11.6.12

Perante Anás e Caifás

Jesus foi levado do Jardim do Getsémani cercado pela turba que o vaiava. Movia-Se com dificuldade pois Suas mãos estavam fortemente atadas e os soldados guardavam-No bem de perto.
Primeiro foi levado à casa de Anás, o antigo sumo sacerdote cujo cargo havia sido ocupado por seu genro, Caifás. O ímpio Anás queria ser o primeiro a ver Jesus preso e tirar d´Ele provas que O levariam à condenação.
Com essa intenção, interrogou o Salvador em relação aos Seus discípulos e ensinamentos. Cristo respondeu:
"Eu tenho falado francamente ao mundo; ensinei continuamente tanto nas sinagogas como no templo, onde todos os judeus se reúnem, e nada disse em oculto." João 18:20.
Então, voltando-Se para o que O interrogava, disse: "Por que Me interrogas? Pergunta aos que ouviram." João 18:21.
Os próprios sacerdotes tinham enviado espiões para observar Cristo e relatar cada palavra que dizia. Através deles, sabiam tudo o que Cristo ensinava e fazia em cada reunião. Os espiões tentavam apanhá-Lo em Suas próprias palavras para que, desse modo, pudessem condená-Lo. Por isso o Salvador disse: "Pergunta aos que ouviram." João 18:21. Dirigi-vos aos vossos espiões. Eles ouviram o que Eu disse e podem contar-vos a respeito dos Meus ensinos.
As palavras de Jesus foram tão penetrantes e diretas que o sacerdote sentiu que o seu Prisioneiro conhecia suas intenções.
Um dos servos de Anás, porém, sentindo que seu mestre não havia sido tratado com o devido respeito , bateu no rosto de Jesus, dizendo:
"É assim que falas ao sumo sacerdote? Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; mas, se falei bem, por que Me feres?" João 18:22 e 23.
Jesus poderia ter convocado legiões de anjos celestes para vir em Seu auxílio; mas, era parte de Sua missão suportar, em Sua humanidade, todas as ofensas e insultos que os homens pudessem acumular sobre Ele.
Julgamento Forjado
Da casa de Anás, o Salvador foi levado ao palácio de Caifás. Ele deveria ser interrogado pelo Sinédrio e enquanto seus membros eram convocados, Anás e Caifás O questionaram outra vez, mas não obtiveram vantagem sobre Ele.
Quando os membros do Sinédrio estavam reunidos, Caifás tomou seu lugar de presidente, ladeado pelos juízes; diante deles, os soldados romanos guardavam o Salvador; atrás deles encontrava-se a turba acusadora.
Caifás então ordenou que Jesus operasse um de Seus milagres diante de todos, mas o Salvador permanecendo em silêncio, não deu nenhum sinal de que tinha ouvido uma palavra sequer.
Tivesse Ele respondido com um único olhar penetrante e cheio de autoridade tal qual lançara aos comerciantes no templo e toda aquela turba homicida fugiria imediatamente de Sua presença.
Naquela época, os judeus estavam sob o domínio dos romanos e não eram autorizados a condenar ninguém à morte. O Sinédrio apenas examinava o prisioneiro e então transferia o julgamento para ser ratificado pelas autoridades romanas.
Para cumprir seu ímpio propósito, deveriam encontrar alguma acusação contra o Salvador que fosse considerada como um ato criminoso pelo governador romano. Podiam assegurar que tinham suficientes evidências de que Cristo havia falado contra muitas tradições e ordenanças judaicas. Era fácil provar que Ele havia denunciado sacerdotes e escribas, chamando-os de hipócritas e assassinos, mas isso não seria motivo de condenação perante os romanos, pois eles mesmos odiavam a hipocrisia dos fariseus.
Muitas acusações foram apresentadas contra Jesus mas ou as testemunhas não estavam de acordo, ou os depoimentos eram de tal natureza que não seriam aceitos pelos romanos. Tentaram fazê-Lo falar, em resposta às acusações, mas Ele parecia não ouvi-los. O silêncio de Cristo naquele momento, já havia sido descrito pelo profeta Isaías:
"Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, Ele não abriu a boca." Isa. 53:7.
Os sacerdotes começaram a temer que não conseguiriam nenhuma prova convincente que pudesse levar Cristo à presença de Pilatos. Sentiam que uma última tentativa precisava ser feita.
O sumo sacerdote apontou a mão para o Céu e dirigiu-se a Jesus, em forma de solene juramento:
"Eu Te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se Tu és o Cristo, o Filho de Deus." Mat. 26:63.
O Salvador jamais negou Sua missão ou Seu relacionamento com o Pai. Podia calar-Se diante de um insulto, mas sempre falava aberta e decididamente quando Sua obra ou filiação divina eram questionadas.
Todo ouvido inclinou-se para ouvir e todo olhar fixou-se nEle, quando respondeu: "Tu o disseste." Mat. 26:25.
Segundo o costume da época, responder daquele modo significava "sim" ou "é tal qual disseste". Essa era a maneira de responder de modo mais enfático a uma resposta afirmativa. Uma luz celestial pareceu iluminar-Lhe o rosto pálido quando acrescentou:
"Entretanto, Eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu." Mat. 26:64.
Nessa declaração, o Salvador apresentou o reverso da cena que ali se desenrolava, apontando-lhes um tempo em que Ele ocupará a posição de Supremo Juiz do Céu e da Terra. Então estará assentado no trono do Pai e de Suas sentenças não haverá apelação.
Diante de Seus ouvintes, trouxe uma visão daquele dia, quando, ao invés de sofrer abusos e escárnios da turba desordeira, virá nas nuvens do Céu com poder e grande glória. Legiões de anjos O escoltarão e então pronunciará a sentença contra Seus inimigos, achando-se entre eles a mesma turba que O acusava.
Ao Jesus declarar-Se Filho de Deus e Juiz do mundo, o sacerdote rasgou suas vestes, mostrando-se horrorizado. Ergueu as mãos para o Céu e disse:
"Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfémia! Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte." Mat. 26:65 e 66.
Segundo as leis judaicas, um prisioneiro não podia ser julgado à noite. Por isso, embora já condenado, deveria haver um outro julgamento durante o dia.
Insultando o Criador
Jesus foi levado, em seguida, para a sala da guarda, onde sofreu escárnio e abuso dos soldados e da multidão.
Ao amanhecer, foi Ele conduzido novamente à presença dos juízes onde a condenação definitiva foi pronunciada. Uma fúria satânica apossou-se dos líderes e do povo. A multidão urrava como feras selvagens. Arremeteram então contra Cristo, gritando: "Ele é culpado, matem-No!" Se os soldados romanos não estivessem presentes, eles O teriam feito em pedaços. Porém, a autoridade romana se interpôs, e, com a força das armas, reprimiu a violência do povo.
Sacerdotes e príncipes misturaram-se à multidão e cobriram o Salvador de insultos. Vestiram-No com um manto surrado e bateram-Lhe no rosto, dizendo:
"Profetiza-nos, Cristo, quem é que Te bateu!" Mat. 26:68.
E havendo-O despido, cuspiram-Lhe no rosto.
Os anjos de Deus registraram fielmente cada insulto, olhar, palavra e ato contra seu amado Comandante. Um dia aqueles homens vis que escarneceram e bateram no rosto pálido e sereno de Cristo, contemplarão esse mesmo rosto mais brilhante do que o Sol.
Vida de Jesus, ps. 113-118
Ellen G. White

