15.11.13

Quem pode conhecer a Deus?

Não podemos, pesquisando, encontrar a Deus; Ele, porém, revelou-Se em Seu Filho, que é o esplendor da glória de Seu Pai, e a expressa imagem de Sua pessoa. Se desejarmos conhecimento de Deus, precisamos ser semelhantes a Cristo. ... Viver uma vida pura pela fé em Cristo como Salvador pessoal trará ao crente mais clara e elevada concepção de Deus. ... {PC 4.2}
Vida eterna é a recompensa que será dada a todos quantos obedecem aos dois grandes princípios da lei de Deus — amor a Deus e aos semelhantes. Os primeiros quatro mandamentos definem e ordenam o amor a Deus; os últimos seis, o amor aos semelhantes. A obediência a esses mandamentos é a única prova que o homem pode dar de possuir genuíno conhecimento de Deus, um conhecimento salvador. O amor a Deus demonstra-se pelo amor por aqueles por quem Cristo morreu. {PC 4.3}
Oculto na coluna de nuvens, Cristo deu direções acerca desse amor. Estabeleceu distinta e claramente os princípios do Céu como regras que Seu povo escolhido devia observar em seu trato uns com os outros. Esses princípios viveu Cristo em Sua vida na humanidade. Apresentou em Seus ensinos os motivos que devem governar a vida de Seus seguidores. ... {PC 4.4}
Os que partilham do amor de Deus mediante a recepção da verdade, darão testemunho disso fazendo diligentes e abnegados esforços para levar a outros a mensagem do amor de Deus. Tornam-se assim colaboradores de Cristo. O amor a Deus e uns aos outros, une-os com Cristo por cadeias de ouro. Sua vida está ligada com a dEle em santa e elevada união. ... Esta união faz com que fluam continuamente abundantes correntes do amor de Cristo aos corações, daí fluindo em amor aos outros. {PC 4.5}
As qualidades essenciais a todos a fim de conhecerem a Deus, são as que assinalam a inteireza do caráter de Cristo — Seu amor, Sua paciência, abnegação. Esses atributos são cultivados pela prática de atos de bondade com benigno coração. — The Youth’s Instructor, 22 de Março de 1900. {PC 4.6}
Não basta conhecimento superficial
Aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória. Colossences 1:27. {PC 5.1}

9.11.13

Submissão à vontade de Deus

Vigiai, pois, a todo tempo.
Orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do homem. Lucas 21:36. {JM 17.1}
Orem frequentemente ao Pai celestial. Quanto mais vezes você se empenharem em oração, tanto mais serão atraídos em sagrada proximidade de Deus. O Espírito Santo fará intercessão pelo suplicante sincero, com gemidos inexprimíveis, e o coração será abrandado e sensibilizado pelo amor de Deus. As nuvens e sombras que Satanás lança em torno da vida serão espancadas pelos brilhantes raios do Sol da Justiça, e as recâmaras da mente e do coração serão iluminadas pela luz do Céu. {JM 17.2}
Mas não desanimem se suas orações não parecem alcançar resposta imediata. O Senhor vê que a oração é muitas vezes misturada com coisas terrenas. Os homens oram pedindo aquilo que satisfaça seus desejos egoístas, e o Senhor não os atende da maneira que esperam. Leva-os através de provas e aflições,

2.11.13

Parábolas sobre o Reino de Deus

Azeite nas vasilhas
As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas. Mateus 25:3, 4. {RP 15.1}
Muitos aceitam a verdade prontamente, mas não a assimilam, e sua influência não é duradoura. São semelhantes às virgens néscias, que não tinham azeite em suas vasilhas com as lâmpadas. O azeite é um símbolo do Espírito Santo, que é introduzido na alma pela fé em Jesus Cristo. Aqueles que examinam diligentemente as Escrituras com muita oração, que confiam em Deus com firme fé, que obedecem aos Seus mandamentos, estarão entre os que são representados como virgens prudentes. Os ensinamentos da Palavra de Deus não são Sim e Não, mas Sim e Amém. {RP 15.2}
O preceito do evangelho é de grande alcance. O apóstolo declara: “Tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai.” Colossences 3:17. “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31. A piedade prática não será alcançada dando-se às grandiosas verdades da Bíblia um espaço do lado de fora do coração. A religião da Bíblia precisa ser introduzida nas grandes, bem como nas pequenas questões da vida. Ela precisa prover os poderosos motivos e princípios que governem o caráter e o procedimento do cristão. ... {RP 15.3}
O azeite de que tanto necessitavam os que são representados como virgens néscias não é algo a ser posto por fora. Eles precisam introduzir a verdade no santuário da alma, para que purifique, aprimore e santifique. Não é de teoria que eles precisam, e sim dos sagrados ensinamentos da Bíblia, que não são doutrinas incertas e desconexas, mas verdades vivas, que envolvem interesses eternos centralizados em Cristo. Nele se encontra o sistema completo da verdade divina. A salvação da alma, pela fé em Cristo, é o fundamento e a coluna da verdade. {RP 15.4}
Os que exercem verdadeira fé em Cristo manifestam isso pela santidade de caráter, pela obediência à lei de Deus. Percebem que a verdade, assim como é em Jesus, atinge o Céu e abrange a eternidade. Compreendem que o caráter do cristão deve representar o caráter de Cristo e estar cheio de graça e de verdade. É-lhes comunicado o azeite da graça, que faz com que a luz permaneça acesa. O Espírito Santo no coração do crente torna-o completo em Cristo. — The Review and Herald, 17 de Setembro de 1895. {RP 15.5}
Constante fluxo de azeite
Tornando a falar-lhe, perguntei: Que são aqueles dois raminhos de oliveira que estão junto aos dois tubos de ouro, que vertem de si azeite dourado? Ele me respondeu: Não sabes que é isto? Eu disse: Não, meu senhor. Então, ele disse: São os dois ungidos, que assistem junto ao Senhor de toda a Terra. Zacarias 4:12-14. {RP 16.1}
A contínua comunicação do Espírito Santo à igreja é representada pelo profeta Zacarias sob outra figura, que contém maravilhosa lição de encorajamento para nós. O profeta declara: “Tornou o anjo que falava comigo e me despertou, como a um homem que é despertado do seu sono, e me perguntou: Que vês? Respondi: Olho, e eis um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro. Junto a este, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e a outra à sua esquerda. {RP 16.2}
“Então, perguntei ao anjo que falava comigo: Meu senhor, que é isto? ... Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos. ... Tornando a falar-lhe, perguntei: Que são aqueles dois raminhos de oliveira que estão junto aos dois tubos de ouro, que vertem de si azeite dourado? ... Então, ele disse: São os dois ungidos, que assistem junto ao Senhor de toda a Terra.” Zacarias 4:1-14. {RP 16.3}
Das duas oliveiras, o azeite dourado era conduzido através de tubos de ouro, para o bojo do candelabro e daí para as lâmpadas de ouro que iluminavam o santuário. Assim também, dos santos que permanecem na presença de Deus, Seu Espírito é transmitido aos instrumentos humanos que se consagram ao Seu serviço. A missão dos dois ungidos é comunicar luz e poder ao povo de Deus. É para receber bênçãos para nós que eles estão na presença de Deus. Como as oliveiras esvaziam-se nos tubos de ouro, assim procuram os mensageiros celestes comunicar tudo o que recebem de Deus. Todo o tesouro celestial aguarda nosso pedido e recepção; e, ao receber a bênção, devemos transmiti-la a outros. É assim que as lâmpadas sagradas são abastecidas, e a igreja se torna portadora de luz no mundo. — The Review and Herald, 2 de Março de 1897. {RP 16.4}
Fermento em nosso coração
Disse mais: A que compararei o reino de Deus? É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado. Lucas 13:20, 21. {RP 17.1}
Esta parábola ilustra o poder penetrante e assimilador do evangelho, que deve moldar a igreja à semelhança divina, atuando nos corações dos membros individuais. Assim como o fermento age na farinha, o Espírito Santo age no coração humano, absorvendo todas as suas faculdades e aptidões, pondo alma, corpo e espírito em harmonia com Cristo. {RP 17.2}
Na parábola, a mulher colocou o fermento na farinha. Ele era necessário para suprir uma necessidade. Com isso, Deus queria ensinar-nos que, por si mesmo, o homem não possui os atributos da salvação. Ele não pode transformar-se pelo uso de sua vontade. A verdade tem de ser recebida no coração. Assim o fermento divino realiza sua obra. Por seu poder transformador e vitalizante, produz uma mudança no coração. São despertados novos pensamentos, novos sentimentos, novos propósitos. A mente é transformada, as faculdades são postas em atividade. O homem não é provido de novas faculdades, mas as faculdades que possui são santificadas. É despertada a consciência que até então estava morta. Mas o homem não pode fazer essa mudança por si mesmo. Ela só pode ser efetuada pelo Espírito Santo. Todos os que querem ser salvos, quer sejam altos ou baixos, ricos ou pobres, precisam submeter-se à atuação desse poder. {RP 17.3}
Esta verdade é apresentada nas palavras de Cristo a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. ... O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de Eu te dizer: Importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.” João 3:3-8. {RP 17.4}
Quando nosso espírito é dirigido pelo Espírito de Deus, compreendemos a lição ensinada pela parábola do fermento. Os que abrem o coração para receber a verdade compreenderão que a Palavra de Deus é o grande instrumento na transformação do caráter. — The Review and Herald, 25 de Julho de 1899. {RP 17.5}
Água viva a ser partilhada
Aquele, porém, que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que Eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna. João 4:14. {RP 18.1}
Como o plano da redenção começa e finda com um dom, assim ele deve ser levado adiante. O mesmo espírito de sacrifício que nos adquiriu a salvação habitará no coração de todos quantos se tornarem participantes do dom celestial. Diz o apóstolo Pedro: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” 1 Pedro 4:10. Disse Jesus a Seus discípulos, quando os enviou: “De graça recebestes, de graça dai.” Mateus 10:8. Na pessoa que se acha plenamente em harmonia com Cristo não pode haver nada de egoísmo ou exclusivismo. O que bebe da água viva perceberá que ela é “nele uma fonte a jorrar para a vida eterna”. João 4:14. O Espírito de Cristo é, dentro dele, como uma nascente manando no deserto, fluindo para refrigerar a todos e tornando os que se acham prestes a perecer ansiosos de beber da água da vida. {RP 18.2}
Foi o mesmo espírito de amor e abnegação que habitou em Cristo, que impeliu o apóstolo Paulo a seus múltiplos labores. “Sou devedor”, ele diz, “tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes.” Romanos 1:14. “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo.” Efésios 3:8. {RP 18.3}
Nosso Senhor pretendia que Sua igreja refletisse para o mundo a plenitude e suficiência que nEle encontramos. Recebemos constantemente bênçãos de Deus, e partilhando-as por nossa vez, representamos para o mundo o amor e a beneficência de Cristo. Enquanto todo o Céu está em atividade, enviando mensageiros a todas as partes da Terra, para levar avante a obra da redenção, a igreja do Deus vivo também deve colaborar com Jesus Cristo. Somos membros de Seu corpo místico. Ele é a cabeça, regendo todos os membros do corpo. O próprio Jesus, em Sua infinita misericórdia, está trabalhando em corações humanos, efetuando transformações espirituais tão surpreendentes que os anjos as contemplam com estupefação e alegria. — The Review and Herald, 24 de Dezembro de 1908. {RP 18.4}
Seiva vivificante
Aconteceu que, estando Apolo em Corinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. Atos dos Apóstolos 19:1, 2. {RP 19.1}
Há muitos hoje em dia tão ignorantes da obra do Espírito Santo sobre o coração quanto o eram os crentes de Éfeso; não há entretanto verdade mais claramente ensinada na Palavra de Deus. Profetas e apóstolos têm-se demorado sobre este tema. Cristo mesmo chama nossa atenção para o crescimento do mundo vegetal, como uma ilustração da operação de Seu Espírito no suster a vida espiritual. A seiva da vinha, subindo da raiz, é difundida para os ramos, promovendo o crescimento e produzindo flores e frutos. Assim o poder vitalizante do Espírito Santo, que emana do Salvador, permeia a alma, renova os motivos e afeições e leva os próprios pensamentos à obediência da vontade de Deus, capacitando o que recebe a produzir os preciosos frutos de obras santas. {RP 19.2}

