5.7.10

A VERDADE PRESENTE

Bem disse Charles C.Cotton: “O maior inimigo da verdade é o tempo; a sua grande inimiga é o preconceito; e a sua constante companheira é a humildade.”
1. O que é a verdade?
Rª. “Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade.” João 17:17
Nota: Gr. hagiázõ, “considerar santo”, “apartar para fins sagrados”. Os discípulos deviam ser consagrados para cumprir a tarefa que lhes seria confiada por Cristo. A santidade é um dos atributos de Deus (1ª Ped. 1:16). Portanto, desejar ser apartado para fins sagrados, é desejar entrar no plano de Deus, não só ser salvo ma meio pelo qual Deus salvará outros.
A verdade. Há uma definição da verdade (8:32). A Palavra de Deus é declarada a “verdade”. As Escrituras revelam o carácter de Deus e de Jesus Cristo. Estas verdades da Palavra de Deus são incorporadas no nosso viver fazendo parte da nossa vida.
2. A que conhecimento que Deus que cheguem todos os homens?
Rª. “O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” 1ª Timóteo 2:4
3. Como deve a verdade sempre ser acariciada?
Rª. “Compra a verdade, e não a vendas; sim, a sabedoria, a disciplina, e o entendimento.” Provérbios 23:23
Nota: “compra a verdade”. A verdade é um tesouro que se deve adquirir sem olhar o preço, e dela nunca devemos desistir. A capacidade de ver claramente a aplicação dos princípios da verdade na vida, exige estudo e atenção diligente, bem como uma boa disposição para reconheceres os erros. Quanto mais se aproxima uma pessoa do Salvador e mais estuda a Palavra de Deus, tanto melhor compreende a verdadeira natureza das coisas. Se o egoísmo se introduz no coração de imediato os olhos ficam nublados para as realidades e o fim é o obter vantagens temporais, vende-se a verdade; e o que a vende, fica em perigo. Permite-se um espírito de auto-desculpa e de comiseração, o momento chega quando se perde a compreensão do valor da verdade, e a consequência é a perdição. Poucos se dão conta do perigo em mentir-se a si próprio (entrar na permissividade) e o baixo preço com que vendem a verdade e a vida eterna.
4. Reconhece a Bíblia o que se pode chamar a “verdade presente”?
Rª. “Pelo que estarei sempre pronto para vos lembrar estas coisas, ainda que as saibais, e estejais confirmados na verdade presente.” 2ª Pedro 1:12
Nota: ou “a verdade que está presente (em vós); quer dizer, a verdade que foi ensinada aos leitores de Pedro. A ”verdade” (alêtheia) refere-se a todo o conjunto de ensinamentos cristãos nos quais os crentes tinham sido ensinados e que conheciam (João 8:32).
Tais verdades são aplicáveis em todas as eras, e são portanto presente verdade para toda a geração; outras são de carácter especial, e aplicam-se unicamente a uma geração. Não são, no entanto, de modo nenhum menos importantes por esse motivo; pois da sua aceitação ou rejeição depende para as pessoas dessa época o salvarem-se ou perderem-se. Desta espécie era a mensagem de Noé, de um dilúvio por vir. Para a geração a quem foi pregada, aquela mensagem era verdade presente; para as gerações posteriores, ela tem sido verdade passada, e não uma mensagem actual, probante. Semelhantemente, houvesse a mensagem do primeiro advento de João Baptista, de que o Messias estava às portas, sido proclamada uma geração antes ou depois do tempo de João, e não teria sido aplicável – não teria sido verdade presente. O povo da geração anterior não teria vivido para ver-lhe o cumprimento, e para os que vivessem depois teria sido fora de lugar. Não é assim com as verdades gerais, como o amor, a fé, a esperança, o arrependimento, a obediência, a justiça e a misericórdia. Estas são sempre oportunas, e de carácter salvador. As presentes verdades, no entanto, incluem sempre todas essas, sendo assim de carácter salvador, e de importância vital.
5. Verdades presentes.
Textos: Génesis 6:13,14; Hebreus 11:7; 1ª Pedro 3:20; Jonas 3:3-4; João 1:6,7,23.
• Que disse Cristo dos que rejeitaram a mensagem de João: “E todo o povo que o ouviu, e até os publicanos, reconheceram a justiça de Deus, recebendo o batismo de João. Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus quando a si mesmos, não sendo batizados por ele.” Lucas 7:29,30.
• Nota: Isto é, honraram a Deus por esse acto (v.29), que mostrava fé na verdade divina para aquele tempo.
6. O povo escolhido de Deus recebeu a Cristo, quando Este veio ao mundo?
Rª. “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” João 1:11 (João 9:29).
7. Deverá haver uma mensagem especial para os últimos dias?
Rª. “Por isso ficai também vós apercebidos; porque numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem. Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o senhor pôs sobre os seus serviçais, para a tempo dar-lhes o sustento? Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar assim fazendo.” Mateus 24:44-46
Nota: Nos últimos dias sairá uma mensagem que será “sustento a seu tempo” para o povo. Ela deve ser a advertência quanto à próxima vinda do Senhor, e a preparação necessária para com Ele se encontrar. A vinda de Cristo em glória tem sido a esperança dos fiéis de todos os séculos.
Lutero declarou: “Estou persuadido de que o dia do juízo não tardará nem trezentos anos. Deus não há de, não pode sofrer por muito mais tempo este mundo ímpio. Aproxima-se o grande dia em que será subvertido o reino das abominações.”
8. Qual será o tema principal da finam mensagem evangélica?
Rª. “Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas. Um segundo anjo o seguiu, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição. Seguiu-os ainda um terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na fronte, ou na mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se acha preparado sem mistura, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.” Apocalipse 14:7-10
9. Como são descritos os que aceitam essa mensagem?
Rª. “Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” Apocalipse 14:12.
10. Com que zelo deve essa obra levada avante?
Rª. “Respondeu o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e obriga-os a entrar, para que a minha casa se encha.” Lucas 14:23
Conclusão: Esta obra está a ser no presente executada. Em toda a parte do mundo ouve-se o som dessa mensagem final, e o povo está a ser instado a aceitá-la, e a preparar-se para a vinda e o reino de Cristo.
Quer fazer parte deste povo? Tome a sua decisão e comece como Noé a construir sobre a Verdade Presente.

