cristo. ... {OA 39.1}
Nosso Deus é socorro bem presente em tempo de necessidade. Ele está familiarizado com os mais secretos pensamentos de nosso coração, com todas as intenções e propósitos de nossa alma. Quando estamos em perplexidade, mesmo antes de Lhe revelarmos nossas angústias, Ele está tomando providências para nossa libertação. — Carta 73, 1905. {OA 39.2}
Em harmonia com o céu.
Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste. Mateus 5:48. {OA 39.3}
Deus deu a Daniel e seus companheiros “o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos”. Daniel 1:17. ... Babilónia era naquela época o maior reino do mundo. Deus permitiu que Daniel e seus companheiros fossem levados cativos para que conduzissem o rei e nobres de Babilónia ao conhecimento a Seu respeito, o único Deus verdadeiro, o Criador dos céus e da Terra. Deus fez Daniel cair nas boas graças do príncipe dos eunucos porque ele portou-se bem. Ele manteve diante de si o temor do Senhor. Seus companheiros nunca viram em sua vida qualquer coisa que os levasse a se desviarem. Aqueles que tinham a responsabilidade sobre ele o amavam, porque ele levava consigo a fragrância de uma disposição semelhante a Cristo. ... {OA 39.4}
Deus coopera com o esforço humano. Daniel poderia ter alegado: “logicamente eu devo comer o que o rei ordena.” Em vez disso, contudo, ele decidiu obedecer a Deus, e Deus começou imediatamente a ajudá-lo. Assim, quando estiverdes determinados de que obedecereis ao mandamento divino, Deus cooperará convosco... {OA 39.5}
Não sabeis em que posição podeis ser colocados. Deus pode usar-vos como usou a Daniel para levar o conhecimento da verdade aos poderosos da Terra. Resta-vos dizer se tereis conhecimento e habilidade. Deus pode dar-vos habilidade em todo vosso aprendizado. Ele pode ajudar-vos a vos adaptardes à linha de estudo que assumireis. Ponde-vos em correta relação com Deus. Fazei disto o vosso primeiro interesse. ... {OA 39.6}
Deus deseja que sejais testemunhas para Ele. Deseja que traceis linhas retas. Ao fazerdes isto Ele vos concederá habilidade, sabedoria e entendimento. Avançareis passo a passo, pois Deus não deseja que permaneçais no mesmo lugar. Ele deseja que avanceis no caminho de Seus mandamentos, constantemente marchando para a frente e para cima. {OA 40.1}
Deus está relacionado com os fios de nossa existência. Ele conhece todo o pensamento do coração, cada ato da vida. Portanto, lutai para viverdes em harmonia com Ele. Buscai alcançar um elevado padrão. ... {OA 40.2}
Anjos celestes vos ajudarão e, mais do que isso, Cristo vos ajudará. O Príncipe da vida está mais interessado do que qualquer outro em vossa salvação. Podeis honrá-Lo demonstrando que apreciais o que Ele realizou por vós. Podeis glorificá-Lo e tornar os anjos felizes por revelar em vossa vida que Ele não morreu em vão. Determinai-vos a que, junto a vossos nomes no livro do Céu, esteja escrito a palavra “vencedor”. Então todo descontentamento e infelicidade se desvanecerá. Vossos corações serão cheios de paz e alegria no Espírito Santo. — Manuscrito 13, 1900. {OA 40.3}
Não a minha vontade.
Adiantando-Se um pouco, prostrou-Se sobre o Seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de Mim este cálice! Todavia, não seja como Eu quero, e sim como Tu queres. Mateus 26:39. {OA 40.4}
Se a vontade do Senhor deve ser a nossa vontade precisamos em primeiro lugar entender a nós mesmos. O Senhor conhece o fim desde o princípio. Ele compreende a relação que cada homem deve manter com Deus e seu semelhante. O Senhor pode ver que a ligação de um homem com homens de certa disposição ou caráter afetará aqueles com quem ele se associa para prejuízo seu. Pode ser alguém que não raciocine claramente de causa para efeito. Os homens com os quais ele mantém ligação podem ser exatamente os que não o ajudarão onde ele necessita de ajuda. {OA 40.5}
A ligação com certos elementos pode produzir resultados desfavoráveis. Portanto, os homens não podem confiar em seu próprio julgamento. A experiência os convencerá de seu erro. O Senhor propõe o que será de maior benefício espiritual para a pessoa hesitante, pronta para iniciar algum empreendimento novo que signifique mais do que ele próprio pode antecipar. O que uma tal pessoa pode fazer? Sua única segurança

15.11.13

Quem pode conhecer a Deus?

Não podemos, pesquisando, encontrar a Deus; Ele, porém, revelou-Se em Seu Filho, que é o esplendor da glória de Seu Pai, e a expressa imagem de Sua pessoa. Se desejarmos conhecimento de Deus, precisamos ser semelhantes a Cristo. ... Viver uma vida pura pela fé em Cristo como Salvador pessoal trará ao crente mais clara e elevada concepção de Deus. ... {PC 4.2}
Vida eterna é a recompensa que será dada a todos quantos obedecem aos dois grandes princípios da lei de Deus — amor a Deus e aos semelhantes. Os primeiros quatro mandamentos definem e ordenam o amor a Deus; os últimos seis, o amor aos semelhantes. A obediência a esses mandamentos é a única prova que o homem pode dar de possuir genuíno conhecimento de Deus, um conhecimento salvador. O amor a Deus demonstra-se pelo amor por aqueles por quem Cristo morreu. {PC 4.3}
Oculto na coluna de nuvens, Cristo deu direções acerca desse amor. Estabeleceu distinta e claramente os princípios do Céu como regras que Seu povo escolhido devia observar em seu trato uns com os outros. Esses princípios viveu Cristo em Sua vida na humanidade. Apresentou em Seus ensinos os motivos que devem governar a vida de Seus seguidores. ... {PC 4.4}
Os que partilham do amor de Deus mediante a recepção da verdade, darão testemunho disso fazendo diligentes e abnegados esforços para levar a outros a mensagem do amor de Deus. Tornam-se assim colaboradores de Cristo. O amor a Deus e uns aos outros, une-os com Cristo por cadeias de ouro. Sua vida está ligada com a dEle em santa e elevada união. ... Esta união faz com que fluam continuamente abundantes correntes do amor de Cristo aos corações, daí fluindo em amor aos outros. {PC 4.5}
As qualidades essenciais a todos a fim de conhecerem a Deus, são as que assinalam a inteireza do caráter de Cristo — Seu amor, Sua paciência, abnegação. Esses atributos são cultivados pela prática de atos de bondade com benigno coração. — The Youth’s Instructor, 22 de Março de 1900. {PC 4.6}
Não basta conhecimento superficial
Aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória. Colossences 1:27. {PC 5.1}