23.9.10

TRAIÇÃO NO CÉU

Onde estavas tu quando Eu fundava a Terra? ... ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam? Jó 38:4-7.
Muitos dos simpatizantes de Lúcifer estavam inclinados a ouvir o conselho dos anjos leais e se arrependeram de sua insatisfação, e de novo receberam a confiança do Pai e Seu amado Filho. O grande rebelde declarou então que estava familiarizado com a lei de Deus e se se submetesse a uma obediência servil seria despojado de sua honra. Nunca mais poderia ser incumbido de sua exaltada missão. Disse que ele mesmo e os que com ele se uniram tinham ido muito longe para voltarem, que enfrentaria as conseqüências, que nunca mais se prostraria para adorar servilmente o Filho de Deus; que Deus não perdoaria, e que agora eles precisavam garantir sua liberdade e conquistar pela força a posição e autoridade que não lhes fora concedida voluntariamente.
Os anjos leais apressaram-se a relatar ao Filho de Deus o que acontecera entre os anjos. Acharam o Pai em conferência com Seu Filho amado, para determinar os meios pelos quais, para o bem-estar dos anjos leais, a autoridade assumida por Satanás podia ser para sempre retirada. O grande Deus podia de uma vez lançar do Céu este arquienganador; mas este não era o Seu propósito. Queria dar aos rebeldes uma oportunidade igual para medirem sua força e poder com Seu próprio Filho e Seus anjos leais. Nesta batalha cada anjo escolheria seu próprio lado e seria manifesto a todos. Não teria sido seguro tolerar que qualquer que se havia unido a Satanás na rebelião, continuasse a ocupar o Céu. Tinham aprendido a lição de genuína rebelião contra a imutável Lei de Deus e isto era irremediável. ...
Então houve guerra no Céu. O Filho de Deus, o Príncipe do Céu, e Seus anjos leais empenharam-se num conflito com o grande rebelde e com aqueles que se uniram a ele. O Filho de Deus e os anjos verdadeiros e leais prevaleceram; e Satanás e seus simpatizantes foram expulsos do Céu. Todo o exército celestial reconheceu e adorou o Deus da justiça. Nenhuma mácula de rebelião foi deixada no Céu. Tudo voltara a ser paz e harmonia como antes ...
O Pai consultou Seu Filho com respeito à imediata execução de Seu propósito de fazer o homem para habitar a Terra. História da Redenção.
A rebelião de Satanás deveria ser uma lição para o Universo, durante todas as eras vindouras - perpétuo testemunho da natureza do pecado e de seus terríveis resultados. A atuação do governo de Satanás, seus efeitos tanto sobre os homens como os anjos, mostrariam qual seria o fruto de se pôr de parte a autoridade divina. Testificariam que, ligado à existência do governo de Deus, está o bem-estar de todas as criaturas que Ele fez. Patriarcas e Profetas, págs. 42 e 43.

13.9.10

O DEVER EM FACE DO TEMPO DE ANGÚSTIA

O Senhor tem-me mostrado repetidamente que é contrário à Bíblia fazer qualquer provisão para o tempo de angústia. Vi que se os santos tivessem alimento acumulado por eles no campo no tempo de angústia, quando a espada, a fome e pestilência estão na Terra, seria tomado deles por mãos violentas e estranhos ceifariam os seus campos. Será para nós então tempo de confiar inteiramente em Deus, e Ele nos sustentará. Vi que nosso pão e nossa água serão certos nesse tempo, e que não teremos falta nem padeceremos fome, pois Deus é capaz de estender para nós uma mesa no deserto. Se necessário Ele enviaria corvos para alimentar-nos, como fez com Elias, ou faria chover maná do céu, como fez para os israelitas.
Casas e terras serão de nenhuma utilidade para os santos no tempo de angústia, pois terão de fugir diante de turbas enfurecidas, e nesse tempo suas posses não podem ser liberadas para o progresso da causa da verdade presente... Foi-me mostrado que é vontade de Deus que os santos se libertem de todo embaraço antes que venha o tempo de angústia, e façam um concerto com Deus mediante sacrifício. Se eles puserem sua propriedade no altar do sacrifício e ferventemente inquirirem de Deus quanto ao seu dever, Ele lhes ensinará sobre quando dispor dessas coisas. Então estarão livres no tempo de angústia, sem nenhum estorvo para sobrecarregá-los.
Vi que se alguém se apegar a sua propriedade e não inquirir do Senhor quanto ao seu dever, Ele não fará conhecido esse dever, sendo-lhes permitido conservar sua propriedade, e no tempo da angústia isso virá sobre eles como uma montanha para esmagá-los, e eles procurarão dispor dela, mas não será possível. Ouvi alguém lamentar assim: "A Causa estava definhando, o povo de Deus estava perecendo de fome pela verdade, e nenhum esforço fizemos para suprir a falta; agora nossa propriedade de nada vale. Oh! se tivéssemos permitido que ela se fosse e acumulado tesouro no Céu!" Vi que o sacrifício não aumentava, mas decrescia e era consumido. Vi também que Deus não requeria que todo o Seu povo dispusesse de suas propriedades ao mesmo tempo; mas se desejassem ser ensinados, Ele os ensinaria, em tempo de necessidade, quando vender e quanto vender. De alguns se tem pedido no passado que dispusessem de suas propriedades para sustentar a causa do advento, enquanto a outros tem sido permitido conservá-las até o tempo da necessidade. Então, quando a Causa delas necessite, seu dever é vender.
Vi que a mensagem: "Vendei os vossos bens e dai esmola", não tem sido apresentada por alguns em sua clara luz, e o objectivo das palavras de nosso Salvador não tem sido claramente apresentado. O objectivo de vender não é dar aos que podem trabalhar e sustentar-se a si mesmos, mas para espalhar a verdade. É um pecado sustentar e favorecer a indolência dos que podem trabalhar. Alguns têm sido zelosos em assistir a todas as reuniões, não para glorificar a Deus, mas por causa de "pão e peixe". Muito melhor seria que tais pessoas ficassem em casa trabalhando com as próprias mãos, "porque isto é bom", a fim de suprir as necessidades de suas famílias e terem alguma coisa para dar para o sustento da preciosa causa da verdade presente. Agora é o tempo de acumular tesouro no Céu e pôr o coração em ordem, pronto para o tempo de angústia. Somente os que têm mãos limpas e coração puro resistirão no tempo da prova. Agora é o tempo para a lei de Deus estar em nossa mente, em nossa fronte e escrita em nosso coração.
O Senhor me mostrou o perigo de permitir seja a nossa mente abarrotada de pensamentos e cuidados mundanos. Vi que algumas mentes são afastadas da verdade presente e do amor à Bíblia por causa da leitura de livros excitantes; outros se carregam de perplexidade e cuidados quanto ao que comerão, ao que hão de beber e o que vestir. Alguns estão supondo a vinda do Senhor num futuro muito distante. O tempo tem continuado alguns anos mais do que eles esperavam, e assim pensam que continuará mais alguns anos, e desta maneira suas mentes são desviadas da verdade presente para irem após o mundo. Nisto vi grande perigo, pois se a mente está cheia de outras coisas, a verdade presente é deixada fora, e não há lugar em nossa fronte para o selo do Deus vivo. Vi que o tempo para Jesus permanecer no lugar santíssimo estava quase terminado e esse tempo podia durar apenas um pouquinho mais; que o tempo disponível que temos deve ser gasto em examinar a Bíblia, que nos julgará no último dia.
Meus queridos irmãos e irmãs, que os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus estejam de contínuo em vossas mentes, expulsando assim cuidados e pensamentos mundanos. Quando vos deitais e quando vos levantais, sejam eles a vossa meditação. Vivei e agi inteiramente em relação com a vinda do Filho do homem. O tempo do selamento é muito curto, e logo passará. Agora, enquanto os quatro anjos estão contendo os ventos, é o tempo de fazer firme a nossa vocação e eleição.

