27.1.13

Triste Dia Para O Universo

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Romanos 5:12.

tristeSendo nossos primeiros pais colocados no belo jardim do Éden, foram provados quanto a sua lealdade para com Deus. Eram livres para escolher o serviço de Deus, ou, pela desobediência, aliarem-se ao inimigo de Deus e do homem. … Caso eles desconsiderassem os mandamentos de Deus, e dessem ouvidos à voz de Satanás ao falar ele por meio da serpente, não somente perderiam seu direito ao Éden, mas à própria vida.
A primeira grande lição moral dada a Adão foi a da renúncia. Foram-lhe postas nas mãos as rédeas do domínio de si mesmo. Discernimento, razão e consciência deviam exercer o controle.
Foi permitido a Adão e Eva partilharem de toda árvore do jardim, exceto de uma. Uma única proibição. A árvore proibida era tão atraente e bela como qualquer outra das árvores do jardim. Foi chamada a árvore da ciência, porque participando daquela árvore de que Deus dissera: “Dela não comerás” (Gênesis 2:17), teriam o conhecimento do pecado, a experiência do desobedecer.
Com que intenso interesse observava todo o universo o conflito que decidiria da posição de Adão e Eva! Quão atentos escutavam os anjos as palavras de Satanás, o originador do pecado, enquanto ele… buscava anular a lei de Deus por meio de seu enganoso raciocínio! Quão ansiosos esperavam eles a ver se o santo par seria iludido pelo tentador, e cederia a suas artes! Eles se perguntaram a si mesmos: Vai o santo par transferir sua fé e amor do Pai e do Filho para Satanás? Aceitarão eles suas mentiras como a verdade?
Adão e Eva persuadiram-se de que de coisa tão pequenina como comer do fruto proibido, não poderiam resultar tão terríveis conseqüências como Deus havia declarado. Esta pequena coisa, entretanto, era pecado, a transgressão da imutável e santa lei de Deus, e abriu as comportas da morte e indizível miséria veio sobre nosso mundo. … Não consideremos coisa trivial o pecado.
Ellen G. White, Para Conhecê-lo, pág. 09.

26.1.13

A Chuva Temporã e a Chuva Serôdia

As Três Grandes verdades bíblicas unem a experiência da igreja no Novo Testamento com a experiência da igreja dos últimos dias — a expiação, o selamento e as chuvas têmpora e serôdia.
A Expiação
Cristo fez expiação quando morreu no Calvário como sacrifício por nossos pecados e deste modo nos reconciliou com Deus (II Cor. 5:18; Rom. 5:18). Esta fase sacrificial da expiação foi perfeita, plena e completa (Heb. 9:26). Todavia, restava um ministério sacerdotal ulterior daquela mesma expiação no santuário celestial.
Quando Cristo intercede diante de Deus com os méritos de Sua morte em favor do pecador penitente, Ele efetua a expiação pela mediação, porque Sua intercessão reconcilia o crente com Deus. Em 1844 Cristo entrou no Lugar Santíssimo do santuário celestial para levar a termo o Seu ministério final — expiação por juízo (o antí-tipo do Dia da Expiação. Lev. 16).
Este ministério resultará na solução do problema do pecado e na reconciliação com Deus de todas as coisas que estão no Céu e na Terra (Efés. 1:10). O aspecto final da expiação de Cristo continuará até que o Seu ministério sacerdotal esteja concluído e saia o decreto que lemos em Apocalipse 22:11, 12.
Este conceito de expiação sacerdotal é escriturístico. Nos primeiros 15 capítulos de Levítico encontramos mais de 15 descrições de sacrifícios (ofertas pelo pecado), sendo todas elas tipos ou símbolos do sacrifício expiatório de Cristo na cruz. Em cada uma destas descrições vemos que o sacerdote "fará expiação" por ele, ou por ela, ou por eles, seja qual for o caso. Esta expiação era feita em qualquer dia em cada dia durante o ano.
Quando continuamos no capítulo 16 lemos de um Dia da Expiação que ocorria apenas um dia em cada ano. Esta descrição relata que cinco vezes é feita uma expiação pelo santuário e pelo povo — apesar do fato de que uma expiação já havia sido feita pelo povo anteriormente durante o ano em que eles traziam seus sacrifícios ao santuário.
Era esta expiação descrita em Levi tico 16 uma negação do valor dos sacrifícios expiatórios e mediação anteriores? De modo algum; o próprio Deus estabeleceu o processo e Ele mesmo aplicou a palavra expiação em seus vários aspectos.
Semelhantemente, nossa designação da segunda fase do ministério sacerdotal de nosso Senhor no santuário celestial como a expiação final em nenhum sentido deprecia o valor do sacrifício expiatório de Cristo na cruz.
Escreveu Paulo em I Coríntios 15: "E, se Cristo não ressuscitou, é vão a nossa pregação e vã a vossa fé" (verso 14). "E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados" (verso 17).
Consequentemente, todas as fases da expiação são necessárias. Conquanto alguns em nosso tempo neguem o valor expiatório do sacrifício de Cristo e outros neguem o valor expiatório do Seu ministério sacerdotal, nós adventistas do sétimo dia, seguindo estritamente as Escrituras, aceitamos a ambos. E agindo assim vemos uma conexão entre a experiência da igreja do Novo Testamento e a igreja dos últimos dias, da qual fazemos parte.
O Selamento
Ao estudar o sábado, nossos pioneiros adventistas descobriram que o mandamento sabático é o selo de Deus em Sua santa lei, sendo que ele é a única parte da lei que O identifica como Criador do Céu e da Terra.
Raciocinaram, portanto, que o sincero e leal seguidor de Jesus que guarda o sábado tem o selo de Deus. Por isso eles tomaram a sério o sábado com grande afeição e o guardaram com deleite, vendo-se a si mesmos como estando repetindo a experiência do Novo Testamento. Amavam o sábado e falavam muitas vezes do seu precioso valor como um sinal entre eles e o Senhor que os santificava (Ezeq. 20:12, 20).
Os nossos pioneiros viram o tempo da expiação final (de 1844 até o fim do tempo da graça) como o tempo do selamento. E divisaram a mensagem que apresentavam convidando o povo a prestar obediência a todos os mandamentos de Deus, como a mensagem do selamento.
As Chuvas Têmpora e Serôdia
A terceira verdade que une a igreja do Novo Testamento com a igreja dos últimos dias é a da chuva têmpora e serôdia.
"O derramamento do Espírito nos dias dos apóstolos foi o começo da primeira chuva, ou têmpora, e glorioso foi o resultado" (Atos dos Apóstolos, pág. 54).
Esse glorioso resultado foi visto em uma maravilhosa colheita de pessoas. Do registro de Atos podemos facilmente visualizar que uns 20.000 ou mais aceitaram a mensagem do Salvador ressurreto e Lhe entregaram a vida dentro de um breve espaço de tempo sob a influência da primeira chuva do Espírito Santo.
Que dizer, então, da chuva serôdia? O resultado não será menos glorioso!
Diz Eilen White: "A grande obra do evangelho não deverá encerrar-se com menor manifestação do poder de Deus do que a que assinalou o seu início. As profecias que se cumpriram no derramamento da chuva têmpora no início do evangelho, devem novamente cumprir-se na chuva serôdia, no final do mesmo....
"Agora os raios de luz penetram por toda parte, a verdade é vista em sua clareza, e os leais filhos de Deus cortam os liames que os têm retido. Laços de família, relações na igreja, são impotentes para os deter agora. A verdade é mais preciosa do que tudo o mais. Apesar das forças arregimentadas contra a verdade, grande número se coloca ao lado do Senhor" (O Grande Conflito, págs. 617, 618).
Vemos assim estreito paralelismo no tempo da expiação final, do selamento e da chuva serôdia. A experiência da igreja e de seus membros durante esse período de crise da história terrestre é colocada diante de nós com uma abundância de ênfase e clareza.
Primeiro, é um tempo de responsabilidade. Devemos lembrar-nos de que a crescente luz e oportunidades espirituais trazem um aumento correspondente de responsabilidade. Este princípio tem sido sempre uma parte do plano da salvação.
"Nossas responsabilidades são exatamente proporcionais à nossa luz, oportunidades e privilégios" (Testimonies, vol. 4, pág. 416).
Escreve Ellen White: "Não estamos vivendo na época em que viveram nossos pais. Deus lhes concedeu os tesouros da sabedoria que, através da manifestação do Espírito Santo e pelo testemunho e exemplo de Seus filhos de geração em geração, vêm sendo transmitidos em toda a linha até ao nosso tempo. Temos toda a luz que eles tiveram, e luz adicional está brilhando continuamente e brilhará mais e mais até ser dia perfeito. Esta geração é responsável, não somente por toda a luz que Deus tem comunicado às gerações passadas por intermédio do Seu Espírito e de Sua Palavra, mas pela luz mais abundante que agora está brilhando. Não podemos ser aceitos e honrados por Deus prestando o mesmo serviço e fazendo as mesmas obras que nossos pais fizeram. A fim de sermos abençoados por Deus como eles foram, devemos ser fiéis em aproveitar-nos da crescente luz, como eles foram fiéis em aproveitar-se da luz que Deus lhes concedeu" (Review and Herald, 5 de janeiro de 1886).
Segundo, é um tempo de urgência. Não pode haver nenhum equívoco na urgência com que a serva do Senhor apela a nós para que não protelemos aquela obra espiritual que deve ser feita agora e que não poderá ser feita depois de haver passado este tempo especial.
"Agora, enquanto nosso grande Sumo Sacerdote está a fazer expiação por nós, devemos procurar tornar-nos perfeitos em Cristo" (O Grande Conflito, pág. 628).
"O tempo do selamento é muito curto, e logo passará. Agora, enquanto os quatro anjos estão contendo os ventos, é o tempo de fazer firme a nossa vocação e eleição" (Primeiros Escritos, pág. 58; grifos supridos).
"Se não progredirmos, se não nos colocarmos na atitude em que tanto possamos receber a chuva têmpora como a serôdia, perderemos nossa alma e a responsabilidade jazerá à nossa porta" (Testemunhos para Ministros, pág. 508).
Terceiro, deve ser um tempo de vitória. O tema dos escritores do Novo Testamento, especialmente do apóstolo Paulo, era vitória pelo poder de Cristo — vitória sobre as circunstâncias, vitória sobre a oposição, vitória sobre o eu, sobre as tentações e mesmo sobre a própria morte (I Cor. 15:51-58). Sendo que Paulo selou seu testemunho com sangue, provavelmente não houve nenhum escritor cristão que tivesse tão irresistível senso de vitória, tão "complexa vitória", como ele teve até a vinda de Ellen White. Esta humilde e escolhida mensageira da igreja remanescente escrevia incessantemente sobre a vitória pelo poder de Cristo!
Um exame recente de aproximadamente 10.000 páginas do material que compõe os seus principais livros revelou mais de 1.000 declarações de vitória, uma média de uma para cada 10 páginas de material escrito. Exemplo semelhante pode ser encontrado em seus artigos de revistas. Ela fazia soar a nota de vitória com tremendo poder. Agora, no tempo da expiação final; agora, no tempo do selamento; agora, no tempo da chuva serôdia, a vitória está inteiramente à disposição de todos os que sinceramente a desejam e ardentemente a buscam do Senhor.
"Pelo poder do Espírito Santo deve a imagem moral de Deus ser aperfeiçoada no caráter. Devemos ser completamente transformados à semelhança de Cristo" (Ibid., pág. 506).
Duas frases que ocorrem frequentemente nas declarações de vitória de Ellen White são as expressões "ampla provisão" e "mais do que vencedores".
"Amplas provisões foram feitas para que todo o filho e filha de Adão obtenha individualmente um conhecimento da vontade divina, aperfeiçoar o caráter cristão e seja purificado mediante a verdade" (Testimonies, vol. 2, pág. 644).
"Deus tem dado o Seu Espírito como um poder suficiente para subjugar todas as suas tendências hereditárias e cultivadas para o mal. Pela entrega da mente ao controle do Espírito, você crescerá à semelhança do caráter perfeito de Deus e se tornará um instrumento por meio do qual Ele poderá revelar a Sua misericórdia, bondade e amor. Sejam quais forem os seus defeitos, o Espírito Santo os revelará e lhe será dada a graça para vencê-los. Por meio dos méritos do sangue de Cristo você será um vencedor, sim, mais do que vencedor" (Youth's Instructor, 2 de out. de 1902).
Em parte alguma Ellen White apresentou mais fortes afirmações de vitória do que em suas mensagens à juventude da igreja. Nos artigos que ela escreveu para o Youth's Instructor [Instrutor da Juventude] através de sua longa existência, encontramos mais de 500 declarações de vitória. Em sua última mensagem à juventude encontramos estas palavras:
"Sinto um ardente desejo de que cada um de vós seja vitorioso na luta contra o mal.... Se pedirdes a Deus que vos ajude a vencer o que é separa de Cristo em vossas disposições, Ele vos preparará para a entrada no Céu, onde nenhum pecado pode entrar.... Se vos entregardes completamente a Ele, sereis vencedores na guerra contra o pecado.... Quando lutardes para vencer tudo o que desagrada a Deus, anjos do Céu vos ajudarão.... Ser-vos-á dado poder do Alto Descobrireis que Ele vos dá força diária para vencer.... Podereis vencer o mal — maus pensamentos, maus desejos — pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do vosso testemunho" (Ibid., 9 de junho de 1914).
Estamos vivendo no tempo da expiação final, do selamento do povo de Deus e da chuva serôdia. É um tempo de grande luz espiritual e de grande responsabilidade espiritual. É um tempo que tem sido prolongado, pela misericórdia divina. Mas as extensões devem ser limitadas. Elas não podem continuar infindavelmente. O ponto terminal logo deverá ser atingido. Estaremos preparados? A decisão é nossa. Ampla provisão tem sido feita. Aproveitar-nos-emos disto?
Perguntas para discussão:
1. Por que acha você que Cristo designou uma segunda fase no Céu para a Sua obra expiatória?
2. Traz-lhe hoje o ministério celestial de Cristo temor ou felicidade? Por quê?
3. Como preparará a chuva serôdia a igreja para o regresso de Jesus?
4. Existe qualquer conexão entre o santuário e o Espírito Santo?
5. Está o Espírito Santo envolvido apenas na justificação ou também na santificação?
6. Por que disse Ellen White que a mensagem de justiça pela fé em 1888, era o início da chuva serôdia e do alto clamor? (Veja Mensagens Escolhidas, livro 1, pág. 363 e Primeiros Escritos, pág. 271.)