2.7.10

O AMOR DE DEUS POR SEU POVO

Vi o terno amor que Deus tem por Seu povo, e é muito grande. Vi anjos com as asas estendidas sobre os santos. Cada santo tinha um anjo de guarda. Se os santos choravam de desânimo, ou estavam em perigo, os anjos que sempre os assistiam, voavam rapidamente para cima a fim de levar as novas; e os anjos na cidade cessavam de cantar. Então Jesus comissionava outro anjo para descer a fim de animá-los, vigiar sobre eles e procurar impedi-los de abandonar o caminho estreito, mas se não davam atenção ao cuidado vigilante dos anjos e não queriam ser por eles consolados, antes continuavam a se desgarrar, os anjos pareciam ficar tristes e choravam. Levavam as notícias para cima, e todos os anjos na cidade choravam, e então com grande voz diziam: "Amém." Se, porém, os santos fixavam os olhares no prêmio que diante deles estava e glorificavam a Deus, louvando-O, então os anjos levavam as alegres novas à cidade, e os outros que ali estavam tocavam suas harpas de ouro e cantavam em alta voz: "Aleluia", e as abóbadas celestiais ressoavam com seus belos cânticos.
Há perfeita ordem e harmonia na cidade santa. Todos os anjos comissionados para visitar a Terra levam um cartão de ouro e, ao entrarem e saírem, apresentam-no aos anjos que ficam às portas da cidade. O Céu é um lugar agradável. Anseio estar ali, e contemplar meu amorável Jesus, que por mim deu Sua vida, e achar-me transformada à Sua imagem gloriosa. Oh, quem me dera possuir linguagem para exprimir as glórias do resplandecente mundo vindouro! Estou sedenta das águas vivas que alegram a cidade de nosso Deus.
O Senhor me proporcionou uma vista de outros mundos. Foram-me dadas asas, e um anjo me acompanhou da cidade a um lugar fulgurante e glorioso. A relva era de um verde vivo, e os pássaros gorjeavam ali cânticos suaves. Os habitantes do lugar eram de todas as estaturas; nobres, majestosos e formosos. Ostentavam a expressa imagem de Jesus, e seu semblante irradiava santa alegria, que era uma expressão da liberdade e felicidade do lugar. Perguntei a um deles por que eram muito mais formosos que os da Terra. A resposta foi:
- Vivemos em estrita obediência aos mandamentos de Deus, e não caímos em desobediência, como os habitantes da Terra.
Vi então duas árvores. Uma se assemelhava muito à árvore da vida, existente na cidade. O fruto de ambas tinha belo aspecto, mas o de uma delas não era permitido comer. Tinham a faculdade de comer de ambas, mas era-lhes vedado comer de uma. Então meu anjo assistente me disse:
- Ninguém aqui provou da árvore proibida; se, porém, comessem, cairiam.
Então fui levada a um mundo que tinha sete luas. Vi ali o bom e velho Enoque que tinha sido trasladado. Em sua destra havia uma palma resplendente, e em cada folha estava escrito: "Vitória." Pendia-lhe da cabeça uma grinalda branca, deslumbrante, com folhas, e no meio de cada folha estava escrito: "Pureza", e em redor da grinalda havia pedras de várias cores que resplandeciam mais do que as estrelas, e lançavam um reflexo sobre as letras, aumentando-lhes o volume. Na parte posterior da cabeça havia um arco em que rematava a grinalda, e nele estava escrito: "Santidade." Sobre a grinalda havia uma linda coroa que brilhava mais do que o Sol. Perguntei-lhe se este era o lugar para onde fora transportado da Terra. Ele disse:
- Não é; minha morada é na cidade, e eu vim visitar este lugar.
Ele percorria o lugar como se realmente estivesse em sua casa. Pedi ao meu anjo assistente que me deixasse ficar ali. Não podia suportar o pensamento de voltar a este mundo tenebroso. Disse então o anjo:
- Deves voltar e, se fores fiel, juntamente com os 144.000 terás o privilégio de visitar todos os mundos e ver a obra das mãos de Deus.