6.9.10

UMA OBRA QUE RESISTIRÁ

Uma Obra que Resistirá
Aqueles que se acham em posição de responsabilidade na Obra de Deus são representados como vigias sobre os muros de Sião. Deus lhes pede que façam soar um alarme no meio do povo. Fazei com que ele seja ouvido com toda a clareza. O dia da calamidade, da assolação e da destruição está impendente sobre todos os que fizeram injustiça. Com especial rigor a mão do Senhor descerá sobre os vigias que deixaram de expor perante o povo em linhas claras a sua obrigação para com Aquele que é seu proprietário pela criação e pela redenção.
Meus irmãos, o Senhor vos pede que examineis rigorosamente o coração. Pede Ele que aformoseeis a verdade em vosso viver diário, e em todo o vosso trato uns com os outros. Requer de vós uma fé que opere por amor e purifique a alma. É perigoso brincardes com os sagrados reclamos da consciência; perigoso dardes um exemplo que leve os outros numa direção errada.
Devem os cristãos levar consigo, por onde quer que forem, a doce fragrância da justiça de Cristo, mostrando que estão concordando com o convite: "Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma." Mat. 11:29. Estais vós aprendendo diariamente na escola de Cristo - aprendendo a pôr de lado as dúvidas e suspeitas malignas; aprendendo a ser agradáveis e nobres em vosso trato com vossos irmãos, por amor de vós mesmos e de Cristo?
A Verdade Presente Leva Para o Alto
A verdade presente conduz para a frente e para o alto, agrupando os necessitados, os oprimidos, os sofredores, e os destituídos. Todos os que vierem devem ser levados ao aprisco. Em sua vida deve ocorrer uma reforma que os tornará membros da família real, filhos do celeste Rei. Ao ouvirem a mensagem da verdade, homens e mulheres são levados a aceitar o sábado e unir-se à igreja pelo batismo. Devem eles levar o sinal de Deus por observarem o sábado da criação. Devem saber por experiência própria que a obediência aos mandamentos de Deus significa vida eterna.
Meios e destemido esforço podem ser seguramente empregados numa obra como essa, pois é uma obra que subsistirá. Dessa forma, os que estavam mortos em ofensas e pecados são trazidos ao companheirismo dos santos e feitos assentar nos lugares celestiais com Cristo. Seus pés são postos em um firme fundamento. Tornam-se capazes de atingir uma elevada norma, até chegar às mais excelsas alturas da fé, pois os cristãos tornaram direitos os caminhos para seus pés, para que o que manqueja não se desvie do caminho.
Todos Devem Fazer uma Parte
Cada igreja deve trabalhar em favor dos que perecem dentro das suas próprias fronteiras, e pelos que estão fora delas. Devem os membros reluzir como pedras vivas no templo de Deus, refletindo a luz celestial. Trabalho algum deve ser feito a esmo, descuidadamente e sem método. Manter segura as almas prestes a perecer, significa mais que orar em favor de um alcoólatra e, depois, porque ele chora e confessa a degradação de sua alma, declará-lo salvo. Repetidas vezes, deve-se recomeçar a batalha.
Que os membros de cada igreja sintam seu especial dever de trabalhar pelos seus vizinhos. Que cada um que alega estar sob a bandeira de Cristo sinta ter assumido compromisso com Deus, para fazer a obra do Salvador. Que os que se encarregam desse trabalho não se cansem de fazer o bem. Quando os redimidos estiverem perante Deus, responderão ao chamado preciosas almas que ali estão por causa dos fervorosos e perseverantes esforços feitos em seu benefício, e das súplicas e intensa persuasão para que fujam para a Fortaleza. Dessa forma, os que neste mundo têm estado a cooperar com Deus, receberão a sua recompensa.
Os pastores das igrejas populares não permitirão que a verdade seja apresentada de seus púlpitos ao povo. O inimigo os leva a resistir a verdade com rancor e malícia. Fabricam-se falsidades. Repete-se a experiência de Cristo com os líderes judeus. Satanás procura eclipsar todo raio de luz que vem de Deus para o Seu povo. Ele opera por meio dos pastores como o fez por intermédio dos sacerdotes e dirigentes nos dias de Cristo. Devem os que conhecem a verdade unir a seu partido, para opor, embaraçar e desviar os que estão procurando trabalhar na direção apontada por Deus para levar avante a Sua obra e hastearem o estandarte da verdade nas regiões das trevas?
A Mensagem Para Este Tempo
A mensagem do terceiro anjo, que abrange as mensagens do primeiro e do segundo anjo, é a mensagem para este tempo. Devemos erguer a bandeira na qual se acha escrito: "Os mandamentos de Deus e a fé em Jesus." Apoc. 14:12. O mundo deverá logo defrontar-se com o grande Doador da Lei a respeito de Sua lei quebrada. Não é este o tempo para se perderem de vista as grandes questões que estão diante de nós. Deus pede que Seu povo engrandeça a lei e a torne gloriosa.
Quando as estrelas da manhã juntas, alegremente, cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam, foi o sábado dado ao mundo, para que o homem pudesse lembrar-se sempre de que em seis dias Deus criou o mundo. Ele repousou no sétimo dia, abençoou-o como o dia do Seu repouso e o deu aos seres que criou, para que eles pudessem lembrar-se dEle como o Deus vivo e verdadeiro.
A despeito da oposição de Faraó, por Seu grande poder libertou Deus o Seu povo do Egito, a fim de que pudesse guardar a lei que havia sido dada no Éden. Ele os trouxe ao Sinai para que ouvissem a proclamação dessa lei.
Ao anunciar os Dez Mandamentos aos filhos de Israel com a Sua própria voz, demonstrou Deus a sua importância. Em terrível esplendor tornou Ele conhecida a Sua majestade e autoridade como Governador do mundo. Isso fez Ele para impressionar as pessoas com a santidade de Sua lei e a importância de obedecer-lhe. O poder e a glória com os quais foi a lei dada, revelam sua importância. Esta é a fé uma vez entregue aos santos por Cristo nosso Redentor, de viva voz do Sinai.
O Sinal de Nossa Relação com Deus
Por meio da observância do sábado, deviam os filhos de Israel distinguir-se de todas as outras nações. "Certamente guardareis Meus sábados", disse Cristo, "porquanto isso é um sinal entre Mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que Eu sou o Senhor, que vos santifica. Entre Mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra, e, ao sétimo dia, descansou, e restaurou-Se. Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo." Êxo. 31:13, 17 e 16.
O sábado é um sinal da relação que existe entre Deus e Seu povo - sinal de que eles são Seus súditos obedientes, de que guardam Sua santa lei. A observância do sábado é o meio ordenado por Deus para preservação do conhecimento de Si mesmo e distinção entre os Seus súditos leais e os transgressores de Sua lei.
Esta é a fé uma vez entregue aos santos, os quais permanecem com poder moral perante o mundo, mantendo firmemente esta fé.
Teremos oposição quando anunciarmos a mensagem do terceiro anjo. Satanás porá em execução todo plano possível para tornar sem efeito a fé uma vez entregue aos santos. "E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; e, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita." II Ped. 2:2 e 3. A despeito da oposição, porém, todos devem ouvir as palavras da verdade.
A lei de Deus é o fundamento de toda reforma duradoura. Devemos apresentar ao mundo em linhas claras e distintas a necessidade de obedecer a essa lei. A obediência à lei de Deus é o maior incentivo à laboriosidade, à economia, à veracidade e ao tratamento justo entre homem e homem.
Fundamento da Reforma Duradoura
A lei de Deus deve ser o meio de educação na família. Acham-se os pais na mais solene obrigação de obedecer a esta lei, dando aos seus filhos um exemplo da mais estrita integridade. Os homens que ocupam posições de responsabilidade, cuja influência é de longo alcance, devem guardar bem os seus caminhos e atos, conservando sempre diante de si o temor do Senhor. "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria." Sal. 111:10. Os que diligentemente dão ouvidos à voz do Senhor, e com prazer guardam os Seus mandamentos, estarão entre o número dos que verão a Deus. "O Senhor nos ordenou que fizéssemos todos estes estatutos, para temermos ao Senhor, nosso Deus, para o nosso perpétuo bem, para nos guardar em vida, como no dia de hoje. E será para nós justiça, quando tivermos cuidado de fazer todos estes mandamentos perante o Senhor, nosso Deus, como nos tem ordenado." Deut. 6:24 e 25.
Nosso trabalho, como crentes na verdade, é apresentar ao mundo a imutabilidade da lei de Deus. Pastores e professores, médicos e enfermeiros acham-se obrigados, por compromisso com Deus, a apresentarem a importância da obediência aos Seus mandamentos. Devemos ser distinguidos como um povo que guarda os mandamentos. O Senhor declarou de maneira explícita que Ele tem uma obra a ser feita em prol do mundo. Como poderá ser ela feita? Devemos procurar encontrar a melhor maneira e então fazer a vontade do Senhor. Testimonies, vol. 8, págs. 195-200.

