10.4.12

O Lar da Eterna Felicidade

O dia da vinda de Cristo será um dia de redenção não apenas para o povo de Deus, mas para toda a Terra, além de ser um dia em que o mal será completamente destruído.
Deus criou a Terra para ser o lar do homem. Adão viveu em um jardim deleitoso que o Próprio Criador embelezara. E embora o pecado tenha manchado a obra de Deus, a raça humana não foi abandonada por seu Criador, nem Seu propósito em relação à Terra foi deixado de lado.
Anjos foram enviados para dar a mensagem de salvação e os vales e colinas ecoaram suas canções de júbilo. Os pés do Filho de Deus tocaram o seu solo e por mais de seis mil anos, em toda a sua beleza e nos seus dons de sustento, a Terra tem testemunhado o amor do Criador.
Essa mesma Terra, livre da maldição do pecado, será o lar eterno dos salvos. A Bíblia diz a respeito dela: Deus "não a criou para ser um caos, mas para ser habitada". Isa. 45:18. E "tudo quanto Deus faz durará eternamente". Ecl. 3:14.
Por isso, no Sermão da Montanha o Salvador declarou: "Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra." Mat. 5:5.
O salmista já havia escrito muito tempo atrás: "Mas os mansos herdarão a Terra e se deleitarão na abundância de paz." Sal. 37:11.
Com essa declaração concordam também outros testemunhos das Escrituras: "Os justos herdarão a Terra e nela habitarão para sempre." Sal. 37:29.
Fogo Purificador
O fogo do último dia há de destruir "os céus que agora existem e a Terra", mas do seu caos devem surgir novo céu e uma nova Terra, conforme "a Sua promessa". II Ped. 3:7 e 13. O céu e a Terra serão renovados.
"Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam." I Cor. 2:9. Nenhuma linguagem humana pode descrever plenamente a recompensa dos justos. Apenas os que desfrutarem dela, poderão compreendê-la. Não podemos conceber a glória do paraíso de Deus.
Contudo, temos alguns vislumbres do mundo vindouro revelados a nós pelo Espírito Santo. I Cor. 2:10. Os quadros que a Escritura Sagrada nos apresenta a respeito da nova Terra são preciosos ao nosso coração.
Ali o Pastor divino conduz o Seu rebanho às fontes de águas vivas. A árvore da vida dá o seu fruto a cada mês e suas folhas são para a saúde das nações. Ali as correntes de água são claras como o cristal e nunca secam. Às suas margens, árvores frondosas lançam sua sombra sobre o caminho dos salvos. As planícies se estendem, elevando-se em colinas verdejantes e em montanhas majestosas que apontam para o céu. Nesses campos tranquilos, ao lado das correntes vivas, o povo de Deus, peregrinos e estrangeiros na Terra por tanto tempo, finalmente encontram ali o seu lar.
"O Meu povo habitará em moradas de paz, em moradas bem seguras e em lugares quietos e tranquilos." Isa. 32:18. "Nunca mais se ouvirá de violência na tua Terra, de desolação ou ruínas, nos teus limites; mas aos teus muros chamarás Salvação, e às tuas portas, Louvor." Isa. 60:18.
"Eles edificarão casas e nelas habitarão; plantarão vinhas e comerão o seu fruto. Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam." Isa. 65:21 e 22.
"O deserto e a terra se alegrarão; o ermo exultará e florescerá como o narciso." Isa. 35:1. "Em lugar do espinheiro, crescerá o cipreste, e em lugar da sarça crescerá a murta." Isa. 55:13.
"O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. Não se fará mal nem dano algum em todo o Meu santo monte", diz o Senhor. Isa. 11:6 e 9.
Lá não haverá mais lágrimas, mais cortejos fúnebres, nem sinais de luto. "E a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram." Apoc. 21:4. "Nenhum morador de Jerusalém dirá: Estou doente; porque ao povo que habita nela, perdoar-se-lhe-á a sua iniquidade." Isa. 33:24.
Ali está a Nova Jerusalém, a capital da Terra renovada, "uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real na mão do teu Deus." Isa. 62:3. A sua luz é "semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina. As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da Terra lhe trazem a sua glória." Apoc. 21:11 e 24.
O Senhor diz: "E exultarei por causa de Jerusalém e Me alegrarei no Meu povo, e nunca mais se ouvirá nela nem voz de choro nem de clamor." Isa. 65:19. "Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles." Apoc. 21:3.
Na Nova Terra só habitará justiça. "Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira." Apoc. 21:27. A santa lei de Deus será honrada por todos. Aqueles que deram provas de sua fidelidade a Deus, guardando os seus preceitos, habitarão com Ele.
"E não se achou mentira na sua boca." Apoc. 14:5. "São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham no trono de Deus e O servem de dia e de noite no Seu santuário." Apoc. 7:14 e 15.
"Os preceitos do Senhor são retos. ...Em os guardar há grande recompensa." Sal. 19:8 e 11.
"Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas." Apoc. 22:14.

6.4.12

Justificação e Santificação nos Escritos de Paulo

ver
O que o apóstolo entende pela presente perfeição dos cristãos? Estão eles perfeitos em Cristo no sentido de Justificação pela fé somente, que significa que a perfeição ou justiça de Cristo é imputada a eles?

O evangelho paulino focaliza especificamente sobre essa abençoada verdade nas seguintes passagens: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.” (Rom. 3:28). “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça.” (Rom. 4:4-5).
Este gracioso ato Deus, atribuindo a justiça de Cristo ou Sua perfeita obediência ao pecador arrependido, significa que Deus considera o crente justo com Ele mesmo. O cristão, portanto, tem paz com Deus em sua consciência, não mais sob condenação da santa Lei de Deus (Rom. 5:1; 8:1). O perfeito perdão de Deus por seus pecados e vida pecaminosa significa a completa absolvição de sua culpa diante do Julgamento divino por causa da obediência de Cristo. “Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.” (Rom. 5:18-19).

Portanto, Paulo desejava gloriar-se somente na Cruz do Senhor Jesus (Gál. 6:14). Para o apóstolo Paulo a justificação do ímpio, contudo, tinha não somente um aspecto legal salvador, mas também um aspecto dinâmico santificador, por causa que Cristo Se torna o Rei do crente justificado. “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.” (Col. 1:13-14).

Justificação pela fé, portanto, implica a transferência da alma do domínio do pecado, em que ele foi nascido por meio de Adão, ao Reino da graça, cujo Rei é Jesus Cristo. O poder esmagador do pecado no mundo foi quebrado em Cristo, desde que Ele conquistou o pecado em nosso corpo humano (João 16:33; Rom. 8:3).