O Autor desta vida espiritual é invisível, e o método exato pelo qual é esta vida repartida e mantida está além da capacidade da filosofia humana explicar. Todavia as operações do Espírito estão sempre em harmonia com a Palavra escrita. Como sucede no mundo natural, assim também se dá no espiritual. A vida natural é preservada a todo o momento pelo divino poder; todavia não é sustentada por um milagre direto, mas mediante o uso de bênçãos colocadas ao nosso alcance. De igual forma é a vida espiritual sustentada pelo uso dos meios supridos pela Providência. Se o seguidor de Cristo quiser crescer até chegar “a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:13), precisa comer do pão da vida e beber da água da salvação. Precisa vigiar, orar e trabalhar, dando em todas as coisas atenção às instruções de Deus em Sua Palavra. — Atos dos Apóstolos, 284, 285. {RP 19.3}

29.10.13

Reverência ao Deus Autor da nossa Fé

Então, Ele os ensinou: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o Teu nome; venha o Teu reino. Lucas 11:2. {JM 10.1}
Para santificar o nome do Senhor é necessário que as palavras com as quais falamos do Ser Supremo sejam pronunciadas com reverência. “Santo e tremendo é o Seu nome”. Salmos 111:9. Não devemos nunca, de qualquer modo, tratar com leviandade os títulos ou nomes da Divindade. Ao orar, penetramos na sala de audiência do Altíssimo, e devemos ir à Sua presença com santa reverência. Os anjos velam o rosto em Sua presença. Os querubins e os santos serafins aproximam-se de Seu trono com solene reverência. Quanto mais deveríamos nós, seres finitos e pecadores, apresentar-nos de modo reverente perante o Senhor, nosso Criador! {JM 10.2}
Mas santificar o nome do Senhor quer dizer muito mais do que isso. Podemos, como os judeus dos dias de Cristo, manifestar exteriormente a maior reverência por Deus, e todavia profanar constantemente o Seu nome. “O nome do Senhor” é “misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade; [...] que perdoa a iniquidade, e a transgressão, e o pecado”. Êxodo 34:5-7. Sobre a igreja de Cristo acha-se escrito “Este é o nome que Lhe chamarão: O Senhor é nossa justiça”. Jeremias 33:16. Este nome é acrescentado a todo seguidor de Cristo. É a herança do filho de Deus. A família recebe o nome do Pai. O profeta Jeremias, num tempo de  tristeza e tribulação para Israel, orou: “Somos chamados pelo Teu nome; não nos desampares”. Jeremias 14:9. {JM 10.3}
Este nome é santificado pelos anjos no Céu, pelos habitantes dos mundos não caídos. Quando você ora: “Santificado seja o Teu nome” (Mateus 6:9), está pedindo que seja santificado neste mundo, santificado em você. Deus o reconheceu como Seu filho, perante homens e anjos; ore para que não venha a desonrar “o bom nome que sobre vocês foi invocado”. Tiago 2:7 (NVI). Deus os envia ao mundo como Seus representantes. Em cada ato da vida vocês devem tornar manifesto o nome de Deus. Esse pedido é um convite para que possuam o Seu caráter. Vocês não podem santificar o Seu nome, nem podem representá-Lo perante o mundo, a menos que na vida e no caráter representem a própria vida e caráter de Deus. Isto só pode ser feito mediante a aceitação da graça e justiça de Cristo. — O Maior Discurso de Cristo, 106-107. {JM 10.4}
O pão de cada dia
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Mateus 6:11. {JM 11.1}
Como uma criança, vocês receberão dia a dia o suficiente para a necessidade diária. Cada dia vocês devem orar: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. Mateus 6:11. Não desanimem se não têm o suficiente para amanhã. Vocês têm a garantia de Sua promessa: “Habitarás na Terra e, verdadeiramente, serás alimentado”. Salmos 37:3. Diz Davi: “Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão”. Salmos 37:25. [...] {JM 11.2}
Aquele que abrandava os cuidados e ansiedades de Sua mãe viúva, e a ajudava a prover a casa de Nazaré, compreende toda mãe em sua luta para prover alimento aos filhos. O que Se compadeceu das turbas porque “estavam fatigadas e derramadas” (Mateus 9:36, TT), ainda Se compadece dos pobres sofredores. Sua mão está estendida para eles em uma bênção; e na própria oração que ensinou aos Seus discípulos, ensina-nos a lembrar os pobres. [...] {JM 11.3}
A oração pelo pão de cada dia inclui não apenas o alimento para sustentar o corpo, mas aquele pão espiritual que nos nutrirá para a vida eterna. Jesus nos ordena: “Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna”. João 6:27 (NVI). Ele diz: “Eu sou o pão vivo que desceu do Céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre”. João 6:51. Nosso Salvador é pão da vida, e é mediante a contemplação de Seu amor, e recebendo esse amor no coração, que nos nutrimos do pão que desceu do Céu. {JM 11.4}
Recebemos a Cristo por meio de Sua Palavra; e o Espírito Santo é dado a fim de esclarecer a Palavra ao nosso entendimento, impressionando-nos o coração com suas verdades. Devemos orar, dia a dia para que, ao lermos Sua Palavra, Deus envie Seu Espírito a fim de nos revelar a verdade que nos fortalecerá a alma para a necessidade do dia. {JM 11.5}
Ensinando-nos a pedir cada dia o que necessitamos — tanto as bênçãos temporais como as espirituais — Deus tem um propósito para nosso bem. Deseja que reconheçamos nossa dependência de Seu constante cuidado; pois procura atrair-nos em comunhão com Ele. Nessa comunhão com Cristo, mediante a oração e o estudo das grandes e preciosas verdades de Sua Palavra, seremos alimentados, como os que têm fome; como os que têm sede, seremos saciados pela fonte da vida. — O Maior Discurso de Cristo, 111-113. {JM 11.6}
Espírito perdoador
Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas. Mateus 6:14-15. {JM 12.1}
Nosso Salvador ensinou Seus discípulos a orar: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Mateus 6:12. Uma grande bênção é aqui solicitada sob condição. Nós mesmos afirmamos essas condições. Pedimos que a misericórdia de Deus para conosco seja medida pela misericórdia que mostramos a outros. Cristo declara que esta é a regra pela qual o Senhor tratará conosco: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas”. Mateus 6:14-15. Maravilhosos termos! Mas quão pouco são compreendidos ou acatados. {JM 12.2}
Um dos pecados mais comuns, e que é seguido dos resultados mais perniciosos, é a tolerância de um espírito não disposto a perdoar. Quantos abrigam animosidade ou espírito de vingança, e então curvam a cabeça diante de Deus e pedem para ser perdoados assim como perdoam! Certamente não podem possuir o verdadeiro senso do que esta oração importa, ou não a tomariam nos lábios. Dependemos da misericórdia de Deus cada dia e cada hora; como podemos então agasalhar amargura e malícia para com o nosso próximo pecador! Se, em seus relacionamentos diários os cristãos aplicarem os princípios dessa oração, que bendita mudança se operará na igreja e no mundo! Esse seria o mais convincente testemunho dado sobre a realidade da religião bíblica. [...] {JM 12.3}
Somos advertidos pelo apóstolo: “O amor seja não fingido. Aborrecei o mal, e apegai-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”. Romanos 12:9-10. Paulo desejava que distinguíssemos, entre o amor puro, abnegado, que é induzido pelo espírito de Cristo, e a pretensão sem sentido e enganosa, que é abundante no mundo. Essa vil falsificação tem desviado muitas pessoas. Poderia anular a distinção entre o certo e o errado, concordando com os transgressores, em vez de mostrar fielmente seus erros. Tal procedimento nunca provém da verdadeira amizade. O espírito pelo qual é induzido só habita no coração carnal. {JM 12.4}
Embora os cristãos devam ser sempre bondosos, compassivos e perdoadores, não podem viver em harmonia com o pecado. Aborrecerão o mal e se apegarão ao que é bom, mesmo com sacrifício da associação ou amizade com os ímpios. O espírito de Cristo nos levará a odiar o pecado, ao mesmo tempo em que estaremos dispostos a fazer qualquer sacrifício para salvar o pecador. — Testemunhos para a Igreja 5:170-171. {JM 12.5}
Coração agradecido
Então, entoou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao Senhor, e disseram: Cantarei ao Senhor, porque triunfou gloriosamente; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro. O Senhor é a minha força e o meu cântico; Ele me foi por salvação; este é o meu Deus; portanto, eu O louvarei; Ele é o Deus de meu pai; por isso, O exaltarei. Êxodo 15:1-2. {JM 13.1}
Semelhante à voz das profundezas, surgiu das vastas hostes de Israel aquela sublime tributação de louvor. Começou com as mulheres de Israel, tendo à frente Miriã, irmã de Moisés, ao saírem elas com tamboril e danças. Longe, por sobre o deserto e o mar, repercutia o festivo estribilho, e as montanhas ecoavam as palavras de seu louvor. [...] {JM 13.2}
Este cântico e o grande livramento que ele comemora produziram uma impressão que nunca se dissiparia da memória do povo hebreu. De século em século era repercutido pelos profetas e cantores de Israel, testemunhando que Jeová é a força e livramento daqueles que n´Ele confiam. Aquele cântico não pertence unicamente ao povo judeu. Ele aponta, no futuro, a destruição de todos os adversários da justiça, e a vitória final do Israel de Deus. O profeta de Patmos vê a multidão vestida de branco, dos que “saíram vitoriosos”, em pé sobre o “mar de vidro misturado com fogo”, tendo as “harpas de Deus. E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro”. Apocalipse 15:2-3. [...] {JM 13.3}
Tal era o espírito que penetrava o cântico do livramento de Israel, e é o espírito que deveria habitar no coração de todos os que amam e temem a Deus. Libertando-nos do cativeiro do pecado, Deus operou para nós um livramento maior do que o dos hebreus no Mar Vermelho. Como a hoste dos hebreus, devemos louvar ao Senhor com o coração, com a alma, e com a voz, pelas Suas maravilhosas obras aos filhos dos homens. Aqueles que meditam nas grandes bênçãos de Deus, e não se esquecem de Suas menores dádivas, cingir-se-ão de alegria, e entoarão sinceros hinos ao Senhor. As bênçãos diárias que recebemos das mãos de Deus, e acima de tudo, a morte de Jesus para trazer a felicidade e o Céu ao nosso alcance, devem ser objeto de gratidão constante. Que compaixão, que amor incomparável mostrou-nos Deus, a nós pecadores perdidos, ligando-nos consigo, para que Lhe sejamos um tesouro particular! — Patriarcas e Profetas, 288-289. {JM 13.4}
Oração em nome de Jesus
Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. 1 João 2:1. {JM 14.1}
Nós temos um advogado no trono de Deus, que está circundado pelo arco da promessa, e somos convidados a apresentar nossas petições diante do Pai em nome de Cristo. Jesus diz: Peça o que quiser em Meu nome, e isso lhe será dado. Ao apresentar Meu nome, vocês mostrarão que pertencem a Mim, que são Meus filhos e filhas, e o Pai lhes tratará como Seus próprios filhos, e lhes amará como ama a Mim. {JM 14.2}
Sua fé em Mim os levará a exercitarem uma afeição íntima e filial para comigo e para com o Pai. Eu sou a corrente de ouro pela qual seu coração e alma são ligados em amor e obediência ao Meu Pai. Expressem ao Meu Pai que Meu nome lhes é precioso, que Me respeitam e Me amam, e poderão pedir o que precisarem. Ele lhes perdoará as transgressões, e lhes adotará em Sua família real — tornando-lhes filhos de Deus, co-herdeiros com Seu Filho Unigénito. {JM 14.3}
Através da fé em Meu nome Ele lhes concederá a santificação e santidade que lhes prepararão para Sua obra em um mundo de pecado, e lhes qualificarão a uma herança imortal em Seu reino. O Pai tem aberto amplamente, não apenas todo o Céu, mas todo o Seu coração, para aqueles que manifestam fé no sacrifício de Cristo, e para aqueles que pela fé no amor de Deus voltam à sua lealdade. Aqueles que crêem em Cristo como Aquele que levou sobre Si o pecado, a propiciação por seus pecados, o intercessor em seu favor, podem através da riqueza da graça de Deus reivindicar os tesouros do céu. [...] {JM 14.4}