5.9.10

IGUAL AO PAI

De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Filip. 2:5 e 6.
Lúcifer no Céu, antes de sua rebelião foi um elevado e exaltado anjo, o primeiro em honra depois do amado Filho de Deus. Seu semblante, como o dos outros anjos, era suave e exprimia felicidade. A testa era alta e larga, demonstrando grande inteligência. Sua forma era perfeita, o porte nobre e majestoso. Uma luz especial resplandecia de seu semblante e brilhava ao seu redor, mais viva do que ao redor dos outros anjos; todavia, Cristo, o amado Filho de Deus tinha preeminência sobre todo o exército angelical. Ele era um com o Pai antes que os anjos fossem criados. Lúcifer invejou a Cristo, e gradualmente pretendeu o comando que pertencia a Cristo unicamente.
O grande Criador convocou os exércitos celestiais, para na presença de todos os anjos conferir honra especial a Seu Filho. O Filho estava assentado no trono com o Pai, e a multidão celestial de santos anjos reunida ao redor d´Eles. O Pai então fez saber que por Sua própria decisão Cristo, Seu Filho, devia ser considerado igual a Ele, assim que em qualquer lugar que estivesse presente Seu Filho, isto valeria pela Sua própria presença. A palavra do Filho devia ser obedecida tão prontamente como a palavra do Pai. Seu Filho foi por Ele investido com autoridade para comandar os exércitos celestiais. Especialmente devia Seu Filho trabalhar em união com Ele na projectada criação da Terra e de cada ser vivente que devia existir sobre ela. O Filho levaria a cabo Sua vontade e Seus propósitos, mas nada faria por Si mesmo. A vontade do Pai seria realizada n´Ele.
Lúcifer estava invejoso e enciumado de Jesus Cristo. Todavia, quando todos os anjos se curvaram ante Jesus reconhecendo Sua supremacia e alta autoridade e direito de governar, ele curvou-se com eles, mas seu coração estava cheio de inveja e rancor. ...
Os anjos que eram leais e sinceros procuraram reconciliar este poderoso rebelde à vontade de seu Criador. Justificaram o ato de Deus em conferir honra a Seu Filho, e com fortes razões tentaram convencer Lúcifer que não lhe cabia menos honra agora, do que antes que o Pai proclamasse a honra que Ele tinha conferido a Seu Filho. Mostraram-lhe claramente que Cristo era o Filho de Deus, existindo com Ele antes que os anjos fossem criados, que sempre estivera à mão direita de Deus, e Sua suave, amorosa autoridade até o presente não tinha sido questionada; e que Ele não tinha dado ordens que não fossem uma alegria para o exército celestial executar. Eles insistiam que o receber Cristo honra especial de Seu Pai, na presença dos anjos, não diminuía a honra que Lúcifer recebera até então. Os anjos choraram. Ansiosamente tentaram levá-lo a renunciar a seu mau desígnio e render submissão ao Criador; pois até então tudo fora paz e harmonia. ... Lúcifer recusou ouvi-los. História da Redenção, págs. 13-16.
5 de Janeiro