23.1.13

A Minha Defesa em Tentação

Escondi a Tua Palavra no meu coração, para eu não pecar contra Ti. Sal. 119:11.

Caso não queiramos ser desencaminhados por erros e falsidades, o coração deve ser previamente ocupado pela verdade. A Palavra de Deus fornecerá à mente armas de poder divino, para vencer o inimigo. Feliz o homem que, quando tentado, acha seu caráter rico no conhecimento das Escrituras, e encontra abrigo sob as promessas de Deus. "Escondi", disse o salmista, "a Tua Palavra no meu coração, para eu não pecar contra Ti." Sal. 119:11. Signs of the Times, 1º de junho de 1892.

Esta Palavra deve estar sempre em nosso coração e em nossos lábios. "Está escrito" deve ser nossa âncora. Os que fazem da Palavra de Deus o seu conselheiro compreendem a fraqueza do coração humano e o poder da graça de Deus para subjugar todo impulso profano, não santificado. O seu coração está sempre em atitude de oração, e eles têm a guarda de santos anjos. Quando o inimigo vem como uma inundação, o Espírito de Deus ergue contra ele a Sua bandeira. Há harmonia no coração; pois as preciosas, poderosas influências da verdade promovem o equilíbrio. Conselhos Sobre Educação, págs. 146 e 147.

A Palavra de Deus é um instrumento de comunicação com o Deus vivo. Aquele que se nutre da Palavra se tornará frutífero em toda boa obra. Ele... descobrirá ricas minas de verdade em que precisa trabalhar em busca dos tesouros escondidos. Quando rodeado de tentações, o Espírito Santo lhe trará à mente as próprias palavras com que possa enfrentar a tentação, mesmo no momento em que elas se fazem mais necessárias, e ele as poderá empregar eficazmente, com poder dominador. Signs of the Times, 5 de setembro de 1895.

Precisamos relacionar-nos melhor com a Bíblia. Poderíamos cerrar a porta a muitas tentações, caso decorássemos passagens da Escritura. Barremos o caminho às tentações de Satanás com o "Está escrito". Enfrentaremos conflitos a fim de provar nossa fé e coragem, porém eles nos tornarão fortes se vencermos pela graça que Jesus está pronto a conceder-nos. Precisamos crer, porém; precisamos apoderar-nos das promessas e não duvidar. Review and Herald, 13 de maio de 1884.

21.1.13

LUZ PARA O MEU CAMINHO

Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho. Sal. 119:105.

Todos nós precisamos de um guia, que nos dirija através das muitas perplexidades da vida, assim como o marinheiro precisa de um piloto que guie a nau entre os bancos de areia ou nos rios cheios de recifes; e onde se encontrará semelhante guia? Apontamos, ... a Bíblia. Testemunhos Seletos, vol. 2, pág. 96.

Deus nos deu Sua Palavra como uma lâmpada para os nossos pés e uma luz para o nosso caminho. Seus ensinos têm vital importância para nossa prosperidade em todas as relações da vida. Mesmo em nossos negócios temporais ela será guia mais sábio que qualquer outro conselheiro. ...

A Bíblia é a grande norma do direito e do erro, definindo claramente o pecado e a santidade. Seus princípios vivos, atravessando nossa vida como fios de ouro, são nossa única salvaguarda na prova e na tentação. A Bíblia é um mapa, indicando-nos os marcos da verdade. Os que se acham relacionados com esse mapa, estarão habilitados a trilhar com segurança a senda do dever, aonde quer que sejam chamados. Review and Herald, 11 de junho de 1908. Ao perder a fé na Palavra de Deus, a mente não tem guia, nem salvaguarda. Os jovens são levados a caminhos que desviam de Deus e da vida eterna.

A esta causa pode, em elevado grau, ser atribuída a iniquidade difundida no mundo hoje em dia. Quando a Palavra de Deus é posta de lado, é rejeitado também seu poder de refrear as paixões pecaminosas do coração natural. Parábolas de Jesus, pág. 41.

Quando a Palavra de Deus se torna nosso conselheiro, quando examinamos as Escrituras em busca de luz, anjos celestes se aproximam para impressionar o espírito e iluminar o entendimento, de modo que se possa em verdade dizer: "A exposição das Tuas Palavras dá luz e dá entendimento aos símplices." Sal. 119:130. ...

A Palavra de Deus é luz e verdade - lâmpada para os pés e luz para o caminho. Ela pode guiar em cada passo em direção à cidade de Deus. Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, págs. 442 e 461.