Através do batismo em Cristo, em Sua morte e ressurreição, o crente é legalmente incorporado em Cristo, participando em tudo o que Cristo tem adquirido em Sua vitória na Cruz e na Ressurreição (Rom. 6). Nesta base redentiva, Paulo levanta a pergunta significativa para os cristãos em Roma: “Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Rom. 6:2). Explanando a profunda significação do batismo cristão como uma incorporação na própria morte de Cristo sobre a Cruz, ele afirma: “Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos.” (Rom. 6:6). “Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.” (Rom. 6:11).
Este indicativo salvador clama por um imperativo santificador que o apóstolo então estimula: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões”. “Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza e da maldade para a maldade, assim oferecei, agora, os vossos membros para servirem à justiça para a santificação.” (v. 12,19).
Esta é a ética paulina da perfeição cristã! Isto pressupõe uma diária apropriação pela fé da vida e morte de Jesus Cristo como aceitas no batismo. Rom. 6 segue Rom. 3-5. A ordem apostólica é primeiro redenção, depois moralidade; primeiro justificação, então santificação; e isto como uma experiência diária. A dinâmica e total consagração da perfeição cristã, Paulo revela em seu grande apelo de Rom. 12:1-2: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Em Rom. 12:1-15:13, o apóstolo desenvolve como a justiça de Deus deveria ser revelada na vida cristã como um testemunho à graça recebida. Isto parece estar em harmonia e continuidade fundamentais com o concerto da graça do Antigo Testamento, em que obediência à Lei do concerto era condicionada e motivada pela redenção do Êxodo e participação diária no serviço do santuário. O apóstolo portanto, pode apelar também às promessas de Deus no Antigo Testamento sobre dar a Israel um coração limpo e obediente (Eze. 36:25-27; 37:27), e aplicá-las diretamente à igrejas cristã, dizendo: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.” (2Cor. 7:1).

Paulo resume sua mensagem evangélica e seu propósito moral muito brevemente como segue: “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” (2Cor. 5:15; ver também 1Ped. 2:24).

1.4.12

Perfeição nos Escritos Paulinos

A. A Perspectiva Apocalíptica de Perfeição
Nos escritos do apóstolo Paulo, a palavra perfeição aparece muito frequentemente (Rom. 12:2; 1Cor. 2:6; 13:10; 14:20; Efé. 4:13; Fil. 3:12,15; Col. 1:28; 3:14; 4:12). Embora ele use o termo com diferentes formas de significado, uma característica suprema permanece no uso de Paulo da palavra: a plenitude do estado redentor dos crentes em Cristo Jesus. Paulo chama os crentes de “santos” e “perfeitos” em consequência de receberem o pleno dom da obra redentora de Jesus Cristo.

A redenção de Cristo na sua plenitude é distinguida no Novo Testamento por dois aspectos ou fases: a salvação presente de justificação e santificação pela fé em Cristo de um lado, e a futura salvação de glorificação no segundo advento de Jesus Cristo de outro lado. Como o conceito do Reino de Deus, assim também a perfeição é um dom presente e uma realidade; contudo, em um outro sentido, isto é uma promessa a ser cumprida somente no estabelecimento final do reino da glória. Esta distinção dúplice Paulo aplica também ao conceito dos crentes como filhos de Deus. Em Rom. 8:14, ele assegura aos cristãos que eles já se tornaram “filhos de Deus”, desde que eles são guiados pelo Espírito Santo. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.”

Então Paulo esboça esta segurança redentora presente, dizendo: “Quando nós clamamos: ‘Aba! Pai!’, é o próprio Espírito dando testemunho com o nosso espírito de que somos filhos de Deus”. (v. 15-16). Contudo, quando o apóstolo trata sobre a glória futura a nos ser revelada, ele faz a notável afirmação de que nós, enquanto temos o Espírito Santo, “gememos em nosso íntimo, aguardando a adopção de filhos, a redenção do nosso corpo.” (Rom. 8:23).

O relacionamento entre Deus e o crente como Pai e filho, em consequência, é tanto uma realidade presente, em um sentido real, como uma realidade futura, em outro sentido. A diferença é determinada pelo significado dos dois adventos de Cristo. O mesmo princípio se aplica ao uso de “perfeição” com o apóstolo Paulo. Por um lado, ele pode dizer que os crentes em Cristo são perfeitos n´Ele e podem crescer juntamente em um Corpo perfeito ou espiritualmente maduro. (Col. 1:28; 3:14; 4:12; Efé. 4:13; Fil. 3:15; 1Cor. 14:20). Por outro lado, Paulo enfatiza que a perfeição final ainda não chegou e ainda é futura (1Cor. 13:10). Somente a glória do segundo advento de Cristo aniquilará toda imperfeição.

Deste modo, o apóstolo tenta corrigir as ideias daqueles crentes em Corinto que focalizavam unilateralmente toda a sua atenção sobre o primeiro advento de Cristo, pensando que a perfeição final já poderia ser experimentada nesta vida, e até se jactavam acima dos outros crentes (1Cor. 4:6-8). Para os tais, a esperança da ressurreição dos mortos era irrelevante e supérflua, desde que para eles a ressurreição “já era passada”, o que eles provavelmente explanavam como uma experiência espiritual recebida no batismo (2Tim. 2:18). Isto levou o apóstolo a escrever um capítulo elaborado (1Cor. 15) sobre o significado da futura ressurreição dos mortos para o benefício daqueles crentes os quais diziam que “não há ressurreição dos mortos” (v. 12).

Quando Paulo ouviu que em uma outra igreja da Grécia, em Tessalónica, o erro estava exposto de que também a segunda vinda de Cristo, o dia do Senhor, não devia ser considerada como uma futura realidade, mas já tinha acontecido, ele lhes escreveu especificamente sobre a futura realidade da “vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e da nossa reunião com Ele” (2Tess. 2:1).

Esta tendência de espiritualizar as realidades redentoras futuras da Ressurreição e do Segundo Advento em alguma presente experiência espiritual foi a influência fatal do Gnosticismo que evidentemente tinha feito sua invasão na igreja primitiva.

Este assim chamado Gnosticismo Cristão foi caracterizado ademais por sua desvalorização do bem-estar físico e moral dos crentes. Tanto o extremo ascetismo quanto a licenciosidade moral foram propagados como o caminho da perfeição ou liberdade perfeita e amor perfeito.

Ademais, contra o jactar-se em sua conduta imoral (1Cor. 5:1-6), o apóstolo enfatizou que “o corpo não é para a impureza, mas para o Senhor” (1Cor. 6:13), lembrando-os: “O vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos. Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (1Cor. 6:19-20).

