3.7.12

A Purificação do Templo


No dia seguinte Jesus entrou no templo. Três anos antes, Ele havia encontrado homens vendendo e comprando no átrio externo e os havia repreendido e expulsado.
Agora ao retornar, encontrou o mesmo comércio ali. O átrio estava cheio de bois, ovelhas e aves que eram vendidos aos que desejavam oferecer sacrifícios por seus pecados.
Os que se ocupavam desse comércio praticavam extorsão e roubo de toda espécie e tal era a balbúrdia e o alvoroço do lado de fora que os adoradores eram seriamente perturbados.
Cristo parou na escadaria e varreu o átrio com Seu olhar penetrante. Todos os olhares voltaram-se para Ele. O vozerio das pessoas e o mugido dos animais cessaram. Todos olhavam o Filho de Deus atónitos e temerosos.
Naquele instante, a divindade irrompeu através da humanidade e deu a Jesus um poder e glória que jamais se manifestara n´Ele antes. O silêncio tornou-se quase insuportável.
Finalmente Ele disse em voz clara e com tal poder que sacudiu as pessoas como uma violenta tempestade:
"Está escrito: A Minha casa será casa de oração. Mas vós a transformastes em covil de salteadores." Luc. 19:46.
E com autoridade maior ainda da que manifestara três anos antes, ordenou: "Tirai daqui estas coisas." João 2:16.
Em outra ocasião os sacerdotes e os líderes do templo haviam fugido diante de Sua voz cheia de autoridade. Depois sentiram-se envergonhados de seu temor e decidiram que não mais recuariam daquele jeito.
Porém, naquele momento sentiram-se mais aterrorizados ainda e com toda pressa saíram do templo, levando consigo sua mercadoria.
O Doce Médico dos Médicos
Logo em seguida o átrio ficou repleto de enfermos que eram trazidos a Jesus para serem curados. Alguns já estavam morrendo. Essas pessoas aflitas sentiam sua enorme necessidade.
Olhavam suplicantes para Jesus, temendo encontrar o mesmo olhar severo que havia expulsado do templo os mercadores, mas o que encontraram em Sua face foi somente ternura e compaixão.
Jesus recebeu os doentes gentilmente e ao toque de Suas mãos a doença e o sofrimento desapareciam. Ternamente acolhia as criancinhas em Seus braços, acalmando seu choro irritado e tirando de seus pequenos corpos a dor e a doença. Eram devolvidas às suas mães risonhas e curadas.
Que quadro diferente encontraram os principais e sacerdotes ao voltar cautelosamente para o templo! Homens, mulheres e crianças erguiam a voz em louvor a Deus.
Viram os doentes curados, os cegos com a visão restaurada, surdos ouvindo e os coxos saltando de alegria.
As crianças tomavam a frente nas expressões de louvor. Repetindo os cânticos do dia anterior acenavam os ramos de palmeira em homenagem a Jesus. O templo repercutia as fortes exclamações:
"Hosana ao Filho de Davi! Bendito O que vem em nome do Senhor!" Mat. 21:9.
"Eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador." Zac. 9:9.
Os líderes tentavam silenciar os gritos de alegria das crianças, mas elas não podiam se calar pois todos estavam possuídos de uma incontida felicidade pelas maravilhosas obras que Jesus realizara entre eles.
Dirigiram-se então a Jesus, na esperança de que Ele ordenasse silêncio:
"Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?" Mat. 21:16.
Os orgulhosos líderes do povo recusaram o abençoado privilégio de anunciar o nascimento de Cristo e de promover Sua obra na Terra.
Mas o Seu louvor devia ser proclamado e Deus escolheu as crianças para fazê-lo. Se a voz dos pequeninos tivesse silenciado, as próprias colunas do templo clamariam.
Vida de Jesus, p. 89
Ellen G. White

28.6.12

A Última Páscoa

Os filhos de Israel celebraram a primeira Páscoa na ocasião em que foram libertados da escravidão no Egito.
Deus lhes prometera libertação. Disse-lhes que o primogénito de cada família egípcia seria morto.
Ordenara-lhes que marcassem as ombreiras da porta com o sangue de um cordeiro para que quando o anjo exterminador estivesse fazendo seu trabalho, passasse por alto a habitação dos hebreus.
Deveriam assar aquele mesmo cordeiro e comê-lo à noite com pães asmos e ervas amargas que representavam a amargura da escravidão.
Ao comerem a carne do animal, deveriam estar prontos para a jornada, tendo os pés calçados e o cajado na mão.
Fizeram como o Senhor lhes instruíra e, naquela mesma noite, o rei do Egito ordenou-lhes que deixassem o país. Pela manhã, iniciaram a viagem rumo à terra prometida. Desde aquele dia, os israelitas costumavam celebrar a Páscoa todos os anos, em memória daquela noite em que foram libertos do jugo da servidão. Naquela ocasião, o povo congregava-se em Jerusalém para ali comemorar o evento. Cada família preparava um cordeiro que comiam acompanhado de ervas amargas como seus antepassados no Egito e contavam aos filhos como Deus fora misericordioso com eles, libertando-os da escravidão.
Chegara o tempo em que Jesus devia comemorar a festividade com Seus discípulos e pediu a Pedro e a João que encontrassem um lugar e preparassem a ceia da Páscoa.
Centenas de pessoas vinham a Jerusalém para a celebração e os habitantes da cidade se dispunham a ceder um cómodo da casa para os visitantes fazerem sua comemoração.
O Salvador dissera a Pedro e a João que ao saírem pelas ruas encontrariam um homem com um cântaro de água. Deveriam então segui-lo até a casa em que entrasse e dizer ao dono da casa:
"O Mestre manda perguntar-te: Onde é o aposento no qual hei de comer a Páscoa com os Meus discípulos?" Luc. 22:11.