28.6.10

O SELAMENTO

Ao principiar o santo sábado, 5 de janeiro de 1849, entregamo-nos à oração com a família do irmão Belden, em Rocky Hill, Connecticut, e o Espírito Santo desceu sobre nós. Fui levada em visão para o lugar santíssimo, onde vi Jesus ainda intercedendo por Israel. Na extremidade inferior de Suas vestes havia uma campainha e uma romã, uma campainha e uma romã. Vi então que Jesus não abandonaria o lugar santíssimo sem que cada caso fosse decidido, ou para a salvação ou para a destruição; e que a ira de Deus não poderia manifestar-se sem que Jesus concluísse Sua obra no lugar santíssimo, depusesse Suas roupas sacerdotais, e Se vestisse com vestes de vingança.
Então Jesus sairá de entre o Pai e os homens, e Deus não mais silenciará, mas derramará Sua ira sobre aqueles que rejeitaram Sua verdade. Vi que a ira das nações, a ira de Deus, e o tempo de julgar os mortos eram acontecimentos separados e distintos, seguindo-se um ao outro; outrossim, que Miguel não Se levantara e que o tempo de angústia, tal como nunca houve, ainda não começara. As nações estão-se irando agora, mas, quando nosso Sumo Sacerdote concluir Sua obra no santuário, Ele Se levantará, envergará as vestes de vingança, e então as sete últimas pragas serão derramadas.
Vi que os quatro anjos segurariam os quatro ventos até que a obra de Jesus estivesse terminada no santuário, e então viriam as sete últimas pragas. Essas pragas enfureceram os ímpios contra os justos, pois pensavam que nós havíamos trazido os juízos de Deus sobre eles, e que, se pudessem livrar a Terra de nós, as pragas cessariam.
Saiu um decreto para se matar os santos, o que fez com que esses clamassem dia e noite por livramento. Esse foi o tempo da angústia de Jacó. Gên. 32. Então todos os santos clamaram com angústia de espírito, e alcançaram livramento pela voz de Deus. Os cento e quarenta e quatro mil triunfaram. Sua face se iluminou com a glória de Deus.
Foi-me mostrada então uma multidão que ululava em agonia. Em suas vestes estava escrito em grandes letras: "Pesado foste na balança, e foste achado em falta." Dan. 5:27. Perguntei quem era aquela multidão. O anjo disse: "Estes são os que já guardaram o sábado e o abandonaram." Ouvi-os clamar com grande voz: "Acreditamos em Tua vinda e a ensinamos com ardor." E enquanto falavam, seus olhares caíam sobre suas vestes, viam a escrita e então choravam em alta voz. Vi que eles haviam bebido de águas profundas, e enlameado o resto com os pés - pisando o sábado a pés; e por isso foram pesados na balança e achados em falta.
Então meu anjo assistente me reconduziu à cidade, onde vi quatro anjos voando em direção à porta. Estavam precisamente a apresentar o cartão de ouro ao anjo que estava à porta, quando vi outro anjo voar rapidamente, vindo da direção em que se encontrava a mais excelsa glória, e clamar com grande voz aos outros anjos, agitando para cima e para baixo alguma coisa que tinha na mão. Pedi ao meu anjo assistente explicação do que via. Disse-me que nada mais poderia ver então, mas em breve ele me mostraria o que significavam as coisas que então vi.
Sábado à tarde, um dentre o nosso grupo ficou doente, e pediu orações para ser curado. Unimo-nos em rogos ao Médico que jamais perdeu um caso e, enquanto o poder curador descia, e o enfermo sarava, o Espírito desceu sobre mim, e fui arrebatada em visão.
Vi quatro anjos que tinham uma obra a fazer na Terra, e estavam em vias de cumpri-la. Jesus estava vestido com trajes sacerdotais. Ele olhou compassivamente para os remanescentes, levantou então as mãos, e com voz de profunda compaixão, exclamou: "Meu sangue, Pai, Meu sangue! Meu sangue! Meu sangue!" Vi então que, de Deus, que estava sentado sobre o grande trono branco, saía uma luz extraordinariamente brilhante e derramava-se em redor de Jesus. Vi a seguir um anjo com uma missão da parte de Jesus, voando rapidamente aos quatro anjos que tinham a obra a fazer na Terra, agitando para cima e para baixo alguma coisa que tinha na mão, e clamando com grande voz: "Segurai! Segurai! Segurai! Segurai! até que os servos de Deus sejam selados na fronte!"
Perguntei ao meu anjo assistente o sentido do que eu ouvia, e que iriam fazer os quatro anjos. Ele me disse que era Deus quem restringia os poderes, e incumbira os Seus anjos de tudo quanto se relacionava com a Terra; que os quatro anjos tinham poder da parte de Deus para reter os quatro ventos, e estavam já prestes a soltá-los. Mas enquanto se lhes afrouxavam as mãos e os quatro ventos estavam para soprar, os olhos misericordiosos de Jesus contemplaram os remanescentes que não estavam selados e, erguendo as mãos ao Pai, alegou que havia derramado Seu sangue por eles. Então outro anjo recebeu ordem para voar velozmente aos outros quatro e mandar-lhes reter os ventos até que os servos de Deus fossem selados na fronte com o selo do Deus vivo.

25.6.10

A PROVA DA NOSSA FÉ

Nesta época de provação precisamos animar-nos e confortar-nos mutuamente. As tentações de Satanás são maiores agora do que nunca, pois ele sabe que o seu tempo é curto, e que muito breve todos os casos estarão decididos, ou para a vida ou para a morte. Não é tempo de nos deixarmos vencer pelo desânimo nem de sucumbir sob as provações; devemos sobrepor-nos a todas as nossas aflições, e confiar inteiramente no todo- poderoso Deus de Jacó. O Senhor me mostrou que Sua graça é suficiente em todas as nossas provações; e conquanto sejam maiores do que nunca antes, podemos todavia vencer toda tentação, se retivermos absoluta confiança em Deus, e pela Sua graça sairemos vitoriosos.
Se vencemos as provações e ganhamos a vitória sobre as tentações de Satanás, suportamos então a prova de nossa fé que é mais preciosa do que o ouro, e nos achamos mais fortes e mais bem preparados para enfrentar a provação seguinte. Mas se desanimamos e cedemos às tentações de Satanás, ficaremos mais fracos, não alcançaremos recompensa pela prova, nem estaremos tão bem preparados para a próxima. Dessa maneira tornar-nos-emos cada vez mais fracos, até que sejamos levados em cativeiro por Satanás, à sua vontade.
Devemos estar revestidos de toda a armadura de Deus, e prontos cada momento para suster conflito com os poderes das trevas. Quando nos assaltarem tentações e provações, vamos a Deus, e com verdadeira agonia de alma oremos a Ele. Não nos despedirá Ele vazios, mas nos dará graça e força para vencer e quebrar o poder do inimigo. Oh! oxalá todos pudessem ver estas coisas na sua verdadeira luz, e suportar as dificuldades como bons soldados de Cristo! Então Israel avançaria, forte em Deus, na força de Seu poder.
Deus me mostrou haver Ele dado ao Seu povo uma taça amarga a beber, a fim de os purificar e limpar. E um amargo gole, e eles o podem tornar ainda mais amargo murmurando, queixando-se e amofinando-se. Aqueles, porém, que o recebem assim, precisam de outro trago pois o primeiro não produz sobre o coração o efeito que lhe era destinado. E se o segundo não efetua o trabalho precisarão então de outro, e outro, até que haja produzido o devido efeito, ou serão eles deixados sujos e impuros de coração. Vi que esta amarga taça pode ser adoçada pela paciência, perseverança e oração, e que terá o visado efeito sobre o coração daqueles que assim a recebem, e Deus será honrado e glorificado.
Não é coisa insignificante ser cristão, de propriedade divina e por Deus aprovado. O Senhor me mostrou alguns que professam a verdade presente, cuja vida não corresponde à sua profissão. Têm norma de piedade muito baixa, e estão longe da santidade recomendada na Bíblia. Alguns se entretêm em conversação vã e indecorosa, e outros dão lugar a imposições do eu. Não devemos esperar agradar a nós mesmos, viver e agir como o mundo, ter seus prazeres, apreciar a companhia dos que são do mundo, e reinar com Cristo em glória.
Devemos ser participantes dos sofrimentos de Cristo aqui, se queremos participar de Sua glória no além. Se procuramos nosso próprio interesse, ou como podemos melhor agradar a nós mesmos, em vez de buscar agradar a Deus e fazer avançar Sua preciosa e sofredora causa, desonramo-Lo e a essa santa causa que professamos amar. Não temos senão um pequeno espaço de tempo no qual trabalhar por Deus. Nada deveria ser demasiado caro para ser sacrificado pela salvação do desgarrado e quebrantado rebanho de Jesus. Aqueles que fazem hoje um concerto com Deus em sacrifício, logo serão recebidos a fim de participar de uma rica recompensa, e possuir o novo reino para todo o sempre.
Oh! Vivamos inteiramente para o Senhor, e, por vida bem ordenada e por conversa piedosa, mostremos que estivemos com Jesus, e somos Seus seguidores mansos e humildes. Devemos trabalhar enquanto é dia, pois quando vier a escura noite da perturbação e angústia, será demasiado tarde para trabalhar para Deus. Jesus está em Seu santo templo, e agora aceita nossos sacrifícios, orações e confissões de faltas e pecados, e perdoará todas as transgressões de Israel, para que sejam apagadas antes que Ele saia do santuário. Quando Jesus sair do santuário, os que são santos e justos serão santos e justos ainda; pois todos os seus pecados estarão apagados, e eles selados com o selo do Deus vivo. Mas aqueles que forem injustos e sujos serão injustos e sujos ainda; pois não haverá então sacerdote no santuário para apresentar seus sacrifícios, confissões e orações perante o trono do Pai. Portanto, o que se há de fazer para livrar as almas da tormenta vindoura da ira, deve ser feito antes que Jesus saia do lugar santíssimo do santuário celestial.