A oração do contrito de coração abre os celeiros de provisões e assegura o poder onipotente. Esse tipo de oração habilita o suplicante a entender o que significa reter o poder de Deus, e ter paz com Ele. Esse tipo de oração faz-nos exercer influência sobre aqueles com quem nos associamos. [...] É nosso privilégio e dever trazer a eficácia do nome de Cristo às nossas petições, e usar os muitos argumentos que Cristo tem usado em nosso favor. Nossas orações estarão então em completa harmonia com a vontade de Deus. — The Signs of the Times, 18/6/1896. {JM 14.5}

27.10.13

Só Cristo pode fazer Expiação pelo Pecado

Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis... que fostes resgatados do vosso fútil procedimento... mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo. 1 Pedro 1:18, 19. {CT 27.2}
A queda do homem encheu o Céu todo de tristeza. O mundo que Deus fizera estava manchado pela maldição do pecado, e habitado por seres condenados à miséria e morte. Não parecia haver meio pelo qual pudessem escapar os que tinham transgredido a lei. Os anjos cessaram os seus cânticos de louvor. Por toda a corte celestial havia pranto pela ruína que o pecado ocasionara. {CT 27.3}
O Filho de Deus, o glorioso Comandante do Céu, ficou tocado de piedade pela raça decaída. Seu coração moveu-se de infinita compaixão ao erguerem-se diante d´Ele os ais do mundo perdido. Entretanto o amor divino havia concebido um plano pelo qual o homem poderia ser remido. A lei de Deus, quebrantada, exigia a vida do pecador. Em todo o Universo não havia senão um Ser que, em favor do homem, poderia satisfazer as suas reivindicações. Visto que a lei divina é tão sagrada como o próprio Deus, unicamente um Ser igual a Deus poderia fazer expiação por sua transgressão. Ninguém, a não ser Cristo, poderia redimir da maldição da lei o homem decaído, e levá-lo à harmonia com o Céu. Cristo tomaria sobre Si a culpa e a ignomínia do pecado — pecado tão ofensivo para um Deus santo que deveria separar entre Si o Pai e o Filho. ... {CT 27.4}
Perante o Pai pleiteou Ele em prol do pecador, enquanto a hoste celestial aguardava o resultado com um interesse de tal intensidade que palavras não o poderão exprimir. Mui prolongada foi aquela comunhão misteriosa — o “conselho de paz” (Zacarias 6:13) em prol dos decaídos filhos dos homens. O plano da salvação fora estabelecido antes da criação da Terra; pois Cristo é “o Cordeiro morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:8); foi, contudo, uma luta, mesmo para o Rei do Universo, entregar Seu Filho para morrer pela raça culposa. ... Oh, que mistério da redenção! O amor de Deus por um mundo que O não amou! Quem pode conhecer as profundidades daquele amor que “excede todo o entendimento”? ... {CT 28.1}

Deus ia ser manifesto em Cristo, “reconciliando consigo o mundo”. 2 Coríntios 5:19. O homem se tornara tão degradado pelo pecado que lhe era impossível, por si mesmo, andar em harmonia com Aquele cuja natureza é pureza e bondade. Mas Cristo, depois de ter remido o homem da condenação da lei, poderia comunicar força divina para se unir com o esforço humano. Assim, pelo arrependimento para com Deus e fé em Cristo, os caídos filhos de Adão poderiam mais uma vez tornar-se “filhos de Deus”. 1 João 3:2. — Patriarcas e Profetas, 63, 64. {CT 28.2}