12.1.13

Cristo, a Ponte sobre o Abismo

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16.

ponteO pecado originou-se na busca dos próprios interesses. Lúcifer, o querubim cobridor, desejou ser o primeiro no Céu. Procurou dominar os seres celestes, afastá-los de seu Criador, e receber-lhes, ele próprio, as homenagens. Portanto, apresentou falsamente a Deus, atribuindo-Lhe o desejo de exaltação própria. Tentou revestir o amorável Criador com suas próprias más características. Assim enganou os anjos. Assim enganou os homens. Levou-os a duvidar da palavra de Deus, e a desconfiar de Sua bondade. Como o Senhor seja um Deus de justiça e terrível majestade, Satanás os fez considerá-Lo como severo e inclemente. Assim arrastou os homens a se unirem com ele em rebelião contra Deus, e as trevas da miséria baixaram sobre o mundo.
Terra obscureceu-se devido à má compreensão de Deus. Para que as tristes sombras se pudessem iluminar, para que o mundo pudesse volver ao Criador, era preciso que se derribasse o poder enganador de Satanás. Isso não se podia fazer pela força. O exercício da força é contrário aos princípios do governo de Deus; Ele deseja unicamente o serviço de amor; e o amor não se pode impor; não pode ser conquistado pela força ou pela autoridade. Só o amor desperta o amor. Conhecer a Deus é amá-Lo; Seu caráter deve ser manifestado em contraste com o de Satanás. Essa obra, unicamente um Ser, em todo o Universo, era capaz de realizar. Somente Aquele que conhecia a altura e a profundidade do amor de Deus, podia torná-lo conhecido. Sobre a negra noite do mundo, devia erguer-Se o Sol da Justiça, trazendo salvação “sob as Suas asas”. Malaquias 4:2.
O plano de nossa redenção não foi um pensamento posterior, formulado depois da queda de Adão. Foi a revelação “do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos”. Romanos 16:25. Foi um desdobramento dos princípios que têm sido, desde os séculos da eternidade, o fundamento do trono de Deus. Desde o princípio, Deus e Cristo sabiam da apostasia de Satanás, e da queda do homem mediante o poder enganador do apóstata. Deus não ordenou a existência do pecado. Previu-a, porém, e tomou providências para enfrentar a terrível emergência. Tão grande era Seu amor pelo mundo, que concertou entregar Seu Filho unigênito “para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:16.
Desde que Cristo veio habitar entre nós, sabemos que Deus está relacionado com as nossas provações, e Se compadece de nossas dores. Todo filho e filha de Adão pode compreender que nosso Criador é o amigo dos pecadores. Pois em toda doutrina de graça, toda promessa de alegria, todo ato de amor, toda atração divina apresentada na vida do Salvador na Terra, vemos “Deus conosco”.
Ellen G. White, Refletindo a Cristo, pág. 15.