Paulo elevou o corpo humano como uma boa e santa criação de Deus, que deve ser consagrado ao serviço de Deus. Em contraste com aqueles cujo “deus é o seu ventre e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas” (Fil. 3:19), Paulo explicitamente renunciou toda a justiça própria ou perfeição (v. 8-12). Buscando sua justiça exclusivamente em Cristo, ele contemplava a sua final perfeição na ressurreição dos mortos (Fil. 3:11). “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.” “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.” (Fil. 3:12, 20-21).

29.3.12

Perfeição Cristã no Evangelho de Mateus

Dos quatro escritores do Evangelho, somente Mateus usa o termo “perfeito” (teleios). Esta palavra aparece duas vezes no seu Evangelho (Mat. 5:48; 19:21) como palavras do próprio Jesus.

Mat. 5:48
“Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mat. 5:48). Estas palavras frequentemente citadas de Jesus sumarizam e são climáticas de toda a série de Seus pronunciamentos que foram dirigidos contra a piedade legalística dos escribas e fariseus. Falando enfaticamente, em Sua autoridade como o Messias, Cristo trouxe a verdadeira e perfeita interpretação messiânica de Moisés e dos profetas. Sendo o Rei de Israel, Ele personificou o Reino de Deus.

As declarações de Jesus em Mateus 5-7 são todas coloridas e direcionadas ao final estabelecimento do Reino de Deus em glória. Tendo afirmado Sua lealdade a Moisés e aos profetas (5:17-19), Jesus reiterou fortemente a antiga mensagem profética de que piedade externa e observância da lei ainda não qualificavam a alguém para o Reino de Deus. “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.” (Mat. 5:20).

Quão longe estava Jesus de criar uma antítese entre Moisés e Sua própria redenção messiânica, aparece de novo de Suas palavras: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!” (Mat. 23:23).

Cristo diferenciou no Torah, entre assuntos “mais pesados” da lei e aqueles de importância secundária; entre seus princípios centrais da graça, fé e justiça e observâncias rituais externas. Ele não rejeitou a adoração do Templo e seus serviços sacerdotais, mas reviveu seus objetivos reconciliatórios e santificadores. “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.” (Mat. 5:23-24).

Os pré-requisitos que Jesus estimulava para entrar no Reino de Deus parecem ser completamente os mesmos requerimentos sacerdotais exigidos no velho concerto para entrada no santuário (Sal. 15).

Em Mat. 5, Jesus indicou seis vezes que Moisés e o Torah deviam ser entendidos positivamente como motivados pelo amor a Deus e ao semelhante. Assim, Jesus corrigiu as interpretações superficiais e inadequadas dos escribas e fariseus. Desse modo, Jesus deu aos Judeus Seu Torah Messiânico. Finalmente, Cristo explanou como o amor do Pai celestial, fluindo imparcialmente para ambos os bons e os maus, é um perfeito amor que deve ser imitado ou refletido pelos verdadeiros filhos de Deus. “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mat. 5:43-48).

Do contexto, se torna claro que Jesus não Se dirige aos gentios que não conheciam a Moisés e o concerto, mas aos filhos de Israel que conheciam a Deus como o seu Pai celestial. Eles foram tratados como filhos salvos de Deus: “Vós sois o sal da terra.” “Vós sois a luz do mundo.” (v. 13,14).

A experiência redentora de Israel é definitivamente pressuposta. Aqueles que têm testado o gracioso amor de Deus são agora chamados por Jesus para manifestar esse amor redentor a seus semelhantes, mesmo a seus inimigos. Como filhos de Deus, eles não podem senão seguir os Seus passos e revelar o Seu espírito.

A ordem de Cristo a Seus discípulos de que eles sejam tão perfeitos como o seu Pai celestial é desse modo, tanto uma promessa como um dever, um dom e uma demanda. Isto não é um ideal que no melhor se consegue apenas uma aproximação, mas nunca atingido. Pelo contrário, perfeição cristã implica numa experiência pessoal do amor salvador do Deus de Israel e a manifestação do seu poder santificador em amor sincero a todos os que necessitam de nossa ajuda.

Este amor, disse Jesus, não é uma perfeição inatingível, mas uma realidade que “deve” ser experimentada e radiada aqui e agora pelos filhos do Pai celestial. Aqueles que são amados por Deus podem e irradiarão este amor a seus semelhantes, mesmo quando os semelhantes sejam hostis, inimigos. Este perfeito amor, ou amor de todo o coração, é perfeição em acção. Esta perfeição do Evangelho é o reavivamento dos princípios do perfeito amor como proclamado por Moisés e os profetas (Deu. 6:5; Lev. 19:18).

Mateus 19:21
O segundo uso da palavra “perfeito” (teleios) por Mateus, aparece em Mat. 19:21: “Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.”

Enquanto o Sermão do Monte enfatizava a básica harmonia e continuidade do Velho e o Novo Concertos, Mateus também deseja revelar por que a fé cristã e o judaísmo rabínico divergem. A história do príncipe jovem rico pode ser vista como o encontro crucial do Farisaico Judaísmo e Jesus Cristo. Para a sincera pergunta do príncipe: “Que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna?”, Cristo referiu-lhe primeiro as Santas Escrituras e o concerto de Deus: “Se queres… entrar na vida, guarda os mandamentos.” (Mat. 19:17).

Quando o jovem finalmente asseverou: “Tudo isso tenho observado; que me falta ainda?” (Mat. 19:20), ele revelou uma necessidade de segurança pessoal de salvação. Faltava-lhe a experiência redentiva do amor perdoador de Deus como oferecido nas Escrituras e no serviço do Templo. Em realidade, portanto, ele não tinha observado o Torah, desde que ele não tinha conhecimento do seguro amor salvador de Deus. Cristo, contudo, ofereceu-lhe o que lhe faltava por um direto chamado para estar com Ele e participar de Sua comunhão salvadora: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.” (Mat. 19:21).

O teste crucial não foi a venda de suas posses, mas se o príncipe rico aceitaria a Jesus de Nazaré como o Messias Salvador a ser seguido e desejaria isso acima de todos os tesouros terrestres. O príncipe judeu fora ensinado a amar a Yahweh de todo o seu coração e toda a sua alma. Agora Jesus reivindicava este supremo amor do jovem, prometendo-lhe que ele seria “perfeito” se ele seguisse a Jesus como o Filho de Deus e O aceitasse como o seu Salvador e Senhor pessoal.