24.10.13

Guia Para Toda a Humanidade

Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo. 2 Pedro 1:21.
Deus confiou o preparo de Sua Palavra divinamente inspirada ao homem finito. Esta Palavra, arranjada em livros — o Antigo e o Novo Testamentos — é o guia para os habitantes de um mundo caído, a eles legado para que, mediante o estudar as direções e obedecer-lhes, alma alguma perdesse o caminho do Céu. — Mensagens Escolhidas 1:16.
A Escritura Sagrada aponta a Deus como seu autor; no entanto, foi escrita por mãos humanas, e no variado estilo de seus diferentes livros apresenta as características dos diversos escritores. As verdades reveladas são dadas por inspiração de Deus (2 Timóteo 3:16); acham-se, contudo, expressas em palavras de homens. O Ser infinito, por meio de Seu Santo Espírito, derramou luz no entendimento e coração de Seus servos. Deu sonhos e visões, símbolos e figuras; e aqueles a quem a verdade foi assim revelada, concretizaram os pensamentos em linguagem humana. — O Grande Conflito entre Cristo e Satanás, 7, 8.
O Senhor fala aos seres humanos em linguagem imperfeita, a fim de os sentidos degenerados, a percepção pesada, terrena, dos seres da Terra poderem compreender-Lhe as palavras. Nisto se revela a condescendência de Deus. Ele vai ao encontro dos caídos seres humanos onde eles se acham. Perfeita como é, em toda a sua simplicidade, a Bíblia não corresponde às grandes ideias de Deus; pois ideias infinitas não se podem corporificar perfeitamente em finitos veículos de pensamento. Em lugar de as expressões da Bíblia serem exageradas, como julgam muitos, as fortes expressões se enfraquecem ante a magnificência da ideia, embora o escritor escolha a mais expressiva linguagem para transmitir as verdades da educação mais elevada. — Mensagens Escolhidas 1:22.
Deus destinara a Bíblia a ser um guia para toda a humanidade, na infância, juventude e idade adulta, devendo ser estudada através de todos os tempos. Deu Sua Palavra aos homens como revelação de Si mesmo. ... É o meio de comunicação entre Deus e o homem. — O Grande Conflito entre Cristo e Satanás, 69.
A Bíblia procede do céu.
Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. 2 Coríntios 4:7.
É assim que Deus Se agradou comunicar Sua verdade ao mundo por meio de agências humanas que Ele próprio, pelo Seu Espírito, faz idóneas para essa missão, dirigindo-lhes a mente no tocante ao que devem falar ou escrever. Os tesouros divinos são deste modo confiados a vasos terrestres sem contudo nada perderem de sua origem celestial. ... O crente submisso descobre a virtude divina, superabundante em graça e verdade. — O Grande Conflito entre Cristo e Satanás, 8, 9.
Os escritores da Bíblia tiveram de exprimir suas ideias em linguagem humana. Ela foi escrita por seres humanos. Esses homens foram inspirados pelo Espírito Santo. Devido a imperfeições da compreensão humana da linguagem, ou da perversidade da mente humana, hábil em fugir à verdade, muitos lêem e entendem a Bíblia de maneira a se agradarem a si mesmos. Não é que a dificuldade esteja na Bíblia. ...
As Escrituras foram dadas aos homens, não em uma cadeia contínua de ininterruptas declarações, mas parte por parte através de sucessivas gerações, à medida que Deus, em Sua providência, via apropriada ocasião para impressionar o homem nos vários tempos e diversos lugares. Os homens escreveram segundo foram movidos pelo Espírito Santo.
Nem sempre há perfeita ordem ou aparente unidade nas Escrituras. ... As verdades da Bíblia são como pérolas ocultas. Devem ser buscadas, desenterradas mediante penosos esforços. Os que apanham apenas uma apressada visão das Escrituras hão de, com seu conhecimento superficial que eles julgam muito profundo, falar nas contradições da Bíblia, e pôr em dúvida a autoridade das Escrituras. Aqueles, porém, cujo coração se acha em harmonia com a verdade e o dever, pesquisarão as Escrituras com o coração preparado para receber impressões divinas. A alma iluminada vê unidade espiritual, um grande fio de ouro através do todo, mas requer paciência, reflexão e oração o rastrear o áureo fio precioso. — Mensagens Escolhidas 1:19, 20. {FQV 6.5}
Toda a Bíblia é inspirada.
Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça. 2 Timóteo 3:16.
A Palavra de Deus abrange as Escrituras, tanto do Antigo como do Novo Testamentos. Um não está completo sem o outro. — Parábolas de Jesus, 126.
Devemos dar atenção ao Antigo Testamento, não menos que ao Novo. Estudando o Antigo Testamento, encontraremos fontes vivas a borbulhar onde o descuidado leitor apenas divisa um deserto. — Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, 462.
Não há desarmonia entre o Antigo e o Novo Testamentos. Achamos no Antigo o evangelho de um Salvador vindouro; encontramos no Novo o evangelho de um Salvador revelado segundo haviam predito as profecias. Enquanto o Antigo Testamento está constantemente apontando adiante, à verdadeira oferta, mostra o Novo que o Salvador prefigurado pelas ofertas típicas já veio. A débil glória da dispensação judaica foi sucedida pela glória mais brilhante, mais luminosa, da era cristã. — The S.D.A. Bible Commentary 6:1095.
Cristo, manifesto aos patriarcas, simbolizado no serviço sacrifical, retratado na lei, e revelado pelos profetas, é o tesouro do Antigo Testamento. Cristo em Sua vida, morte e ressurreição; Cristo como é manifesto pelo Espírito Santo, é o tesouro do Novo. Nosso Salvador, o resplendor da glória do Pai, tanto é o Antigo como o Novo. ... {FQV 6.10}
O Antigo Testamento projeta luz sobre o Novo, e o Novo, sobre o Antigo. Ambos são uma revelação da glória de Deus em Cristo. Ambos apresentam verdades que revelarão continuamente ao fervoroso inquiridor, novas profundezas. — Parábolas de Jesus, 126, 128.
Disse Jesus acerca das Escrituras do Antigo Testamento — e quanto mais é isto verdade do Novo! — “São elas que de Mim testificam.” João 5:39. ... Sim, a Bíblia toda fala de Cristo. Desde o primeiro relatório da criação — pois “sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3) — até à promessa final: “Eis que cedo venho” (Apocalipse 22:12) lemos acerca de Suas obras e ouvimos a Sua voz. Se desejais familiarizar-vos com o Salvador, estudai as Santas Escrituras. — Caminho a Cristo, 88. {FQV 6.12}
Uma revelação infalível.
As palavras do Senhor são palavras puras como prata refinada em forno de barro e purificada sete vezes. Salmos 12:6.
Em Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o conhecimento necessário à salvação. As Santas Escrituras devem ser aceitas como autorizada e infalível revelação de Sua vontade. Elas são a norma do caráter, o revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa. — O Grande Conflito entre Cristo e Satanás, 9.
Treva espiritual cobriu a Terra e densa escuridão os povos. ... Muitos, muitos mesmo, põem em dúvida a veracidade e verdade das Escrituras. Os raciocínios humanos e as imaginações do coração do homem estão minando a inspiração da Palavra de Deus, e o que podia ser recebido como garantido, é circundado com uma nuvem de misticismo. Coisa alguma aparece em linhas claras e distintas, assentada no fundamento da rocha. Este é um dos sinais marcantes dos últimos dias. ...
Homens há que se esforçam por ser originais, cuja sabedoria é mais elevada que o que está escrito; portanto, sua sabedoria é loucura. ... Buscando esclarecer ou desemaranhar mistérios por séculos ocultos aos mortais, são como um homem a chapinhar na lama, incapaz de desembaraçar-se a si mesmo, e todavia dizendo aos outros como saírem do lodoso mar em que eles próprios se debatem. Esta é uma justa representação dos homens que se põem a corrigir os erros da Bíblia. Homem algum pode aperfeiçoar a Bíblia sugerindo o que o Senhor queria dizer ou devia ter dito. ...
Tomo a Bíblia tal como ela é, como a Palavra Inspirada. Creio nas declarações de uma Bíblia inteira. — Mensagens Escolhidas 1:15-17.
Este Livro Santo tem resistido aos assaltos de Satanás, que se tem unido com homens maus para envolver em névoas e escuridão tudo quanto é de caráter divino. O Senhor, porém, tem guardado este Livro Santo em sua forma atual mediante o miraculoso poder dEle — uma carta ou guia para a família humana a fim de mostrar-lhe o caminho do Céu. ...
Damos graças a Deus por ser a Bíblia preparada para o pobre da mesma maneira que para o homem de saber. Ela se adapta a todas as idades, todas as classes. — Mensagens Escolhidas 1:15, 18.

Ellen G. White

20.10.13

Unidade na igreja

Apresentai uma frente unida
O testemunho de todo crente na verdade deve ser como se fosse um só. Todas as vossas pequenas divergências, que suscitam o espírito combativo entre os irmãos, são ardis de Satanás para desviar as mentes da grande e terrível questão que está diante de nós. A verdadeira paz advirá entre o povo de Deus quando mediante zelo unido e fervorosa oração for perturbada a falsa paz que existe em grande medida. Agora há diligente trabalho a ser feito. Agora é o tempo de manifestardes vossas qualidades soldadescas; apresente o povo do Senhor uma frente unida aos inimigos de Deus, da verdade e da justiça. ... {ME3 20.1}
Quando o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja primitiva, “da multidão dos que creram era um o coração e a alma”. Atos 4:32. O Espírito de Cristo tornou-os um. Este é o fruto de permanecer em Cristo. ... {ME3 20.2}
Temos necessidade de iluminação divina. Todo indivíduo está procurando tornar-se um centro de influência, e enquanto Deus não trabalhar por Seu povo, eles não verão que a subordinação a Deus é a única segurança para toda alma. Sua graça transformadora em corações humanos conduzirá a uma unidade que ainda não foi compreendida, pois todos os que são assemelhados a Cristo estarão em harmonia uns com os outros. O Espírito Santo produzirá unidade. — Carta 25b, 1892. {ME3 20.3}
Unidade, nosso credo
A oração de Cristo a Seu Pai, contida no capítulo dezessete de S. João, deve ser o credo de nossa Igreja. Ela nos revela que nossa desavença e desunião estão desonrando a Deus. Lede todo o capítulo, verso após verso. — Manuscrito 12, 1899. {ME3 21.1}
Não agir independentemente
Nenhum conselho ou sanção é dado na Palavra de Deus para que os que crêem na mensagem do terceiro anjo sejam levados a supor que podem agir independentemente. Podeis assentar isso para sempre em vossa mente. São as maquinações de espíritos não santificados que tendem a promover um estado de desunião. Os sofismas de homens podem parecer corretos a seus próprios olhos, mas não são verdade e justiça. “Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derrubado a parede da separação que estava no meio,... reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz.” Efésios 2:14-16. {ME3 21.2}
Cristo é o elo de ligação na áurea corrente que vincula os crentes em Deus. Não deve haver separações neste grande tempo de prova. Os componentes do povo de Deus são “concidadãos dos santos, e... da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor”. vs. 19-21. Os filhos de Deus constituem um conjunto unido em Cristo, o qual apresenta Sua cruz como o centro de atração. Todos os que crêem são um nEle. {ME3 21.3}
Sentimentos humanos levarão os homens a tomar a obra em suas próprias mãos, e assim o edifício se torna desproporcionado. O Senhor emprega, portanto, uma variedade de dons para fazer que o edifício seja simétrico. Nenhum aspecto da verdade deve ser ocultado ou receber pouca consideração. Deus só pode ser glorificado se o edifício, “bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor”. É abrangido aqui um grande assunto, e os que compreendem a verdade para este tempo devem atentar para a maneira como ouvem, e como edificam e educam outros para pô-la em prática. — Manuscrito 109, 1899. {ME3 21.4}
O que é ratificado pelo céu
“Em verdade vos digo que tudo que ligardes na Terra, terá sido ligado no Céu, e tudo que desligardes na Terra, terá sido desligado no Céu.” Mateus 18:18. Quando toda especificação dada por Cristo é cumprida no verdadeiro espírito cristão, então, e unicamente então, o Céu ratifica a decisão da igreja, porque seus membros têm a mente de Cristo e procedem da maneira como Ele procederia se estivesse na Terra. — Carta 1c, 1890. {ME3 22.1}