22.6.12

Jesus No Getsémani


A vida do Salvador na Terra foi dedicada à oração. Passou muitas horas a sós com Deus e, com frequência, Suas preces sinceras subiam ao trono celeste, buscando sabedoria e força de que necessitava para sustê-Lo em Sua obra e para guardá-Lo de cair nas tentações de Satanás.
Depois de haver comido a Páscoa com Seus discípulos, Jesus foi com eles ao jardim do Getsémani, onde costumava orar. À medida que caminhava, conversava com eles e os ensinava, mas quando se aproximaram do jardim, tornou-Se estranhamente silencioso.
Durante toda a Sua vida, Jesus estivera em comunhão com o Pai. O Espírito de Deus havia sido Seu guia e apoio constantes. Por todas as obras que havia feito, sempre glorificara o Pai, dizendo: "Eu nada posso fazer de Mim mesmo." João 5:30.
Nada podemos fazer por nós mesmos. Somente quando confiamos em Cristo, podemos vencer e fazer Sua vontade na Terra. Devemos ter a mesma confiança simples e infantil que Jesus tinha em Seu Pai. Cristo disse: "Sem Mim nada podeis fazer." João 15:5.
A terrível noite de agonia para o Salvador começou quando Se aproximou do jardim. Parecia que a presença de Deus, que até então O sustentara, não mais O acompanhava. Começou a sentir o que significa separar-Se do Pai.
Cristo devia tomar sobre Si os pecados do mundo e quando eles foram colocados sobre Si, parecia mais do que podia suportar. A culpa do pecado era tão terrível que foi tentado a pensar que Deus não mais O amava.
Quando sentiu a enorme aversão de Deus ao pecado, deixou escapar essas palavras: "A minha alma está profundamente triste até à morte." Mat. 26:38.
Jesus deixou os discípulos próximo à entrada do jardim, exceto Pedro, Tiago e João, com os quais entrou no horto. Eram eles Seus mais sinceros discípulos e seus companheiros mais chegados. Mas não podia suportar que eles testemunhassem Sua intensa agonia. Disse-lhes: "Ficai aqui e vigiai comigo." Mat. 26:38.
Caminhou alguns passos adiante e caiu prostrado no chão. Sentia que o peso do pecado separava-O do Pai. Tinha diante de Si um abismo tão grande, tão profundo, tão negro que tremia diante dele.
Cristo não sofria por Seus pecados, mas pelos pecados do mundo. Sentia o desagrado de Deus contra o pecado como o pecador sentirá no grande dia do juízo.
Em Sua agonia, Cristo agarrou-Se ao solo frio. De Seus lábios pálidos ouviu-se o grito amargo:
"Meu Pai, se possível, passe de Mim este cálice! Todavia, não seja como Eu quero, e sim como Tu queres." Mat. 26:39.
Durante uma hora Cristo suportou sozinho aquela terrível angústia. Então foi até os discípulos , ansioso por receber uma palavra de simpatia. Mas nenhuma simpatia se manifestou, pois eles estavam dormindo.

16.6.12

Traição e Prisão de Jesus

Nenhum traço de Seus recentes sofrimentos podia ser notado quando o Salvador Se adiantou para encontrar Seu traidor. Colocando-se adiante dos discípulos, perguntou à turba:
"A quem buscais?
Responderam-lhe:
A Jesus, o Nazareno.
Então, Jesus lhes disse:
Sou Eu." João 18:4 e 5.