De acordo com Jesus, consequentemente, perfeição existe não em praticar atos de sacrifício próprio pelo próximo, mas no companheirismo de Cristo, seguindo Seus passos na comunhão com Ele. O teste real para o líder judeu não foi se ele estava disposto a dar abundantemente para os pobres, mas se ele aceitaria Jesus como a última autoridade a ser seguida e o Senhor divino de seu coração.

Recusando este chamado de Cristo, o príncipe revelou que suas “muitas propriedades” eram o mais alto tesouro de seu coração. Suas posses funcionavam como um ídolo de que Cristo tinha que libertá-lo, a fim de lhe dar sua própria comunhão e reino.

Perfeição então, não é a luta por ideais éticos ou mesmo o esforço para imitar ou copiar a vida de Cristo independente d´Ele, mas é pertencer a Ele com inteiro e não dividido coração, e vivendo com Ele por Seu poder salvador e santificador.

Como a perfeição é requerida de cada discípulo de Cristo conforme Mat. 5:48, não exactamente de algum grupo especial dentro da Igreja, todo crente cristão é colocado basicamente diante do mesmo teste, como o príncipe jovem rico: renunciar cada tesouro pessoal ou ídolo a fim de seguir a Jesus Cristo com um coração completo, não dividido.

Cristo deseja possuir o coração de cada cristão e transformá-lo em um templo em que o Espírito Santo possa habitar e governar com perfeito amor. Para tal, Ele prometeu a salvação final: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.” (Mat. 5:8). Assim, a perfeição cristã é definida não pelo viver de alguém de acordo com a Lei moral, mas por pertencer e seguir ao Senhor Jesus Cristo com um coração puro. Tais pessoas “seguem o Cordeiro por onde quer que Ele vá” (Apo. 14:4).

24.3.12

A Última Crise da Terra

Ampla Apreensão Pelo Futuro
O tempo presente é de dominante interesse para todo o vivente. Governadores e estadistas, homens que ocupam posições de confiança e autoridade, homens e mulheres pensantes de todas as classes, têm fixa a sua atenção nos fatos que se desenrolam em redor de nós. Acham-se a observar as relações tensas e inquietas que existem entre as nações. Observam a intensidade que está tomando posse de todo o elemento terrestre, e reconhecem que algo de grande e decisivo está para ocorrer, ou seja, que o mundo se encontra à beira de uma crise estupenda. Profetas e Reis, pág. 537.
As calamidades em terra e mar, as condições sociais agitadas, os rumores de guerra, são portentosos. Prenunciam a proximidade de acontecimentos da maior importância. As forças do mal estão-se arregimentando e consolidando-se. Elas se estão robustecendo para a última grande crise. Grandes mudanças estão prestes a operar-se no mundo, e os acontecimentos finais serão rápidos. Testemunhos Seletos, vol. 3, pág. 280.
Tempos Turbulentos que Ocorrerão em Breve
O tempo de angústia, que há-de aumentar até o fim, está muito próximo. Não temos tempo a perder. O mundo está agitado com o espírito de guerra. As profecias do capítulo onze de Daniel quase atingiram o seu cumprimento final. Review and Herald, 24 de novembro de 1904.
O tempo de angústia - angústia qual nunca houve, desde que houve nação (Dan. 12:1) - está precisamente sobre nós, e somos semelhantes às virgens adormecidas. Devemos acordar e pedir que o Senhor Jesus ponha debaixo de nós os Seus braços eternos e nos conduza durante o tempo de provação à nossa frente. Manuscript Releases, vol. 3, pág. 305.
O mundo está-se tornando cada vez mais iníquo. Em breve surgirá grande perturbação entre as nações - perturbação que não cessará até que Jesus venha. Review and Herald, 11 de fevereiro de 1904.
Estamos mesmo no limiar do tempo de angústia, e acham-se diante de nós perplexidades com que dificilmente sonhamos. Testemunhos Seletos, vol. 3, pág. 306.
Estamos no limiar da crise dos séculos. Em rápida sucessão os juízos de Deus se seguirão uns aos outros - fogo, inundações e terremotos, com guerras e derramamento de sangue. Profetas e Reis, pág. 278.
Há perante nós tempos tempestuosos, mas não pronunciemos uma só palavra de incredulidade ou desânimo. Serviço Cristão, pág. 136.
Deus Tem Sempre Advertido de Juízos Vindouros
Deus sempre tem dado aos homens advertência dos juízos por vir. Aqueles que tiveram fé na mensagem por Ele enviada para seu tempo, e agiram segundo sua fé, em obediência aos Seus mandamentos, escaparam aos juízos que caíram sobre os desobedientes e incrédulos.
A Noé veio a palavra: "Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de Mim." Gén. 7:1. Noé obedeceu, e foi salvo. A Ló foi enviada a mensagem: "Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade." Gén. 19:14. Ló colocou-se sob a guarda dos mensageiros celestes, e foi salvo. Assim os discípulos de Cristo tiveram aviso da destruição de Jerusalém. Os que estavam alerta quanto ao sinal da próxima ruína, e fugiram da cidade, escaparam à destruição. Assim agora estamos dando aviso da segunda vinda de Cristo e da destruição impendente sobre o mundo. Os que ouvirem a advertência, serão salvos. O Desejado de Todas as Nações, pág. 634.
Deus nos Disse o que Podemos Esperar em Nosso Tempo
Antes de Sua crucifixão o Salvador explicou a Seus discípulos que Ele deveria ser morto, e do túmulo ressuscitar; anjos estavam presentes para gravar-lhes Suas palavras na mente e no coração. (Mar. 8:31 e 32; Mar. 9:31; Mar. 10:32-34.) Mas os discípulos aguardavam livramento temporal do jugo romano, e não podiam tolerar a idéia de que Aquele em quem se centralizavam todas as suas esperanças devesse sofrer uma morte ignominiosa. As palavras de que necessitavam lembrar-se, fugiram-lhes do espírito; e, ao chegar o tempo da prova, esta os encontrou desprevenidos. A

morte de Cristo destruiu-lhes tão completamente as esperanças, como se Ele não os houvesse advertido previamente.
Assim, nas profecias, o futuro se patenteia diante de nós tão claramente como se revelou aos discípulos pelas palavras de Cristo. Os acontecimentos ligados ao final do tempo da graça e obra de preparo para o período de

19.3.12

A Perfeição Divina no Antigo Testamento

Embora o Antigo Testamento repetidamente afirma que o Deus de Israel (Yahweh) é santo e justo, gracioso e misericordioso, nenhuma vez ela diz explicitamente: Deus é perfeito. Contudo, o termo “perfeito /perfeição” é usado várias vezes concernente a Deus, mas sempre referindo-se à relação de Deus com Israel. Três textos usam a palavra heb. “tãmim”, (perfeito, inculpável), com respeito a Deus:

(1) Deut. 32:4: “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto”.