16.6.10

AO PEQUENO REBANHO

Caros irmãos: Em 26 de janeiro de 1850, o Senhor me deu uma visão que vou relatar. Vi que alguns dentre o povo de Deus são obtusos e sonolentos, meio despertos; sem compreenderem o tempo em que vivemos; e outros estão em perigo de serem varridos. Pedi a Jesus que os salvasse, que os poupasse um pouco mais e lhes deixasse ver seu temível perigo, para que pudessem aprontar-se antes que fosse para sempre tarde demais. Disse o anjo: "A destruição vem chegando como um redemoinho." Pedi ao anjo que se compadecesse daqueles que amavam este mundo, que estavam presos às suas posses, e não se dispunham a desembaraçar-se delas e sacrificar-se a fim de acelerar os mensageiros para que alimentem as ovelhas famintas que estão perecendo por falta de alimento espiritual, e as salvasse.
Quando vi pobres almas perecendo por falta da verdade presente, e alguns que apesar de professar nela crer, deixavam-nas morrer porque retinham os meios necessários para levar avante a obra de Deus, foi-me dolorosíssimo este quadro, e pedi ao anjo que o afastasse de mim. Vi que quando a causa de Deus exigia de alguns parte de seus haveres, como o mancebo que fora ter com Jesus (Mat. 19:16-22), ficaram tristes; e que logo o flagelo iminente passaria e lhes arrebataria todas as possessões, e então seria demasiado tarde para sacrificar bens terrestres e acumular tesouros no Céu.
Vi então o glorioso Redentor, formoso e adorável; vi que havia deixado o reino da glória e viera a este tenebroso e solitário mundo para dar Sua vida preciosa e morrer, na qualidade de justo em prol dos injustos. Suportou cruéis escárnios e açoites, levou sobre Si a coroa de espinhos, e no jardim verteu grandes gotas de sangue enquanto o fardo dos pecados do mundo todo estava sobre Ele. O anjo perguntou: "Por que isso?" Oh! eu vi e compreendi que foi por nós; por nossos pecados Ele sofreu tudo isso, para que por Seu precioso sangue pudesse remir-nos para Deus.
Foram-me então de novo apresentados aqueles que não se dispunham a sacrificar bens deste mundo a fim de salvar as almas que pereciam, enviando a eles a verdade enquanto Jesus permanece diante do Pai alegando por eles Seu sangue, sofrimentos e morte, e enquanto os mensageiros de Deus estão esperando, prontos para levar-lhes a verdade salvadora a fim de que possam ser seladas com o selo do Deus vivo. Para alguns que professam crer na verdade presente, é coisa difícil fazer tão pouco como seja passar às mãos dos mensageiros o dinheiro que realmente pertence a Deus e que Ele lhes entregou para o administrarem.
Novamente me foi apresentado o sofredor e paciente Jesus, cujo amor tão profundo O levou a dar a vida pelo homem. Também vi o procedimento daqueles que professavam ser Seus seguidores. Eles tinham bens deste mundo mas consideravam coisa demasiado grande ajudar a causa da salvação. O anjo perguntou: "Podem estes entrar no Céu?" Outro anjo respondeu: "Não; nunca, nunca, nunca! Os que não se interessam pela causa de Deus na Terra jamais poderão cantar no Céu o cântico do amor redentor." Vi que a rápida obra que Deus estava fazendo na Terra logo seria abreviada em justiça, e que os mensageiros devem rapidamente ir em busca do rebanho disperso.
Começou a forte sacudidura e continuará, e todos os que não estiverem dispostos a assumir posição ousada e tenaz em prol da verdade, e a sacrificar-se por Deus e por Sua causa, serão joeirados. O anjo disse: "Achas que alguém será forçado a fazer sacrifícios? Não, absolutamente. Deverá ser uma oferta voluntária. Será preciso tudo para comprar o campo." Clamei a Deus para poupar a Seu povo, dentre o qual alguns estavam desfalecentes e moribundos. Vi então que os juízos do Todo- poderoso estavam para vir rapidamente, e roguei ao anjo que falasse ao povo em sua linguagem. Disse ele: "Todos os trovões e relâmpagos do monte Sinai não moveriam aqueles que não hajam de mover-se pelas claras verdades da Palavra de Deus; tampouco os despertaria a mensagem de um anjo."
Contemplei então a beleza e a formosura de Jesus. Suas vestes eram mais brancas do que o mais puro branco. Nenhuma linguagem pode descrever-Lhe a glória e exaltada formosura. Todos, quantos guardarem os mandamentos de Deus, entrarão na cidade pelas portas, e terão direito à árvore da vida, e sempre estarão na presença de Jesus, cujo semblante resplandece mais do que o Sol ao meio-dia.
Foi-me chamada a atenção para Adão e Eva no Éden. Participaram da árvore proibida e foram expulsos do jardim; e então foi colocada a espada inflamada em redor da árvore da vida, para que não participassem de seu fruto e fossem pecadores imortais. A árvore da vida destinava-se a perpetuar a imortalidade. Ouvi um anjo perguntar: "Quem, da família de Adão, passou pela espada inflamada, e participou da árvore da vida?" Ouvi outro anjo responder: "Ninguém da família de Adão passou pela espada inflamada e participou daquela árvore; não há, portanto, nenhum pecador imortal. A alma que pecar, morrerá morte eterna, morte esta que durará sempre, de que não haverá esperança de ressurreição; e então a ira de Deus se aplacará.
"Os santos descansarão na santa cidade, e reinarão como reis e sacerdotes durante mil anos; então Jesus descerá com os santos sobre o Monte das Oliveiras, que se partirá ao meio, e se transformará numa grande planície, para nela se estabelecer o Paraíso divino.
O resto da Terra não será purificado antes do final dos mil anos, ocasião em que os ímpios mortos ressuscitarão e se reunirão em torno da cidade. Os pés dos ímpios nunca profanarão a Terra renovada. De Deus descerá fogo do céu e os devorará; queimá-los-á, sem lhes deixar raiz nem ramo. Satanás é a raiz, e seus filhos são os ramos. O mesmo fogo que devorar os ímpios purificará a Terra."