10.10.13

Ellen G. White Esclarece as Questões Acerca da Salvação

Manuscrito geral redigido em 1890, por ocasião dos congressos ministeriais em Battle Creek, arquivado como Manuscrito 36, 1890, e publicado na The Review and Herald, 24 de Fevereiro e 3 de Março de 1977. Esta importantíssima declaração elucidativa constitui uma introdução apropriada para as dezoito apresentações que vêm em seguida, dispostas em seqüência cronológica.
Disse o apóstolo Paulo: “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus?... Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em o nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus.” 1 Coríntios 6:9-11. A ausência de devoção, piedade e santificação do homem exterior provém de negar a Jesus Cristo, Justiça nossa. O amor de Deus precisa ser cultivado constantemente... {FO 13.1}
Enquanto uma classe de pessoas deturpa a doutrina da justificação pela fé e deixa de concordar com as condições estabelecidas na Palavra de Deus — “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” — há um erro tão grande como este da parte dos que pretendem crer nos mandamentos de Deus e obedecer-lhes mas se colocam em oposição aos preciosos raios de luz — novos para eles — refletidos da cruz do Calvário. A primeira classe não vê as maravilhosas coisas na lei de Deus para todos os que são praticantes de Sua Palavra. Os outros entretêm-se com as insignificâncias e negligenciam as questões mais importantes, a misericórdia e o amor de Deus. {FO 13.2}
Muitos têm perdido muita coisa por não haverem aberto os olhos de seu entendimento para discernir as maravilhas da lei de Deus. Por um lado, os religiosos em geral divorciam a lei do evangelho, ao passo que nós, por outra parte, quase fizemos o mesmo de outro ponto de vista. Não expusemos às pessoas a justiça de Cristo e a ampla significação de Seu grande plano de redenção. Deixamos de lado a Cristo e Seu incomparável amor, introduzimos teorias e raciocínios, e pregamos sermões argumentativos. {FO 13.3}
Homens não convertidos têm ocupado o púlpito pregando. Seu coração nunca experimentou, por meio de viva, apegada e confiante fé, a agradável evidência do perdão de seus pecados. Como, então, podem eles pregar o amor, a simpatia, o perdão de Deus para todos os pecados? Como podem dizer: “Olhai, e vivei”? Olhando para a cruz do Calvário, sentireis o desejo de levar a cruz. O Redentor do mundo esteve suspenso na cruz do Calvário. Contemplai o Salvador do mundo, no qual habita corporalmente toda a plenitude da Divindade. Pode alguém olhar e contemplar o sacrifício do amado Filho de Deus, sem que seu coração seja sensibilizado e quebrantado, pronto a entregar-se a Deus de coração e alma? {FO 14.1}
Seja este ponto plenamente estabelecido em todas as mentes: Se aceitamos a Cristo como Redentor, precisamos aceitá-Lo como Soberano. Não podemos ter certeza e perfeita confiança em Cristo como nosso Salvador enquanto não O reconhecermos como nosso Rei e formos obedientes a Seus mandamentos. Assim evidenciamos nossa lealdade a Deus. Nossa fé tem, então, o timbre genuíno, pois é uma fé operante. Ela opera pelo amor. Dizei isto de vosso coração: “Senhor, creio que morreste para resgatar minha alma. Se deste tanto valor à alma que chegaste a dar Tua vida pela minha, mostrar-me-ei sensível. Entrego minha vida, com todas as suas possibilidades, em toda a minha fraqueza, aos Teus cuidados.” {FO 14.2}
A vontade deve ser colocada em completa harmonia com a vontade de Deus. Quando isto é efetuado, não será repelido nenhum raio de luz que incide sobre o coração e sobre os recessos da mente. A alma não será obstruída pelo preconceito, chamando a luz trevas, e as trevas luz. A luz do Céu é bem recebida, como luz que inunda os recessos da alma. Isto é entoar melodias a Deus. {FO 14.3}
Crença e descrença
Quanto cremos de coração? Chegai-vos a Deus e Ele Se chegará a vós outros. Isto significa estar muito com o Senhor em oração. Quando os que se educaram no ceticismo e acalentaram a descrença, entretecendo dúvidas em sua experiência, estão sob a convicção do Espírito de Deus, reconhecem ser seu dever pessoal confessar sua descrença. Abrem o coração para aceitar a luz que lhes foi enviada, e, pela fé, passam do pecado para a justiça, e da dúvida para a fé. Consagram-se a Deus sem reservas, para seguir Sua luz em lugar das faíscas que eles mesmos acenderam. Ao manterem sua consagração, verão crescente luz, e ela vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. {FO 14.4}
A descrença que é acalentada na alma tem um poder sedutor. As sementes da dúvida que eles estiveram semeando produzirão sua colheita, mas devem continuar a arrancar toda raiz de descrença. Quando são desarraigadas essas plantas nocivas, elas cessam de crescer por falta de nutrição em palavra e ação. A alma deve ter as preciosas plantas da fé e do amor introduzidas no solo do coração e entronizadas ali. {FO 15.1}
Ideias confusas acerca da salvação
Não podemos compreender que a coisa mais dispendiosa no mundo é o pecado? Ele ocorre à custa da pureza de consciência, ao preço de perder o favor de Deus e d´Ele separar a alma, perdendo afinal o Céu. O pecado de entristecer o Santo Espírito de Deus e de andar em desacordo com Ele tem custado a muitos indivíduos a perda de sua alma. {FO 15.2}
Quem pode avaliar as responsabilidades da influência de todo instrumento humano a quem o Salvador adquiriu pelo sacrifício de Sua própria vida? Que cena se apresentará quando se assentar o tribunal e se abrirem os livros para atestar a salvação ou a perda de toda alma! Será necessário a infalível decisão d´Aquele que viveu na humanidade, amou a humanidade, deu a vida pela humanidade, para fazer a atribuição final das recompensas aos justos leais, e da punição aos desobedientes, aos desleais e injustos. Ao Filho de Deus é confiada a completa avaliação de toda ação e responsabilidade individuais. Para os que foram participantes dos pecados de outros homens e agiram contra a decisão de Deus, será uma cena terrivelmente solene. {FO 15.3}
Reiteradas vezes me tem sido apresentado o perigo de nutrir, como um povo, falsas ideias da justificação pela fé. Durante anos tem-me sido mostrado que Satanás trabalharia de maneira especial para confundir a mente quanto a esse ponto. Tem-se alongado sobre a lei de Deus e ela tem sido apresentada às congregações quase de modo tão destituído do conhecimento de Jesus Cristo e de Sua relação para com a lei como a oferta de Caim. Foi-me mostrado que muitos se conservam longe da fé devido às ideias embaralhadas e confusas acerca da salvação, e porque os pastores têm trabalhado de maneira errónea para alcançar os corações. O ponto que durante anos tem sido recomendado com insistência à minha mente é a justiça imputada de Cristo. Tenho estranhado que este assunto não se tenha tornado o tema de sermões em nossas igrejas em todas as partes do país, sendo que tão constantemente é realçado perante mim e eu o