5.6.12

A Tragédia de Judas

Os príncipes judeus estavam ansiosos por prender Jesus, mas por receio de provocar um tumulto entre o povo, não ousavam fazê-Lo abertamente. Por isso buscaram alguém que pudesse traí-Lo secretamente e encontraram em Judas, um dos doze discípulos, a pessoa para praticar esse ato vil.
Judas tinha naturalmente um forte amor pelo dinheiro, mas não era corrupto e vil a ponto de praticar tal ato. Cultivou, porém, o espírito de avareza até que esse alcançou pleno domínio sobre sua vida, e agora, podia vender o seu Senhor por trinta moedas de prata, o preço de um escravo. (Êxo. 21:28-32.) Com um beijo traiu o Salvador no Getsémani.
Depois de entregá-Lo, seguiu cada passo do Filho de Deus, desde o jardim até o interrogatório diante dos príncipes do povo. Não acreditava que Jesus consentiria em ser morto por eles conforme O ameaçaram.
A cada momento esperava vê-Lo libertado e protegido pelo poder divino, como havia sido no passado.
Mas à medida que as horas passavam e Jesus Se submetia pacientemente a todas as injúrias e insultos, um terrível medo apossou-se do traidor, levando-o a crer que, de fato, ele havia traído Seu Mestre para ser morto.
Remorso Tardio
Quando o julgamento terminou, Judas não pôde suportar mais a tortura de uma consciência culpada. De repente, uma voz rouca ecoou no recinto provocando um calafrio de terror em todos os presentes: Ele é inocente. Poupa-O, Caifás. Nada fez para merecer a morte! (Mat. 27:3 e 4.)
A figura alta de Judas foi vista abrindo caminho pelo meio da multidão chocada. Seu rosto estava pálido e desfigurado e grandes gotas de suor caíam-lhe da fronte. Avançando até o trono do julgamento, atirou aos pés do sumo sacerdote as trinta peças de prata, o preço da traição. Agarrou ansiosamente as vestes de Caifás e implorou-lhe que libertasse Jesus, pois nEle não havia nenhum crime. Caifás, porém, repeliu-o, dizendo: "Que nos importa? Isso é contigo." Mat. 27:4.
Judas então lançou-se aos pés do Salvador. Confessou que Jesus era o Filho de Deus e implorou-Lhe que livrasse a Si mesmo de Seus inimigos. Jesus sabia que Judas não havia se arrependido verdadeiramente do seu ato. O falso discípulo temia a punição pelo que havia feito, mas não sentiu genuína tristeza por ter entregue o imaculado Filho de Deus.
Mesmo assim, Jesus não lhe dirigiu nenhuma palavra de condenação. Olhou-o com piedade e disse: "Para isso nasci e para isso vim ao mundo." João 18:37.
Um murmúrio de admiração correu pela multidão. Com espanto, presenciaram a longanimidade de Cristo para com Seu traidor.
Quando Judas percebeu que suas súplicas não dariam resultado, saiu correndo da sala, gritando: "É tarde, é tarde demais!" Sentiu que não podia suportar a crucifixão de Jesus e, em desespero, foi e enforcou-se.
Mais tarde, naquele mesmo dia, quando conduziam Jesus do tribunal de Pilatos ao Calvário, as zombarias e os insultos da turba vil foram interrompidos quando passaram por um lugar ermo e viram, junto a uma árvore seca, o corpo sem vida de Judas.
Era um quadro repugnante. O peso do corpo havia rompido a corda e, ao cair, mutilara-se horrivelmente. Os cães agora o devoravam. Os restos foram imediatamente enterrados longe da vista de todos. A zombaria, porém, diminuiu e o rosto pálido de muitos revelava os fortes temores de seu íntimo. Parecia que a retribuição já começava a atingir os que eram culpados do sangue de Jesus.
Vida de Jesus, p. 119
Ellen G. White