Ao dizer essas palavras, o anjo que havia pouco O servira, colocou-se entre Ele e a multidão. Uma luz divina iluminou Seu rosto e uma forma de pomba pairava sobre Si. A turba assassina não pôde suportar por um momento sequer a luz da presença divina. Recuaram cambaleantes, e sacerdotes, anciãos e soldados caíram por terra, sem sentidos.
O anjo retirou-se e a luz se apagou. Jesus poderia ter escapado, mas permaneceu ali, calmo e com perfeito domínio de Si mesmo enquanto os discípulos estavam assustados demais para dizer uma só palavra.
Os soldados logo se recobraram, levantando-se, e junto com os sacerdotes e Judas rodearam Jesus. Pareciam envergonhados de sua fraqueza e temerosos de que Ele pudesse fugir. O Salvador pergunta-lhes de novo:
"A quem buscais? Responderam-lhe: A Jesus, o Nazareno. Então, lhes disse Jesus: Já vos declarei que sou Eu; se é a Mim, pois, que buscais, deixai ir estes." João 18:7 e 8.
Nessa hora de provação, os pensamentos de Cristo voltaram-se para os Seus amados discípulos. Não queria que sofressem, ainda que tivesse de ser preso e morto.
O Beijo da Traição
Judas, o traidor, não se esqueceu da parte que tinha a desempenhar. Aproximou-se e O beijou. Disse-lhe Jesus: "Amigo, para que vieste?" Mat. 26:50. E com voz trêmula acrescentou: "Judas, com um beijo trais o Filho do Homem?" Luc. 22:48.
Essas amáveis palavras deveriam comover o coração de Judas, mas parece que todo o sentimento de ternura e dignidade o havia abandonado. Agora estava sob o domínio de Satanás. Colocou-se com arrogância ao lado de Jesus e não se envergonhou de entregá-Lo à turba cruel.
Cristo não recusou o beijo do traidor. Nisso, Ele nos deu exemplo de tolerância, amor e simpatia. Se somos Seus discípulos, devemos tratar nossos inimigos como Ele tratou Judas.
A multidão homicida tornou-se mais ousada quando viu o traidor tocar o Ser que pouco antes havia sido iluminado com a luz celeste diante de seus olhos. Em seguida, prenderam-No e ataram Suas mãos que sempre se ocuparam em fazer o bem.
Os discípulos não acreditavam que Jesus consentiria em ser preso. Tinham certeza de que o poder que havia lançado a turba por terra era suficiente para livrar o Mestre e Seus companheiros. Ficaram desapontados e indignados quando viram as mãos de Seu amado Mestre serem amarradas. Furioso, Pedro arrancou da espada e brandindo-a cortou a orelha do servo do sacerdote.
Jesus, vendo o que Pedro fizera, soltou as mãos firmemente amarradas pelos soldados romanos e disse: "Deixai, basta." Luc. 22:51. Tocou então a orelha ferida, que sarou no mesmo instante.
Disse então a Pedro: "Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão. Acaso, pensas que não posso rogar a Meu Pai, e Ele Me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?" Mat. 26:52-54. "Não beberei, porventura, o cálice que o Pai Me deu?" João 18:11.
Voltando-Se então para os sacerdotes e capitães do templo que se encontravam na multidão, disse-lhes: "Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador? Todos os dias Eu estava convosco no templo, ensinando, e não Me prendestes; contudo, é para que se cumpram as Escrituras." Mar. 14:48 e 49.
Quando os discípulos viram que o Salvador não fazia nenhum esforço para Se livrar de Seus inimigos, culparam-No por isso. Não podiam compreender Sua rendição àquela turba e aterrorizados, abandonaram-No e fugiram.
Cristo havia predito a cena do abandono quando disse:
"Eis que vem a hora e já é chegada, em que sereis dispersos, cada um para sua casa, e Me deixareis só; contudo, não estou só, porque o Pai está comigo." João 16:32.
Vida de Jesus, pp. 107-111
Ellen G. White