(2) Sal. 18:30: “O caminho de Deus é perfeito; a palavra do SENHOR é provada; ele é escudo para todos os que nele se refugiam.”

(3) Sal. 19:7: “A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices.”

Em cada vez, estes textos revelam que os atos redentores de Deus e a instrução ao Seu povo do concerto são perfeitos: Sua obra, Seu Caminho, Seu Torah (toda a Instrução divina) são perfeitos para Israel. Deus tinha estabelecido um único e perfeito relacionamento com Seu povo escolhido através de Isaías. Ele mesmo os desafiou-os com a questão: “Que mais se podia fazer ainda à minha vinha, que eu não lhe tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?” (Isa. 5:4).

Deus tinha redimido Israel da casa da servidão, o Egito, através dos julgamentos das dez pragas, a miraculosa abertura das águas do mar vermelho, e a completa destruição dos perseguidores egípcios – uma perfeita redenção. Ele os tinha conduzido durante 40 anos no deserto rumo à Canaã, dando-lhes maná do céu e água da rocha – uma perfeita guia, provendo-lhes para todas as necessidades. As suas vestes não se rasgaram, nem os seus pés incharam durante aqueles 40 anos (Deut. 8:4) – um perfeito

14.3.12

Sinais de que Cristo Voltará em Breve

Cristo preveniu Seus discípulos da destruição de Jerusalém e dos sinais que ocorreriam antes da vinda do Filho do homem. Todo o capítulo vinte e quatro de Mateus é uma profecia a respeito dos acontecimentos que precederão esse evento, e a destruição de Jerusalém é usada para representar a última grande destruição do mundo pelo fogo. Manuscrito 77, 1899.
Cristo, no Monte das Oliveiras, enumerou os juízos terríveis que deviam preceder Sua volta: "E ouvireis de guerras e de rumores de guerras." "Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio de dores." Mat. 24:6 e 7. Se bem que essas profecias tivessem tido cumprimento parcial na destruição de Jerusalém, aplicam-se mais diretamente aos últimos dias. Testemunhos Seletos, vol. 2, pág. 351.
Sinais nos Céus
Ao fim da grande perseguição papal, declarou Cristo, o Sol se escureceria, e a Lua não daria sua luz. Em seguida, cairiam as estrelas do céu. E Ele diz: "Aprendei pois esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que Ele está próximo às portas." Mat. 24:32 e 33.
Cristo deu sinais de Sua vinda. Declara que podemos conhecer quando Ele está perto, às portas. Ele diz daqueles que vêem estas coisas: "Não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam." Estes sinais apareceram. Agora sabemos com certeza que a vinda do Senhor está às portas. O Desejado de Todas as Nações, pág. 632.
Sinais na Terra
Declara Jesus: "E haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; e na Terra angústia das nações." Luc. 21:25; Mat. 24:29; Mar. 13:24-26; Apoc. 6:12-17. Os que contemplam estes prenúncios de Sua vinda, devem saber que "está próximo, às portas". Mat. 24:33. O Grande Conflito, págs. 37 e 38.
As nações estão agitadas. Tempos de perplexidade se acham diante de nós. O coração dos homens está desmaiando de terror das coisas que sobrevirão ao mundo. Mas os que crêem em Deus ouvirão Sua voz em meio à tormenta, dizendo: "Sou Eu. Não temais." The Signs of the Times, 9 de outubro de 1901.
Estranha e momentosa história está sendo registrada nos livros do Céu - eventos que, segundo foi declarado, precederiam de perto o grande dia de Deus. Tudo no mundo está em agitação. Manuscript Releases, vol. 3, pág. 313.
Falsos Profetas
Como um dos sinais da destruição de Jerusalém, Cristo havia dito: "E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos." Mat. 24:11. Ergueram-se falsos profetas, enganando o povo, e levando grande número ao deserto. Mágicos e exorcistas, pretendendo miraculoso poder, arrastaram o povo após si, às

8.3.12

"Quando Sucederão Estas Coisas?"

As palavras de Cristo (Mat. 24:2) foram proferidas aos ouvidos de grande número de pessoas; mas quando Ele Se achava só, sentado sobre o Monte das Oliveiras, Pedro, João, Tiago e André foram ter com Ele: "Dize-nos", perguntaram, "quando serão estas coisas, e que sinal haverá da Tua vinda e do fim do mundo?"
Jesus não respondeu aos discípulos falando em separado da destruição de Jerusalém e do grande dia de Sua vinda. Misturou a descrição dos dois acontecimentos. Houvesse desenrolado perante os discípulos os eventos futuros segundo Ele os via, e não teriam podido suportar esse espetáculo. Por misericórdia com eles, Jesus misturou a descrição das duas grandes crises, deixando aos discípulos o procurar por si mesmos a significação. O Desejado de Todas as Nações, pág. 628.
O Tempo da Volta de Cristo não é Conhecido
Muitos que se têm chamado adventistas, têm marcado tempo. Repetidamente marcaram uma data para a vinda de Cristo; e repetidos fracassos têm sido o resultado. O tempo exato da vinda de nosso Senhor, diz a Bíblia, acha-se além do conhecimento dos mortais. Mesmo os anjos que ministram aos que hão de ser herdeiros da salvação, não sabem o dia nem a hora. "Porém daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do Céu, mas unicamente Meu Pai." Mat. 24:36. Testemunhos Seletos, vol. 1, pág. 504.
Não devemos saber o tempo exato para o derramamento do Espírito Santo ou para a vinda de Cristo. ... Por que Deus não nos deu este conhecimento? - Porque se o fizesse, não faríamos correto uso dele. Desse conhecimento resultaria um estado de coisas entre o nosso povo que retardaria consideravelmente a obra de Deus no sentido de preparar um povo que permaneça em pé no grande dia que está para vir. Não devemos viver ansiosos quanto ao tempo. ...
Não sereis capazes de dizer que Ele virá dentro de um, dois ou cinco anos, nem deveis protelar Sua vinda declarando que talvez não ocorra dentro de dez ou vinte anos. Review and Herald, 22 de março de 1892.
Aproximamo-nos do grande dia de Deus. Os sinais estão-se cumprindo. E, no entanto, não temos uma mensagem que nos diga o dia e a hora do aparecimento de Cristo. O Senhor ocultou isso prudentemente de nós, para que sempre estejamos num estado de expectativa e de preparação para o segundo aparecimento de nosso Senhor Jesus Cristo nas nuvens do céu. Carta 28, 1897.
O tempo exato da segunda vinda do Filho do homem é mistério de Deus. http://www.youtube.com/embed/qW8R5EaYDuw"
Nossa Mensagem não é a de Marcar Tempo
Não pertencemos à classe de pessoas que definem o exato período de tempo que decorrerá antes da segunda vinda de Jesus com poder e grande glória. Alguns marcaram certo tempo, e quando esse tempo passou, seu espírito presunçoso não aceitou a repreensão, e eles têm marcado diversas outras datas; numerosos malogros sucessivos caracterizaram-nos, porém, como falsos profetas. Fundamentos

