Este tema tem que ver com a salvação, e nada é tão essencial na Bíblia quanto a nossa redenção. Justificação, santificação e glorificação são três processos na salvação do ser humano.
“A mensagem presente, a justificação pela fé é a mensagem de Deus… Não há um em cem, que compreenda a verdade bíblica sobre este tema, tão necessário para o nosso bem-estar presente e eterno.”1
“Isso, porém, eu sei que nossas igrejas estão perecendo por falta de ensino sobre o assunto da justiça pela fé em Cristo e verdades semelhantes.”2
“A mensagem da justificação pela fé: a mensagem de Deus, a mensagem da verdade, a mensagem que Deus ordenou fosse dada ao mundo, a mensagem que leva as credenciais do céu é a mensagem do terceiro anjo em linhas distintas e claras.”3
“Muitos que professam crer na mensagem do terceiro anjo, perderam de vista a justificação pela fé.”4
“O tema central da Bíblia, o tema em redor do qual giram todos os outros no Livro, é o plano da redenção, a restauração da imagem de Deus, na alma humana, o empenho de cada livro e passagem da Bíblia é o desdobramento deste maravilhoso tema.”5
“A justificação pela fé, em seu mais amplo sentido, abrange todas as verdades vitais, fundamentais do evangelho, a começar pela situação moral do homem ao ser criado e implicações: seguem-se vinte e duas verdades embutidas na justificação pela fé.”6
A doutrina da justificação pela fé em Cristo, de capital importância para a nossa salvação tem sido neutralizada por Satanás. Ela foi escondida durante séculos pelas tradições romanas, mas graças aos reformadores, destacando-se entre eles a figura ímpar de Lutero, ela foi revelada novamente.
A Igreja Adventista e a Justificação pela Fé
Nossa igreja, nos seus primórdios, correu o risco de entrar por sendas legalistas, mas damos graças a Deus, porque Ele nos mostrou o caminho seguro neste assunto. Este importante tema, estudado com interesse e entusiasmo pelos pastores Jones e Waggoner, foi apresentado em 1888, na Assembleia da Associação Geral de Mineápolis. Ele foi bem recebido pelo Presidente da Associação Geral e por Ellen G, White. Uma intensa e constante campanha foi encetada para que este ensino merecesse um lugar de destaque em nossos arraiais; contribuindo muito para a divulgação destas ideias pregações e artigos da mensageira deste movimento.
Alguns leigos e mesmo obreiros como Uriah Smith, a princípio rejeitaram a doutrina da justificação pela fé, temendo que estava havendo uma volta ao espírito das igrejas protestantes de onde havíamos saído.
Muitos adventistas, naqueles idos, e ainda hoje, apegados ao insidioso legalismo que ainda viceja em nossos arraiais, não podem ou não querem compreender esta maravilhosa verdade, crendo que é uma doutrina antibíblica, logo espúria, característica do protestantismo.
Diante destas afirmativas a única conclusão segura é esta: como igreja precisamos compreender melhor este assunto, pregando mais sermões para que nosso povo o compreenda com clareza e objectividade.
O que é Justificação?
Para Vincent, Word Studies in the New Testament, vol. III, pág. XI:
“Justificação pela fé envolve união pessoal com Cristo e consequente morte para o pecado e ressurreição moral para novidade de vida.”
“É a obra de Deus ao lançar a glória do homem por terra, e fazer pelo homem o que não lhe é possível fazer em seu próprio poder.”7
“A justificação é um ato da livre graça de Deus, mediante a qual Ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos aos seus olhos, baseado somente na retidão de Cristo, a nós imputada, e recebida exclusivamente pela fé.”8
“Ser justificado independentemente das obras é ser justificado sem contar com qualquer coisa que mereça tal justificação.” Hodge.
“É a imputação divina da justiça de Cristo ao nosso nome individual.”9
Justificação é uma parte do processo completo da salvação.
“A justificação é um ato declarativo de Deus. Este ato de declarar o homem justificado não é como o ato de Deus regenerando o homem. Na regeneração efetua Deus uma mudança radical no homem, mas na justificação Ele declara, apenas, que não pode mais condená-lo e o restaura à Sua graça. Deus não faz o homem justo por declará-lo justificado. Uma das maiores glórias do evangelho é esta doutrina, que Deus, o justíssimo entre todos, pode justificar o injusto sem praticar injustiça.”10
Caminho a Cristo explica o que é justificação da seguinte maneira:
“Se vos entregardes a Ele e O aceitardes como vosso Salvador, sereis, por pecaminosa que tenha sido a vossa vida, considerados justos por Sua causa. O caráter de Cristo substituirá o vosso caráter e sereis aceitos diante de Deus exatamente como se não houvésseis pecado.”
Em outras palavras, assim poderia ser explicada: aceitando a Cristo como nosso Salvador pessoal, Deus nos liberta de toda a culpa, cobre-nos com o manto da justiça de Cristo, em lugar dos farrapos da nossa justiça, vendo Deus em nós a perfeita e imaculada justiça de Seu Filho.
Justificar, segundo o pensamento da Reforma do século XVI, significa considerar justo e nunca tornar justo como defendia o catolicismo. A igreja católica não considera a justificação como uma imputação legal da parte de Deus, mas sim tornar-nos ou fazer-nos justos.
Da leitura de Romanos 8:33 e 34 se conclui que justificar e condenar apresentam significação contrária. Se condenar é declarar alguém culpado, justificar é declarar justo e não tornar ou fazer justo.
O livro Fé e Obras, pág. 94, de Ellen G. White confirma este conceito ao declarar: “Justificação é o contrário de condenação.”
De modo geral, os comentaristas defendem que justificação é um ato exclusivamente judicial. Josué de Oliveira no livro O Aspecto Jurídico da Justificação insiste muito nesta tecla: “Justificação não é um ato de graça, mas sim de justiça”. Na página 16 escreveu: “Justificação à luz da Bíblia é um vocábulo judiciário, por mostrar nossa relação para com as sagradas leis do código divino á luz das quais os crentes são julgados.”
O conhecido professor Hans K. LaRondelle esposa a mesma ideia ao declarar sobre a justificação:
“Justificação é a divina atribuição ou imputação da justiça de Cristo, a crédito, perante Deus, do crente arrependido (Rom. 4:4-8). Trata-se de uma transacção judicial de Cristo como mediador celeste, pela qual somos feitos retos para com Deus e temos acesso ao coração do Pai (Rom. 5:1-2) sendo, como resultado imediato que o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi outorgado (Rom. 5:51. Desse modo, sem qualquer mérito de nossa parte recebemos o Espírito Santo pela fé em Cristo (Gál. 3:2, 5), e pode apropriadamente ser dito que somos justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus (1 Cor. 6:11)”11
Hans Joachim Iwand declara: “Assim a justificação do homem diante de Deus tem sempre caráter ‘forense’, isto é, desenrola-se diante do fórum de Deus que julga justamente.”12