6.6.10

PREPARAÇÃO PARA O FIM

O Senhor mostrou que grande obra devia ser feita por Seu povo antes que este estivesse em condições de estar em pé para a batalha no dia do Senhor. Minha atenção foi dirigida para aqueles que se declaram adventistas, mas rejeitam a verdade presente, e vi que se estavam fragmentando e que a mão do Senhor estava em seu meio para dividi-los e espalhá-los agora no tempo do ajuntamento, de maneira que as jóias preciosas entre eles, que anteriormente tinham sido enganadas, tenham os seus olhos abertos e vejam o seu verdadeiro estado. E agora quando a verdade é-lhes apresentada pelos mensageiros do Senhor, estão preparados para ouvi-la e ver sua beleza e harmonia, e deixar suas relações e erros anteriores, abraçar a preciosa verdade e permanecer onde possa definir sua posição.
Vi que os que se opõem ao sábado do Senhor não podiam tomar a Bíblia e mostrar que sua posição é correta; portanto difamariam os que crêem e ensinam a verdade e atacariam o seu caráter. Muitos que foram uma vez conscienciosos e amaram a Deus e Sua Palavra têm-se tornado tão endurecidos pela rejeição da luz da verdade que não hesitam em impiamente desfigurar e falsamente acusar os que amam o santo sábado, desde que assim fazendo possam anular a influência dos que corajosamente afirmam a verdade. Mas essas coisas não impedirão a obra de Deus. Na verdade, esta conduta seguida pelos que odeiam a verdade será precisamente o meio de abrir os olhos de alguns. Cada jóia será separada e reunida, pois a mão do Senhor está estendida para reaver o remanescente de Seu povo, e Ele completará a obra gloriosamente.
Nós que cremos na verdade devemos ser muito cuidadosos para não dar ocasião de falarem mal de nossas virtudes. Devemos ter certeza de que todo passo que dermos esteja de conformidade com a Bíblia, pois aqueles que odeiam os mandamentos de Deus triunfarão sobre nossos erros e faltas, como o fizeram os ímpios em 1843.
A 14 de maio de 1851, vi a beleza e formosura de Jesus. Contemplando Sua glória, não me ocorreu o pensamento de que eu devesse separar-me de Sua presença. Vi uma luz provinda da glória que rodeava o Pai, e ao aproximar-se ela de mim, meu corpo tremeu e agitou-se como uma folha. Pensei que, se ela se aproximasse de mim, eu deixaria de existir; mas a luz passou por mim. Então pude ter alguma percepção do grande e maravilhoso Deus com que temos de tratar. Podia ver agora que vaga compreensão alguns têm da santidade de Deus, e quanto tomam em vão o Seu santo e reverendo nome, sem se compenetrarem de que é de Deus, o grande e poderoso Deus, que estão falando. Ao orarem, muitos usam expressões descuidosas e irreverentes, que ofendem o terno Espírito do Senhor, e fazem com que suas petições não cheguem ao Céu.
Vi também que muitos não compreendem o que devem ser a fim de viverem à vista do Senhor sem um sumo sacerdote no santuário, durante o tempo de angústia. Os que hão de receber o selo do Deus vivo, e ser protegidos, no tempo de angústia, devem refletir completamente a imagem de Jesus.
Vi que muitos negligenciavam a preparação tão necessária, esperando que o tempo do "refrigério" e da "chuva serôdia" os habilitasse para estar em pé no dia do Senhor, e viver à Sua vista. Oh, quantos vi eu no tempo de angústia sem abrigo! Haviam negligenciado a necessária preparação, e portanto não podiam receber o refrigério que todos precisam ter para os habilitar a viver à vista de um Deus santo. Os que recusam ser talhados pelos profetas, e deixam de purificar o espírito na obediência da verdade toda, e se dispõe a crer que seu estado é muito melhor do que realmente é, chegarão ao tempo em que as pragas cairão, e verão que necessitam ser esculpidos e preparados para a edificação. Não haverá, porém, tempo para o fazer, e nem Mediador para pleitear sua causa perante o Pai. Antes desse tempo sairá a declaração terrivelmente solene de que: "Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda." Apoc. 22:11. Vi que ninguém poderia participar do "refrigério" a menos que obtivesse a vitória sobre toda tentação, orgulho, egoísmo, amor ao mundo, e sobre toda má palavra e ação. Deveríamos, portanto, estar-nos aproximando mais e mais do Senhor, e achar-nos fervorosamente à procura daquela preparação necessária para nos habilitar a estar em pé na batalha do dia do Senhor. Lembrem todos que Deus é santo, e que unicamente entes santos poderão morar em Sua presença.