9.1.13

A Última Grande Luta


Satanás Faz o seu Último Es­forço Para Obter a Supremacia
O mundo está de parceria com as pretensas igrejas cristãs, procurando invalidar a lei de Jeová. A lei de Deus é posta de lado, calcada aos pés; e da parte de todo o leal povo de Deus ascenderá ao Céu a oração: “já é tempo, Senhor, para intervires, pois a Tua lei está sendo violada.” Sal. 119:126. Satanás está fazendo seu último e mais poderoso esforço pela supremacia, seu último conflito contra os princípios da lei de Deus. Predomina uma incredulidade desafiadora.
Depois da descrição de João, em Apoca­lipse 16, daquele poder operador de milagres que ajuntará o mundo para o último grande conflito, os símbolos são deixados para trás, e a voz de trombeta dá mais uma vez um sonido certo. “Eis que venho como vem o ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha.” Apoc. 16:15. Manuscrito 7a, 1896.
Cristo Se Une às Fileiras no Último Conflito
A atuação do Espírito Santo deve unir-se ao esforço humano, e todo o Céu está empenhado na obra de preparar um povo que permaneça em pé nestes últimos dias. O fim está perto e precisamos ter em vista o mundo futuro. …
Neste último conflito, o Capitão do exér­cito do Senhor [Jos. 5:15] está conduzindo os exércitos do Céu, unindo-Se às fileiras e travando nossas batalhas por nós. Teremos apostasias; nós as esperamos. “Eles saíram de nosso meio, entretanto não eram dos nossos.” I João 2:19. “Toda planta que Meu Pai celestial não plantou será arrancada.” Mat. 15:13.
O anjo, o poderoso anjo do Céu, iluminará a Terra com Sua glória (Apoc. 18:1), enquanto ele exclama com potente voz: “Caiu, caiu a grande Babilônia.” Apoc. 18:2. … Perderíamos a fé e a coragem no conflito, se não fôssemos amparados pelo poder de Deus.
Toda forma de maldade irá assumir intensa atividade. Anjos maus unirão suas forças com homens maus, e, como eles têm estado em cons­tante conflito e obtido experiência nas melhores formas de engano e combate, e se fortaleceram através dos séculos, não capitularão na última e grande peleja final sem desesperado esforço, e todo o mundo estará em um ou no outro lado da questão.
Será travada a batalha do Armagedom. E nesse dia nenhum de nós deverá estar dormindo. Precisamos estar bem despertos, como as virgens prudentes, tendo azeite em nossas vasilhas com nossas lâmpadas. O poder do Espírito Santo deve estar sobre nós, e o Capitão do exército do Senhor estará à frente dos anjos do Céu para dirigir a batalha. Solenes acontecimentos ainda ocorrerão diante de nós. Soará uma trombeta após a outra; uma taça após a outra será der­ramada sucessivamente sobre os habitantes da Terra. Cenas de estupendo interesse se acham precisamente diante de nós, e estas coisas serão indicações seguras da presença dAquele que tem comandado todo movimento agressivo, que tem acompanhado o andamento de Sua causa no decorrer de todos os séculos e que Se compro­meteu bondosamente a estar com o Seu povo em todos os seus conflitos até o fim do mundo. Ele vindicará Sua verdade. Ele a levará ao triunfo. Está disposto a imbuir os Seus fiéis de motivos e força de vontade, inspirando-os com esperança, coragem e valor em crescente atividade, pois o tempo está perto.
Uma Difícil Luta Final
Aumentarão os enganos, as mentiras, as imposturas. De toda a parte virão as exclama­ções: “Eis aqui o Cristo! Ei-Lo ali!” Mas, disse Cristo, “não os sigais”. Luc. 21:8. Haverá uma luta renhida antes que o homem do pecado seja revelado a este mundo – quem ele é, e qual tem sido sua obra.
Conquanto o mundo protestante esteja se tornando muito delicado e afável para com o homem do pecado (II Tess. 2:3), não irá o povo de Deus tomar seu lugar como intrépidos e valorosos soldados de Jesus Cristo para enfrentar a questão que há de vir, tendo a vida escondida com Cristo em Deus? A Babilônia mística não tem poupado o sangue dos santos, e não estare­mos bem despertos para captar os raios de luz provenientes do esplendor do anjo que iluminará a Terra com sua glória? Carta 112, 1890.
Nossa Vida e a Preparação Final Deus nos Provará
Antes de conceder-nos o batismo do Espírito Santo, nosso Pai celestial nos provará, para ver se podemos viver sem desonrá-Lo. Carta 22, 1902.
Tudo que é Imperfeito Será Posto de Lado
Quando findar nossa labuta terrestre, e Cristo vier buscar Seus filhos fiéis, resplandece­remos então como o Sol no reino de nosso Pai. Antes que venha, porém, esse tempo, tudo que é imperfeito em nós terá sido visto e deixado de lado. Toda inveja e ciúme, e ruins suspeitas, e todo plano egoísta terão sido banidos da vida. Carta 416, 1907.
Quando For Alcançada a Perfeição de Caráter
Com todas as faculdades que nos foram dadas por Deus, estamos procurando alcançar a medida da estatura de homens e mulheres em Cristo? Estamos buscando Sua plenitude, chegando cada vez mais alto, procurando atingir a perfeição de Seu caráter? Quando os servos de Deus chegarem a esse ponto, eles serão selados em suas frontes. O anjo relator declarará: “Feito está!” Apoc. 22:11. Eles estarão completos nAquele a quem pertencem pela criação e pela redenção. Manuscrito 148, 1899.
Seremos Dotados com uma Natureza Mais Elevada
Quando Cristo vier, Ele levará aqueles que purificaram a alma pela obediência à verdade. … Isto que é mortal se revestirá da imortalidade, e estes corpos corruptíveis, sujeitos à doença, serão transformados de mortais para imortais. Seremos dotados então com uma natureza mais elevada. O corpo de todos os que purificam a alma pela obediência à verdade será glorificado. Eles terão aceito plenamente a Jesus Cristo, e crido nele. Ma­nuscrito 36, 1906.
Impressionante Visão de Acontecimentos Futuros
Sexta-feira à noite [18 de janeiro de 1884] diversas pessoas ouviram minha voz exclamar: “Olhai! Olhai!” Se eu estava sonhando ou em visão, não posso dizer. Eu dormi sozinha.
O tempo de angústia estava diante de nós. Vi nosso povo em grande aflição, chorando e orando, pleiteando as seguras promessas de Deus, ao passo que os ímpios se achavam ao nosso redor, zombando de nós e ameaçando des­truir-nos. Eles escarneciam de nossa debilidade, desdenhavam da pequenez de nossos números e nos insultavam com palavras destinadas a ma­goar profundamente. Acusavam-nos de assumir uma posição independente de todo o resto do mundo. Haviam suprimido os nossos recursos para que não pudéssemos comprar ou vender e faziam alusão a nossa pobreza e condição aflitiva. Não podiam compreender como conseguíamos viver sem o mundo. Dependíamos do mundo e teríamos de sujeitar-nos aos costumes, práticas e leis do mundo, ou sair dele. Se éramos as únicas pessoas no mundo a quem o Senhor favorecia, as aparências depunham fortemente contra nós.
Eles declaravam que tinham a verdade, que havia milagres entre eles; que anjos do Céu conversavam e andavam com eles, que grande poder e sinais e maravilhas eram realizados em seu meio, e que isso constituía o milênio temporal que aguardavam há tanto tempo. Todo o mundo se convertera e estava em harmonia com a lei dominical, e este pequeno e débil povo teimava em desafiar as leis do país e as leis de Deus, pretendendo ser os únicos que são corre­tos sobre a Terra. …
“Olhai Para Cima! Olhai Para Cima!”
Mas, enquanto a angústia pairava sobre os leais e sinceros que não queriam adorar a besta ou sua imagem e aceitar e reverenciar um falso sábado, Alguém disse: “Olhai para cima! Olhai para cima!” Todos os olhares se ergueram, e os céus pareciam recolher-se como um pergaminho quando se enrola, e, assim como Estêvão olhou para dentro do Céu, nós também olhamos. Os escarnecedores nos insultavam e injuriavam, e se gabavam do que tencionavam fazer-nos se per­sistíssemos em apegar-nos firmemente a nossa fé. Mas éramos agora como aqueles que não os ouviam; contemplávamos uma cena que excluía tudo o mais.
Ali se achava exposto o trono de Deus. Ao redor dele havia dez vezes dez mil, e milhares de milhares, e bem perto do trono se encontravam os mártires. Entre este número eu vi aqueles mesmos que tão recentemente estavam na maior penúria, a quem o mundo não conhecia, a quem o mundo odiava e desprezava.
Uma voz disse: “Jesus, que está sentado sobre o trono, amou o homem de tal maneira que deu Sua vida em sacrifício para resgatá-lo do poder de Satanás e para elevá-lo ao Seu trono. Aquele que está acima de todos os poderes, Aquele que tem a maior influência no Céu e na Terra, Aquele a quem toda alma é devedora por todo favor que recebeu, era manso e humilde de espírito, santo, inocente e imaculado na vida.
“Ele obedeceu a todos os mandamentos de Seu Pai. A Terra está cheia de iniqüidade; ela está contaminada por causa dos seus moradores. Os lugares altos dos poderes da Terra foram poluídos pela corrupção e vis idolatrias, mas chegou o tempo em que a justiça receberá a palma da vitória e do triunfo. Os que eram con­siderados pelo mundo como fracos e indignos, os que eram indefesos contra a crueldade dos homens, hão de ser coroados vencedores, e mais que vencedores.” Apoc. 7:9-17.
Eles estão diante do trono, desfrutando os esplendores, sem sol do dia eterno, não como um grupo disperso e fraco, para serem submeti­dos às paixões satânicas de um mundo rebelde, expressando os sentimentos, as doutrinas e os conselhos de demônios.
Agora os Santos Nada Têm que Temer
Os mestres da iniqüidade no mundo se tornaram fortes e terríveis sob o domínio de Sa­tanás, mas poderoso é o Senhor Deus que julga Babilônia. Os justos nada mais têm que temer da força ou da fraude enquanto forem leais e fiéis. Alguém mais poderoso do que o forte ho­mem armado constitui sua defesa. Todo poder, e grandeza e excelência de caráter serão dados aos que creram e se colocaram em defesa da verdade, erguendo-se e defendendo firmemente as leis de Deus.
Outro ser celestial exclamou com voz firme e musical: “Eles vieram de grande tribu­lação. Andaram na fornalha ardente no mundo, aquecida intensamente pelas paixões e fantasias de homens que queriam impor-lhes a adoração da besta e sua imagem, que queriam compeli-los a ser desleais ao Deus do Céu.
“Eles vieram das montanhas, das rochas, das covas e cavernas da Terra, de masmorras, de prisões, de concílios secretos, da câmara de tortura, de choupanas, de águas-furtadas. Pas­saram por severa aflição, profunda abnegação e profundo desapontamento. Não devem ser mais o objeto de gracejo e ridículo de homens maus. Não devem mais ser desprezíveis e dignos de lástima aos olhos dos que os desprezam.
“Tirai-lhes as vestes sujas com que homens maus se deleitaram em cobri-los. Dai-lhes um traje novo, a saber: as vestes brancas da justiça, e ponde-lhes um turbante limpo sobre a cabeça.”
Vitoriosos no Grande Conflito!
Eles foram vestidos de trajes mais finos do que já usaram seres terrenos. Foram coroados com diademas de glória nunca vistos por seres humanos. Os dias de sofrimento, de vitupério, de privação, de fome, não existem mais; o pranto já passou. Então eles prorrompem em cânticos fortes, claros e musicais. Agitam as palmas da vitória, exclamando: “Ao nosso Deus que Se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação.” Apoc. 7:10.
Oxalá Deus nos imbua de Seu Espírito e nos faça fortes em Sua força! No grande dia do final e supremo triunfo ver-se-á que os justos eram fortes, e que a iniqüidade, em todas as suas formas e com toda a sua arrogância, foi um débil e miserável fracasso e derrota. Apegar-nos-emos firmemente a Jesus, confiaremos nEle, buscare­mos Sua graça e Sua grande salvação. Precisamos esconder-nos em Jesus, pois Ele é um esconde­rijo na tempestade, socorro bem presente nas tribulações. Carta 6, 1884.
Duas Colunas de Anjos Escoltam os Santos até a Cidade de Deus
O Doador da vida vem para quebrar as cadeias da sepultura. Ele trará para fora os cativos e proclamará: “Eu sou a ressurreição e a vida.” Eis ali a multidão ressuscitada! O último pensamento foi o da morte e suas agonias. Os últimos pensamentos que eles tiveram foram os da sepultura e da tumba, mas agora eles procla­mam: “Onde está, ó morte, o teu aguilhão?
Onde está, ó sepultura, a tua vitória?” I Cor. 15:55. As agonias da morte foram as últimas coisas que eles sentiram. …
Quando eles acordarem, todo o sofri­mento terá passado. “Onde está, ó sepultura, a tua vitória?” Ei-los ali, recebendo o toque final da imortalidade, e ascendem para o encontro de seu Senhor nos ares. As portas da cidade de Deus se revolvem sobre seus gonzos, e as nações que observaram a verdade entram nela.
Ali se acham as colunas de anjos de cada lado, e os resgatados de Deus entram pelo meio de querubins e serafins. Cristo lhes dá as boas- vindas e põe Sua bênção sobre eles: “Muito bem, servo bom e fiel; … entra no gozo do teu Senhor.”
Mat. 25:21. Que é esse gozo? Ele vê o penoso trabalho de Sua alma, e fica satisfeito. É para isso que labutamos.
Aqui está alguém em cujo favor intercede­mos com Deus à noite. Ali está alguém com o qual falamos em seu leito de morte, e ele confiou sua alma desamparada a Jesus. Eis aqui alguém que era um pobre bêbado. Procuramos fazer com que fixasse o olhar nAquele que é poderoso para salvar e lhe dissemos que Cristo podia con­ceder-lhe a vitória. Ali estão as coroas de glória imortal sobre as suas cabeças, e então os remidos lançam suas coroas resplandecentes aos pés de Jesus; em seguida, o coro angélico emite a nota de vitória e os anjos nas duas colunas tomam o cântico, e a multidão dos remidos participam como se houvessem entoado o cântico na Terra, e o haviam feito.
Música Celestial
Oh! que música! Não há uma nota desarmoniosa. Toda voz proclama: “Digno é o Cordeiro, que foi morto.” Apoc. 5:12. Ele vê o penoso trabalho de Sua alma, e fica satisfeito. Pensais que alguém ali tomará tempo para falar de suas provações e terríveis dificuldades? “Não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas.” Isa. 65:17. Deus… “lhes enxugará dos olhos toda lágrima.” Apoc. 21:4. Manuscrito 18, 1894.
Ellen G. White – Mensagens Escolhidas – Vl. 3, 424-431

8.1.13

Como ser feliz agora – 31º dia – Nos Lugares Celestiais – III

Esperamos chegar afinal ao Céu e unir- nos ao coro celestial? Justamente como vamos para a sepultura haveremos de ressurgir, no que toca ao caráter. … Agora é o tempo de lavar e passar a ferro. É tempo de lavar nossas vestes e branqueá-las no sangue do Cordeiro. …