11.6.12

Perante Anás e Caifás

Jesus foi levado do Jardim do Getsémani cercado pela turba que o vaiava. Movia-Se com dificuldade pois Suas mãos estavam fortemente atadas e os soldados guardavam-No bem de perto.
Primeiro foi levado à casa de Anás, o antigo sumo sacerdote cujo cargo havia sido ocupado por seu genro, Caifás. O ímpio Anás queria ser o primeiro a ver Jesus preso e tirar d´Ele provas que O levariam à condenação.
Com essa intenção, interrogou o Salvador em relação aos Seus discípulos e ensinamentos. Cristo respondeu:
"Eu tenho falado francamente ao mundo; ensinei continuamente tanto nas sinagogas como no templo, onde todos os judeus se reúnem, e nada disse em oculto." João 18:20.
Então, voltando-Se para o que O interrogava, disse: "Por que Me interrogas? Pergunta aos que ouviram." João 18:21.
Os próprios sacerdotes tinham enviado espiões para observar Cristo e relatar cada palavra que dizia. Através deles, sabiam tudo o que Cristo ensinava e fazia em cada reunião. Os espiões tentavam apanhá-Lo em Suas próprias palavras para que, desse modo, pudessem condená-Lo. Por isso o Salvador disse: "Pergunta aos que ouviram." João 18:21. Dirigi-vos aos vossos espiões. Eles ouviram o que Eu disse e podem contar-vos a respeito dos Meus ensinos.
As palavras de Jesus foram tão penetrantes e diretas que o sacerdote sentiu que o seu Prisioneiro conhecia suas intenções.
Um dos servos de Anás, porém, sentindo que seu mestre não havia sido tratado com o devido respeito , bateu no rosto de Jesus, dizendo:
"É assim que falas ao sumo sacerdote? Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; mas, se falei bem, por que Me feres?" João 18:22 e 23.
Jesus poderia ter convocado legiões de anjos celestes para vir em Seu auxílio; mas, era parte de Sua missão suportar, em Sua humanidade, todas as ofensas e insultos que os homens pudessem acumular sobre Ele.
Julgamento Forjado
Da casa de Anás, o Salvador foi levado ao palácio de Caifás. Ele deveria ser interrogado pelo Sinédrio e enquanto seus membros eram convocados, Anás e Caifás O questionaram outra vez, mas não obtiveram vantagem sobre Ele.
Quando os membros do Sinédrio estavam reunidos, Caifás tomou seu lugar de presidente, ladeado pelos juízes; diante deles, os soldados romanos guardavam o Salvador; atrás deles encontrava-se a turba acusadora.
Caifás então ordenou que Jesus operasse um de Seus milagres diante de todos, mas o Salvador permanecendo em silêncio, não deu nenhum sinal de que tinha ouvido uma palavra sequer.
Tivesse Ele respondido com um único olhar penetrante e cheio de autoridade tal qual lançara aos comerciantes no templo e toda aquela turba homicida fugiria imediatamente de Sua presença.
Naquela época, os judeus estavam sob o domínio dos romanos e não eram autorizados a condenar ninguém à morte. O Sinédrio apenas examinava o prisioneiro e então transferia o julgamento para ser ratificado pelas autoridades romanas.
Para cumprir seu ímpio propósito, deveriam encontrar alguma acusação contra o Salvador que fosse considerada como um ato criminoso pelo governador romano. Podiam assegurar que tinham suficientes evidências de que Cristo havia falado contra muitas tradições e ordenanças judaicas. Era fácil provar que Ele havia denunciado sacerdotes e escribas, chamando-os de hipócritas e assassinos, mas isso não seria motivo de condenação perante os romanos, pois eles mesmos odiavam a hipocrisia dos fariseus.
Muitas acusações foram apresentadas contra Jesus mas ou as testemunhas não estavam de acordo, ou os depoimentos eram de tal natureza que não seriam aceitos pelos romanos. Tentaram fazê-Lo falar, em resposta às acusações, mas Ele parecia não ouvi-los. O silêncio de Cristo naquele momento, já havia sido descrito pelo profeta Isaías:
"Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, Ele não abriu a boca." Isa. 53:7.
Os sacerdotes começaram a temer que não conseguiriam nenhuma prova convincente que pudesse levar Cristo à presença de Pilatos. Sentiam que uma última tentativa precisava ser feita.
O sumo sacerdote apontou a mão para o Céu e dirigiu-se a Jesus, em forma de solene juramento:
"Eu Te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se Tu és o Cristo, o Filho de Deus." Mat. 26:63.
O Salvador jamais negou Sua missão ou Seu relacionamento com o Pai. Podia calar-Se diante de um insulto, mas sempre falava aberta e decididamente quando Sua obra ou filiação divina eram questionadas.
Todo ouvido inclinou-se para ouvir e todo olhar fixou-se nEle, quando respondeu: "Tu o disseste." Mat. 26:25.
Segundo o costume da época, responder daquele modo significava "sim" ou "é tal qual disseste". Essa era a maneira de responder de modo mais enfático a uma resposta afirmativa. Uma luz celestial pareceu iluminar-Lhe o rosto pálido quando acrescentou:
"Entretanto, Eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu." Mat. 26:64.
Nessa declaração, o Salvador apresentou o reverso da cena que ali se desenrolava, apontando-lhes um tempo em que Ele ocupará a posição de Supremo Juiz do Céu e da Terra. Então estará assentado no trono do Pai e de Suas sentenças não haverá apelação.
Diante de Seus ouvintes, trouxe uma visão daquele dia, quando, ao invés de sofrer abusos e escárnios da turba desordeira, virá nas nuvens do Céu com poder e grande glória. Legiões de anjos O escoltarão e então pronunciará a sentença contra Seus inimigos, achando-se entre eles a mesma turba que O acusava.
Ao Jesus declarar-Se Filho de Deus e Juiz do mundo, o sacerdote rasgou suas vestes, mostrando-se horrorizado. Ergueu as mãos para o Céu e disse:
"Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfémia! Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte." Mat. 26:65 e 66.
Segundo as leis judaicas, um prisioneiro não podia ser julgado à noite. Por isso, embora já condenado, deveria haver um outro julgamento durante o dia.
Insultando o Criador
Jesus foi levado, em seguida, para a sala da guarda, onde sofreu escárnio e abuso dos soldados e da multidão.
Ao amanhecer, foi Ele conduzido novamente à presença dos juízes onde a condenação definitiva foi pronunciada. Uma fúria satânica apossou-se dos líderes e do povo. A multidão urrava como feras selvagens. Arremeteram então contra Cristo, gritando: "Ele é culpado, matem-No!" Se os soldados romanos não estivessem presentes, eles O teriam feito em pedaços. Porém, a autoridade romana se interpôs, e, com a força das armas, reprimiu a violência do povo.
Sacerdotes e príncipes misturaram-se à multidão e cobriram o Salvador de insultos. Vestiram-No com um manto surrado e bateram-Lhe no rosto, dizendo:
"Profetiza-nos, Cristo, quem é que Te bateu!" Mat. 26:68.
E havendo-O despido, cuspiram-Lhe no rosto.
Os anjos de Deus registraram fielmente cada insulto, olhar, palavra e ato contra seu amado Comandante. Um dia aqueles homens vis que escarneceram e bateram no rosto pálido e sereno de Cristo, contemplarão esse mesmo rosto mais brilhante do que o Sol.
Vida de Jesus, ps. 113-118
Ellen G. White