31.5.10

O SANTUÁRIO CELESTIAL

Em uma reunião realizada no sábado, 3 de abril de 1847, em casa do irmão Stockbridge Howland, sentimos um extraordinário espírito de oração. Enquanto orávamos, o Espírito Santo desceu sobre nós. Sentíamo-nos muito felizes. Logo fiquei inconsciente quanto às coisas terrestres e fui envolta em visão da glória de Deus.
Vi um anjo voando rapidamente em direção a mim. Em pouquíssimo tempo, me levou da Terra à santa cidade. Ali vi um templo, em que entrei. Passei por uma porta antes de chegar ao primeiro véu. Levantou-se esse e passei para o lugar santo. Ali vi o altar de incenso, o castiçal com sete lâmpadas, a mesa sobre que estavam os pães da proposição. Depois de ver a glória do lugar santo, Jesus levantou o segundo véu, e passei para o santo dos santos.
No lugar santíssimo vi uma arca, cujo cimo e lados eram de ouro puríssimo. Em cada uma de suas extremidades estava um lindo querubim, com as asas estendidas sobre ela. Tinham o rosto voltado um para o outro, e olhavam para baixo. Entre os anjos havia um incensário de ouro. Por cima da arca, onde os anjos estavam, havia uma glória extraordinariamente fulgurante, com a aparência de um trono em que Deus habitava. Jesus ficou ao lado da arca e, ao ascenderem para Ele as orações dos santos, o incenso ardia e, com o incenso, Ele oferecia as orações a Seu Pai.
Na arca estava o vaso de ouro que continha o maná, a vara florida de Arão, e as tábuas de pedra que se dobravam como um livro. Jesus as abriu e vi os Dez Mandamentos, nelas escritos com o dedo de Deus. Em uma tábua havia quatro, e na outra seis. Os quatro na primeira tábua brilhavam mais do que
os outros seis. Mas o quarto, o mandamento do sábado, resplandecia mais do que todos, pois o sábado foi separado para ser guardado em honra ao santo nome de Deus. O santo sábado resplandecia, circundado de uma auréola de glória. Vi que o mandamento do sábado não fora pregado na cruz. Se assim fosse, os outros nove mandamentos teriam sido também, e teríamos a liberdade de violá-los todos, assim como violamos o quarto. Vi que Deus não havia mudado o sábado, pois Ele nunca muda. Mas o papa o mudara, do sétimo para o primeiro dia da semana; pois intentara mudar os tempos e a lei.
Vi que, se Deus houvesse mudado o sábado, do sétimo para o primeiro dia, teria mudado a inscrição do mandamento do sábado, gravada nas tábuas de pedra, que agora estão na arca, no lugar santíssimo do templo celestial; e assim estaria redigido: O primeiro dia é o sábado do Senhor teu Deus. Vi, porém, que os seus dizeres eram os mesmos que quando, pelo dedo de Deus, foram escritos nas tábuas de pedra entregues a Moisés, no Sinai: "Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus." Gên. 20:10. Vi que o santo sábado é e será o muro de separação entre o verdadeiro Israel de Deus e os incrédulos; e é a instituição mais apropriada para unir os corações dos queridos e expectantes santos de Deus.
Vi que Deus tem filhos que não vêem nem guardam o sábado. Não rejeitaram a luz a ele concernente. E, no começo do tempo de angústia, ficamos cheios do Espírito Santo quando saímos e de maneira mais ampla proclamamos o sábado. Isso enraiveceu as igrejas e os adventistas nominais, pois não podiam refutar a verdade do sábado. E nessa ocasião todos os escolhidos de Deus viram claramente que tínhamos a verdade, e vieram e suportaram a perseguição conosco.
Vi a espada, a fome, a pestilência e grande confusão na Terra. Os ímpios pensaram que havíamos trazido juízo sobre eles, e deliberaram livrar a Terra de nós, julgando que então os males cessariam.
No tempo de angústia todos nós fugimos das cidades e aldeias, mas fomos perseguidos pelos ímpios que com espadas entravam nas casas dos santos. Ao levantarem a espada para matar-nos, ela se quebrava e caía tão impotente como uma palha. Então todos clamamos dia e noite por livramento, e o clamor chegou até Deus.
O Sol apareceu e a Lua se deteve. Os rios deixaram de correr. Nuvens negras e densas apareceram e chocaram-se entre si. Havia, porém, um lugar claro, de uma glória fixa, donde veio a voz de Deus semelhante a muitas águas, a qual abalou os céus e a Terra. O céu abria e fechava-se, em profunda comoção. As montanhas eram sacudidas como caniço ao vento, e lançavam ao redor pedras irregulares. O mar fervia como uma panela, e lançava pedras sobre a terra.
E ao anunciar Deus o dia e a hora da vinda de Jesus, e proclamar o concerto eterno com Seu povo, proferia uma sentença e então silenciava enquanto as palavras rolavam sobre a Terra. O Israel de Deus permanecia com os olhos fixos em cima, ouvindo as palavras que saíam da boca de Jeová e rolavam pela Terra como estrondos dos maiores trovões. Era terrivelmente solene. E no final de cada sentença os santos exclamavam: "Glória! Aleluia!" Tinham o rosto iluminado com a glória de Deus, e resplandecente como o de Moisés, quando desceu do Sinai. Os ímpios não podiam fitá-Lo por causa da glória. E quando a bênção eterna foi pronunciada sobre os que haviam honrado a Deus, santificando o Seu sábado, houve uma enorme aclamação de vitória sobre a besta e sua imagem.
Começou então o jubileu, em que a Terra deveria repousar. Vi o escravo piedoso levantar-se em triunfal vitória, e desvencilhar-se das cadeias que o ligavam, enquanto seu ímpio senhor ficava confundido, sem saber que fazer; pois os ímpios não podiam compreender as palavras da voz de Deus.
Logo apareceu a grande nuvem branca. Pareceu-me mais linda que nunca. Sobre ela estava sentado o Filho de Deus. A princípio não vimos a Jesus na nuvem; mas, aproximando-se ela da Terra, pudemos contemplar Seu belíssimo semblante. Essa nuvem, quando a princípio apareceu, era o sinal do Filho do homem no céu.
A voz do Filho de Deus chamou à vida os santos mortos, que surgiram revestidos de gloriosa imortalidade. Os santos que estavam vivos foram transformados num momento, e com eles foram arrebatados para a carruagem da nuvem. Por todos os lados ela apresentava aspecto resplandecente ao ascender. De cada lado da carruagem havia asas e, debaixo, rodas. Ao subir a carruagem, as rodas clamavam: "Santo"; as asas, movendo-se, clamavam: "Santo"; e o séquito de santos anjos em redor da nuvem, clamava: "Santo, santo, santo, Senhor Deus todo-poderoso!" E os santos na nuvem clamavam: "Glória! Aleluia!" E a carruagem subiu à santa cidade. Jesus abriu as portas da cidade de ouro, e nos fez entrar. Ali fomos bem-vindos, pois havíamos guardado "os mandamentos de Deus" (Apoc. 14:12), e tínhamos "direito à árvore da vida". Apoc. 22:14.