31.8.10

CIRCUNDADOS POR SEU AMOR

E andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. Efés. 5:2.
O mundo que Satanás tem pretendido, e sobre o qual tem governado com tirania cruel, o Filho de Deus, por uma vasta realização, circundou em Seu amor, pondo-o novamente em ligação com o trono de Jeová. Querubins e serafins, bem como os inumeráveis exércitos de todos os mundos não caídos, entoam cânticos de louvor a Deus e ao Cordeiro ao ser assegurado esse triunfo. Regozijaram-se em que à raça caída fosse aberto o caminho da salvação, e que a Terra fosse redimida da maldição do pecado. Quanto mais não se deveriam regozijar aqueles que são os objetos de tão surpreendente amor!
Como podemos estar em dúvida e incerteza, e sentir-nos órfãos? Foi em benefício dos que haviam transgredido a lei que Jesus tomou sobre Si a natureza humana; Ele Se tornou como nós, a fim de podermos ter perene paz e segurança. ...
O primeiro passo mesmo ao aproximar-nos de Deus é conhecer e crer no amor que Ele nos tem! (I João 4:16); pois é mediante a atração de Seu amor que somos induzidos a ir para Ele.
A percepção do amor de Deus opera a renúncia do egoísmo. Ao chamarmos Deus nosso Pai, reconhecemos todos os Seus filhos como irmãos. Somos todos parte da grande teia da humanidade, todos membros de uma só família. Em nossas orações, devemos incluir nossos semelhantes da mesma maneira que a nós mesmos. Pessoa alguma ora direito, se busca bênção unicamente para si.
O infinito Deus, disse Jesus, vos dá o privilégio de dEle vos aproximardes chamando-O de Pai. Compreende tudo quanto isto implica. Pai terreno algum já pleiteou tão fervorosamente com um filho errante como o faz com o transgressor Aquele que vos criou. Nenhum amorável interesse humano já acompanhou o impenitente com tão ternos convites. Deus mora em toda habitação; ouve cada palavra proferida, escuta cada oração erguida ao Céu, experimenta as dores e as decepções de cada alma, e considera o tratamento dispensado a pai e mãe, irmã, amigo e semelhante. Ele cuida de nossas necessidades, e Seu amor, Sua misericórdia e graça estão continuamente a fluir para satisfazer nossa necessidade.
Mas se chamais a Deus vosso Pai, vós vos reconheceis Seus filhos, para ser guiados por Sua sabedoria, e ser obedientes em todas as coisas, sabendo que Seu amor é imutável. Aceitareis Seu plano para vossa vida. Como filhos de Deus, mantereis, como objeto de vosso mais elevado interesse, Sua honra, Seu caráter, Sua família, Sua obra. Tereis regozijo em reconhecer e honrar vossa relação com o Pai e com cada membro de Sua família. Alegrar-vos-eis em praticar qualquer ato, embora humilde, que contribua para Sua glória ou bem-estar de vossos semelhantes. O Maior Discurso de Cristo, págs. 104-106.

18.8.10

O FILHO DE DEUS EXISTENTE POR SI MESMO

Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, Eu sou. João 8:58.
"Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se. Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão? Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, Eu sou." João 8:56-58.
Aqui Cristo lhes mostra que, embora calculassem que Sua vida tinha menos de 50 anos, Sua vida divina não podia ser calculada pelo cômputo humano. A existência de Cristo antes de Sua encarnação não é medida por algarismos. Signs of the Times, 3 de maio de 1899.
"Antes que Abraão existisse, Eu sou." João 8:58. Cristo é o Filho de Deus preexistente, existente por Si mesmo. A mensagem que Ele deu a Moisés, para ser transmitida aos filhos de Israel, foi: "Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros." Êxo. 3:14.
O profeta Miquéias escreveu a Seu respeito: "E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade." Miq. 5:2.
Cristo declarou por intermédio de Salomão: "O Senhor Me possuiu no princípio de Seus caminhos e antes de Suas obras mais antigas. Quando punha ao mar o Seu termo, para que as águas não trespassassem o Seu mando; quando compunha os fundamentos da Terra, então, Eu estava com Ele e era Seu aluno; e era cada dia as Suas delícias, folgando perante Ele em todo o tempo." Prov. 8:22, 29 e 30.
Ao falar de Sua preexistência, Cristo faz o pensamento remontar aos séculos eternos. Ele nos assegura que nunca houve um tempo em que não estivesse em íntima ligação com o Deus eterno. Aquele cuja voz os judeus estavam então ouvindo estivera com Deus como Alguém que Se achava em Sua presença.
As palavras de Cristo foram proferidas com calma dignidade e com uma certeza e poder que trouxeram convicção aos corações dos escribas e fariseus. Eles sentiram o poder da mensagem enviada pelo Céu. Deus estava batendo à porta do coração deles, pedindo entrada. Signs of the Times, 29 de agosto de 1900.
Ele era igual a Deus, infinito e onipotente. ... É o Filho eterno, existente por si mesmo. Manuscrito 101, 1897.
Em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada. "Quem tem o Filho tem a vida." I João 5:12. A divindade de Cristo é a certeza de vida eterna para o crente. "Quem crê em Mim", disse Jesus, "ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em Mim nunca morrerá. Crês tu isto?" João 11:25 e 26. Cristo olha aqui ao tempo de Sua segunda vinda. O Desejado de Todas as Nações, pág. 530.

A PREEXISTÊNCIA DO FILHO DE DEUS

E, agora, glorifica-Me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que Eu tive junto de Ti, antes que houvesse mundo. João 17:5.
Mas ao mesmo tempo que a Palavra de Deus fala da humanidade de Cristo quando aqui na Terra, também fala ela positivamente em Sua preexistência. A Palavra existiu como ser divino, a saber, o eterno Filho de Deus, em união e unidade com Seu Pai. Desde a eternidade era Ele o Mediador do concerto, Aquele em quem todas as nações da Terra, tanto judeus como gentios, se O aceitassem, seriam benditos. "O Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." João 1:1. Antes de serem criados homens ou anjos, a Palavra [ou Verbo] estava com Deus, e era Deus.
O mundo foi feito por Ele, "e, sem Ele, nada do que foi feito se fez". João 1:3. Se Cristo fez todas as coisas, existiu Ele antes de todas as coisas. As palavras faladas com respeito a isso são tão positivas que ninguém precisa deixar-se ficar em dúvida. Cristo era Deus essencialmente, e no mais alto sentido. Estava Ele com Deus desde toda a eternidade, Deus sobre todos, bendito para todo o sempre.
O Senhor Jesus Cristo, o divino Filho de Deus, existiu desde a eternidade, como pessoa distinta, mas um com o Pai. Era Ele a excelente glória do Céu. Era o Comandante dos seres celestes, e a homenagem e adoração dos anjos era por Ele recebida como de direito. Isto não era usurpação em relação a Deus. "O Senhor Me possuiu no princípio de Seus caminhos", declara Ele, "e antes de Suas obras mais antigas. Desde a eternidade, fui ungida; desde o princípio, antes do começo da Terra. Antes de haver abismos, fui gerada; e antes ainda de haver fontes carregadas de águas. Antes que os montes fossem firmados, antes dos outeiros, eu fui gerada. Ainda Ele não tinha feito a Terra, nem os campos, nem sequer o princípio do pó do mundo. Quando Ele preparava os céus, aí estava Eu; quando compassava ao redor a face do abismo." Prov. 8:22-27.
Há luz e glória na verdade de que Cristo era um com o Pai antes de terem sido lançados os fundamentos do mundo. Esta é a luz que brilhava em lugar escuro, fazendo-o resplender com a divina glória original. Esta verdade, infinitamente misteriosa em si, explica outros mistérios e verdades de outro modo inexplicáveis, ao mesmo tempo que se reveste de luz inacessível e incompreensível. ...
"O povo que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou." Mat. 4:16. Aqui se apresentam a preexistência de Cristo e o propósito de Sua manifestação ao mundo, como raios vivos de luz do trono eterno. Mensagens Escolhidas, vol. 1, págs. 247 e 248.
[Cristo] diz: e fulgure a Minha glória - a glória que Eu tive junto de Ti, antes que houvesse mundo. Signs of the Times, 10 de maio de 1899.