João viu o trono de Deus e ao redor desse trono uma multidão, e indagou: Quem são esses? Veio então a resposta: “Estes são os que… lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.” Apoc. 7:14. Cristo os guia às fontes de águas vivas, e ali está a árvore da vida, e está também o precioso Salvador. É- nos apresentada uma vida imensurável como a vida de Deus. Não haverá lá dor, nem tristeza, nem doença ou morte. Tudo é paz, harmonia e amor. …
Agora é o tempo de receber graça, força e poder para combiná-los com os nossos esforços humanos, a fim de podermos formar caracteres para a vida eterna. Isto fazendo, veremos que os anjos de Deus nos servirão, e seremos her­deiros de Deus e co-herdeiros de Jesus Cristo. E quando soar a última trombeta, e os mortos forem chamados de sua prisão e transformados num momento, num piscar de olhos, coroas de glória eterna serão colocadas na fronte dos vencedores. Os portais de pérola revolver-se-ão sobre seus gonzos, abrindo-se completamente às nações que guardaram a verdade, e elas entrarão. Terminado está o conflito.
“Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” Mat. 25:34. Queremos esta bem-aventurança? Eu quero, e creio que vós também a quereis. Que Deus vos ajude, para que possais pelejar as batalhas desta vida e alcançar a vitória dia a dia, e afinal estar entre o número dos que hão de rojar as coroas aos pés de Jesus e dedilhar as harpas de ouro, enchendo o Céu da mais doce música! Quero que ameis meu Jesus. Dai a Jesus aquilo que Ele comprou com o Seu próprio sangue. Não rejeiteis meu Salvador, pois Ele por vós pagou preço infinito. Vejo em Jesus encantos sem-par, e quero que também vós vejais esses encantos. Manuscrito 84, 1886.
Respirando a Atmosfera do Céu
Em visão, viu o revelador uma multidão em vestiduras brancas. … Foram vistos no tem­plo de Deus. Este será o resultado para todos os que se prevalecerem dos méritos de Cristo e lavarem suas vestes em Seu sangue. Todas as providências foram tomadas para que possamos assentar-nos com Cristo em Seu trono, mas a condição é estarmos em harmonia com a lei de Deus. Temos de abandonar toda a injustiça, e cumprir as condições; então todo o Céu se abrirá às nossas orações. …
Não podemos correr o risco de perder o Céu. Devemos falar nas coisas do Céu. Lá não haverá morte nem dor. Por que somos tão relutantes em falar nessas coisas? Por que nos demoramos a falar em coisas terrestres? O apóstolo nos exorta a falar nas coisas de cima. “Porque a nossa conversação está nos Céus, donde também esperamos ao Senhor Jesus Cristo como Salvador.” Filip. 3:20, Trad. Trinitariana. …
Cristo voltará em breve, para juntar os que estiverem preparados, e levá-los àquele lugar glorioso. “Assim também Cristo, oferecendo- se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que O esperam para a salvação.” Heb. 9:28.
Gostamos de pensar nesse acontecimento, ou preferimos adiá-lo? Temos de colocar nos­sas afeições nas coisas de cima. Quanto mais falarmos de Jesus, mais Lhe refletiremos a divina imagem. Contemplando, transformamo-nos. Precisamos introduzir Cristo em nossa experiência religiosa. Quando vos reunis, seja a conversação sobre Cristo e Sua salvação. Está aí um assunto sobre o qual devemos falar. Quanto mais falarmos em Jesus, tanto mais de Seus incomparáveis encantos contemplaremos. Manuscrito 60, 1886.
Os que não têm prazer em pensar e falar em Deus nesta vida, não fruirão a vida por vir, onde Deus estará sempre presente, habitando entre os Seus. Mas os que gostam de pensar em Deus estarão em seu elemento, respirando a atmosfera do Céu.
Aqueles que, na Terra, acariciam o pen­samento do Céu, achar-se-ão felizes em suas santas associações e prazeres. … “Nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os Seus servos O servirão. E verão o Seu rosto, e na sua testa estará o Seu nome.” Apoc. 22:3 e 4. Review and Herald, 13 de maio de 1890.
Alegria Perene
Todas as classes, todas as nações, tribos, povos e línguas estarão perante o trono de Deus e do Cordeiro, com suas vestes imacula­das e coroas gloriosas. Disse o anjo: Estes são os que vieram de grande tribulação, e lavaram suas vestiduras e as branquearam, ao passo que aqueles que são amantes de prazeres mais do que amantes de Deus, os condescendentes con­sigo mesmos e desobedientes, perderam ambos os mundos. Não têm nem as coisas desta vida nem a vida imortal.
Aquela multidão triunfante, com cânti­cos de vitória, e coroas e harpas, provaram a ardente fornalha de aflições terrestres – forna­lha aquecida intensamente. Vieram da pobreza, da fome e tortura, da profunda abnegação e amargas desilusões. Contemplai-os agora como vencedores, não mais pobres, não mais envoltos em tristeza, aflições e ódio de todos os homens por amor de Cristo. Vede suas vestes celestiais, brancas e resplandecentes, mais ricas do que as de qualquer rei. Olhai, pela fé, às suas coroas de glória; nunca semelhante diadema envolveu a fronte de qualquer rei terrestre.
Escutai as suas vozes, ao cantarem exaltados hosanas, agitando as palmas de vitória. Música melodiosa ressoa pelo Céu ao entoarem a melodia destas palavras: “‘Digno é o Cordeiro, que foi morto’ (Apoc. 5:12), e ressurgiu para sempre. ‘Ao nosso Deus, que Se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação.’ Apoc. 7:10.” E o exército angelical, anjos e arcanjos, querubins cobridores e sera­fins gloriosos, entoam o coro daquele cântico de alegria e triunfo, dizendo: “Amém! Louvor, e glória, e sabedoria, e ações de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre.” Apoc. 7:12.
Oh, naquele dia se descobrirá que os jus­tos eram os sábios, ao passo que os pecadores e desobedientes eram tolos em seu orgulho e vaidade, por negligenciarem as coisas de inte­resse eterno. Vergonha e desprezo eterno é sua porção. Os que foram cooperadores de Cristo estarão então bem perto do trono de Deus, cingidos de pureza e das vestes de justiça eterna. Carta 71, 1878.
Reino de Santo Amor
O governo do reino de Cristo é diferente de qualquer governo terrestre. É uma represen­tação do caráter dos que compõem o reino. … Sua corte é presidida pelo santo amor, e seus encargos e designações são agraciados pelo exercício da caridade. Encarrega Ele os Seus servos de introduzirem a piedade e a benigni­dade, Seus próprios atributos, no exercício de todos os seus encargos, e a acharem felicidade e satisfação em refletir o amor e terna compaixão da natureza divina. …
O poder de Cristo, tão-somente, pode realizar a transformação do coração e da mente, que têm de experimentar todos os que desejam, com Ele, participar da nova vida no reino de Deus. “Aquele que não nascer de novo…”, disse o Salvador, “não pode entrar no reino de Deus.” João 3:3 e 5. A religião que vem de Deus é a única que pode levar a Deus. Para servi-Lo corretamente temos de ser nascidos do Espírito divino. Este purificará o coração e renovará a mente dando-nos nova aptidão para conhecer e amar a Deus. Levar-nos-á a voluntária obe­diência a todas as Suas ordens. Isso é culto verdadeiro.
“Os teus olhos verão a Jerusalém, habi­tação tranqüila, tenda que não será removida, cujas estacas nunca serão arrancadas, nem rebentada nenhuma de suas cordas. Mas o Se­nhor ali nos será grandioso, fará as vezes de rios e correntes largas. … Porque o Senhor é o nosso Juiz, o Senhor é o nosso Legislador, o Senhor é o nosso Rei; Ele nos salvará. … Nenhum mo­rador de Jerusalém dirá: Estou doente; porque ao povo que habita nela, perdoar-se-lhe-á a sua iniquidade.” Isa. 33:20-22 e 24.
“Vós folgareis e exultareis perpetuamente no que Eu crio”, exorta o Senhor; “porque eis que crio para Jerusalém alegria e para o seu povo, regozijo. E exultarei por causa de Jerusalém e Me alegrarei no Meu povo, e nunca mais se ouvirá nela nem voz de choro nem de clamor. Eles edificarão casas e nelas habitarão; plantarão vinhas e comerão o seu fruto. Não edificarão para que outros habitem; não plan­tarão para que outros comam; porque a longe­vidade do Meu povo será como a da árvore, e os Meus eleitos desfrutarão de todo as obras das suas próprias mãos. … Não se fará mal nem dano algum em todo o Meu santo monte, diz o Senhor.” Isa. 65:18, 19, 21, 22 e 25. Manuscrito 9, 1908.
Ellen G. White – Meditações Matinainais – 1968, 369-37