30.9.13

A Falsa Santificação

A santificação que ora adquire preeminência no mundo religioso, traz consigo o espírito de exaltação própria e o desrespeito pela lei de Deus, que a estigmatizam como estranha a religião da Escritura Sagrada. Seus defensores ensinam que a santificação é obra instantânea, pela qual, mediante a fé apenas, alcançam perfeita santidade. “Crede tão-somente,” dizem, “e a bênção será vossa.” Nenhum outro esforço, por parte do que recebe, se pressupõe necessário. Ao mesmo tempo negam a autoridade da lei de Deus, insistindo em que estão livres da obrigação de guardar os mandamentos. Mas é possível aos homens ser santos, de acordo com a vontade e caráter de Deus, sem ficar em harmonia com os princípios que são a expressão de Sua natureza e vontade, e que mostram o que Lhe é agradável? {RR 7.5}
O desejo de uma religião fácil, que não exija esforço, renúncia, nem ruptura com as loucuras do mundo, tem tornado popular a doutrina da fé, e da fé somente; mas que diz a Palavra de Deus? Declara o apóstolo Tiago: “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo? Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? Porventura Abraão, o nosso pai, não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada. Vedes, então, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé.” Tiago 2:14, 20-22, 24. {RR 8.1}
O testemunho da Palavra de Deus é contra esta perigosa doutrina da fé sem as obras. Não é fé pretender o favor do Céu sem cumprir as condições necessárias para que a graça seja concedida: é presunção; pois que a fé genuína se fundamenta nas promessas e disposições das Escrituras. {RR 8.2}
Ninguém se engane com a crença de que pode tornar-se santo enquanto voluntariamente transgride um dos mandamentos de Deus. Um pecado cometido deliberadamente faz silenciar a voz testemunhadora do Espírito e separa a pessoa de Deus. ... Conquanto João em suas epístolas trate tão amplamente do amor, não hesita, todavia, em revelar o verdadeiro caráter dessa classe de pessoas que pretende ser santificada ao mesmo tempo em que vive a transgredir a lei de Deus. “Aquele que diz: Eu conheço-O e não guarda os Seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a Sua Palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado.” 1 João 2:4, 5. Esta é a pedra de toque de toda profissão de fé. Não podemos atribuir santidade a qualquer pessoa sem julgá-la pela medida da única norma divina de santidade, no Céu e na Terra. ... E a alegação de estarem sem pecado é em si mesma evidência de que aquele que a alimenta longe está de ser santo. É porque não tem nenhuma concepção verdadeira da infinita pureza e santidade de Deus, ou do que devem ser os que se hão de harmonizar com Seu caráter; é porque não apreendeu o verdadeiro conceito da pureza e suprema beleza moral de Jesus, bem como da malignidade e horror do pecado, que o homem pode considerar-se santo. Quanto maior a distância entre ele e Cristo, e quanto mais impróprias forem suas concepções do caráter e requisitos divinos, tanto mais justo parecerá a seus próprios olhos. {RR 8.3}

24.9.13

Poder da Palavra

Onde quer que a Palavra de Deus tenha sido fielmente pregada, seguiram-se resultados que atestaram de sua origem divina. O Espírito de Deus acompanhou a mensagem de Seus servos, e a Palavra era proclamada com poder. Os pecadores sentiam despertar-lhes a consciência. A “luz... que alumia a todo homem que vem ao mundo” (João 1:9) iluminava-lhes os íntimos recessos da alma, e as coisas ocultas das trevas eram manifestas. Coração e espírito eram possuídos de profunda convicção. Convenciam-se do pecado, da justiça e do juízo vindouro. Tinham a intuição da justiça de Jeová, e sentiam terror de aparecer, em sua culpa e impureza, perante Aquele que examina os corações. Com angústia exclamavam: “Quem me livrará do corpo desta morte?” Romanos 7:24. Ao revelar-se a cruz do Calvário, com seu infinito sacrifício pelos pecados dos homens, viram que nada, senão os méritos de Cristo, seria suficiente para a expiação de suas transgressões; somente esses méritos poderiam reconciliar os homens com Deus. Com fé e humildade, aceitaram o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Pelo sangue de Jesus tiveram “a remissão dos pecados dantes cometidos”. Romanos 3:25. {RR 2.1}
Novo estilo de vida
Aquelas pessoas produziram frutos dignos de arrependimento. Creram e foram batizadas, e levantaram-se para {RR 2.2}
andar em novidade de vida — como novas criaturas em Cristo Jesus; não para se conformarem aos desejos anteriores, mas, pela fé no Filho de Deus, seguir-Lhe os passos, refletir-Lhe o caráter, e purificar-se, assim como Ele é puro. As coisas que antes odiavam, agora amavam; e as que antes amavam, passaram a odiar. Os orgulhosos e presunçosos tornaram-se mansos e humildes de coração. Os vaidosos e arrogantes se fizeram graves e acessíveis. Os profanos se tornaram reverentes, sóbrios os ébrios, os devassos puros. As modas vãs do mundo foram postas de parte. Os cristãos procuravam não o “enfeite... exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura de vestes, mas o homem encoberto no coração, no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus”. 1 Pedro 3:3, 4. {RR 2.3}
Os reavivamentos resultaram em profundo exame de coração e humildade. Caracterizavam-se pelos apelos solenes e fervorosos ao pecador, pela terna misericórdia para com a aquisição efetuada pelo sangue de Cristo. Homens e mulheres oravam e lutavam com Deus pela salvação de outros. Os frutos de semelhantes avivamentos eram vistos nas pessoas que não fugiam da renúncia e do sacrifício, mas que se regozijavam de que fossem consideradas dignas de sofrer dificuldade e provação por amor de Cristo. Notava-se uma transformação na vida dos que tinham professado o nome de Jesus. A comunidade se beneficiava por sua influência. ... {RR 2.4}
Esse é o resultado da obra do Espírito de Deus. Não há prova de genuíno arrependimento a menos que ele opere reforma na vida. Se restitui o penhor, devolve o que tinha roubado, confessa os pecados e ama a Deus e seus semelhantes, o pecador pode estar certo de que encontrou paz com Deus. Foram esses os efeitos que, em anos anteriores, se seguiram às ocasiões de reavivamento espiritual. Julgados pelos seus frutos, sabia-se que eram abençoados por Deus para a salvação dos homens e para reerguimento da humanidade. {RR 3.1}
Reavivamentos falsos — Qual a diferença?
Muitos reavivamentos dos tempos modernos têm, no entanto, apresentado notável contraste com aquelas manifestações de graça divina que nos tempos primitivos se seguiam aos esforços dos servos de Deus. É verdade que se desperta grande interesse, muitos professam conversão, vão às igrejas; não obstante, os resultados não são de molde a autorizar a crença de que houve aumento correspondente da verdadeira vida espiritual. A luz que brilha por algum tempo logo se apaga, deixando as trevas mais densas do que antes. {RR 3.2}
Avivamentos populares são muitas vezes levados a efeito por meio de apelos à imaginação, despertando-se as emoções, satisfazendo-se o amor ao que é novo e surpreendente. Conversos ganhos dessa maneira têm pouco desejo de ouvir a verdade bíblica, pouco interesse no testemunho dos profetas e apóstolos. A menos que o culto assuma algo de caráter sensacional, não lhes oferece atração. Não é atendida a mensagem que apele para a razão desapaixonada. As claras advertências da Palavra de Deus, que diretamente se referem aos seus interesses eternos, não são tomadas a sério. {RR 3.3}
Para todo indivíduo verdadeiramente convertido, a relação com Deus e com as coisas eternas será o grande objeto da vida. ... Antes dos juízos finais de Deus caírem sobre a Terra, haverá, entre o povo do Senhor, tal avivamento da primitiva piedade como não fora testemunhado desde os tempos apostólicos. O Espírito e o poder de Deus serão derramados sobre Seus filhos. Naquele tempo muitos se separarão das igrejas em que o amor deste mundo suplantou o amor a Deus e à Sua Palavra. Muitos, tanto pastores como leigos, aceitarão alegremente as grandes verdades que Deus providenciou fossem proclamadas no tempo presente, a fim de preparar um povo para a segunda vinda do Senhor. {RR 3.4}
O inimigo das almas deseja estorvar esta obra; e antes que chegue o tempo para tal movimento, esforçar-se-á para impedi-la, introduzindo uma contrafação. Nas igrejas que puder colocar sob seu poder sedutor, fará parecer que a bênção especial de Deus foi derramada; se manifestará o que será considerado como grande interesse religioso. Multidões exultarão de que Deus esteja operando maravilhosamente por elas, quando a obra é de outro espírito. Sob o disfarce religioso, Satanás procurará estender sua influência sobre o mundo cristão. {RR 4.1}
Por que ser enganado?
Em muitos dos reavivamentos ocorridos durante o último meio século, têm estado a operar, em maior ou menor grau, as mesmas influências que se manifestarão em movimentos mais extensos no futuro. Há um reavivamento apenas emotivo, mistura do verdadeiro com o falso, muito apropriado para desviar. Contudo, ninguém necessita ser enganado. À luz da Palavra de Deus não é difícil determinar a natureza desses movimentos. Onde quer que os homens negligenciem o testemunho da Escritura Sagrada, desviando-se das verdades claras que servem para provar a alma e que exigem a renúncia de si mesmo e a do mundo, podemos estar certos de que ali não é outorgada a bênção de Deus. E, pela regra que o próprio Cristo deu — “por seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:16) — é evidente que esses movimentos não são obra do Espírito de Deus. {RR 4.2}
Nas verdades de Sua Palavra, Deus deu aos homens a revelação de si mesmo; e a todos os que as aceitam servem de escudo contra os enganos de Satanás. Foi a negligência dessas verdades que abriu a porta aos males que tanto se estão generalizando agora no mundo religioso. Tem-se perdido de vista, em grande parte, a natureza e importância da lei de Deus. Uma concepção errônea do caráter, perpetuidade e vigência da lei divina, tem ocasionado erros quanto à conversão e santificação, resultando em baixar, na igreja, a norma de piedade. Aqui deve encontrar-se o segredo da falta do Espírito e poder de Deus nos avivamentos de nosso tempo. ... {RR 4.3}
Pode ser mudada a lei de Deus?
Muitos ensinadores religiosos afirmam que Cristo, pela Sua morte, aboliu a lei e, em virtude disso, estão os homens livres de seus requisitos. Alguns há que a representam como um jugo penoso; e em contraste com a servidão da lei apresentam a liberdade a ser desfrutada sob o evangelho. {RR 4.4}
Não foi, porém, assim que profetas e apóstolos consideravam a santa lei de Deus. Disse David: “Andarei em liberdade, pois busquei os Teus preceitos.” Salmos 119:45. O apóstolo Tiago, que escreveu depois da morte de Cristo, refere-se ao Decálogo como a “lei real” (Tiago 2:8) e a “lei perfeita da liberdade”. Tiago 1:25. E o autor do Apocalipse, meio século depois da crucifixão, pronuncia uma bênção aos que guardam os Seus mandamentos, “para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas”. Apocalipse 22:14. A declaração de que Cristo por Sua morte aboliu a lei do Pai, não tem fundamento. Se tivesse sido possível mudar a lei ou pô-la de parte, não teria sido necessário que Cristo morresse para salvar o homem da pena do pecado. ... {RR 4.5}
Separado e reconciliado
É a obra da conversão e santificação reconciliar os homens com Deus, pondo-os em harmonia com os princípios de Sua lei. No princípio, o homem foi criado à imagem de Deus. Estava em perfeita harmonia com a natureza e com a lei de Deus; os princípios da justiça lhe estavam escritos no coração. O pecado, porém, alienou-o do Criador. Não mais refletia a imagem divina. O coração estava em guerra com os princípios da lei de Deus. “A inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.” Romanos 8:7. Mas “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigénito” (João 3:16), para que o homem pudesse reconciliar-se com Ele. Mediante os méritos de Cristo a humanidade pode se restabelecer à harmonia com o Criador. O coração deve ser renovado pela graça divina; deve receber nova vida de cima. Essa mudança é o novo nascimento, sem o que, diz Jesus, o homem “não pode ver o reino de Deus”. João 3:3. {RR 5.1}
O primeiro passo na reconciliação com Deus, é a convicção do pecado. “Pecado é a transgressão da lei.” 1 João 3:4. “Pela lei vem o conhecimento do pecado.” Romanos 3:20. A fim de ver sua culpa, o pecador deve provar o caráter próprio pela grande norma divina de justiça. É um espelho que mostra a perfeição de um viver justo, habilitando o pecador a discernir seus defeitos de caráter. {RR 5.2}
A lei revela ao homem os seus pecados, mas não provê remédio. Ao mesmo tempo que promete vida ao obediente, declara que a morte é a consequência para o transgressor. Unicamente o evangelho de Cristo o pode livrar da condenação ou contaminação do pecado. Deve ele exercer o arrependimento em relação a Deus, cuja lei transgrediu, e fé em Cristo, seu sacrifício expiatório. Obtém assim “remissão dos pecados dantes cometidos” (Romanos 3:25), e se torna participante da natureza divina. ... {RR 5.3}
Estaria agora na liberdade de transgredir a lei de Deus? Diz Paulo: “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei.” Romanos 3:31. “Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” Romanos 6:2. E João declara: “Este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos; ora, os Seus mandamentos não são penosos.” 1 João 5:3. No novo nascimento o coração é posto em harmonia com Deus, ao colocar-se em conformidade com a Sua lei. Quando essa poderosa transformação se efetua no pecador, passou ele da morte para a vida, do pecado para a santidade, da transgressão e rebelião para a obediência e lealdade. ... {RR 5.4}
Santificação — Quem efetua a obra?
Teorias errôneas sobre a santificação, procedentes da negligência ou rejeição da lei divina, ocupam lugar preeminente nos movimentos religiosos da época. Essas teorias não somente são falsas no que respeita à doutrina, mas também perigosas nos resultados práticos; e o fato de que estejam tão geralmente alcançando aceitação, torna duplamente essencial que todos tenham clara compreensão do que as Escrituras ensinam a tal respeito. {RR 6.1}
A verdadeira santificação é doutrina bíblica. O apóstolo Paulo, em carta à igreja de Tessalônica, declara: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação.” 1 Tessalonicenses 4:3. E roga: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo.” 1 Tessalonicenses 5:23. A Bíblia ensina claramente o que é a santificação, e como deve ser alcançada. O Salvador orou pelos discípulos: “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade.” João 17:17. E Paulo ensina que os crentes devem ser santificados pelo Espírito Santo. Romanos 15:16. Qual é a obra do Espírito Santo? Disse Jesus aos discípulos: “Quando vier aquele Espírito da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade.” João 16:13. E o salmista declara: “Tua lei é a verdade.” Salmos 119:142. Pela Palavra e Espírito de Deus se revelam aos homens os grandes princípios de justiça incorporados em Sua lei. E desde que a lei de Deus é santa, justa e boa, e imagem da perfeição divina, segue-se que o caráter formado pela obediência àquela lei será santo. Cristo é um exemplo perfeito de semelhante caráter. Diz Ele: “Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai.” João 15:10. “Eu faço sempre o que Lhe agrada.” João 8:29. Os seguidores de Cristo devem tornar-se semelhantes a Ele — pela graça de Deus devem formar caracteres em harmonia com os princípios de Sua santa lei. Isto é santificação bíblica. Esta obra unicamente pode ser efetuada pela fé em Cristo, pelo poder do Espírito de Deus habitando em nós. Paulo adverte os crentes: “Operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é O que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade.” Filipenses 2:12, 13. O cristão sentirá as insinuações do pecado, mas sustentará luta constante contra ele. Aqui é que o auxílio de Cristo é necessário. A fraqueza humana se une à força divina, e a fé exclama: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.” 1 Coríntios 15:57. {RR 6.2}
As Escrituras claramente revelam que a obra da santificação é progressiva. Quando na conversão o pecador acha paz com Deus mediante o sangue expiatório, apenas iniciou a vida cristã. Deve agora aperfeiçoar-se; crescer até “à medida da estatura completa de Cristo”. Efésios 4:13. ... {RR 7.1}
Não há lugar para arrogância
Os que experimentam a santificação bíblica manifestarão um espírito de humildade. Como Moisés, depois de contemplarem a augusta e majestosa santidade, vêem a sua própria indignidade contrastando com a pureza e excelsa perfeição do Ser infinito. {RR 7.2}
O profeta Daniel é um exemplo da verdadeira santificação. Seus longos anos foram cheios de nobre serviço a Seu Mestre. Foi um homem “mui desejado” do Céu. Daniel 10:11. Todavia, ao invés de ter a pretensão de ser puro e santo, este honrado profeta, quando pleiteava perante Deus em prol de seu povo, identificou-se com os que positivamente eram pecadores em Israel: “Não lançamos as nossas súplicas perante a Tua face fiados em nossas justiças, mas em Tuas muitas misericórdias. ... Pecamos; procedemos impiamente.” Daniel 9:18, 15. Declara ele: “Estando eu ainda falando, e orando, e confessando o meu pecado e o pecado do meu povo.” Daniel 9:20. Quando Jó ouviu, do redemoinho, a voz do Senhor, exclamou: “Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.” Jó 42:6. Foi quando Isaías viu a glória do Senhor e ouviu os querubins a clamar — “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos” — que exclamou: “Ai de mim, que vou perecendo!” Isaías 6:3, 5. Arrebatado ao terceiro Céu, Paulo ouviu coisas que não era possível ao homem proferir, e fala de si mesmo como “o mínimo de todos os santos.” Efésios 3:8; 2 Coríntios 12:2-4. Foi o amado João, que se reclinou ao peito de Jesus, e Lhe contemplou a glória, que caiu como morto aos pés de um anjo. Apocalipse 1:17. {RR 7.3}