3.6.12

Jesus Perante Pilatos

Após ter sido condenado pelos juízes do Sinédrio, Cristo foi levado à presença de Pilatos, governador romano, para que a sentença fosse confirmada e executada. Os sacerdotes judeus não podiam entrar na sala de julgamento de Pilatos. De acordo com as leis cerimoniais, tal ato os tornava imundos e os excluía da participação da festa da Páscoa.
Em sua cegueira, não viam que Cristo era o verdadeiro Cordeiro da Páscoa e que ao rejeitá-Lo, a grande festa havia perdido seu significado.
Quando Pilatos olhou para Jesus, notou n´Ele um homem de aspecto nobre e de porte digno. Em Seu semblante não havia nenhuma expressão de delito. Voltando-se para os sacerdotes, perguntou: "Que acusação trazeis contra Este homem?" João 18:29.
Seus acusadores, que não desejavam entrar em pormenores, não estavam preparados para essa pergunta. Sabiam que não possuíam nenhuma evidência confiável para que o governador romano condenasse Jesus. Então suscitaram contra Ele falsas testemunhas que disseram: "Encontramos Este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser Ele o Cristo, o Rei." Luc. 23:2.
Isso era mentira, pois Cristo havia claramente sancionado o pagamento de tributo a César. Quando os escribas interrogaram-No sobre essa questão, tentando armar-Lhe uma cilada, respondeu: "Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." Mat. 22:21.
Pilatos não se deixou enganar pelo depoimento das falsas testemunhas. Voltou-se para o Salvador e perguntou:
"És Tu o Rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes." Mat. 27:11.
Ao ouvirem essa resposta, Caifás e os que o acompanhavam apelaram para o testemunho que o próprio Pilatos acabava de ouvir dos lábios de Jesus, de que Ele era, de fato, culpado do crime de que O acusavam. Em altos brados, pediram Sua condenação à morte.
Como Cristo nada respondesse aos Seus acusadores, Pilatos Lhe disse:
"Nada respondes? Vê quantas acusações Te fazem! Jesus, porém, não respondeu." Mar. 15:4 e 5.
Pilatos estava perplexo. Não havia encontrado qualquer indício de crime em Jesus. E não confiava naqueles que O acusavam. O porte nobre e a conduta discreta do Salvador contrastavam diretamente com a exaltação e fúria de seus acusadores. Isso impressionou o governador a ponto de convencê-lo da inocência de Cristo.
A Oportunidade de Pilatos
Esperando ouvir d´Ele a verdade, chamou-O para perto de si e perguntou:
"És Tu o Rei dos judeus?" João 18:33.
Cristo não respondeu diretamente a essa pergunta, mas devolveu-lhe outra pergunta:
"Vem de ti mesmo esta pergunta ou to disseram outros a Meu respeito?" João 18:34.
O Espírito de Deus estava operando no coração de Pilatos. A pergunta de Jesus tinha o objetivo de levá-lo a examinar mais profundamente seu coração. Pilatos entendeu o significado da pergunta e seu próprio coração abriu-se ante ele, sentindo a alma agitar-se pela convicção. Nesse momento, porém, um sentimento de orgulho apoderou-se dele, e voltando-se para Jesus, disse-Lhe:
"Porventura, sou judeu? A Tua própria gente e os principais sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?" João 18:35.
A grande oportunidade de Pilatos havia passado; contudo, Jesus desejava que o governador compreendesse que Ele não viera para ser um rei da Terra e por isso disse-lhe:
"O Meu reino não é deste mundo. Se o Meu reino fosse deste mundo, os Meus ministros se empenhariam por Mim, para que não fosse Eu entregue aos judeus; mas agora o Meu reino não é daqui." João 18:36.
"Então, Lhe disse Pilatos: Logo, Tu és Rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou Rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a Minha voz." João 18:37.
Pilatos tinha desejo de conhecer a verdade. Sua mente estava confusa. Avidamente apanhou as palavras de Cristo e seu coração comoveu-se com o desejo de conhecer e obter a verdade. Então perguntou a Jesus: "Que é a verdade?" João 18:38.
Mas não esperou pela resposta. Fora do tribunal, a turba chegou ao máximo da agitação e tumulto. Os sacerdotes clamavam por uma ação imediata e Pilatos teve que voltar-se para os interesses do momento.
Dirigindo-se ao povo, declarou:
"Eu não acho n´Ele crime algum." João 18:38. Essas palavras, vindas dos lábios de um juiz gentio, eram uma reprovação esmagadora da perfídia e falsidade dos príncipes de Israel que incriminavam o Salvador.
Quando os sacerdotes e anciãos ouviram o juízo de Pilatos, sua decepção e fúria não conheceram limites. Fazia muito tempo que haviam planejado e esperado por essa oportunidade. Quando viram que havia possibilidade de libertação de Jesus, ficaram a ponto de dilacerá-Lo.
Descontrolados e irracionais, prorromperam em terríveis imprecações, comportando-se como verdadeiros demónios. Aos gritos, denunciaram Pilatos, ameaçando-o de censura por parte do governo romano. Acusaram-no de recusar-se condenar alguém que eles afirmavam ter-se insurgido contra César. Então se puseram a clamar:
"Ele alvoroça o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui." Luc. 23:5.
Até ali Pilatos não havia pensado em condenar Jesus, pois estava certo de Sua inocência. Mas quando ouviu que Cristo era da Galileia, decidiu enviá-Lo a Herodes, o governador daquela província, o qual se encontrava então em Jerusalém. Através dessa manobra, Pilatos pensou em transferir a responsabilidade de suas mãos para as de Herodes.
Jesus estava extenuado pela fome e exausto pela falta de sono. Além disso, sofria pelo tratamento cruel que havia recebido. Mesmo assim, Pilatos devolveu-O aos soldados e Ele foi arrastado entre os insultos e zombaria da impiedosa plebe.
Vida de Jesus, pp.123-127
E.G.White

31.5.12

Veremos o Seu Rosto

E verão o Seu rosto, e na sua testa estará o Seu nome. Apocalipse 22:4.

Não podemos agora ver a glória de Deus; e é só recebendo-O aqui que seremos habilitados a vê-Lo afinal, face a face. Deus deseja que conservemos os olhos fitos n´Ele, para que percamos de vista as coisas deste mundo. Não temos… tempo para que qualquer de nós retarde esse preparo que nos habilitará a ver a face de Deus. Temos de, aqui, tornar-nos semelhantes a Cristo, e conhecê-Lo como Salvador presente e pessoal.