2.3.12

A Igreja de Deus nos Últimos Dias

Deus tem na Terra uma igreja que está erguendo a lei pisada a pés, e apresentando aos homens o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. ...
No mundo só existe uma igreja que presentemente se acha na brecha, tapando o muro e restaurando os lugares assolados. ...
Sejam todos cuidadosos para não clamarem contra o único povo que está cumprindo a descrição dada do povo remanescente, que guarda os mandamentos de Deus e tem a fé em Jesus. ... Deus tem um povo distinto, uma igreja na Terra, inferior a nenhuma outra, mas a todas superior em suas facilidades para ensinar a verdade, para vindicar a Lei de Deus. ... Meu irmão, se estais ensinando que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é Babilónia, estais errado. Testemunhos Para Ministros, págs. 50, 58 e 59.
Eles Têm o Testemunho de Jesus
À proporção que se avizinha o fim e há um contínuo crescimento da obra, que tem por objetivo transmitir ao mundo a última advertência, vai-se tornando mais importante para os que abraçaram a verdade, possuir uma compreensão clara tanto da natureza como da influência dos Testemunhos que Deus, em Sua providência, vinculou à obra da terceira mensagem angélica desde a sua origem. Testemunhos Seletos, vol. 2, pág. 270.
Os homens poderão apresentar um ardil após o outro, e o inimigo procurará desviar as almas da verdade, mas todos os que crêem que o Senhor tem falado por intermédio da irmã White, e lhe tem dado uma mensagem, estarão livres dos muitos enganos que surgirão nestes últimos dias. Mensagens Escolhidas, vol. 3, págs. 83 e 84.
Haverá pessoas que pretenderão ter visões. Quando Deus vos der claro testemunho de que a visão é dEle, podeis aceitá-la, mas não aceiteis sob nenhum outro testemunho; pois o povo vai ser mais e mais desencaminhado em países estrangeiros e na América. Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 72.
Os Seus Marcos: as Doutrinas Bíblicas
O passar do tempo em 1844 foi um período de grandes acontecimentos, expondo ao nosso admirado olhar a purificação do santuário que ocorre no Céu, e tendo clara relação com o povo de Deus na Terra, e com as mensagens do primeiro, do segundo e do terceiro anjo, desfraldando o estandarte em que havia a inscrição: "Os mandamentos de Deus e a fé de Jesus." Um dos marcos desta mensagem era o templo de Deus, visto no Céu por Seu povo que ama a verdade, e a arca, que contém a lei de Deus. A luz do sábado do quarto mandamento lançava os seus fortes raios no caminho dos transgressores da lei de Deus. A não-imortalidade dos ímpios é um marco antigo. Não consigo lembrar-me de alguma outra coisa que possa ser colocado na categoria dos velhos marcos. Counsels to Writers and Editors, págs. 30 e 31.
A Missão Especial dos Adventistas do Sétimo Dia
O Senhor nos tornou os depositários de Sua lei; Ele confiou-nos a sagrada e eterna verdade, que deve ser transmitida a outros em fiéis advertências, repreensões e encorajamento. Testimonies, vol. 5, pág. 381.
Os adventistas do sétimo dia foram escolhidos por Deus como um povo peculiar, separado do mundo. Com a grande talhadeira da verdade Ele os cortou da pedreira do mundo, e os ligou a Si. Tornou-os representantes Seus, e os chamou para serem embaixadores Seus na derradeira obra de salvação. O maior tesouro da verdade já confiado a mortais, as mais solenes e terríveis advertências que Deus já enviou aos homens, foram confiadas a este povo, a fim de serem transmitidas ao mundo. Testemunhos Seletos, vol. 3, pág. 140.
Em sentido especial foram os adventistas do sétimo dia postos no mundo como atalaias e portadores de luz. A eles foi confiada a última mensagem de advertência a um mundo a perecer. Sobre eles incide maravilhosa luz da Palavra de Deus. Confiou-se-lhes uma obra da mais solene importância: a proclamação da primeira, segunda e terceira mensagens angélicas. Nenhuma obra há de tão grande importância. Não devem eles permitir que nenhuma outra coisa lhes absorva a atenção. Testemunhos Seletos, vol. 3, pág. 288.
Por que Foi Organizada a Igreja Adventista do Sétimo Dia
Aumentando o nosso número, tornou-se evidente que sem alguma forma de organização, haveria grande confusão, e a obra não seria levada avante com êxito. A organização era indispensável para prover a manutenção do ministério, para levar a obra a novos campos, para proteger dos membros indignos tanto as igrejas como os ministros, para conservação das propriedades da igreja, para a publicação da verdade pela imprensa, e para muitos outros fins. ...
Seu Espírito nos iluminou, mostrando-nos que deveria haver ordem e perfeita disciplina na igreja, e era essencial a organização. Método e ordem manifestam-se em todas as obras de Deus, em todo o Universo. A ordem é a lei do Céu, e deveria ser a lei do povo de Deus sobre a Terra. Testemunhos Para Ministros, pág. 26.
A Organização Sempre Será Essencial
A menos que as igrejas sejam organizadas de tal maneira que possam ter e impor ordem, nada poderão esperar quanto ao futuro. Testimonies, vol. 1, pág. 270.
Oh! Como Satanás se regozijaria se alcançasse êxito em seus esforços de penetrar no meio deste povo, e desorganizar a obra num tempo em que a organização integral é essencial, e constitui a maior força para evitar os levantes espúrios, e refutar pretensões não abonadas pela Palavra de Deus! Precisamos manter as linhas uniformemente, para que não haja quebra do sistema de organização e ordem, que se ergueu por meio de sábio, cuidadoso labor. Não se deve dar autonomia a elementos desordeiros que desejem controlar a obra neste tempo.
Alguns têm apresentado a ideia de que, ao aproximarmo-nos do fim do tempo, cada filho de Deus