26.5.10

O AMOR DE DEUS POR SUA IGREJA

Testifico aos meus irmãos e irmãs que a Igreja de Cristo, por débil e defeituosa que seja, é o único objeto sobre a Terra a que Ele confere Sua suprema atenção. Enquanto a todos dirige o convite para irem a Ele e serem salvos, comissiona Seus anjos para prestar divino auxílio a toda alma que a Ele se achega com arrependimento e contrição; e, pessoalmente, por meio de Seu Espírito Santo, está no meio de Sua Igreja. "Se Tu, Senhor, observares as iniqüidades, ó Senhor, quem subsistirá? Mas contigo está o perdão, para que sejas temido. Aguardo ao Senhor; a minha alma O aguarda, e espero na Sua Palavra. A minha alma anseia pelo Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã, sim, do que aqueles que esperam pela manhã. Espere Israel no Senhor, porque no Senhor há misericórdia, e nele há abundante redenção. E Ele remirá Israel de todas as suas iniqüidades." Sal. 130:3-8.
Ó ministros e toda a Igreja, sejam estas as expressões que, brotando do coração, correspondam à grande bondade e amor de Deus para conosco, como um povo e a cada um de nós individualmente. "Espere Israel no Senhor, desde agora e para sempre." Sal. 131:3. "Vós que assistis na casa do Senhor, nos átrios da casa do nosso Deus. Louvai ao Senhor, porque o Senhor é bom: cantai louvores ao Seu nome, porque é agradável. Porque o Senhor escolheu para Si a Jacó, e a Israel para Seu tesouro peculiar. Porque eu conheço que o Senhor é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses." Sal. 135:2-5. Considerai, meus irmãos e irmãs, que o Senhor tem um povo, um povo escolhido - a Sua Igreja - para ser Sua propriedade, Sua própria fortaleza, que Ele mantém num mundo contaminado pelo pecado, e rebelde; e determinou que nenhuma autoridade nela se conhecesse, lei alguma fosse por ela reconhecida, a não serem as Suas próprias.
O diabo tem uma grande confederação, que é sua igreja. Cristo a denomina sinagoga de Satanás, porque seus membros são filhos do pecado. Os membros da igreja de Satanás têm estado sempre a trabalhar para inutilizar a lei divina e estabelecer confusão entre o bem e o mal. Satanás trabalha com grande poder nos filhos da desobediência, e por meio deles, a fim de exaltar a traição e a apostasia como se fossem verdade e lealdade. E, na presente época, o poder de sua inspiração satânica está movimentando as forças vivas para promover a grande rebelião contra Deus, iniciada no Céu.
Na época atual, a Igreja precisa vestir suas belas vestes - "Cristo, justiça nossa". Há distinções claras e precisas a serem restauradas e expostas ao mundo, exaltando-se acima de tudo os mandamentos de Deus e a fé de Jesus. A beleza da santidade deve aparecer em seu brilho natural, em contraste com a deformidade e trevas dos que são desleais, daqueles que se revoltam contra a lei de Deus. Assim reconhecem a Deus e à Sua lei - fundamento de Seu governo no Céu e em todos os Seus domínios terrestres. Sua autoridade deve ser conservada distinta e clara perante o mundo; e não ser reconhecida lei alguma que esteja em oposição às leis de Jeová. Se, em desafio às disposições divinas, for permitido ao mundo influenciar nossas decisões ou ações, o propósito de Deus será frustrado. Se a Igreja vacilar aqui, por mais sedutor que seja o pretexto apresentado para tal, contra ela haverá, registrada nos livros do Céu, uma quebra da mais sagrada confiança, uma traição ao reino de Cristo. A Igreja tem que manter seus princípios perante todo o Universo celeste e os reinos deste mundo, de maneira firme e decidida. Uma inabalável fidelidade na manutenção da honra e da santidade da lei de Deus, despertará a atenção e admiração do mundo; e muitos, pelas boas obras que contemplarem, serão levados a glorificar nosso Pai celestial. Os que são leais e verdadeiros, são portadores de credenciais do Céu e não dos potentados da Terra. Todos os homens saberão quem são os escolhidos e fiéis discípulos de Cristo, e os conhecerão quando forem coroados e glorificados como hão de ser os que honraram a Deus, e a quem Ele honrou, tornando-os possuidores de um peso eterno de glória...
O Senhor proveu a Sua Igreja de capacidade e bênçãos, para que apresentasse ao mundo uma imagem de Sua própria suficiência, e nEle se completasse, como uma contínua representação de outro mundo, eterno, onde há leis mais elevadas que as terrestres. Sua Igreja deve ser um templo construído segundo a semelhança divina; e o anjo arquiteto trouxe do Céu a sua vara de ouro para medir a fim de que cada pedra seja lavrada e ajustada pela medida divina, e polida para brilhar como um emblema do Céu irradiando em todas as direções os refulgentes e luminosos raios do Sol da Justiça. A Igreja há de ser alimentada com o maná do Céu e guardada unicamente sob a proteção de Sua graça. Vestida com a completa armadura de luz e justiça, ela entra em seu conflito final. A escória, material imprestável, será consumida, e a influência da verdade testifica ao mundo de seu caráter santificador e enobrecedor. ...
O Senhor Jesus está provando os corações humanos, por meio da concessão de Sua misericórdia e graça abundantes. Está efetuando transformações tão admiráveis que Satanás,  com toda a sua vanglória de triunfo, com toda a sua confederação para o mal, reunida contra Deus e contra as leis de Seu governo, fica a olhá-las como a uma fortaleza, inexpugnável aos seus sofismas e enganos. São para ele um mistério incompreensível. Os anjos de Deus, serafins e querubins, potestades encarregadas de cooperar com as forças humanas, vêem, com admiração e alegria, que homens decaídos, que eram filhos da ira, estejam por meio do ensino de Cristo formando caráter segundo a semelhança divina, para serem filhos e filhas de Deus, e desempenharem um papel importante nas ocupações e prazeres do Céu.