5.6.12

A Tragédia de Judas

Os príncipes judeus estavam ansiosos por prender Jesus, mas por receio de provocar um tumulto entre o povo, não ousavam fazê-Lo abertamente. Por isso buscaram alguém que pudesse traí-Lo secretamente e encontraram em Judas, um dos doze discípulos, a pessoa para praticar esse ato vil.
Judas tinha naturalmente um forte amor pelo dinheiro, mas não era corrupto e vil a ponto de praticar tal ato. Cultivou, porém, o espírito de avareza até que esse alcançou pleno domínio sobre sua vida, e agora, podia vender o seu Senhor por trinta moedas de prata, o preço de um escravo. (Êxo. 21:28-32.) Com um beijo traiu o Salvador no Getsémani.
Depois de entregá-Lo, seguiu cada passo do Filho de Deus, desde o jardim até o interrogatório diante dos príncipes do povo. Não acreditava que Jesus consentiria em ser morto por eles conforme O ameaçaram.
A cada momento esperava vê-Lo libertado e protegido pelo poder divino, como havia sido no passado.
Mas à medida que as horas passavam e Jesus Se submetia pacientemente a todas as injúrias e insultos, um terrível medo apossou-se do traidor, levando-o a crer que, de fato, ele havia traído Seu Mestre para ser morto.
Remorso Tardio
Quando o julgamento terminou, Judas não pôde suportar mais a tortura de uma consciência culpada. De repente, uma voz rouca ecoou no recinto provocando um calafrio de terror em todos os presentes: Ele é inocente. Poupa-O, Caifás. Nada fez para merecer a morte! (Mat. 27:3 e 4.)
A figura alta de Judas foi vista abrindo caminho pelo meio da multidão chocada. Seu rosto estava pálido e desfigurado e grandes gotas de suor caíam-lhe da fronte. Avançando até o trono do julgamento, atirou aos pés do sumo sacerdote as trinta peças de prata, o preço da traição. Agarrou ansiosamente as vestes de Caifás e implorou-lhe que libertasse Jesus, pois nEle não havia nenhum crime. Caifás, porém, repeliu-o, dizendo: "Que nos importa? Isso é contigo." Mat. 27:4.
Judas então lançou-se aos pés do Salvador. Confessou que Jesus era o Filho de Deus e implorou-Lhe que livrasse a Si mesmo de Seus inimigos. Jesus sabia que Judas não havia se arrependido verdadeiramente do seu ato. O falso discípulo temia a punição pelo que havia feito, mas não sentiu genuína tristeza por ter entregue o imaculado Filho de Deus.
Mesmo assim, Jesus não lhe dirigiu nenhuma palavra de condenação. Olhou-o com piedade e disse: "Para isso nasci e para isso vim ao mundo." João 18:37.
Um murmúrio de admiração correu pela multidão. Com espanto, presenciaram a longanimidade de Cristo para com Seu traidor.
Quando Judas percebeu que suas súplicas não dariam resultado, saiu correndo da sala, gritando: "É tarde, é tarde demais!" Sentiu que não podia suportar a crucifixão de Jesus e, em desespero, foi e enforcou-se.
Mais tarde, naquele mesmo dia, quando conduziam Jesus do tribunal de Pilatos ao Calvário, as zombarias e os insultos da turba vil foram interrompidos quando passaram por um lugar ermo e viram, junto a uma árvore seca, o corpo sem vida de Judas.
Era um quadro repugnante. O peso do corpo havia rompido a corda e, ao cair, mutilara-se horrivelmente. Os cães agora o devoravam. Os restos foram imediatamente enterrados longe da vista de todos. A zombaria, porém, diminuiu e o rosto pálido de muitos revelava os fortes temores de seu íntimo. Parecia que a retribuição já começava a atingir os que eram culpados do sangue de Jesus.
Vida de Jesus, p. 119
Ellen G. White