Exaltai-O Como o Filho de Deus

Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. Filip. 4:8.
O novo ano já se apresentou; antes, porém, de saudarmos a sua chegada, nós nos detemos para perguntar: Qual foi a história do ano que, com o seu fardo de reminiscências, passou agora para a eternidade? A admoestação do apóstolo aplica-se a cada um de nós: "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos." II Cor. 13:5. Deus não permita que nesta hora importante fiquemos tão absortos em outras questões que não dediquemos tempo a séria, sincera e criteriosa introspecção! Sejam as coisas menos importantes relegadas a segundo plano, e demos agora prioridade àquilo que diz respeito aos nossos interesses eternos. ...
Nenhum de nós pode, em sua própria força, representar o caráter de Cristo; mas, se Jesus vive no coração, o espírito que nEle habita revelar-se-á em nós; será suprida toda a nossa deficiência. Quem procurará, no começo deste novo ano, obter nova e genuína experiência nas coisas de Deus? Corrigi os vossos desacertos na medida em que for possível. Confessai os vossos erros e pecados uns aos outros. Seja removida toda amargura, ira e malícia; que a paciência, a longanimidade, a bondade e o amor tornem-se uma parte de vosso ser; então tudo o que é puro, amável e de boa fama se desenvolverá em vossa experiência. ...
Que fruto demos nós durante o ano que passou? Qual foi a nossa influência sobre os outros? A quem trouxemos para o redil de Cristo? O olhar do mundo está voltado para nós. Somos cartas vivas de Cristo, conhecidas e lidas por todos os homens? Seguimos o exemplo de Jesus na abnegação, na mansidão, na humildade, na clemência, no levar a cruz, na devoção? O mundo será levado a reconhecer que somos servos de Cristo? ...
Não procuraremos, neste novo ano, corrigir os erros do passado? Compete-nos, individualmente, cultivar a graça de Cristo, ser mansos e humildes de coração, e firmes, resolutos e constantes na verdade; pois só assim poderemos crescer em santidade, e ser habilitados para a herança dos santos na luz. Comecemos o ano com a total renúncia do próprio eu; oremos por claro discernimento, para que compreendamos os direitos que o nosso Salvador tem sobre nós e para que em todas as ocasiões e em todos os lugares sejamos testemunhas de Cristo. Signs of the Times, 4 de janeiro de 1883.
Exaltai a Jesus, vós que ensinais o povo. Exaltai-O nas exortações, nos sermões, em cânticos, em oração. Que todos os vossos esforços convirjam para dirigir pessoas confusas, transviadas e perdidas ao "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". João 1:29. Ordenai que elas olhem e vivam. Review and Herald, 12 de abril de 1892.

12.8.10

AS BOAS NOVAS DO REINO

E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino. Mat. 4:23.
"E Ele passou a ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos Céus." Mat. 5:2 e 3. Como um ensino estranho e novo, estas palavras caem nos ouvidos da multidão admirada. Semelhante doutrina é contrária a tudo que ouviram dos sacerdotes e rabinos. Nela não vêem coisa alguma que lisonjeie seu orgulho ou lhes alimente as ambiciosas esperanças. Irradia, porém, deste novo Mestre um poder que os conserva como que presos. Dir-se-ia que a doçura do amor divino transcendesse de Sua presença, como da flor o perfume. ...
Mas na multidão que cercava Jesus, alguns havia que tinham a intuição de sua pobreza espiritual. ... Havia pessoas que, na presença de Sua pureza, se sentiam desgraçadas, miseráveis, pobres, cegas e nuas (Apoc. 3:17); e estas almejavam "a graça de Deus, ... trazendo salvação a todos os homens". Tito 2:11.
Dos humildes de espírito, diz Jesus: "Deles é o reino dos Céus." Mat. 5:3. Este reino não é, como esperavam os ouvintes de Cristo, um domínio temporal e terreno. Cristo estava a abrir aos homens o reino espiritual de Seu amor, Sua graça, Sua justiça. ... Seus súditos são os humildes de espírito, os mansos, os perseguidos por causa da justiça. Deles é o reino dos Céus. Conquanto não se tenha ainda realizado plenamente, iniciou-se neles a obra que os tornará "idôneos para participar da herança dos santos na luz". Col. 1:12.
Todos os que têm a intuição de sua profunda pobreza de alma e vêem que em si mesmos nada possuem de bom, encontrarão justiça e força olhando a Jesus. ... Ele vos ordena que troqueis a vossa pobreza pelas riquezas de Sua graça. Não somos dignos do amor de Deus, mas Cristo, nossa segurança, é digno, e capaz de salvar abundantemente todos os que forem a Ele. Qualquer que tenha sido vossa vida passada, por mais desanimadoras que sejam vossas circunstâncias presentes, se fordes a Jesus exatamente como sois, fracos, incapazes e em desespero, nosso compassivo Salvador irá grande distância ao vosso encontro, e em torno de vós lançará os braços de amor e as vestes de Sua justiça. O Maior Discurso de Cristo, págs. 6-9.