18.12.12

A Tentação e Queda


Satanás assumiu a forma de serpente e entrou no Éden. A serpente era uma bela criatura com asas, e quando voava pelos ares apresentava uma aparência brilhante, parecendo ouro polido. Ela não andava sobre o chão, mas ia de uma árvore a outra pelo ar e comia frutos como o homem. Satanás entrou na serpente e tomou sua posição na árvore do conhecimento e começou vagarosamente a comer do fruto.
Eva, a princípio inconscientemente, absorvida em suas ocupações, separou-se do marido. Quando percebeu o fato, sentiu a apreensão do perigo, mas de novo imaginou estar segura, mesmo não estando ao lado do marido. Tinha sabedoria e força suficientes para discernir o mal e resistir-lhe. Os anjos haviam-na advertido para que não fizesse isso. Eva logo se achou a contemplar com um misto de curiosidade e admiração a árvore proibida. Viu que o fruto era muito belo, e pensava consigo mesma porque Deus decidira proibi-los de comê-lo ou tocar nele. Era então a oportunidade de Satanás. Dirigiu-se a ela como se fosse capaz de adivinhar seus pensamentos: "É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?" Gén. 3:1. Assim, com palavras suaves e aprazíveis, e com voz musical, dirigiu-se à maravilhada Eva. Ela se sobressaltou ao ouvir uma serpente falar. Esta exaltava sua beleza e excessivo encanto, o que não lhe desagradava. Mas Eva estava espantada, pois sabia que Deus não tinha conferido à serpente o poder da fala.
A curiosidade de Eva aumentou. Em vez de escapar do local, ficou ouvindo a serpente falar. Não ocorreu à sua mente que este pudesse ser o inimigo decaído, usando a serpente como médium. Era Satanás quem falava, não a serpente. Eva estava encantada, lisonjeada, enfatuada. Tivesse encontrado uma personagem autoritária, possuindo uma forma semelhante à dos anjos e a eles se parecendo, teria ela se colocado em guarda. Mas essa estranha voz devia tê-la impelido para junto de seu marido, a fim de perguntar-lhe porque outro podia assim livremente dirigir-se a ela. Mas entrou em controvérsia com a serpente. Respondeu a sua pergunta: "Do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal." Gén. 3:2-5.
Satanás desejava infundir a ideia de que pelo comer da árvore proibida eles receberiam uma nova e mais nobre espécie de conhecimento do que até então tinham alcançado. Este tem sido seu trabalho especial, com grande sucesso, desde a queda - levar o homem a forçar a porta dos segredos do Todo-poderoso, a não estar satisfeito com o que Deus revelou, e não cuidar de obedecer ao que Ele ordenou. Gostaria de levá-los a desobedecer aos mandamentos de Deus e então fazê-los crer que estão entrando num maravilhoso campo de saber. Isso é pura suposição, um miserável engano.
Eles deixam de compreender o que Deus revelou, menosprezam Seus explícitos mandamentos e aspiram a mais sabedoria, independente de Deus, procurando compreender aquilo que Lhe aprouve reter dos mortais. Exultam com suas ideias de progresso e se encantam com sua própria vã filosofia, mas apalpam trevas de meia-noite quanto ao verdadeiro conhecimento. Estão sempre estudando e nunca são capazes de chegar ao conhecimento da verdade.
Não era da vontade de Deus que este santo par tivesse qualquer conhecimento do mal. Dera-lhes livremente o bem, mas retivera o mal. Eva julgou sábias as palavras da astuta serpente, quando ouviu a audaciosa afirmação: "Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal" - fazendo de Deus um mentiroso. Gén. 3:4 e 5. Satanás insinuou insolentemente que Deus os tinha enganado, impedindo que fossem exaltados com um conhecimento igual ao Seu próprio. Deus disse: "No dia em que dela comeres, certamente morrerás." Gén. 2:17. A serpente disse: "Certamente não morrereis." Gén. 3:4.
O tentador assegurou a Eva que tão logo comesse o fruto, ela receberia um novo e superior conhecimento que a faria igual a Deus. Chamou sua atenção para si mesmo. Ele comera livremente da árvore e a achara não apenas perfeitamente inofensiva mas deliciosa e estimulante, e disse que era por causa de suas maravilhosas propriedades de comunicar a sabedoria e o poder que Deus lhes tinha proibido experimentá-la ou mesmo tocá-la, pois Ele conhecia estas maravilhosas qualidades. Declarou que ter comido o fruto da árvore proibida era a razão de ter obtido o dom da fala. Insinuou que Deus não levaria a cabo Sua advertência. Isto era meramente uma ameaça para intimidá-los e privá-los do grande bem. Disse-lhes mais, que não poderiam morrer. Não tinham comido da árvore da vida, que perpetuava a imortalidade? Disse que Deus os estava enganando e impedindo-os de um mais elevado estado de felicidade e mais exaltada alegria. O tentador colheu um fruto e passou-o a Eva. Ela o tomou nas mãos. Ora, disse o tentador, vocês foram proibidos até mesmo de tocá-lo pois morreriam. Não observariam maior sensação de perigo e morte comendo o fruto, declarou ele, do que nele tocando ou manuseando-o. Eva foi encorajada, pois não sentia os sinais imediatos do desagrado de Deus. Pensou que as palavras do tentador eram de todo sábias e corretas. Comeu, e ficou encantada com o fruto. Ele pareceu delicioso ao paladar, e ela imaginava sentir em si mesma os maravilhosos efeitos do fruto.
Eva Torna-se Tentadora
Ela então colheu para si do fruto e comeu, e imaginou sentir o poder de uma nova e elevada existência como resultado da exaltadora influência do fruto proibido. Em um estado de agitação estranha e fora do natural, com as mãos cheias do fruto proibido, procurou o marido. Relatou o sábio discurso da serpente e desejava conduzi-lo imediatamente à árvore do conhecimento. Disse-lhe que havia comido do fruto, e em vez de experimentar qualquer sensação de morte, sentia uma agradável e exaltadora influência. Tão logo Eva desobedeceu, tornou-se um poderoso agente para ocasionar a ruína do esposo.
Vi a tristeza sobrevir ao rosto de Adão. Mostrou-se atônito e alarmado. Uma luta parecia estar sendo travada em sua mente.
Disse a Eva que estava bem certo tratar-se do inimigo contra quem haviam sido advertidos; e se assim fosse, ela devia morrer. Ela assegurou-lhe que não estava sentindo qualquer mau efeito, mas, ao contrário, uma influência muito agradável, e insistiu com ele para que comesse.
Adão compreendeu muito bem que sua companheira transgredira a única proibição a eles imposta como prova de fidelidade e amor. Eva arrazoou que a serpente dissera que certamente não morreriam, e que suas palavras tinham de ser verdadeiras, pois não sentia qualquer sinal do desagrado de Deus, mas uma agradável influência, como imaginava que os anjos sentiam.
Adão lamentou por Eva ter deixado o seu lado; agora, porém, a ação estava praticada. Devia separar-se daquela cuja companhia ele tanto amara. Como podia suportar isso? Seu amor por Eva era muito grande. Em completo desencorajamento, resolveu partilhar a sua sorte. Raciocinou que Eva era uma parte dele, se ela devia morrer, com ela morreria ele, pois não podia suportar a ideia da separação. Faltou-lhe fé em seu misericordioso e benevolente Criador. Não compreendia que Deus, que do pó da terra o havia criado, como um ser vivo e belo, e tinha criado Eva para ser sua companheira, poderia suprir seu lugar. Afinal, não poderiam ser verdadeiras as palavras da serpente? Eva estava diante dele, tão bela, e aparentemente tão inocente como antes desse ato de desobediência. Sob os efeitos do fruto que havia comido, exprimia maior amor para com ele do que antes de sua desobediência. Não viu nela um só sinal de morte. Ela lhe havia contado da feliz influência do fruto, de seu ardente amor por ele, e decidiu afrontar as consequências. Tomou o fruto e comeu rapidamente e, como ocorreu com Eva, não sentiu imediatamente seus maus efeitos.
Eva pensava ter capacidade própria para decidir entre o certo e o errado. A enganadora esperança de entrada num mais elevado estado de conhecimento levou-a a pensar que a serpente era um amigo especial, que tinha grande interesse em sua prosperidade. Tivesse procurado o marido, e ambos relatado ao Seu Criador as palavras da serpente, e teriam sido imediatamente livrados de sua astuciosa tentação. O Senhor não desejava que buscassem o fruto da árvore do conhecimento, porque então seriam expostos ao engano de Satanás. Sabia que eles estariam perfeitamente a salvo se não tocassem no fruto.
História da Redenção, pp.32-37
E.G.White

13.12.12

Apetite e Paixão


O mundo tinha-se tornado tão corrupto através da condescendência com o apetite e aviltada paixão, nos dias de Noé, que Deus destruiu seus habitantes pelas águas do Dilúvio. Ao multiplicarem-se os homens sobre a Terra, a condescendência com o vinho causava uma pervertida intoxicação dos sentidos e preparava o caminho para o intoxicante consumo de carne e o fortalecimento das paixões sensuais. Os homens se levantaram contra o Deus dos Céus; e suas faculdades e oportunidades foram devotadas à autoglorificação, ao invés de honrarem seu Criador. Satanás facilmente obteve acesso ao coração dos homens. Ele é um diligente estudioso da Bíblia e está mais familiarizado com as profecias do que muitos professos religiosos. Sabe que é de interesse manter-se bem informado sobre os revelados propósitos de Deus, para que possa desfazer os planos do Infinito.
Assim, infiéis frequentemente estudam mais diligentemente as Escrituras do que alguns que professam ser guiados por elas. Alguns descrentes analisam as Escrituras para familiarizar-se com a verdade bíblica e fornecer a si mesmos argumentos, para fazer parecer que a Bíblia se contradiz. Muitos professos cristãos são tão ignorantes da Palavra de Deus, pela negligência do seu estudo, que ficam cegos pelo raciocínio enganoso daqueles que pervertem a verdade sagrada desviando as pessoas do conselho de Deus, apresentado em Sua Palavra.
Satanás viu nas ofertas típicas um Redentor esperado, que salvaria o homem do seu controle. Lançou seus planos profundos, para dominar o coração dos homens de geração em geração, e para cegar seu entendimento quanto às profecias, a fim de que, quando Jesus viesse, o povo O rejeitasse como seu Salvador.
Deus designou Moisés para libertar Seu povo da escravidão da terra do Egito, para que eles pudessem consagrar-se a fim de servi-Lo com perfeição de coração, e ser um tesouro peculiar. Moisés era o seu líder visível, enquanto Cristo estava na direção dos exércitos de Israel, seu Líder invisível. Se eles tivessem tido a devida compreensão do que se passava, não se teriam rebelado e provocado Deus no deserto, com as suas murmurações irrazoáveis. Deus disse a Moisés: "Eis que Eu envio um Anjo diante de ti, para que te guarde neste caminho e te leve ao lugar que te tenho aparelhado. Guarda-te diante dEle, e ouve a Sua voz, e não O provoques à ira; porque não perdoará a vossa rebelião; porque o Meu nome está nEle." Êxo. 23:20 e 21.
Quando Cristo, como líder, anjo guardião, condescendeu em comandar os exércitos de Israel através do deserto até Canaã, Satanás foi provocado, pois sentiu que seu poder não seria capaz de controlá-los tão bem. Todavia, ao ver que os exércitos de Israel eram facilmente influenciados e incitados à rebelião por suas insinuações, tinha esperança de levá-los à murmuração e ao pecado, o que traria sobre eles a ira de Deus. Ao verificar que o seu poder era admitido pelos homens, tornou-se audacioso nas suas tentações, incitando-os ao crime e à violência. Por meio dos enganos de Satanás, cada geração ia-se tornando mais fraca em poder físico, mental e moral. Isto lhe dava coragem para pensar na possibilidade de ter êxito em sua guerra contra Cristo em pessoa, quando Ele Se manifestasse.
São poucos em cada geração desde Adão os que têm resistido aos seus artifícios e permanecido como nobres representantes daquilo que o homem em seu poder é capaz de fazer e ser, enquanto Cristo coopera com os esforços humanos para ajudar o homem a sobrepujar o poder de Satanás. Enoque e Elias são representantes corretos do que a vida pode ser, por meio da fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Satanás ficou grandemente perturbado porque estes homens nobres e santos eram imaculados no meio da corrupção que os cercava, formando caráter perfeitamente justo e sendo considerados dignos da trasladação para o Céu. Ao permanecerem firmes em poder moral, na justiça enobrecedora, vencendo as tentações de Satanás, ele não podia colocá-los sob o domínio da morte. Gabou-se de que tinha poder para com suas tentações dominar Moisés, e que poderia manchar o seu nobre caráter e levá-lo a pecar, tomando para si, diante do povo, a glória que pertencia a Deus.
Cristo ressuscitou a Moisés e o levou para o Céu. Isto exasperou Satanás, levando-o a acusar o Filho de Deus de invadir seu domínio, roubando da sepultura sua legítima presa. Disse Judas, referindo-se à ressurreição de Moisés: "Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda." Jud. 9.
Quando Satanás tem êxito em tentar as pessoas a quem Deus tem especialmente honrado, a cometer graves pecados, ele triunfa, porque ganha para si mesmo uma grande vitória e causa dano ao reino de Cristo.
No Deserto da Tentação, pp. 30-32
E.G.White