3.6.12

Jesus Perante Pilatos

Após ter sido condenado pelos juízes do Sinédrio, Cristo foi levado à presença de Pilatos, governador romano, para que a sentença fosse confirmada e executada. Os sacerdotes judeus não podiam entrar na sala de julgamento de Pilatos. De acordo com as leis cerimoniais, tal ato os tornava imundos e os excluía da participação da festa da Páscoa.
Em sua cegueira, não viam que Cristo era o verdadeiro Cordeiro da Páscoa e que ao rejeitá-Lo, a grande festa havia perdido seu significado.
Quando Pilatos olhou para Jesus, notou n´Ele um homem de aspecto nobre e de porte digno. Em Seu semblante não havia nenhuma expressão de delito. Voltando-se para os sacerdotes, perguntou: "Que acusação trazeis contra Este homem?" João 18:29.
Seus acusadores, que não desejavam entrar em pormenores, não estavam preparados para essa pergunta. Sabiam que não possuíam nenhuma evidência confiável para que o governador romano condenasse Jesus. Então suscitaram contra Ele falsas testemunhas que disseram: "Encontramos Este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser Ele o Cristo, o Rei." Luc. 23:2.
Isso era mentira, pois Cristo havia claramente sancionado o pagamento de tributo a César. Quando os escribas interrogaram-No sobre essa questão, tentando armar-Lhe uma cilada, respondeu: "Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." Mat. 22:21.
Pilatos não se deixou enganar pelo depoimento das falsas testemunhas. Voltou-se para o Salvador e perguntou:
"És Tu o Rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes." Mat. 27:11.
Ao ouvirem essa resposta, Caifás e os que o acompanhavam apelaram para o testemunho que o próprio Pilatos acabava de ouvir dos lábios de Jesus, de que Ele era, de fato, culpado do crime de que O acusavam. Em altos brados, pediram Sua condenação à morte.
Como Cristo nada respondesse aos Seus acusadores, Pilatos Lhe disse:
"Nada respondes? Vê quantas acusações Te fazem! Jesus, porém, não respondeu." Mar. 15:4 e 5.
Pilatos estava perplexo. Não havia encontrado qualquer indício de crime em Jesus. E não confiava naqueles que O acusavam. O porte nobre e a conduta discreta do Salvador contrastavam diretamente com a exaltação e fúria de seus acusadores. Isso impressionou o governador a ponto de convencê-lo da inocência de Cristo.
A Oportunidade de Pilatos
Esperando ouvir d´Ele a verdade, chamou-O para perto de si e perguntou:
"És Tu o Rei dos judeus?" João 18:33.
Cristo não respondeu diretamente a essa pergunta, mas devolveu-lhe outra pergunta:
"Vem de ti mesmo esta pergunta ou to disseram outros a Meu respeito?" João 18:34.
O Espírito de Deus estava operando no coração de Pilatos. A pergunta de Jesus tinha o objetivo de levá-lo a examinar mais profundamente seu coração. Pilatos entendeu o significado da pergunta e seu próprio coração abriu-se ante ele, sentindo a alma agitar-se pela convicção. Nesse momento, porém, um sentimento de orgulho apoderou-se dele, e voltando-se para Jesus, disse-Lhe:
"Porventura, sou judeu? A Tua própria gente e os principais sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?" João 18:35.
A grande oportunidade de Pilatos havia passado; contudo, Jesus desejava que o governador compreendesse que Ele não viera para ser um rei da Terra e por isso disse-lhe:
"O Meu reino não é deste mundo. Se o Meu reino fosse deste mundo, os Meus ministros se empenhariam por Mim, para que não fosse Eu entregue aos judeus; mas agora o Meu reino não é daqui." João 18:36.
"Então, Lhe disse Pilatos: Logo, Tu és Rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou Rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a Minha voz." João 18:37.
Pilatos tinha desejo de conhecer a verdade. Sua mente estava confusa. Avidamente apanhou as palavras de Cristo e seu coração comoveu-se com o desejo de conhecer e obter a verdade. Então perguntou a Jesus: "Que é a verdade?" João 18:38.
Mas não esperou pela resposta. Fora do tribunal, a turba chegou ao máximo da agitação e tumulto. Os sacerdotes clamavam por uma ação imediata e Pilatos teve que voltar-se para os interesses do momento.
Dirigindo-se ao povo, declarou:
"Eu não acho n´Ele crime algum." João 18:38. Essas palavras, vindas dos lábios de um juiz gentio, eram uma reprovação esmagadora da perfídia e falsidade dos príncipes de Israel que incriminavam o Salvador.
Quando os sacerdotes e anciãos ouviram o juízo de Pilatos, sua decepção e fúria não conheceram limites. Fazia muito tempo que haviam planejado e esperado por essa oportunidade. Quando viram que havia possibilidade de libertação de Jesus, ficaram a ponto de dilacerá-Lo.
Descontrolados e irracionais, prorromperam em terríveis imprecações, comportando-se como verdadeiros demónios. Aos gritos, denunciaram Pilatos, ameaçando-o de censura por parte do governo romano. Acusaram-no de recusar-se condenar alguém que eles afirmavam ter-se insurgido contra César. Então se puseram a clamar:
"Ele alvoroça o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui." Luc. 23:5.
Até ali Pilatos não havia pensado em condenar Jesus, pois estava certo de Sua inocência. Mas quando ouviu que Cristo era da Galileia, decidiu enviá-Lo a Herodes, o governador daquela província, o qual se encontrava então em Jerusalém. Através dessa manobra, Pilatos pensou em transferir a responsabilidade de suas mãos para as de Herodes.
Jesus estava extenuado pela fome e exausto pela falta de sono. Além disso, sofria pelo tratamento cruel que havia recebido. Mesmo assim, Pilatos devolveu-O aos soldados e Ele foi arrastado entre os insultos e zombaria da impiedosa plebe.
Vida de Jesus, pp.123-127
E.G.White

31.5.12

Veremos o Seu Rosto

E verão o Seu rosto, e na sua testa estará o Seu nome. Apocalipse 22:4.

Não podemos agora ver a glória de Deus; e é só recebendo-O aqui que seremos habilitados a vê-Lo afinal, face a face. Deus deseja que conservemos os olhos fitos n´Ele, para que percamos de vista as coisas deste mundo. Não temos… tempo para que qualquer de nós retarde esse preparo que nos habilitará a ver a face de Deus. Temos de, aqui, tornar-nos semelhantes a Cristo, e conhecê-Lo como Salvador presente e pessoal.

Só olhando a Jesus, o Cordeiro de Deus, e seguindo-Lhe os passos, podereis preparar-vos para o encontro com Deus. Segui-O, e um dia palmilhareis as ruas de ouro da cidade de Deus — vê-Lo-eis, Aquele que pôs de lado Suas vestes reais e Sua real coroa e, disfarçando-Se com humanidade, veio ao nosso mundo e levou sobre Si nossos pecados, para que nos erguesse e nos desse uma revelação de Sua glória e majestade. Vê-Lo-emos face a face, se agora nos sujeitarmos a ser por Ele moldados e adaptados, em preparo para um lugar no reino de Deus.

Os que consagram a vida ao serviço de Deus, viverão com Ele através dos séculos dos séculos da eternidade. “O mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus.” Apocalipse 21:3.

Entregaram a Deus seu pensamento neste mundo; serviram-nO com o coração e o intelecto, e agora pode Ele escrever Seu nome em sua fronte. “E ali não haverá mais noite, … porque o Senhor Deus os alumia, e reinarão para todo o sempre.” Apocalipse 22:5. Não aparecem ali como quem mendigasse um lugar, pois Cristo lhes diz: “Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” Mateus 25:34. Toma-os como filhos Seus, dizendo: Entrai na posse da vitória. A coroa da imortalidade é colocada na fronte dos vencedores. Tomam suas coroas e lançam-nas aos pés de Jesus e, dedilhando suas harpas de ouro, fazem reboar todo o Céu com rica música em hinos de louvor ao Cordeiro. Então “verão o Seu rosto, e na Sua testa estará o Seu nome”. Apocalipse 22:4.

Ellen G. White, Cuidado de Deus, pág. 150.