Só olhando a Jesus, o Cordeiro de Deus, e seguindo-Lhe os passos, podereis preparar-vos para o encontro com Deus. Segui-O, e um dia palmilhareis as ruas de ouro da cidade de Deus — vê-Lo-eis, Aquele que pôs de lado Suas vestes reais e Sua real coroa e, disfarçando-Se com humanidade, veio ao nosso mundo e levou sobre Si nossos pecados, para que nos erguesse e nos desse uma revelação de Sua glória e majestade. Vê-Lo-emos face a face, se agora nos sujeitarmos a ser por Ele moldados e adaptados, em preparo para um lugar no reino de Deus.

Os que consagram a vida ao serviço de Deus, viverão com Ele através dos séculos dos séculos da eternidade. “O mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus.” Apocalipse 21:3.

Entregaram a Deus seu pensamento neste mundo; serviram-nO com o coração e o intelecto, e agora pode Ele escrever Seu nome em sua fronte. “E ali não haverá mais noite, … porque o Senhor Deus os alumia, e reinarão para todo o sempre.” Apocalipse 22:5. Não aparecem ali como quem mendigasse um lugar, pois Cristo lhes diz: “Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” Mateus 25:34. Toma-os como filhos Seus, dizendo: Entrai na posse da vitória. A coroa da imortalidade é colocada na fronte dos vencedores. Tomam suas coroas e lançam-nas aos pés de Jesus e, dedilhando suas harpas de ouro, fazem reboar todo o Céu com rica música em hinos de louvor ao Cordeiro. Então “verão o Seu rosto, e na Sua testa estará o Seu nome”. Apocalipse 22:4.

Ellen G. White, Cuidado de Deus, pág. 150.