7.12.12

A Criação


Pai e Filho empenharam-Se na grandiosa, poderosa obra que tinham planeado - a criação do mundo. A Terra saiu das mãos de seu Criador extraordinariamente bela. Havia montanhas, colinas e planícies, entrecortadas por rios e lagos. A Terra não era uma extensa planície, mas a monotonia do cenário era quebrada por montanhas e colinas, não altas e abruptas como hoje são, mas de formas regulares e belas. As rochas altas e desnudas não podiam ser vistas sobre ela, mas estavam debaixo da superfície, correspondendo aos ossos da Terra. As águas estavam distribuídas regularmente. As montanhas, as colinas e as belíssimas planícies eram adornadas com plantas, flores e altas e majestosas árvores de toda espécie, muitas vezes maiores e mais belas do que são agora. O ar era puro e saudável, e a Terra parecia um nobre palácio. Os anjos deleitavam-se e regozijavam-se com as maravilhosas obras de Deus.
Depois que a Terra foi criada, com sua vida animal, o Pai e o Filho levaram a cabo Seu propósito, planejado antes da queda de Satanás, de fazer o homem à Sua própria imagem. Eles tinham operado juntos na criação da Terra e de cada ser vivente sobre ela. E agora, disse Deus a Seu Filho: "Façamos o homem à Nossa imagem." Gén. 1:26. Ao sair Adão das mãos do Criador, era de nobre estatura e perfeita simetria. Tinha mais de duas vezes o tamanho dos homens que hoje vivem sobre a Terra, e era bem proporcionado. Suas formas eram perfeitas e cheias de beleza. Sua cútis não era branca ou pálida, mas rosada, reluzindo com a rica coloração da saúde. Eva não era tão alta quanto Adão. Sua cabeça alcançava pouco acima dos seus ombros. Ela, também, era nobre, perfeita em simetria e cheia de beleza.
Esse casal, que não tinha pecados, não fazia uso de vestes artificiais. Estavam revestidos de uma cobertura de luz e glória, tal como a usam os anjos. Enquanto viveram em obediência a Deus, esta veste de luz continuou a envolvê-los. Embora todas as coisas que Deus criou fossem belas e perfeitas, e aparentemente nada faltasse sobre a Terra criada para fazer Adão e Eva felizes, ainda manifestou Seu grande amor plantando para eles um jardim especial. Uma porção de seu tempo devia ser ocupada com a feliz tarefa de cuidar do jardim, e a outra porção para receber a visita dos anjos, ouvir suas instruções, e em feliz meditação. Seu labor não seria cansativo, mas aprazível e revigorante. Este belo jardim devia ser o seu lar.
Neste jardim o Senhor colocou árvores de toda variedade para utilidade e beleza. Havia árvores carregadas de luxuriantes frutos, de rica fragrância, belos aos olhos e agradáveis ao paladar, designados por Deus para alimento do santo par. Havia deleitosas vinhas que cresciam verticalmente, carregadas com o peso de seus frutos, diferentes de qualquer coisa que o homem tem visto desde a queda. Os frutos eram muito grandes e de coloração diversa; alguns quase negros, outros púrpura, vermelhos, rosados e verde-claros. Esses belos e luxuriantes frutos que cresciam sobre os ramos da videira foram chamados uvas. Eles não se espalhavam pelo chão, embora não suportados por grades, mas o peso dos frutos curvava-os para baixo. O feliz trabalho de Adão e Eva era moldar em belos caramanchéis os ramos das videiras, formando moradias de beleza natural, árvores vivas e folhagens, carregadas de fragrantes frutos.
A Terra era coberta de uma bela verdura, onde milhares de perfumadas flores de toda variedade cresciam em profusão. Todas as coisas eram de bom gosto e esplendidamente dispostas. No meio do jardim estava a árvore da vida, sobrepujando em glória a todas as outras árvores. Seu fruto assemelhava-se a maçãs de ouro e prata, e destinava-se a perpetuar a vida. As folhas continham propriedades curativas.
Adão e Eva no Éden
O santo par era muito feliz no Éden. Ilimitado controle fora-lhes dado sobre toda criatura vivente. O leão e o cordeiro divertiam-se pacífica e inofensivamente ao seu redor, ou dormitavam a seus pés. Pássaros de toda a variedade de cores e plumagens esvoaçavam entre as árvores e flores e em volta de Adão e Eva, enquanto seu melodioso canto ecoava entre as árvores em doces acordes de louvor a seu Criador.
Adão e Eva estavam encantados com as belezas de seu lar edénico. Eram deleitados com os pequenos cantores em torno deles, os quais usavam sua brilhante e graciosa plumagem, e gorjeavam seu feliz, jubiloso canto. O santo par unia-se a eles e elevava sua voz num harmonioso cântico de amor, louvor e adoração ao Pai e a Seu amado Filho pelos sinais de amor ao seu redor. Reconheciam a ordem e a harmonia da criação, que falavam de sabedoria e conhecimento infinitos.
Estavam continuamente descobrindo algumas novas belezas e excelências de seu lar edénico, as quais enchiam seu coração de profundo amor e lhes arrancavam dos lábios expressões de gratidão e reverência a seu Criador.
História da Redenção, pp.20-23
E.G.White