5.8.10

O PLANO DE DEUS PARA MIM

Porque o Senhor dos Exércitos o determinou; quem pois o invalidará? E a sua mão estendida está; quem, pois, a fará voltar atrás? Isa. 14:27.
Na História, cada um dos atores tem seu papel e seu lugar; pois a grande obra de Deus será, segundo Seu próprio plano, efetuada por homens que se prepararam para ocupar posições, ou para o bem ou para o mal. Opondo-se à justiça, os homens tornam-se instrumentos da injustiça. Mas não são forçados a seguir esse procedimento. Não precisam tornar-se instrumentos de injustiça, da mesma forma que Caim não precisava. ...
Homens de todas as espécies, justos e injustos, estarão desempenhando os seus papéis no plano divino. Com o caráter que formaram, farão a sua parte no cumprimento da História. Numa crise, exatamente no momento certo, estarão no lugar para cujo preenchimento eles se prepararam. Crentes e descrentes se arregimentarão como testemunhas, para confirmar a verdade que eles mesmos não compreendem. Todos cooperarão no cumprimento dos propósitos de Deus, tal qual o fizeram Anás, Caifás, Pilatos e Herodes. Condenando Cristo à morte, pensavam os sacerdotes estar executando seus próprios propósitos, mas sem estarem conscientes nem o pretenderem, cumpriam os propósitos divinos. Review and Herald, 12 de junho de 1900.
Deus olha o interior da pequenina semente que Ele próprio criou, e nela vê encoberta a bela flor, o arbusto ou a grande e frondosa árvore. Assim vê Ele as possibilidades em toda criatura humana. Achamo-nos aqui para determinado fim. Deus nos deu o plano que tem para nossa vida, e deseja que alcancemos a mais alta norma de desenvolvimento. ... Ele deseja que os jovens cultivem todas as faculdades de seu ser, exercitando ativamente cada uma delas. ...
Contemplem eles a Cristo como o modelo segundo o qual devem ser moldados. A santa ambição que Ele revelou em Sua vida devem eles nutrir - a ambição de tornar o mundo melhor por eles nele terem vivido. Tal é a obra a que são chamados. A Ciência do Bom Viver, págs. 397 e 398.
Deveis agora construir... para vos relacionardes com a sociedade e com a vida de maneira tal que possais atender ao desígnio de Deus em vossa criação. Fundamentos da Educação Cristã, pág. 82.

18.7.10

DEFRONTANDO O FANATISMO

Quando voltei a Portland, havia evidências dos efeitos desoladores do fanatismo. Alguns pareciam crer que a religião consistia em grande exaltação e rumor. Costumavam falar de modo que irritava os incrédulos, e isso influía para se levantar ódio contra eles mesmos e as doutrinas que ensinavam. Então se regozijavam de que sofressem perseguição. Os incrédulos não podiam ver nenhuma coerência nesse procedimento. Nalguns lugares os crentes eram impedidos de celebrar seus cultos. Os inocentes sofriam com os culpados.
Grande parte do tempo eu tinha o coração triste e pesaroso. Parecia coisa cruel que a causa de Cristo devesse ser prejudicada pelo procedimento daqueles homens sem critério. Não somente estavam promovendo a ruína da própria alma, mas pondo sobre a causa um estigma difícil de ser removido. E Satanás, gostava que assim fosse. Convinha-lhe muito ver a verdade manejada por homens não santificados, vê-la misturada com erros, e então tudo juntamente pisado em terra. Olhava com triunfo ao estado de confusão e dispersão dos filhos de Deus.
Estremecíamos ao pensar nas igrejas que iriam ser submetidas a esse espírito de fanatismo. Meu coração condoía-se pelo povo de Deus. Deveriam eles ser enganados e transviados por esse falso entusiasmo? Fielmente proferia os avisos a mim dados pelo Senhor; mas pareciam produzir pouco efeito, exceto no tocante a tornar os extremistas invejosos de mim.
Falsa Humildade
Alguns havia que professavam grande humildade, e advogavam o arrastar-se no chão, quais crianças, como prova de humildade.
Pretendiam que as palavras de Jesus em Mateus 18:1-6 devessem ter cumprimento literal neste período, em que esperavam a volta de seu Salvador. Costumavam arrastar-se em redor de suas casas, nas ruas, nas pontes e na própria igreja.
Eu lhes disse claramente que isso não era exigido; que a humildade que Deus esperava de Seu povo devia manifestar-se por uma vida semelhante à de Cristo, e não pelo arrastar-se no chão. Todas as coisas espirituais devem ser tratadas com santa dignidade. A humildade e mansidão estão de acordo com a vida de Cristo, mas devem mostrar-se de modo digno.
O cristão revela a verdadeira humildade, mostrando a brandura de Cristo, estando sempre pronto para auxiliar a outros, falando palavras amáveis e praticando atos desinteressados, o que eleva e enobrece a mais sagrada mensagem já vinda ao nosso mundo.
A Doutrina do Ócio
Havia alguns em Paris, Maine, que criam ser pecado trabalhar. O Senhor me entregou uma reprovação para o dirigente desse erro, na qual declarava que, abstendo-se do trabalho, propagando seus erros e condenando quem os não recebia, ele estava procedendo contrariamente à Palavra de Deus. Ele rejeitou todas as provas que o Senhor deu para convencê-lo de seu erro, e decidiu-se a não modificar sua maneira de proceder. Empreendeu cansativas viagens, caminhando grandes distâncias para lugares onde apenas receberia desacato, e pensava que assim sofria pela causa de Cristo. Prescindindo de razão e de juízo, obedecia a seus impulsos.