27.2.12

A Vida Devocional do Remanescente

Nesta época, pouco antes da segunda vinda de Cristo nas nuvens do céu, deve ser efetuada uma obra como a de João [Batista]. Deus chama homens que preparem um povo para permanecer em pé no grande dia do Senhor. ... Para transmitir tal mensagem como a de João precisamos ter uma experiência espiritual como a sua. A mesma obra precisa ser efetuada em nós. Temos de contemplar a Deus, e, contemplando-O, perder de vista o próprio eu. Testimonies, vol. 8, págs. 332 e 333.
A comunhão com Deus refletir-se-á no carácter e na vida. Os homens conhecerão em nós, como nos primeiros discípulos, que estivemos com Jesus. Eis o que dá ao obreiro um poder que nada mais será capaz de lhe comunicar. Jamais devemos permitir ser privados de tal poder. Carecemos de viver uma vida dupla - vida de pensamento e de ação, de silenciosa prece e infatigável trabalho. A Ciência do Bom Viver, pág. 512.
Oração e esforço, esforço e oração, serão a ocupação de vossa vida. Deveis orar como se a eficiência e o louvor fossem todos atribuíveis a Deus, e labutar como se o dever fosse todo vosso. Testimonies, vol. 4, pág. 538.
Ninguém, sem oração, se encontra livre de perigo durante um dia ou uma hora que seja. O Grande Conflito, pág. 530.
Aquele que nada faz senão orar, em breve deixará de o fazer. Caminho a Cristo, pág. 101.
Firmemente Fundados em Cristo
A tempestade vem, a tempestade que há de provar a fé de todo homem, de que espécie é. Os crentes devem estar agora firmemente arraigados em Cristo, do contrário serão extraviados por algum aspecto do erro. Evangelismo, pág. 361.
Far-nos-ia bem passar diariamente uma hora a refletir sobre a vida de Jesus. Deveremos tomá-la ponto por ponto, e deixar que a imaginação se apodere de cada cena, especialmente as finais. O Desejado de Todas as Nações, pág. 83.
A única defesa contra o mal, é Cristo habitar no coração mediante a fé em Sua justiça. A menos que nos unamos vitalmente a Deus, nunca poderemos resistir aos não santificados efeitos do amor-próprio, da condescendência com nós mesmos e da tentação para pecar. Podemos deixar muitos hábitos maus, podemos por tempos separar-nos de Satanás; mas sem uma ligação vital com Deus pela entrega de nós mesmos a Ele momento a momento, seremos vencidos. Sem conhecimento pessoal com Cristo e constante comunhão achamo-nos à mercê do inimigo, e havemos afinal de fazer-lhe a vontade. O Desejado de Todas as Nações, pág. 324.
Cristo, e Ele crucificado, eis o que deve constituir o tema de nossas meditações, de nossas conversas, e de nossas mais gratas emoções. Caminho a Cristo, págs. 103 e 104.
Moldados Pelo Espírito Santo
O coração humano não conhecerá felicidade enquanto não se submeter a ser moldado pelo Espírito de Deus. O Espírito afeiçoa a renovada alma ao modelo, Jesus Cristo. Mediante Sua influência, a inimizade para com Deus é mudada em fé e amor, e o orgulho em humildade. A alma percebe a beleza da verdade, e Cristo é honrado em excelência e perfeição de caráter. Nossa Alta Vocação (Meditações Matinais, 1962), pág. 150.
Não há um impulso de nossa natureza, nem uma faculdade do espírito ou inclinação do coração, que não necessite achar-se a todo o instante sob a direção do Espírito de Deus. Patriarcas e Profetas, pág. 421.
O Espírito nos ilumina as trevas, informa nossa ignorância, e ajuda-nos em nossas múltiplas necessidades. Mas a mente precisa dilatar-se constantemente para Deus. Caso seja permitido que se introduza aí o mundanismo, se não temos desejo de orar, nem desejo de comungar com Aquele que é a fonte de força e sabedoria, o Espírito não habita em nós. Nossa Alta Vocação (Meditações Matinais, 1962), pág. 152.
A Necessidade de Estudar a Bíblia
Nenhum coração renovado poderá ser conservado em estado de aprazibilidade sem a aplicação diária do sal da Palavra.
A graça divina deve ser diariamente recebida, do contrário homem algum permanecerá convertido. Nossa Alta Vocação (Meditações Matinais, 1962), pág. 213.
Seja a vossa fé consubstanciada pela Palavra de Deus. Agarrai firmemente o testemunho vivo da verdade. Tende fé em Cristo como Salvador pessoal. Ele tem sido e será sempre a nossa Rocha dos Séculos. Evangelismo, pág. 362.
Os cristãos devem estar-se preparando para aquilo que logo irá cair sobre o mundo como terrível surpresa, e esta preparação deve ser feita mediante diligente estudo da Palavra de Deus e pelo levar a vida em conformidade com o seus preceitos. Profetas e Reis, pág. 626.
Pessoa alguma, a não ser os que fortaleceram o espírito com as verdades da Escritura, poderá resistir no último grande conflito. O Grande Conflito, pág. 593.
Apenas os que forem diligentes estudantes das Escrituras e receberem o amor da verdade, estarão ao abrigo dos poderosos enganos que dominam o mundo. O Grande Conflito, pág. 625.
Nosso povo precisa compreender a Palavra de Deus; carecem de um conhecimento sistemático dos princípios da verdade revelada, que os habilitará para o que há de vir sobre a Terra e os impedirá de serem levados em roda por todo vento de doutrina. Testemunhos Seletos, vol. 1, pág. 101.
Entesourar as Escrituras na Memória
Várias vezes, cada dia, preciosos e áureos momentos devem ser dedicados à oração e ao estudo das Escrituras, nem que seja para guardar na memória um só texto, a fim de que haja vida espiritual na alma. Testimonies, vol. 4, pág. 459.
A preciosa Palavra de Deus é a norma para a juventude que quer ser fiel ao Rei do Céu. Estudem eles as Escrituras. Entesourem na memória texto sobre texto e adquiram o conhecimento daquilo que o Senhor disse. Minha

22.2.12

Justificação, Santificação e Glorificação

Este tema tem que ver com a salvação, e nada é tão essencial na Bíblia quanto a nossa redenção. Justificação, santificação e glorificação são três processos na salvação do ser humano.