27.5.12

O Fim de Pilatos

Quando os judeus voltaram da presença de Herodes trazendo Jesus de volta ao tribunal, Pilatos ficou muito aborrecido e perguntou-lhes o que queriam que ele fizesse. Lembrou-lhes de que já O havia interrogado e não encontrara nenhuma culpa nEle. Recordara-lhes as acusações que fizeram contra Ele, mas nenhuma prova convincente fora apresentada para confirmar uma única acusação.
Conforme foi mencionado anteriormente, levaram-No à presença de Herodes, que era judeu como eles mesmos e ele nada encontrou para que fosse condenado à morte. Contudo, para apaziguar os acusadores, Pilatos disse: "Portanto, após castigá-Lo, soltá-Lo-ei." Luc. 23:16.
Nisso, Pilatos mostrou sua fraqueza, pois se sabia que Cristo era inocente, por que mandaria castigá-Lo? Assim fazendo, comprometia-se com o erro. Os judeus não mais esqueceram disso durante o julgamento. Haviam conseguido intimidar o governador romano e, agora, tirando vantagem disso, haveriam de pressioná-lo até conseguir a condenação de Jesus.
A multidão, em alvoroço, exigia mais e mais a vida do prisioneiro. Enquanto hesitava em relação ao que fazer, recebeu uma carta de sua esposa que dizia: "Não te envolvas com esse Justo; porque hoje, em sonho, muito sofri por Seu respeito." Mat. 27:19.
Pilatos, ao ler a carta, empalideceu; o povo, ao perceber sua hesitação, redobrou a insistência. Ele sabia que precisava tomar alguma atitude. Era costume, no período da Páscoa, soltar um prisioneiro que o povo escolhesse. Os soldados romanos haviam capturado havia pouco, um criminoso de fama, chamado Barrabás. Era ladrão e assassino. Então Pilatos voltou-se para a multidão e perguntou-lhes com seriedade:
"A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo?" Mat. 27:17.
"Toda a multidão, porém, gritava: Fora com Este! Solta-nos Barrabás!" Luc. 23:18.
Pilatos Perde a Autoridade
Pilatos emudeceu de espanto e desapontamento. Entregando o julgamento ao povo, ele havia perdido a dignidade e o controle da multidão. Daí em diante, tornou-se apenas um joguete nas mãos do povo. Eles o levavam aonde queriam. Então perguntou:
"Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Seja crucificado! Responderam todos. Que mal fez ele? Perguntou Pilatos. Porém, cada vez clamavam mais: Seja crucificado!" Mat. 27:22 e 23.
Quando ouviu o grito terrível "Crucifica-O!", o rosto de Pilatos empalideceu. Ele não imaginara tal desfecho. Repetidas vezes havia declarado Jesus inocente, contudo o povo insistia em que Ele sofresse a mais cruel de todas as mortes. Outra vez perguntou: "Que mal fez Ele?" E outra vez o terrível grito ecoou nos ares: "Crucifica-O!" Mar. 15:14.
Pilatos fez um último esforço para despertar-lhes simpatia. Mandou que tomassem a Jesus, completamente exausto e coberto de feridas e O açoitassem na presença de Seus acusadores.
O Escárnio dos Ímpios
"Os soldados, tendo tecido uma coroa de espinhos, puseram-Lha na cabeça e vestiram-No com um manto de púrpura. Chegavam-se a Ele e diziam: Salve, Rei dos judeus! E davam-Lhe bofetadas." João 19:2 e 3. Cuspiram nEle e uma perversa mão arrancou a vara que Lhe haviam posto nas mãos e com ela golpeou-Lhe a coroa em Sua fronte a ponto de os espinhos penetrarem em Suas têmporas e o sangue jorrar pelo rosto e barba.
Satanás liderava os soldados cruéis em seus abusos contra Jesus. Queria incitá-Lo a algum tipo de vingança, se possível, ou levá-Lo a operar um milagre para livrar a Si mesmo e assim frustrar o plano da salvação. Uma única mancha em Sua vida humana, ou uma única falha em suportar o terrível teste e o Cordeiro de Deus seria uma oferta imperfeita e a redenção do homem teria fracassado.
Aquele, porém, que podia comandar as hostes celestiais e chamar em Seu auxílio legiões de anjos, sendo que apenas um deles seria suficiente para subjugar a turba cruel, que poderia ter lançado por terra Seus atormentadores com apenas um raio de Sua divina majestade, submeteu-Se a todas as afrontas e ultrajes com uma compostura digna e humilde. Assim como os atos de Seus torturadores os envilecia à semelhança de Satanás, a mansidão e a paciência de Jesus exaltavam-No acima da humanidade e provavam Seu parentesco com Deus.
Pilatos comoveu-se profundamente com a paciência e a resignação do Salvador. Pediu que introduzissem a Barrabás na sala do julgamento e então colocou os prisioneiros lado a lado. Apontando para Jesus disse em tom solene: "Eis o homem! ... Eis que eu vo-Lo apresento, para que saibais que eu não acho nEle crime algum." João 19:5 e 4.
Ali estava o Filho de Deus, com o manto escarlate e a coroa de espinhos. Desnudo até a cintura, exibia nas costas os vergões extensos e cruéis dos quais o sangue fluía livremente. Seu rosto, manchado de sangue, trazia as marcas da completa exaustão e dor; mas nunca parecera mais belo. Cada traço expressava bondade e resignação e a mais terna piedade para com Seus algozes cruéis.
Em chocante contraste, achava-se o outro prisioneiro em cujas feições mostrava o criminoso empedernido que era.
Entre os espectadores havia alguns que simpatizavam com Jesus. Mesmo os sacerdotes e príncipes estavam convictos de que Ele era quem dizia ser. Mas não se renderam. Haviam induzido a turba a uma fúria insana e novamente os sacerdotes, os príncipes e o povo gritaram:
"Crucifica-O, crucifica-O!" João 19:6.
Finalmente, com a paciência esgotada diante de uma crueldade tão vingativa e irracional, disse ao povo:
"Tomai-O vós outros e crucificai-O; porque eu não acho nEle crime algum." João 19:6.
Pilatos fez tudo o que podia para libertar o Salvador; mas os judeus gritavam:
"Se soltas a Este, não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei é contra César." João 19:12.
Tais palavras atingiram Pilatos em seu ponto fraco. Ele já se tornara suspeito ao governo romano e tal notícia a seu respeito seria sua ruína. "Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue dEste Justo; fique o caso convosco!" Mat. 27:24.
Em vão Pilatos tentou eximir-se da culpa de condenar Jesus. Se tivesse agido com energia e firmeza a princípio, fiel à sua própria e justa convicção, o povo teria que acatar sua decisão e não subjugaria sua vontade. Sua vacilação e indecisão foram sua ruína. Viu que não podia libertar Jesus e ainda manter sua posição e honra. Preferiu sacrificar uma vida inocente a perder sua autoridade terrena. Submetendo-se às exigências do povo, novamente mandou açoitar Jesus, e entregou-O para ser crucificado.
Mas apesar de suas precauções, o que mais temia veio sobre ele. Foi destituído de sua posição de honra, vindo a morrer não muito tempo depois da crucifixão, ferido em seu orgulho e atormentado de remorsos.
Do mesmo modo, todos os que se comprometem com o pecado, só ganharão sofrimento e ruína. "Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte." Prov. 14:12.
Invocando a Maldição
Quando Pilatos se declarou inocente do sangue de Cristo, Caifás respondeu com arrogância:
"Caia sobre nós o Seu sangue e sobre nossos filhos!" Mat. 27:25.
Essas terríveis palavras foram repetidas pelos sacerdotes e pelo povo. Tremenda sentença acabavam de pronunciar sobre si mesmos, horrível herança para a posteridade.
Isso se cumpriu literalmente nas dramáticas cenas da destruição de Jerusalém, cerca de quarenta anos mais tarde.
Literalmente têm-se cumprido na dispersão, no desprezo e na opressão a que estão sujeitos seus descendentes desde aquele dia. Mas será duplamente literal quando o acerto final de contas vier. O cenário então será mudado. "Esse Jesus... virá" (Atos 1:11) "em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus." II Tess. 1:8.
Dirão eles, então, aos montes e rochedos: "Caí sobre nós e escondei-nos da face dAquele que Se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande dia da ira dEles; e quem é que pode suster-se?" Apoc. 6:16 e 17.