27.5.12

O Fim de Pilatos

Quando os judeus voltaram da presença de Herodes trazendo Jesus de volta ao tribunal, Pilatos ficou muito aborrecido e perguntou-lhes o que queriam que ele fizesse. Lembrou-lhes de que já O havia interrogado e não encontrara nenhuma culpa nEle. Recordara-lhes as acusações que fizeram contra Ele, mas nenhuma prova convincente fora apresentada para confirmar uma única acusação.
Conforme foi mencionado anteriormente, levaram-No à presença de Herodes, que era judeu como eles mesmos e ele nada encontrou para que fosse condenado à morte. Contudo, para apaziguar os acusadores, Pilatos disse: "Portanto, após castigá-Lo, soltá-Lo-ei." Luc. 23:16.
Nisso, Pilatos mostrou sua fraqueza, pois se sabia que Cristo era inocente, por que mandaria castigá-Lo? Assim fazendo, comprometia-se com o erro. Os judeus não mais esqueceram disso durante o julgamento. Haviam conseguido intimidar o governador romano e, agora, tirando vantagem disso, haveriam de pressioná-lo até conseguir a condenação de Jesus.
A multidão, em alvoroço, exigia mais e mais a vida do prisioneiro. Enquanto hesitava em relação ao que fazer, recebeu uma carta de sua esposa que dizia: "Não te envolvas com esse Justo; porque hoje, em sonho, muito sofri por Seu respeito." Mat. 27:19.
Pilatos, ao ler a carta, empalideceu; o povo, ao perceber sua hesitação, redobrou a insistência. Ele sabia que precisava tomar alguma atitude. Era costume, no período da Páscoa, soltar um prisioneiro que o povo escolhesse. Os soldados romanos haviam capturado havia pouco, um criminoso de fama, chamado Barrabás. Era ladrão e assassino. Então Pilatos voltou-se para a multidão e perguntou-lhes com seriedade:
"A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo?" Mat. 27:17.
"Toda a multidão, porém, gritava: Fora com Este! Solta-nos Barrabás!" Luc. 23:18.
Pilatos Perde a Autoridade
Pilatos emudeceu de espanto e desapontamento. Entregando o julgamento ao povo, ele havia perdido a dignidade e o controle da multidão. Daí em diante, tornou-se apenas um joguete nas mãos do povo. Eles o levavam aonde queriam. Então perguntou:
"Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Seja crucificado! Responderam todos. Que mal fez ele? Perguntou Pilatos. Porém, cada vez clamavam mais: Seja crucificado!" Mat. 27:22 e 23.
Quando ouviu o grito terrível "Crucifica-O!", o rosto de Pilatos empalideceu. Ele não imaginara tal desfecho. Repetidas vezes havia declarado Jesus inocente, contudo o povo insistia em que Ele sofresse a mais cruel de todas as mortes. Outra vez perguntou: "Que mal fez Ele?" E outra vez o terrível grito ecoou nos ares: "Crucifica-O!" Mar. 15:14.
Pilatos fez um último esforço para despertar-lhes simpatia. Mandou que tomassem a Jesus, completamente exausto e coberto de feridas e O açoitassem na presença de Seus acusadores.
O Escárnio dos Ímpios
"Os soldados, tendo tecido uma coroa de espinhos, puseram-Lha na cabeça e vestiram-No com um manto de púrpura. Chegavam-se a Ele e diziam: Salve, Rei dos judeus! E davam-Lhe bofetadas." João 19:2 e 3. Cuspiram nEle e uma perversa mão arrancou a vara que Lhe haviam posto nas mãos e com ela golpeou-Lhe a coroa em Sua fronte a ponto de os espinhos penetrarem em Suas têmporas e o sangue jorrar pelo rosto e barba.
Satanás liderava os soldados cruéis em seus abusos contra Jesus. Queria incitá-Lo a algum tipo de vingança, se possível, ou levá-Lo a operar um milagre para livrar a Si mesmo e assim frustrar o plano da salvação. Uma única mancha em Sua vida humana, ou uma única falha em suportar o terrível teste e o Cordeiro de Deus seria uma oferta imperfeita e a redenção do homem teria fracassado.
Aquele, porém, que podia comandar as hostes celestiais e chamar em Seu auxílio legiões de anjos, sendo que apenas um deles seria suficiente para subjugar a turba cruel, que poderia ter lançado por terra Seus atormentadores com apenas um raio de Sua divina majestade, submeteu-Se a todas as afrontas e ultrajes com uma compostura digna e humilde. Assim como os atos de Seus torturadores os envilecia à semelhança de Satanás, a mansidão e a paciência de Jesus exaltavam-No acima da humanidade e provavam Seu parentesco com Deus.
Pilatos comoveu-se profundamente com a paciência e a resignação do Salvador. Pediu que introduzissem a Barrabás na sala do julgamento e então colocou os prisioneiros lado a lado. Apontando para Jesus disse em tom solene: "Eis o homem! ... Eis que eu vo-Lo apresento, para que saibais que eu não acho nEle crime algum." João 19:5 e 4.
Ali estava o Filho de Deus, com o manto escarlate e a coroa de espinhos. Desnudo até a cintura, exibia nas costas os vergões extensos e cruéis dos quais o sangue fluía livremente. Seu rosto, manchado de sangue, trazia as marcas da completa exaustão e dor; mas nunca parecera mais belo. Cada traço expressava bondade e resignação e a mais terna piedade para com Seus algozes cruéis.
Em chocante contraste, achava-se o outro prisioneiro em cujas feições mostrava o criminoso empedernido que era.
Entre os espectadores havia alguns que simpatizavam com Jesus. Mesmo os sacerdotes e príncipes estavam convictos de que Ele era quem dizia ser. Mas não se renderam. Haviam induzido a turba a uma fúria insana e novamente os sacerdotes, os príncipes e o povo gritaram:
"Crucifica-O, crucifica-O!" João 19:6.
Finalmente, com a paciência esgotada diante de uma crueldade tão vingativa e irracional, disse ao povo:
"Tomai-O vós outros e crucificai-O; porque eu não acho nEle crime algum." João 19:6.
Pilatos fez tudo o que podia para libertar o Salvador; mas os judeus gritavam:
"Se soltas a Este, não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei é contra César." João 19:12.
Tais palavras atingiram Pilatos em seu ponto fraco. Ele já se tornara suspeito ao governo romano e tal notícia a seu respeito seria sua ruína. "Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue dEste Justo; fique o caso convosco!" Mat. 27:24.
Em vão Pilatos tentou eximir-se da culpa de condenar Jesus. Se tivesse agido com energia e firmeza a princípio, fiel à sua própria e justa convicção, o povo teria que acatar sua decisão e não subjugaria sua vontade. Sua vacilação e indecisão foram sua ruína. Viu que não podia libertar Jesus e ainda manter sua posição e honra. Preferiu sacrificar uma vida inocente a perder sua autoridade terrena. Submetendo-se às exigências do povo, novamente mandou açoitar Jesus, e entregou-O para ser crucificado.
Mas apesar de suas precauções, o que mais temia veio sobre ele. Foi destituído de sua posição de honra, vindo a morrer não muito tempo depois da crucifixão, ferido em seu orgulho e atormentado de remorsos.
Do mesmo modo, todos os que se comprometem com o pecado, só ganharão sofrimento e ruína. "Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte." Prov. 14:12.
Invocando a Maldição
Quando Pilatos se declarou inocente do sangue de Cristo, Caifás respondeu com arrogância:
"Caia sobre nós o Seu sangue e sobre nossos filhos!" Mat. 27:25.
Essas terríveis palavras foram repetidas pelos sacerdotes e pelo povo. Tremenda sentença acabavam de pronunciar sobre si mesmos, horrível herança para a posteridade.
Isso se cumpriu literalmente nas dramáticas cenas da destruição de Jerusalém, cerca de quarenta anos mais tarde.
Literalmente têm-se cumprido na dispersão, no desprezo e na opressão a que estão sujeitos seus descendentes desde aquele dia. Mas será duplamente literal quando o acerto final de contas vier. O cenário então será mudado. "Esse Jesus... virá" (Atos 1:11) "em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus." II Tess. 1:8.
Dirão eles, então, aos montes e rochedos: "Caí sobre nós e escondei-nos da face dAquele que Se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande dia da ira dEles; e quem é que pode suster-se?" Apoc. 6:16 e 17.

24.5.12

Vale a Pena Esperar

“Quando Cristo vier reunir para Si os que foram fiéis, soará a última trombeta, e toda a Terra, dos cumes das mais altas montanhas aos mais baixos recantos das minas mais profundas, a ouvirá. Os justos mortos ouvirão o som da última trombeta e sairão de suas sepulturas, para ser revestidos da imortalidade e encontrar-se com o seu Senhor. Demoro-me com prazer sobre a ressurreição dos justos, os quais sairão de todas as partes da Terra, de cavernas rochosas, de calabouços, das covas da Terra, das águas do mar. Ninguém é passado por alto. Todos ouvirão Sua voz. Eles sairão com regozijo e vitória.”

“Com indizível amor Jesus dá as boas-vindas a Seus fiéis, para o ‘gozo’ do Senhor. O gozo do Salvador consiste em ver, no reino de glória, as pessoas que foram salvas por Sua agonia e humilhação. Nos resultados de Sua obra, Cristo contemplará Sua recompensa. Naquela grande multidão que ninguém pode contar, apresentada como ‘irrepreensíveis, com alegria, perante a Sua glória’, Aquele cujo sangue nos redimiu e cuja vida nos ensinou, verá o ‘trabalho da Sua alma’ e ‘ficará satisfeito’.”

“Cristo, só Cristo e Sua justiça, obterão para nós um passaporte ao Céu. O coração orgulhoso se esforça por alcançar a salvação; mas tanto o nosso título ao Céu, como nossa idoneidade para ele, encontram-se na justiça de Cristo. Para fazermos parte da família celestial, [Cristo] tornou-Se membro da família humana.”