Vi que Deus trabalharia pela salvação de Seu povo: que esse homem desencaminhado logo se manifestaria de modo que todos os honestos de coração veriam que não estava sendo influenciado pelo bom espírito, e que sua carreira breve terminaria. Logo depois se desfez o ardil, e pouca influência ele exerceu sobre os crentes. Atribuiu ao diabo a procedência de minhas visões, e continuou a seguir suas inclinações, até que perdeu o juízo e seus amigos foram obrigados a interná-lo num manicômio. Finalmente fez uma corda com roupa de cama, enforcando-se com ela, e seus seguidores foram levados a se compenetrar da falácia de seus ensinos.
A Dignidade do Trabalho
Deus ordenou que os seres por Ele criados, trabalhem. Disto depende sua felicidade. Ninguém no grande domínio da criação do Senhor, foi feito para ser zangão. Nossa felicidade aumenta e nossa capacidade desenvolve-se ao nos empenharmos em ocupações úteis.
A ação dá poder. Perfeita harmonia prevalece no Universo de Deus. Todos os seres celestiais estão em constante atividade; e o Senhor Jesus, no trabalho de Sua vida, nos deu a todos um exemplo. Ele andou "fazendo o bem". Atos 10:38. Deus estabeleceu a lei da ação obediente. Silenciosos mas incessantes, os objetos de Sua criação fazem o seu trabalho designado. O oceano está em constante movimento. A relva que cresce, "que hoje existe e amanhã é lançada no forno" (Mat. 6:30), desempenha o seu papel, vestindo o campo de beleza. As folhas movem-se, e, no entanto, não se vê mão alguma tocá-las. O Sol, a Lua e as estrelas são úteis e cumprem magnificamente sua missão.
A todo tempo funciona o mecanismo do corpo. Dia após dia o coração pulsa, efetuando a sua tarefa regular e determinada, forçando a corrente carmesim a ir a todas as partes do corpo. Atividade, atividade é o que se vê permear todo mecanismo vivo. E o homem, com seu corpo e mente criados à semelhança de Deus, deve ser ativo a fim de preencher o lugar que lhe foi designado. Não deve estar ocioso. A ociosidade é pecado.
Uma Provação Severa
Em plena experiência de minha luta contra o fanatismo, fui submetida a uma severa provação. Se o Espírito de Deus repousava sobre alguém na reunião, e esse glorificava a Deus, louvando-O, alguns levantavam o brado de mesmerismo; se o Senhor era servido dar-lhe uma visão na reunião, alguns diziam que era efeito da agitação e do mesmerismo.
Aflita e desanimada, eu ia muitas vezes sozinha a um lugar solitário para derramar a alma diante dAquele que convida os cansados e oprimidos para irem a Ele e encontrarem descanso. Enquanto minha fé requeria as promessas, Jesus parecia muito próximo. A suave luz do Céu brilhava em meu redor; parecia-me estar enlaçada pelos braços de meu Salvador e, ali, era arrebatada em visão. Mas quando relatava o que Deus me revelara, a mim sozinha, onde nenhuma influência terrestre poderia afetar-me, ficava aflita e espantada ao ouvir alguns insinuarem que os que viviam mais perto de Deus estavam mais no caso de ser enganados por Satanás.
Alguns quiseram fazer-me crer que não havia Espírito Santo, e que todas as operações que os santos homens de Deus haviam experimentado, eram apenas o efeito do mesmerismo ou da operação de Satanás.
Aqueles que por certos textos das Escrituras haviam adotado opiniões extremistas, abstendo-se completamente do trabalho, e repelindo todos quantos não queriam aceitar suas idéias sobre este ou outros pontos concernentes a deveres religiosos, acusavam-me de me conformar com o mundo. De outro lado, os adventistas nominais acusavam-me de fanatismo, e eu era falsamente apresentada como a dirigente do fanatismo, para cuja repressão eu trabalhava constantemente.
Diferentes ocasiões foram marcadas para a vinda do Senhor, e insistia-se a tal respeito com os irmãos. O Senhor, porém, mostrou-me que passariam, pois o tempo de angústia deveria ocorrer antes da vinda de Cristo; e que cada vez que se marcasse uma data, e esta passasse, isso enfraqueceria a fé do povo de Deus. Por esse motivo eu era acusada de ser o mau servo que dizia: "O meu Senhor tarde virá." Mat. 24:48.
Todas essas coisas me afligiam grandemente e, em minha confusão, era algumas vezes tentada a duvidar de minha própria experiência.
Enquanto numa manhã orávamos em família, o poder de Deus desceu sobre mim e, subitamente, ocorreu-me o pensamento de que era mesmerismo, e resisti. Imediatamente fui atacada de mudez, e por alguns momentos perdi de vista tudo quanto me cercava. Vi então meu pecado por duvidar do poder de Deus, e que, devido a isso, ficara muda, mas minha língua seria desatada em menos de vinte e quatro horas.
Os Cinqüenta Textos:
Luc. 1:20   Filip. 2:13-15   Mar. 16:17 e 18
João 16:15   Efés. 6:10-13   João 9:20-27
Atos 2:4   Efés. 6:14-18   João 14:13-15
Atos 4:29 e 30   Efés. 4:32   João 15:7 e 8
Atos 4:31 I   Ped. 1:22   Mar. 1:23-25
Mat. 7:6   João 13:34 e 35   Rom. 8:38 e 39
Mat. 7:7-12   II Cor. 13:5   Apoc. 3:7-13
Mat. 7:15   I Cor. 3:10 e 11   Apoc. 14:4 e 5
Mat. 24:24   I Cor. 3:12 e 13   Filip. 3:20
Col. 2:6 e 7   Atos 20:28-30    Tia. 5:7 e 8
Heb. 10:35-37   Gál. 1:6-9   Filip. 3:21
Col. 2:8   Luc. 12:3-7   Apoc. 14:14-17
Heb. 10:38 e 39   Luc. 4:10 e 11   Heb. 4:9
Heb. 4:10 e 11   II Cor. 4:6-9   Apoc. 21:2
Heb. 4:12   II Cor. 4:17 e 18   Apoc. 14:1
Filip. 1:6   I Ped. 1:5-7   Apoc. 22:1-5
Filip. 1:27-29   I Tess. 3:8