Não pode haver exaltação própria, orgulhosa pretensão à liberdade do pecado, por parte dos que andam à sombra da cruz do Calvário. Sentem eles que foi seu pecado o causador da agonia que quebrantou o coração do Filho de Deus, e este pensamento os levará à humilhação própria. Os que mais perto vivem de Jesus, mais claramente discernem a fragilidade e pecaminosidade do ser humano, e sua única esperança está nos méritos de um Salvador crucificado e ressurgido. {RR 7.4}

23.9.13

O pão de cada dia

O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Mateus 6:11. {JM 11.1}
Como uma criança, vocês receberão dia a dia o suficiente para a necessidade diária. Cada dia vocês devem orar: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. Mateus 6:11. Não desanimem se não têm o suficiente para amanhã. Vocês têm a garantia de Sua promessa: “Habitarás na Terra e, verdadeiramente, serás alimentado”. Salmos 37:3. Diz Davi: “Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão”. Salmos 37:25. [...] {JM 11.2}
Aquele que abrandava os cuidados e ansiedades de Sua mãe viúva, e a ajudava a prover a casa de Nazaré, compreende toda mãe em sua luta para prover alimento aos filhos. O que Se compadeceu das turbas porque “estavam fatigadas e derramadas” (Mateus 9:36, TT), ainda Se compadece dos pobres sofredores. Sua mão está estendida para eles em uma bênção; e na própria oração que ensinou aos Seus discípulos, ensina-nos a lembrar os pobres. [...] {JM 11.3}
A oração pelo pão de cada dia inclui não apenas o alimento para sustentar o corpo, mas aquele pão espiritual que nos nutrirá para a vida eterna. Jesus nos ordena: “Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna”. João 6:27 (NVI). Ele diz: “Eu sou o pão vivo que desceu do Céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre”. João 6:51. Nosso Salvador é pão da vida, e é mediante a contemplação de Seu amor, e recebendo esse amor no coração, que nos nutrimos do pão que desceu do Céu. {JM 11.4}
Recebemos a Cristo por meio de Sua Palavra; e o Espírito Santo é dado a fim de esclarecer a Palavra ao nosso entendimento, impressionando-nos o coração com suas verdades. Devemos orar, dia a dia para que, ao lermos Sua Palavra, Deus envie Seu Espírito a fim de nos revelar a verdade que nos fortalecerá a alma para a necessidade do dia. {JM 11.5}
Ensinando-nos a pedir cada dia o que necessitamos — tanto as bênçãos temporais como as espirituais — Deus tem um propósito para nosso bem. Deseja que reconheçamos nossa dependência de Seu constante cuidado; pois procura atrair-nos em comunhão com Ele. Nessa comunhão com Cristo, mediante a oração e o estudo das grandes e preciosas verdades de Sua Palavra, seremos alimentados, como os que têm fome; como os que têm sede, seremos saciados pela fonte da vida. — O Maior Discurso de Cristo, 111-113. {JM 11.6}