3.12.12

A Queda de Lúcifer


Lúcifer, no Céu, antes de sua rebelião foi um elevado e exaltado anjo, o primeiro em honra depois do amado Filho de Deus. Seu semblante, como o dos outros anjos, era suave e exprimia felicidade. A testa era alta e larga, demonstrando grande inteligência. Sua forma era perfeita, o porte nobre e majestoso. Uma luz especial resplandecia de seu semblante e brilhava ao seu redor, mais viva do que ao redor dos outros anjos; todavia, Cristo, o amado Filho de Deus, tinha preeminência sobre todo o exército angelical. Ele era um com o Pai, antes que os anjos fossem criados. Lúcifer invejou a Cristo, e gradualmente pretendeu o comando que pertencia unicamente a Cristo.
O grande Criador convocou os exércitos celestiais para, na presença de todos os anjos, conferir honra especial a Seu Filho. O Filho estava assentado no trono com o Pai, e a multidão celestial de santos anjos reunida ao redor. O Pai então fez saber que, por Sua própria decisão, Cristo, Seu Filho, devia ser considerado igual a Ele, assim que em qualquer lugar que estivesse presente Seu Filho, isto valeria pela Sua própria presença. A palavra do Filho devia ser obedecida tão prontamente como a palavra do Pai. Seu Filho foi por Ele investido com autoridade para comandar os exércitos celestiais. Especialmente devia Seu Filho trabalhar em união com Ele na projetada criação da Terra e de cada ser vivente que devia existir sobre ela. O Filho levaria a cabo Sua vontade e Seus propósitos, mas nada faria por Si mesmo. A vontade do Pai seria realizada nEle.
Lúcifer estava invejoso e enciumado de Jesus Cristo. Todavia, quando todos os anjos se curvaram ante Jesus reconhecendo Sua supremacia e alta autoridade e direito de governar, ele curvou-se com eles, mas seu coração estava cheio de inveja e rancor. Cristo tinha sido introduzido no especial conselho de Deus, na consideração de Seus planos, enquanto Lúcifer não participara deles. Ele não compreendia, nem lhe fora permitido conhecer, os propósitos de Deus. Mas Cristo era reconhecido como o soberano do Céu; Seu poder e autoridade eram os mesmos de Deus. Lúcifer pensou em si mesmo como o favorito entre os anjos no Céu. Tinha sido grandemente exaltado, mas isto não despertou nele louvor e gratidão ao seu Criador. Aspirava à altura do próprio Deus. Gloriava-se na sua altivez. Sabia que era honrado pelos anjos. Tinha uma missão especial a executar. Tinha estado perto do grande Criador e o resplendor incessante da gloriosa luz que cercava o eterno Deus tinha brilhado especialmente sobre ele. Pensava como os anjos tinham obedecido a seu comando com grande entusiasmo. Não era seu vestuário belo e brilhante? Por que devia Cristo ser assim honrado acima dele?
Ele deixou a imediata presença do Pai, insatisfeito e cheio de inveja contra Jesus Cristo. Dissimulando seu real propósito, convocou os exércitos angelicais. Introduziu seu assunto, que era ele mesmo. Como alguém agravado, relatou a preferência que Deus dera a Jesus em prejuízo dele. Contou que, dali em diante, toda a doce liberdade que os anjos tinham desfrutado estava no fim. Pois não havia sido posto sobre eles um governador, a quem deviam de agora em diante render honra servil? Declarou que os tinha reunido para assegurar-lhes que ele não mais se submeteria à invasão dos direitos seus e deles; que nunca mais ele se prostraria ante Cristo; que assumiria a honra que lhe devia ter sido conferida e que seria o comandante de todos aqueles que se dispusessem a segui-lo e obedecer a sua voz.
Houve controvérsia entre os anjos. Lúcifer e seus simpatizantes lutavam para reformar o governo de Deus. Estavam descontentes e infelizes porque não podiam perscrutar Sua insondável sabedoria e verificar o Seu propósito em exaltar Seu Filho e dotá-Lo com tal ilimitado poder e comando. Rebelaram-se contra a autoridade do Filho.
Os anjos que eram leais e sinceros procuraram reconciliar este poderoso rebelde à vontade de seu Criador. Justificaram o ato de Deus em conferir honra a Seu Filho e, com fortes razões, tentaram convencer Lúcifer de que não lhe cabia menos honra agora do que antes que o Pai proclamasse a honra que tinha conferido a Seu Filho. Mostraram-lhe claramente que Cristo era o Filho de Deus, existindo com Ele antes que os anjos fossem criados, que sempre estivera à mão direita de Deus, e Sua suave, amorosa autoridade até o presente não tinha sido questionada; e que Ele não tinha dado ordens que não fossem uma alegria para o exército celestial executar. Eles insistiam que o receber Cristo honra especial de Seu Pai, na presença dos anjos, não diminuía a honra que Lúcifer recebera até então. Os anjos choraram. Ansiosamente tentaram levá-lo a renunciar a seu mau desígnio e render submissão ao Criador; pois até então tudo fora paz e harmonia, e o que podia ocasionar esta voz discordante, rebelde?
Lúcifer recusou ouvi-los. Então afastou-se dos anjos leais e sinceros, denunciando-os como escravos. Estes anjos, leais a Deus, ficaram pasmados ao verem que Lúcifer era bem-sucedido em seu esforço para incitar a rebelião. Prometia-lhes um novo e melhor governo do que então tinham, no qual todos seriam livres. Grande número expressou seu propósito de aceitá-lo como líder e principal comandante. Ao ver que seus primeiros passos foram coroados de sucesso, vangloriou-se de que ainda haveria de ter todos os anjos ao seu lado, que seria igual ao próprio Deus e que sua voz autoritária seria ouvida no comando de todo o exército celestial. De novo os anjos leais advertiram-no, alertando-o quanto às consequências se ele persistisse; que Aquele que pôde criar os anjos tinha poder para retirar-lhes toda a autoridade e de alguma assinalada maneira punir-lhes a audácia e terrível rebelião. E pensar que um anjo pudesse resistir à Lei de Deus, que era tão sagrada como Ele mesmo! Exortaram os rebeldes a cerrar os ouvidos às razões fraudulentas de Lúcifer, advertindo-o, e a todos os que tinham sido afetados, que fossem a Deus e confessassem seu engano, por admitirem mesmo um pensamento que punha em dúvida Sua autoridade.
Muitos dos simpatizantes de Lúcifer ouviram o conselho dos anjos leais, se arrependeram de sua insatisfação, e de novo receberam a confiança do Pai e Seu amado Filho. O grande rebelde declarou então que estava familiarizado com a lei de Deus e se se submetesse a uma obediência servil seria despojado de sua honra. Nunca mais poderia ser incumbido de sua exaltada missão. Disse que ele mesmo e os que com ele se uniram tinham ido muito longe para voltarem, que enfrentaria as consequências, que nunca mais se prostraria para adorar servilmente o Filho de Deus; que Deus não perdoaria, e que agora precisavam garantir sua liberdade e conquistar pela força a posição e autoridade que não lhes fora concedida voluntariamente.
Os anjos leais apressaram-se a relatar ao Filho de Deus o que acontecera entre os anjos. Acharam o Pai em conferência com Seu Filho amado, para determinar os meios pelos quais, para o bem-estar dos anjos leais, a autoridade assumida por Satanás podia ser para sempre retirada. O grande Deus podia de uma vez lançar do Céu este arquienganador; mas este não era o Seu propósito. Queria dar aos rebeldes uma oportunidade igual para medirem sua força e poder com Seu próprio Filho e Seus anjos leais. Nesta batalha cada anjo escolheria seu próprio lado e seria manifesto a todos. Não teria sido seguro tolerar que qualquer que se havia unido a Satanás na rebelião, continuasse a ocupar o Céu. Tinham aprendido a lição de genuína rebelião contra a imutável Lei de Deus e isto era irremediável. Se Deus tivesse exercido Seu poder para punir este sumo rebelde, os anjos desafetos não se teriam revelado; portanto, Deus tomou outra direção, pois queria manifestar distintamente a todo exército celestial Sua justiça e juízo.
Guerra no Céu
Rebelar-se contra o governo de Deus foi o maior crime. Todo o Céu parecia estar em comoção. Os anjos foram dispostos em ordem por companhias, cada divisão com o mais categorizado anjo à sua frente. Satanás estava guerreando contra a lei de Deus, por causa da ambição de exaltar-se a si mesmo, e por não desejar submeter-se à autoridade do Filho de Deus, o grande comandante celestial.
Toda o exército celestial foi convocado para comparecer perante o Pai, a fim de que cada caso ficasse decidido. Satanás ousadamente fez saber sua insatisfação por ter sido Cristo preferido a ele. Permaneceu orgulhoso e instando que devia ser igual a Deus e introduzido a conferenciar com o Pai e entender Seus propósitos. Deus informou a Satanás que apenas a Seu Filho Ele revelaria Seus propósitos secretos, e que requeria de toda a família celestial, e mesmo de Satanás, que Lhe rendessem implícita e inquestionável obediência; mas que ele (Satanás) tinha provado ser indigno de ter um lugar no Céu. Então Satanás exultantemente apontou aos seus simpatizantes, quase a metade de todos os anjos, e exclamou: "Estes estão comigo! Expulsarás também a estes e deixarás tal vazio no Céu?" Declarou então que estava preparado para resistir à autoridade de Cristo e defender seu lugar no Céu pelo poder da força, força contra força.
Os anjos bons choraram ao ouvir as palavras de Satanás e sua exultante arrogância. Deus declarou que os rebeldes não mais podiam permanecer no Céu. Seu estado elevado e feliz tinha sido conservado sob a condição de obediência à lei que Deus dera para governar as elevadas ordens de seres. Mas nenhuma provisão tinha sido feita para salvar os que se aventurassem a transgredir Sua lei. Satanás tornou-se mais ousado em sua rebelião, e expressou seu desprezo à lei do Criador. Esta (a Lei) Satanás não podia suportar. Declarou que os anjos não precisavam de lei, mas deviam ser livres para seguir a própria vontade, a qual os guiaria sempre retamente; que a lei era uma restrição a sua liberdade; e que a abolição da lei era um dos grandes objetivos da posição que assumira. A condição dos anjos, pensava ele, necessitava de aperfeiçoamento. Assim não pensava Deus, que tinha feito leis, colocando-as em igualdade consigo mesmo. A felicidade de todos os anjos dependia de sua perfeita obediência à lei. Cada um tinha seu trabalho especial designado e, antes da rebelião de Satanás, existira no Céu perfeita ordem e ação harmónica.
Então houve guerra no Céu. O Filho de Deus, o Príncipe do Céu, e Seus anjos leais empenharam-se num conflito com o grande rebelde e com aqueles que se uniram a ele. O Filho de Deus e os anjos verdadeiros e leais prevaleceram; e Satanás e seus simpatizantes foram expulsos do Céu. Todo o exército celestial reconheceu e adorou o Deus da justiça. Nenhuma mácula de rebelião foi deixada no Céu. Tudo voltara a ser paz e harmonia como antes. Os anjos do Céu lamentaram a sorte daqueles que tinham sido seus companheiros de felicidade e alegria. Sua perda era sentida no Céu.
O Pai consultou Seu Filho com respeito à imediata execução de Seu propósito de fazer o homem para habitar a Terra. Colocaria o homem sob prova a fim de testar sua lealdade, antes que ele pudesse ser posto eternamente fora de perigo. Se ele suportasse o teste com o qual Deus considerava conveniente prová-lo, seria finalmente igual aos anjos. Teria o favor de Deus podendo conversar com os anjos, e estes, com ele. Deus não achou conveniente colocar os homens fora do poder da desobediência.
História da Redenção, pp. 13-19
E.G.White