“A mensagem presente, a justificação pela fé é a mensagem de Deus… Não há um em cem, que compreenda a verdade bíblica sobre este tema, tão necessário para o nosso bem-estar presente e eterno.”1

“Isso, porém, eu sei que nossas igrejas estão perecendo por falta de ensino sobre o assunto da justiça pela fé em Cristo e verdades semelhantes.”2

“A mensagem da justificação pela fé: a mensagem de Deus, a mensagem da verdade, a mensagem que Deus ordenou fosse dada ao mundo, a mensagem que leva as credenciais do céu é a mensagem do terceiro anjo em linhas distintas e claras.”3
“Muitos que professam crer na mensagem do terceiro anjo, perderam de vista a justificação pela fé.”4

“O tema central da Bíblia, o tema em redor do qual giram todos os outros no Livro, é o plano da redenção, a restauração da imagem de Deus, na alma humana, o empenho de cada livro e passagem da Bíblia é o desdobramento deste maravilhoso tema.”5

“A justificação pela fé, em seu mais amplo sentido, abrange todas as verdades vitais, fundamentais do evangelho, a começar pela situação moral do homem ao ser criado e implicações: seguem-se vinte e duas verdades embutidas na justificação pela fé.”6

A doutrina da justificação pela fé em Cristo, de capital importância para a nossa salvação tem sido neutralizada por Satanás. Ela foi escondida durante séculos pelas tradições romanas, mas graças aos reformadores, destacando-se entre eles a figura ímpar de Lutero, ela foi revelada novamente.
A Igreja Adventista e a Justificação pela Fé
Nossa igreja, nos seus primórdios, correu o risco de entrar por sendas legalistas, mas damos graças a Deus, porque Ele nos mostrou o caminho seguro neste assunto. Este importante tema, estudado com interesse e entusiasmo pelos pastores Jones e Waggoner, foi apresentado em 1888, na Assembleia da Associação Geral de Mineápolis. Ele foi bem recebido pelo Presidente da Associação Geral e por Ellen G, White. Uma intensa e constante campanha foi encetada para que este ensino merecesse um lugar de destaque em nossos arraiais; contribuindo muito para a divulgação destas ideias pregações e artigos da mensageira deste movimento.
Alguns leigos e mesmo obreiros como Uriah Smith, a princípio rejeitaram a doutrina da justificação pela fé, temendo que estava havendo uma volta ao espírito das igrejas protestantes de onde havíamos saído.

Muitos adventistas, naqueles idos, e ainda hoje, apegados ao insidioso legalismo que ainda viceja em nossos arraiais, não podem ou não querem compreender esta maravilhosa verdade, crendo que é uma doutrina antibíblica, logo espúria, característica do protestantismo.
Diante destas afirmativas a única conclusão segura é esta: como igreja precisamos compreender melhor este assunto, pregando mais sermões para que nosso povo o compreenda com clareza e objectividade.

O que é Justificação?

Para Vincent, Word Studies in the New Testament, vol. III, pág. XI:
“Justificação pela fé envolve união pessoal com Cristo e consequente morte para o pecado e ressurreição moral para novidade de vida.”

“É a obra de Deus ao lançar a glória do homem por terra, e fazer pelo homem o que não lhe é possível fazer em seu próprio poder.”7
“A justificação é um ato da livre graça de Deus, mediante a qual Ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos aos seus olhos, baseado somente na retidão de Cristo, a nós imputada, e recebida exclusivamente pela fé.”8
“Ser justificado independentemente das obras é ser justificado sem contar com qualquer coisa que mereça tal justificação.” Hodge.
“É a imputação divina da justiça de Cristo ao nosso nome individual.”9

Justificação é uma parte do processo completo da salvação.
“A justificação é um ato declarativo de Deus. Este ato de declarar o homem justificado não é como o ato de Deus regenerando o homem. Na regeneração efetua Deus uma mudança radical no homem, mas na justificação Ele declara, apenas, que não pode mais condená-lo e o restaura à Sua graça. Deus não faz o homem justo por declará-lo justificado. Uma das maiores glórias do evangelho é esta doutrina, que Deus, o justíssimo entre todos, pode justificar o injusto sem praticar injustiça.”10

Caminho a Cristo explica o que é justificação da seguinte maneira:
“Se vos entregardes a Ele e O aceitardes como vosso Salvador, sereis, por pecaminosa que tenha sido a vossa vida, considerados justos por Sua causa. O caráter de Cristo substituirá o vosso caráter e sereis aceitos diante de Deus exatamente como se não houvésseis pecado.”

Em outras palavras, assim poderia ser explicada: aceitando a Cristo como nosso Salvador pessoal, Deus nos liberta de toda a culpa, cobre-nos com o manto da justiça de Cristo, em lugar dos farrapos da nossa justiça, vendo Deus em nós a perfeita e imaculada justiça de Seu Filho.

Justificar, segundo o pensamento da Reforma do século XVI, significa considerar justo e nunca tornar justo como defendia o catolicismo. A igreja católica não considera a justificação como uma imputação legal da parte de Deus, mas sim tornar-nos ou fazer-nos justos.

Da leitura de Romanos 8:33 e 34 se conclui que justificar e condenar apresentam significação contrária. Se condenar é declarar alguém culpado, justificar é declarar justo e não tornar ou fazer justo.

O livro Fé e Obras, pág. 94, de Ellen G. White confirma este conceito ao declarar: “Justificação é o contrário de condenação.”
De modo geral, os comentaristas defendem que justificação é um ato exclusivamente judicial. Josué de Oliveira no livro O Aspecto Jurídico da Justificação insiste muito nesta tecla: “Justificação não é um ato de graça, mas sim de justiça”. Na página 16 escreveu: “Justificação à luz da Bíblia é um vocábulo judiciário, por mostrar nossa relação para com as sagradas leis do código divino á luz das quais os crentes são julgados.”

O conhecido professor Hans K. LaRondelle esposa a mesma ideia ao declarar sobre a justificação:
“Justificação é a divina atribuição ou imputação da justiça de Cristo, a crédito, perante Deus, do crente arrependido (Rom. 4:4-8). Trata-se de uma transacção judicial de Cristo como mediador celeste, pela qual somos feitos retos para com Deus e temos acesso ao coração do Pai (Rom. 5:1-2) sendo, como resultado imediato que o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi outorgado (Rom. 5:51. Desse modo, sem qualquer mérito de nossa parte recebemos o Espírito Santo pela fé em Cristo (Gál. 3:2, 5), e pode apropriadamente ser dito que somos justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus (1 Cor. 6:11)”11
Hans Joachim Iwand declara: “Assim a justificação do homem diante de Deus tem sempre caráter ‘forense’, isto é, desenrola-se diante do fórum de Deus que julga justamente.”12