“Quando os redimidos estiverem perante Deus, responderão ao chamado pessoas que ali estão por causa dos fervorosos e perseverantes esforços feitos em seu benefício, e das súplicas e intensa persuasão para que fujam para a Fortaleza. Dessa forma, os que neste mundo têm estado a cooperar com Deus, receberão a sua recompensa. Quando os portais daquela linda cidade lá do alto se revolverem nos seus luzentes gonzos, e nela entrarem as hostes que observaram a verdade, coroas de glória lhes serão colocadas sobre a cabeça, e eles atribuirão a Deus honra, glória e majestade. E naquela ocasião alguns se aproximarão de vocês, dizendo: ‘Não fossem as palavras que você me proferiu bondosamente, não fossem suas lágrimas, súplicas e diligentes esforços, e eu nunca teria visto o Rei na Sua formosura.’ Que recompensa é essa! Quão insignificante é o louvor de seres humanos nesta vida terrena e transitória, em comparação com as infinitas recompensas que estão reservadas aos fiéis na futura vida imortal!”

Ellen G. White

22.5.12

Leais a Deus, ou aos homens?

Mais importa obedecer a Deus do que aos homens. Atos dos Apóstolos 5:29.
Daniel e seus companheiros tinham a consciência livre de ofensa para com Deus. Mas isto não se consegue sem luta. Que prova foi a que sobreveio aos três companheiros, de Daniel quando lhes foi exigido que adorassem a grande imagem erguida pelo rei Nabucodonosor nas planícies de Dura! Seus princípios lhes proibiam prestar homenagem ao ídolo; pois era um rival do Deus do Céu. Sabiam que deviam a Deus todas as faculdades que possuíam, e conquanto tivessem o coração cheio de generosa simpatia para com todos os homens, tinham também a elevada aspiração de demonstrar-se inteiramente leais ao seu Deus.
Declarou o rei aos três jovens hebreus: Se “vos prostrardes e adorardes a estátua que fiz, bom é; mas, se a não adorardes, sereis lançados, na mesma hora, dentro do forno de fogo ardente; e quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?” Disseram os jovens ao rei: “Não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; Ele nos livrará do forno de fogo ardente e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste.” Daniel 3:15-18. … Aqueles jovens fiéis foram lançados na fornalha, mas Deus manifestou Seu poder, livrando os Seus servos. Alguém semelhante ao Filho de Deus andou com eles no meio das chamas, e quando os foram tirar, não apresentavam nem cheiro de leve queimadura.

Assim aqueles jovens, imbuídos do Espírito Santo, declararam a toda a nação a sua fé, que Aquele que adoravam era o único Deus vivo, e verdadeiro. Esta demonstração de sua fé foi a mais eloqüente apresentação de seus princípios. Para impressionar os idólatras com o poder e grandeza do Deus vivo, devem Seus servos revelar sua reverência para com Deus. Têm de tornar manifesto que é Ele o único objeto de sua honra e culto, e que consideração alguma, nem mesmo a preservação da vida, os pode induzir a fazer a menor concessão à idolatria. Essas lições têm influência direta e vital sobre nossa experiência nestes últimos dias.

Ellen G. White, Nos Lugares Celestiais, pág.150.