Foi-me mostrado um cartão, em que estavam escritos em letras de ouro o capítulo e versículos de cinqüenta textos das Escrituras.
Depois que voltei da visão, pedi por sinais a lousa, e nela escrevi que estava muda, também o que vira, e que queria a Bíblia grande. Tomei-a, e prontamente busquei todos os textos que vira no cartão.
Estive sem poder falar durante o dia todo. Cedo na manhã seguinte, minha alma se encheu de alegria, minha língua se soltou e prorrompi em grandes louvores a Deus. Depois daquilo não ousei duvidar, nem por um momento sequer resistir ao poder de Deus, pensassem outros de mim o que quisessem.
Até então não me fora possível escrever; minha mão trêmula não podia segurar com firmeza a pena. Estando em visão, um anjo me ordenou escrevê-la. Obedeci, e escrevi prontamente. Meus nervos estavam fortalecidos, e desde aquele dia até hoje minha mão tem estado firme.
Exortações à Fidelidade
Era muito penoso para mim, relatar aos que erravam o que, concernente a eles, me havia sido mostrado. Causava-me grande angústia ver outros perturbados ou entristecidos. E, sendo obrigada a declarar as mensagens, queria muitas vezes abrandá-las e fazê-las parecer tão favoráveis às pessoas quanto eu podia, e então ficava a sós e chorava em agonia de espírito. Eu olhava àqueles que pareciam ter apenas sua própria alma para cuidar, e achava que, se estivesse em sua situação, não murmuraria. Era penoso descrever os testemunhos claros e incisivos a mim apresentados por Deus. Ansiosamente aguardava o resultado; e, se as pessoas reprovadas se rebelavam contra a reprovação, e mais tarde se opunham à verdade, eu me perguntava: Terei eu apresentado a mensagem exatamente como devia? Não poderia haver algum meio de os salvar? E então me oprimia a alma uma angústia tal que muitas vezes achava que a morte seria um bem-vindo mensageiro e a sepultura um suave lugar de descanso.
Não compreendia que assim inquirindo e duvidando eu era infiel, e não enxergava o perigo e o pecado de tal procedimento, até que, em visão fui levada à presença de Jesus. Ele me olhou com o semblante carregado, e desviou o rosto de mim. Não é possível descrever o terror e a agonia que então senti. Prostrei-me sobre o rosto diante dEle, mas não tinha ânimo para proferir uma palavra. Oh, quanto eu desejava ocultar-me e subtrair-me àquela terrível expressão sombria! Pude compreender então até certo ponto quais serão os sentimentos dos perdidos, quando clamarem às montanhas e às rochas: "Caí sobre nós, e escondei-nos da face dAquele que está assentado no trono, e da ira do Cordeiro." Apoc. 6:16.
Imediatamente um anjo me mandou levantar, e o quadro que meus olhos viram dificilmente poderá ser descrito. Diante de mim havia uma multidão de cabelos desgrenhados e vestes despedaçadas, e cujo rosto era a própria expressão do desespero e terror. Achegaram-se a mim, e roçaram suas vestes nas minhas. Quando olhei às minhas vestes, vi que estavam manchadas de sangue. De novo caí como morta aos pés do meu anjo assistente. Não podia alegar uma desculpa, e desejava estar fora daquele santo lugar.
O anjo me pôs de pé, e disse: "Este não é o teu estado agora; mas esta cena te foi apresentada para te fazer saber qual será tua situação se negligenciares declarar a outros o que o Senhor te revelou. Mas se fores fiel até o fim, comerás da árvore da vida, e beberás da água da vida. Terás de sofrer muito, mas a graça de Deus te basta."
Então senti-me disposta a fazer tudo que o Senhor exigisse de mim a fim de obter Sua aprovação, e não contemplar Sua terrível expressão de desagrado.
O Selo da Aprovação Divina
Aqueles foram tempos agitados. Se não tivéssemos então permanecido firmes, teríamos naufragado na fé. Alguns diziam que éramos obstinados; tínhamos de pôr nosso rosto como um seixo, e não desviar-nos nem para a direita nem para a esquerda.
Durante anos trabalhávamos para rebater os preconceitos e subjugar a oposição que por vezes ameaçava sobrepujar os fiéis porta-bandeiras da verdade - heróis e heroínas da fé. Achávamos, porém, que aqueles que buscavam a Deus em humildade e contrição de alma eram capazes de discernir entre o verdadeiro e o falso. "Guiará os mansos retamente; e aos mansos ensinará o Seu caminho." Sal. 25:9.
Deus nos concedeu uma experiência preciosa naqueles dias. Quando em conflito cerrado com os poderes das trevas, como freqüentemente nos achávamos, tudo apresentávamos ao poderoso Auxiliador. Repetidas vezes orávamos pedindo força e sabedoria. Não nos queríamos render, pois sentíamos que o auxílio deveria vir. E pela fé em Deus, o ataque inimigo virou-se contra ele mesmo, ganharam-se vitórias gloriosas para a causa da verdade, e viemos a compreender que Deus não nos dera Seu espírito por medida. Não fossem essas provas especiais do amor de Deus, não houvesse Ele, dessa maneira, pela manifestação de Seu Espírito, aposto Seu selo à verdade, e poderíamos ter desanimado. Mas essas provas da direção divina, essas vívidas experiências nas coisas de Deus, fortaleceram-nos para ferirmos corajosamente as batalhas do Senhor. Os crentes puderam mais claramente discernir como Deus lhes havia apontado o caminho, guiando-os por entre provações, desapontamentos e terríveis conflitos. Tornavam-se mais fortes à medida que encontravam e venciam obstáculos, e adquiriam uma rica experiência a cada passo que avançavam.
Lições do Passado
Em anos seguintes, foi-me mostrado que as falsas teorias insinuadas no passado, de maneira alguma surgiram em vão. Em havendo oportunidades favoráveis, elas reaparecerão. Não nos esqueçamos de que tudo que puder ser abalado, sê-lo-á. Com algumas pessoas o inimigo será bem-sucedido ao subverter a fé, mas os que forem fiéis aos princípios, não serão abalados. Permanecerão firmes por entre provações e tentações. O Senhor indicou esses erros; e os que não discernirem onde Satanás entra continuarão a ser levados por falsos caminhos. Jesus nos ordena ser vigilantes, e confirmar os restantes, que estão para morrer.
Não devemos entrar em controvérsia com os que mantêm falsas teorias. A discussão não traz proveito. Cristo nunca a entreteve. "Está escrito" (Luc. 4:8) - era a arma usada pelo Redentor do mundo. Conservemo-nos ligados à Palavra. Deixemos que o Senhor Jesus e Seus mensageiros testifiquem. Sabemos que o testemunho deles é verdadeiro.
Cristo preside todas as obras de Sua criação. Na coluna de fogo Ele guiava os filhos de Israel, vendo os Seus olhos o passado, o presente e o futuro. Ele deve ser reconhecido e honrado por todos os que amam a Deus. Seus mandamentos devem ser a força dirigente na vida de Seu povo.
O tentador vem com a insinuação de que Cristo removeu a sede de Seu trono e poder para alguma região desconhecida, e que os homens não mais necessitam de ser incomodados com exaltar-Lhe o caráter e obedecer à Sua lei. Os seres humanos devem ser uma lei para si mesmos, declara ele. Esses enganos exaltam o eu e anulam a Deus. Destroem as restrições e o governo moral na família humana. As restrições ao vício enfraquecem mais e mais. O mundo não ama nem teme a Deus. E os que não amam nem temem a Deus logo perdem todo o senso da obrigação de uns para com os outros. Estão sem Deus e sem esperança no mundo.
Os ensinadores que não põem diariamente a Palavra de Deus em contato com o trabalho de sua vida estão em grande perigo. Não possuem de Deus ou de Cristo um conhecimento tal que possa salvar. Aqueles que não vivem a verdade são os que mais propensos se acham a inventar enganos para ocupar o tempo e absorver a atenção que deveriam ser empregados no estudo da Palavra de Deus. Terrível erro é para nós negligenciarmos o estudo da Bíblia, e estudarmos teorias que desorientam, desviando a mente das palavras de Cristo para as falácias de origem humana.
Não precisamos de nenhum ensino imaginoso no tocante à personalidade de Deus. O que Deus deseja que conheçamos a Seu respeito está revelado em Sua Palavra e em Suas obras. As belas coisas da natureza revelam o Seu caráter e poder criador. São a Sua dádiva à raça humana a fim de mostrar o Seu poder, e mostrar que Ele é um Deus de amor. Mas ninguém está autorizado a dizer que Deus mesmo esteja em pessoa na flor, na folha ou na árvore. Estas coisas são obra de Deus e revelam Seu amor à humanidade.
Cristo é a perfeita revelação de Deus. Aqueles que desejam conhecer a Deus, estudem a obra e os ensinos de Cristo. Àqueles que O recebem e nele crêem, Ele dá o poder de serem feitos filhos de Deus.