Espírito perdoador
Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas. Mateus 6:14-15. {JM 12.1}
Nosso Salvador ensinou Seus discípulos a orar: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Mateus 6:12. Uma grande bênção é aqui solicitada sob condição. Nós mesmos afirmamos essas condições. Pedimos que a misericórdia de Deus para conosco seja medida pela misericórdia que mostramos a outros. Cristo declara que esta é a regra pela qual o Senhor tratará conosco: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas”. Mateus 6:14-15. Maravilhosos termos! Mas quão pouco são compreendidos ou acatados. {JM 12.2}
Um dos pecados mais comuns, e que é seguido dos resultados mais perniciosos, é a tolerância de um espírito não disposto a perdoar. Quantos abrigam animosidade ou espírito de vingança, e então curvam a cabeça diante de Deus e pedem para ser perdoados assim como perdoam! Certamente não podem possuir o verdadeiro senso do que esta oração importa, ou não a tomariam nos lábios. Dependemos da misericórdia de Deus cada dia e cada hora; como podemos então agasalhar amargura e malícia para com o nosso próximo pecador! Se, em seus relacionamentos diários os cristãos aplicarem os princípios dessa oração, que bendita mudança se operará na igreja e no mundo! Esse seria o mais convincente testemunho dado sobre a realidade da religião bíblica. [...] {JM 12.3}
Somos advertidos pelo apóstolo: “O amor seja não fingido. Aborrecei o mal, e apegai-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”. Romanos 12:9-10. Paulo desejava que distinguíssemos, entre o amor puro, abnegado, que é induzido pelo espírito de Cristo, e a pretensão sem sentido e enganosa, que é abundante no mundo. Essa vil falsificação tem desviado muitas pessoas. Poderia anular a distinção entre o certo e o errado, concordando com os transgressores, em vez de mostrar fielmente seus erros. Tal procedimento nunca provém da verdadeira amizade. O espírito pelo qual é induzido só habita no coração carnal. {JM 12.4}
Embora os cristãos devam ser sempre bondosos, compassivos e perdoadores, não podem viver em harmonia com o pecado. Aborrecerão o mal e se apegarão ao que é bom, mesmo com sacrifício da associação ou amizade com os ímpios. O espírito de Cristo nos levará a odiar o pecado, ao mesmo tempo em que estaremos dispostos a fazer qualquer sacrifício para salvar o pecador. — Testemunhos para a Igreja 5:170-171. {JM 12.5}

Coração agradecido
Então, entoou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao Senhor, e disseram: Cantarei ao Senhor, porque triunfou gloriosamente; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro. O Senhor é a minha força e o meu cântico; Ele me foi por salvação; este é o meu Deus; portanto, eu O louvarei; Ele é o Deus de meu pai; por isso, O exaltarei. Êxodo 15:1-2. {JM 13.1}
Semelhante à voz das profundezas, surgiu das vastas hostes de Israel aquela sublime tributação de louvor. Começou com as mulheres de Israel, tendo à frente Miriã, irmã de Moisés, ao saírem elas com tamboril e danças. Longe, por sobre o deserto e o mar, repercutia o festivo estribilho, e as montanhas ecoavam as palavras de seu louvor. [...] {JM 13.2}
Este cântico e o grande livramento que ele comemora produziram uma impressão que nunca se dissiparia da memória do povo hebreu. De século em século era repercutido pelos profetas e cantores de Israel, testemunhando que Jeová é a força e livramento daqueles que nEle confiam. Aquele cântico não pertence unicamente ao povo judeu. Ele aponta, no futuro, a destruição de todos os adversários da justiça, e a vitória final do Israel de Deus. O profeta de Patmos vê a multidão vestida de branco, dos que “saíram vitoriosos”, em pé sobre o “mar de vidro misturado com fogo”, tendo as “harpas de Deus. E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro”. Apocalipse 15:2-3. [...] {JM 13.3}
Tal era o espírito que penetrava o cântico do livramento de Israel, e é o espírito que deveria habitar no coração de todos os que amam e temem a Deus. Libertando-nos do cativeiro do pecado, Deus operou para nós um livramento maior do que o dos hebreus no Mar Vermelho. Como a hoste dos hebreus, devemos louvar ao Senhor com o coração, com a alma, e com a voz, pelas Suas maravilhosas obras aos filhos dos homens. Aqueles que meditam nas grandes bênçãos de Deus, e não se esquecem de Suas menores dádivas, cingir-se-ão de alegria, e entoarão sinceros hinos ao Senhor. As bênçãos diárias que recebemos das mãos de Deus, e acima de tudo, a morte de Jesus para trazer a felicidade e o Céu ao nosso alcance, devem ser objeto de gratidão constante. Que compaixão, que amor incomparável mostrou-nos Deus, a nós pecadores perdidos, ligando-nos consigo, para que Lhe sejamos um tesouro particular! — Patriarcas e Profetas, 288-289. {JM 13.4}

Oração em nome de Jesus
Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. 1 João 2:1. {JM 14.1}
Nós temos um advogado no trono de Deus, que está circundado pelo arco da promessa, e somos convidados a apresentar nossas petições diante do Pai em nome de Cristo. Jesus diz: Peça o que quiser em Meu nome, e isso lhe será dado. Ao apresentar Meu nome, vocês mostrarão que pertencem a Mim, que são Meus filhos e filhas, e o Pai lhes tratará como Seus próprios filhos, e lhes amará como ama a Mim. {JM 14.2}
Sua fé em Mim os levará a exercitarem uma afeição íntima e filial para comigo e para com o Pai. Eu sou a corrente de ouro pela qual seu coração e alma são ligados em amor e obediência ao Meu Pai. Expressem ao Meu Pai que Meu nome lhes é precioso, que Me respeitam e Me amam, e poderão pedir o que precisarem. Ele lhes perdoará as transgressões, e lhes adotará em Sua família real — tornando-lhes filhos de Deus, co-herdeiros com Seu Filho Unigénito. {JM 14.3}
Através da fé em Meu nome Ele lhes concederá a santificação e santidade que lhes prepararão para Sua obra em um mundo de pecado, e lhes qualificarão a uma herança imortal em Seu reino. O Pai tem aberto amplamente, não apenas todo o Céu, mas todo o Seu coração, para aqueles que manifestam fé no sacrifício de Cristo, e para aqueles que pela fé no amor de Deus voltam à sua lealdade. Aqueles que crêem em Cristo como Aquele que levou sobre Si o pecado, a propiciação por seus pecados, o intercessor em seu favor, podem através da riqueza da graça de Deus reivindicar os tesouros do céu. [...] {JM 14.4}
A oração do contrito de coração abre os celeiros de provisões e assegura o poder onipotente. Esse tipo de oração habilita o suplicante a entender o que significa reter o poder de Deus, e ter paz com Ele. Esse tipo de oração faz-nos exercer influência sobre aqueles com quem nos associamos. [...] É nosso privilégio e dever trazer a eficácia do nome de Cristo às nossas petições, e usar os muitos argumentos que Cristo tem usado em nosso favor. Nossas orações estarão então em completa harmonia com a vontade de Deus. — The Signs of the Times, 18/6/1896. {JM 14.5}

Orações atendidas
Deleitar-te-ás, pois, no Todo-poderoso e levantarás o rosto para Deus. Orarás a Ele, e Ele te ouvirá; e pagarás os teus votos. Jó 22:26-27. {JM 15.1}
Em sua oração pelos discípulos Cristo disse: “E a favor deles Eu Me santifico a Mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em Mim, por intermédio da sua palavra”. João 17:19-20. Em Sua oração, Cristo inclui todos aqueles que ouvirão suas palavras de vida e salvação através dos mensageiros que Ele envia. [...] {JM 15.2}
Podemos nós, pela fé, compreender o fato de que somos amados pelo Pai assim como o Filho é amado? Se pudéssemos de fato nos assegurar e agir de acordo com isso, certamente teríamos a graça de Cristo, o óleo santo do Céu, lançado em nosso coração necessitado, ressequido e sedento. Nossa luz já não seria vacilante e trêmula, mas brilharia radiante entre a moral obscura que, como um manto fúnebre, envolve o mundo. Devemos pela fé ouvir a intercessão prevalecente que Cristo apresenta continuamente em nosso favor, quando diz: “Pai, a Minha vontade é que onde Eu estou, estejam também comigo os que Me deste, para que vejam a Minha glória que Me conferiste, porque Me amaste antes da fundação do mundo”. João 17:24. [...] {JM 15.3}
Nosso Redentor nos encoraja a apresentar súplicas contínuas. Ele nos faz firmes promessas de que não suplicaremos em vão. Ele diz: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á”. Mateus 7:7-8. {JM 15.4}
Ele então apresenta a figura de uma criança pedindo pão a seu pai, e mostra como Deus tem muito mais desejo de atender às nossas petições do que os pais de atenderem às petições de seus filhos. [...] {JM 15.5}

Nosso precioso Salvador está à nossa disposição hoje. NEle se centraliza nossa esperança de vida eterna. Ele é Aquele que apresenta nossas petições ao Pai, e nos comunica a bênção pela qual suplicamos. — The Signs of the Times, 18 de Junho de 1896. {JM 15.6}