21.5.12

A Glória do Calvário

Jesus foi levado ao Calvário apressadamente, em meio a zombarias e gritos de insulto da multidão. Ao passar o limiar do tribunal, puseram-Lhe sobre os ombros feridos a cruz destinada a Barrabás. Os dois ladrões que também seriam crucificados com Jesus receberam a sua cruz.
O peso do madeiro era mais do que o Salvador podia suportar, em Sua exaustão e sofrimento. Andou apenas alguns passos e caiu desmaiado sob o peso da cruz.
Quando voltou a Si, a cruz foi outra vez colocada sobre Seus ombros. Cambaleou mais alguns passos e outra vez caiu sem sentidos. Seus algozes viram que Lhe era impossível carregar aquele peso além de Suas forças e ficaram perplexos, sem saber quem deveria levar aquele fardo humilhante.
Naquele momento, vindo casualmente ao encontro deles, apareceu Simão, um cireneu, a quem obrigaram a levar a cruz até o Calvário.
Os filhos de Simão eram discípulos de Jesus, mas ele mesmo não tinha aceitado a Cristo como seu Salvador. Mais tarde,
Simão sentiu-se sempre grato pelo privilégio de carregar a cruz do Redentor. O peso que foi obrigado a levar tornou-se um meio para sua conversão. Os eventos do Calvário e as palavras que ouviu Jesus pronunciar levaram-no a aceitá-Lo como o Filho de Deus.
Chegando ao lugar da crucifixão, os condenados foram amarrados aos instrumentos de suplício. Os dois ladrões reagiram contra os que tentavam crucificá-los; o Salvador, porém, não ofereceu resistência.
Momentos de Angústia
A mãe de Jesus O havia seguido naquela terrível jornada até o Calvário. Ao vê-Lo sucumbir exausto ao peso da cruz, seu coração ansiava por prestar-Lhe socorro, mas esse privilégio lhe foi negado.
A cada passo daquele caminho tão sofrido, desejava que seu filho manifestasse o poder divino para livrar-Se da turba assassina e agora que o drama chegava ao seu ato derradeiro, vendo ela como os ladrões eram pendurados na cruz, que suspense e angústia sentiu na alma!
Devia Aquele que havia ressuscitado os mortos entregar-Se para ser crucificado? O Filho de Deus consentiria que Lhe dessem morte tão cruel? Devia ela renunciar à crença de que Ele era de fato o Messias?
Ela viu também Suas mãos serem estendidas no madeiro - aquelas mãos que sempre se estenderam para abençoar os sofredores. Trouxeram cravos e martelo e, quando os pregos perfuraram-Lhe as mãos, os discípulos inconsoláveis, levaram o corpo desmaiado de Maria para longe daquela cena cruel.
O Salvador não soltou um gemido sequer. De Seu rosto pálido e sereno, o suor corria fartamente. Os discípulos tinham fugido da pavorosa cena. "O lagar, Eu o pisei sozinho, e dos povos nenhum homem se achava comigo." Isa. 63:3.
Enquanto os soldados faziam sua obra, a mente de Jesus desviou-se de Seus sofrimentos para se concentrar na terrível recompensa que aguardava os Seus perseguidores. Tendo piedade de sua ignorância, orou: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Luc. 23:34.
Assim, Cristo conquistou o direito de tornar-Se o intercessor entre os homens e Deus. Essa oração abrangia o mundo todo, incluindo cada pecador que existiu ou que viria a existir, desde o princípio até a consumação do século.
Toda vez que pecamos, Cristo é ferido outra vez. Por nós, Ele ergue as mãos feridas diante do trono do Pai e diz: "Perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Luc. 23:34.
O Rei dos Judeus e do Universo
Logo depois de pregar Jesus na cruz, homens fortes levantaram o madeiro e o fincaram violentamente no chão. Isso causou um intenso sofrimento ao Filho de Deus. Pilatos escreveu então um letreiro em latim, grego e hebraico, o qual mandou afixar em cima da cruz, para que todos pudessem ler:
"Jesus Nazareno, o Rei dos judeus." João 19:19.
No entanto, os judeus pediram que Pilatos mudasse a inscrição do letreiro, dizendo:
"Não escrevas: Rei dos judeus, e sim que Ele disse: Sou o Rei dos judeus." João 19:21.
Mas Pilatos sentia-se descontente consigo mesmo por causa de sua fraqueza e desprezou completamente os príncipes perversos e invejosos, dizendo:
"O que escrevi, escrevi." João 19:22.
Os soldados dividiram entre si as vestes de Jesus, mas como Sua túnica era sem costura, contenderam por ela e finalmente fizeram um acordo de que deveriam lançar a sorte para ver quem a levaria. O profeta de Deus já havia predito esse incidente nas Escrituras:
"Cães Me cercam; uma súcia de malfeitores Me rodeia; traspassaram-Me as mãos e os pés. Repartem entre si as Minhas vestes e sobre a Minha túnica deitam sortes." Sal. 22:16 e 18.
Assim que Jesus foi erguido na cruz, desenrolou-se uma terrível cena. Sacerdotes, príncipes do povo e escribas juntaram-se à multidão e irromperam em zombarias e insultos contra o Filho de Deus agonizante, dizendo:
"Se Tu és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo." Luc. 23:37. "Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-Se. É Rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nEle. Confiou em Deus; pois venha livrá-Lo agora, se, de fato, Lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus." Mat. 27:42 e 43.
Cristo poderia ter descido da cruz; mas, se tivesse feito isso, jamais poderíamos ser salvos. Por amor a nós, Ele Se dispôs a morrer.
"Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados." Isa. 53:5.
Vida de Cristo, pp. 139-143

16.5.12

A Morte de Cristo

Ao entregar Sua preciosa vida, Cristo não teve a alegria do triunfo para animá-Lo. Seu coração encontrava-se oprimido pela angústia e ferido pela tristeza. Mas não era o medo da morte a causa do Seu sofrimento, e sim o peso esmagador do pecado do mundo que O separava do amor de Seu Pai. Isso foi o que quebrantou o coração do Salvador, a tal ponto que determinou Sua morte antes do tempo previsto.
Cristo sentiu a angústia que os pecadores hão de sentir quando tiverem consciência de sua culpa e reconhecerem estar para sempre excluídos da paz e da alegria do Céu.
Os anjos contemplam com assombro a intensa agonia do Filho de Deus. Sua angústia mental é tão intensa que quase não sente os sofrimentos da cruz.
A própria natureza simpatizou com aquela cena. O Sol que até o meio-dia havia brilhado no firmamento, negou seu brilho de repente; em volta da cruz, tudo ficou mergulhado em trevas, como se fosse a hora mais escura da noite. Essa escuridão sobrenatural durou três horas completas.
Um terror indizível se apossou da multidão. As zombarias e imprecações cessaram completamente e homens, mulheres e crianças caíram por terra cheios de pavor.
Relâmpagos ocasionais iluminavam a cruz e o Salvador crucificado. Todos julgavam que sua hora de retribuição havia chegado.
À hora nona, as trevas se dissiparam de sobre o povo, mas ainda envolviam o Salvador como um manto. Raios flamejantes pareciam arremessar-se sobre Ele, ali pendurado na cruz. Foi então que exclamou em um grito desesperado:
"Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?" Mat. 27:46.
Nesse ínterim, as trevas haviam baixado sobre Jerusalém e as planícies da Judeia. Todos os olhos se voltaram para a cidade condenada e viram os raios ameaçadores da ira de Deus sendo arrojados contra ela.
De repente, a escuridão sobre a cruz se dissipou e com voz clara e poderosa que parecia ressoar por toda a criação, Jesus exclamou:
"Está consumado!" João 19:30. "Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito!" Luc. 23:46.
Uma luz inundou a cruz e o rosto do Salvador tornou-se tão brilhante como o Sol. Depois curvando a cabeça sobre o peito, expirou.
A multidão ao redor da cruz ficou paralisada e com a respiração suspensa contemplava o Salvador. Outra vez, as trevas baixaram sobre a Terra e se ouviu um estrondo como um poderoso trovão acompanhado de um terremoto.
As pessoas foram lançadas umas sobre as outras pelo terremoto. Seguiu-se a mais terrível confusão. Nas montanhas vizinhas, as rochas fenderam-se precipitando-se penhasco abaixo.
Os túmulos se abriram lançando de si seus mortos. Parecia que toda a Criação estava se partindo aos pedaços. Sacerdotes, príncipes, soldados e o povo, mudos de terror, jaziam prostrados ao solo.
O Sacrifício Legítimo
Na hora em que Jesus morreu, alguns sacerdotes estavam ministrando no templo em Jerusalém. Eles sentiram o tremor, e, no mesmo instante, o véu que separava o lugar santo do santíssimo rasgou-se de alto a baixo pela mesma mão misteriosa que escreveu as palavras do juízo no palácio de Belsazar. O lugar santíssimo do santuário terrestre não era mais sagrado. Nunca mais a presença de Deus haveria de cobrir o propiciatório. Jamais o favor ou desfavor de Deus seria manifestado pela luz ou sombra nas pedras preciosas do peitoral do sumo sacerdote.
O sangue do sacrifício oferecido no templo havia perdido o valor. Ao morrer, o Cordeiro de Deus havia Se tornado o sacrifício pelos pecados do mundo.
Quando Cristo morreu na cruz do Calvário, abriu-se um caminho novo e vivo destinado tanto aos judeus quanto aos gentios. Os anjos se alegraram quando o Salvador exclamou: "Está consumado!" João 19:30. O grande plano da redenção havia sido cumprido. Através de uma vida de obediência, os filhos de Adão poderiam finalmente ser exaltados à presença de Deus. Satanás havia sido derrotado e sabia que seu reino estava perdido.