24.5.12

Vale a Pena Esperar

“Quando Cristo vier reunir para Si os que foram fiéis, soará a última trombeta, e toda a Terra, dos cumes das mais altas montanhas aos mais baixos recantos das minas mais profundas, a ouvirá. Os justos mortos ouvirão o som da última trombeta e sairão de suas sepulturas, para ser revestidos da imortalidade e encontrar-se com o seu Senhor. Demoro-me com prazer sobre a ressurreição dos justos, os quais sairão de todas as partes da Terra, de cavernas rochosas, de calabouços, das covas da Terra, das águas do mar. Ninguém é passado por alto. Todos ouvirão Sua voz. Eles sairão com regozijo e vitória.”

“Com indizível amor Jesus dá as boas-vindas a Seus fiéis, para o ‘gozo’ do Senhor. O gozo do Salvador consiste em ver, no reino de glória, as pessoas que foram salvas por Sua agonia e humilhação. Nos resultados de Sua obra, Cristo contemplará Sua recompensa. Naquela grande multidão que ninguém pode contar, apresentada como ‘irrepreensíveis, com alegria, perante a Sua glória’, Aquele cujo sangue nos redimiu e cuja vida nos ensinou, verá o ‘trabalho da Sua alma’ e ‘ficará satisfeito’.”

“Cristo, só Cristo e Sua justiça, obterão para nós um passaporte ao Céu. O coração orgulhoso se esforça por alcançar a salvação; mas tanto o nosso título ao Céu, como nossa idoneidade para ele, encontram-se na justiça de Cristo. Para fazermos parte da família celestial, [Cristo] tornou-Se membro da família humana.”

“Quando os redimidos estiverem perante Deus, responderão ao chamado pessoas que ali estão por causa dos fervorosos e perseverantes esforços feitos em seu benefício, e das súplicas e intensa persuasão para que fujam para a Fortaleza. Dessa forma, os que neste mundo têm estado a cooperar com Deus, receberão a sua recompensa. Quando os portais daquela linda cidade lá do alto se revolverem nos seus luzentes gonzos, e nela entrarem as hostes que observaram a verdade, coroas de glória lhes serão colocadas sobre a cabeça, e eles atribuirão a Deus honra, glória e majestade. E naquela ocasião alguns se aproximarão de vocês, dizendo: ‘Não fossem as palavras que você me proferiu bondosamente, não fossem suas lágrimas, súplicas e diligentes esforços, e eu nunca teria visto o Rei na Sua formosura.’ Que recompensa é essa! Quão insignificante é o louvor de seres humanos nesta vida terrena e transitória, em comparação com as infinitas recompensas que estão reservadas aos fiéis na futura vida imortal!”

Ellen G. White