13.5.12

No Sepulcro de José

O Salvador havia sido condenado por crime de conspiração contra o governo romano. Pessoas que eram executadas por esse motivo tinham que ser sepultadas à parte, em um local destinado a tais criminosos.
João, o discípulo amado, estremeceu ante a ideia de que o corpo de seu amado Mestre pudesse ser levado pelos insensíveis soldados romanos e sepultado em um lugar de desonra. Mas ele não podia evitar isso e tampouco tinha alguma influência junto a Pilatos.
Nesse momento de indecisão, Nicodemos e José de Arimateia, homens ricos e de influência, vieram para ajudar os discípulos. Ambos eram membros do Sinédrio e conhecidos de Pilatos e decidiram que o Salvador seria sepultado com as devidas honras.
José foi à presença de Pilatos e pediu corajosamente o corpo de Jesus. Pilatos, depois de se ter informado de que Jesus estava realmente morto, concedeu-lhe o pedido.
Enquanto José foi conversar com Pilatos, Nicodemos fez os preparativos para o sepultamento. Era costume, na época, embalsamar o corpo com unguentos preciosos e especiarias, e envolvê-lo com lençóis de linho. Assim, Nicodemos trouxe cerca de 50 quilos de um preparado de mirra e aloés, muito caro, para o corpo de Jesus.
Nem a pessoa mais honrada de Jerusalém poderia receber maior respeito e honra em sua morte. Os humildes seguidores de Cristo estavam atónitos ao ver o interesse demonstrado por esses príncipes ricos no sepultamento de seu Mestre.
Homenagens Póstumas
Oprimidos pela tristeza, os discípulos haviam-se esquecido de que Jesus predissera aqueles acontecimentos. Estavam sem esperança. Nem José, nem Nicodemos haviam aceitado a Jesus como Salvador abertamente enquanto Ele vivia, mas tinham ouvido Seus ensinos e acompanharam bem de perto cada passo de Seu ministério. Embora os discípulos tivessem esquecido as palavras do Salvador acerca de Sua morte, José e Nicodemos lembravam-se muito bem delas. E as cenas ligadas com a morte de Jesus, que desanimaram os discípulos e abalaram sua fé, foram para esses líderes a prova incontestável de que Jesus era o Messias, levando-os a tomar uma posição firme ao Seu lado.
O apoio desses homens ricos e honrados era extremamente oportuno naquela ocasião. Eles podiam fazer por seu Mestre morto o que era impossível aos pobres discípulos.
Com delicadeza e reverência, removeram da cruz, com suas próprias mãos, o corpo de Cristo. Lágrimas de compaixão fluíam livremente ao contemplarem o corpo ferido e dilacerado do Mestre.
José possuía um sepulcro novo, talhado na rocha. Ele o havia construído para seu próprio uso mas agora o destinara a Jesus. O corpo, com as especiarias trazidas por Nicodemos, foi cuidadosamente envolto em um lençol de linho e o Redentor foi levado à sepultura.
Embora os príncipes do povo tivessem conseguido a morte de Cristo, não podiam ficar tranquilos. Conheciam muito bem o Seu grande poder.
Alguns deles estiveram presentes no túmulo de Lázaro quando Jesus o chamou de volta à vida e tremiam ao pensar que Cristo poderia ressuscitar dos mortos e aparecer diante deles.
Tinham ouvido Jesus dizer à multidão que estava em Seu poder depor Sua vida e reavê-la e lembraram-se de Suas palavras: "Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei." João 2:19. E sabiam que Ele Se referia a Seu próprio corpo.
Judas lhes havia dito que em sua última viagem a Jerusalém, Ele teria dito:
"Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles O condenarão à morte. E O entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado; mas, ao terceiro dia, ressurgirá." Mat. 20:18 e 19.
Recordavam-se agora de muitas coisas que Ele havia dito predizendo Sua ressurreição, e por mais que quisessem não conseguiam se livrar das apreensões. Como seu pai, o diabo, acreditavam e tremiam.
Todas as coisas confirmavam que Jesus era o Filho de Deus. À noite, não conseguiam dormir e viviam, agora que Jesus estava morto, mais preocupados com Ele do que quando estava vivo.
Decididos a fazer tudo o que pudessem para reter Jesus no túmulo, pediram a Pilatos para selar e guardar o sepulcro até
o terceiro dia. Pilatos enviou uma guarda à disposição dos sacerdotes, e disse:
"Aí tendes uma escolta; ide e guardai o sepulcro como bem vos parecer. Indo eles, montaram guarda ao sepulcro, selando a pedra e deixando ali a escolta." Mat. 27:65 e 66.