À Sua Igreja deu Cristo amplas possibilidades para que viesse a receber de Sua possessão resgatada e comprada um grande tributo de glórias. A Igreja, revestida da justiça de Cristo, é Sua depositária, na qual as riquezas de Sua misericórdia, amor e graça se hão de por fim revelar plenamente. A declaração que fez em Sua oração intercessória, de que o amor do Pai é tão grande para conosco como para consigo mesmo, na qualidade de Filho unigênito, e que estaremos com Ele onde estiver e que seremos um com Cristo e o Pai, é uma maravilha para o exército celestial, e constitui sua grande alegria. O dom de Seu Espírito Santo, rico, pleno e abundante, deve ser para Sua Igreja semelhante a uma protetora muralha de fogo, contra que não prevalecerão os poderes do inferno. Na imaculada pureza e perfeição de Seu povo, Cristo vê a recompensa de todos os Seus sofrimentos, humilhação e amor, e como suplemento de Sua glória - sendo Ele o grande centro de que irradia toda glória. "Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro." Apoc. 19:9.
Trabalho Missionário
Em 10 de dezembro de 1871 foi-me mostrado que Deus cumpriria uma grande obra por meio da verdade, se homens dedicados e abnegados se consagrassem sem reservas ao trabalho de apresentá-la aos que se acham em trevas. Aqueles que conhecem a preciosa verdade, e se tenham consagrado a Deus, devem aproveitar toda oportunidade que se lhes depare para a apresentação da mesma. Os anjos de Deus estão tocando o coração e a consciência do povo de outras nações, e almas honestas estão perturbadas ao testemunharem os sinais dos tempos manifestos no estado de insegurança entre as nações. Surge-lhes no coração a pergunta: Qual será o fim de todas as coisas? Enquanto Deus e os anjos estão trabalhando para impressionar os corações, os servos de Cristo parecem dormir. Poucos trabalham em uníssono com os mensageiros celestiais.
Se os pastores e o povo estivessem suficientemente despertos, não permaneceriam tão indiferentes, pois Deus os honrou ao fazer deles os depositários de Sua lei, imprimindo-lha na mente e gravando-a no coração. Estas verdades, de vital importância, deverão pôr o mundo a prova; e, não obstante, em nosso próprio país, há cidades e aldeias que jamais ouviram a mensagem de advertência. Os jovens que se sentem tocados pelos apelos feitos para auxiliarem esta grande obra de progresso da causa de Deus, fazem algumas menções de avançar, mas não se preocupam com a obra, o suficiente para realizar o que poderiam fazer.
Se os jovens que começam a trabalhar nesta causa tivessem espírito missionário, dariam prova de que de fato Deus os chamou para trabalhar. Não indo a novos lugares, mas contentando-se em ir de uma igreja para outra, dão mostras de não sentir responsabilidade alguma pela obra. As idéias de nossos jovens pregadores não são suficientemente amplas. Seu zelo é demasiado fraco. Se os jovens estivessem despertos e fossem consagrados ao Senhor, seriam diligentes em cada momento de seu tempo e procurariam habilitar-se para serem obreiros em campos missionários.
Devem os jovens adquirir habilitações, familiarizando-se com outras línguas, para que Deus os possa usar como meio para comunicar Sua verdade salvadora a outras nações. Estes jovens podem obter conhecimento de outras línguas, mesmo quando empenhados no trabalho em prol dos pecadores. Se souberem aproveitar o tempo, poderão cultivar a mente e habilitar-se para maior utilidade. Se as moças que até agora assumiram pequena responsabilidade se dedicassem a Deus, poderiam tornar-se úteis, estudando outras línguas e ocupando-se em traduzir.
Nossas publicações devem ser impressas noutras línguas, para que sejam atingidas as nações estrangeiras. Muito pode ser feito por meio do prelo, porém, mais ainda se poderá cumprir se a influência do trabalho dos pregadores vivos acompanhar as nossas publicações. Necessitam-se missionários para ir a outras nações a fim de pregar a verdade, de maneira prudente e cuidadosa. A causa da verdade presente pode estender-se grandemente pelo esforço pessoal.
Quando as igrejas virem jovens zelosos e capazes para estender seus trabalhos às cidades e aldeias que nunca ouviram a verdade, e missionários prontificando-se para ir levar a verdade a outras nações, elas se animarão e se fortalecerão muito mais do que o seriam pelos labores de jovens inexperientes. Ao verem o coração dos pastores ardendo de zelo e amor à verdade, e do desejo de salvar almas, as igrejas se despertarão. Estas geralmente têm dentro de si mesmas os dons e o poder para abençoar e fortalecer a si próprias, e reunir no aprisco as ovelhas e os cordeiros. Precisam ficar na dependência de seus próprios recursos para que todos os dons que jazem latentes sejam assim postos em serviço ativo.
O Senhor tem tocado o coração de homens de outras línguas, pondo-os sob a influência da verdade para que se habilitem a trabalhar em Sua causa. Ele os pôs ao alcance dos escritórios de publicações para que os administradores lhes aproveitassem os serviços, se estivessem cônscios das necessidades da causa. Necessitam-se publicações noutras línguas, para provocar interesse e espírito de busca entre outras nações.
Assim como o ensino de Noé avisou e provou os moradores do mundo antes que o dilúvio os destruísse da face da Terra, a verdade divina para estes últimos dias está efetuando uma obra semelhante em advertir e provar o mundo. As publicações que saem da Casa Publicadora trazem o selo do Eterno. Estão sendo espalhadas por todo o país, e estão decidindo o destino das almas. Hoje se precisa grandemente de homens que traduzam e preparem nossas publicações noutras línguas, de maneira que as mensagens de advertência vão a todas as nações, e prove-as pela luz da verdade, para que os homens e mulheres, vendo a luz, se volvam da transgressão para a obediência da lei de Deus.
Toda oportunidade deveria ser aproveitada para estender a verdade a outras nações. Isso implicaria considerável despesa, mas esta de maneira nenhuma deveria impedir a realização dessa obra. Os meios têm valor apenas quando empregados para promover o interesse do reino de Deus. O Senhor conferiu meios aos homens para este mesmo fim: empregá-los na propagação da verdade entre seus semelhantes.
Agora é tempo de se empregarem os meios na causa de Deus. Agora é o tempo de nos tornarmos ricos de boas obras, acumulando para nós um bom fundamento contra o tempo que virá, a fim de apoderar-nos da vida eterna.
Uma alma salva no reino de Deus é de maior valor que todas as riquezas terrestres. Somos responsáveis perante Deus pelas almas com quem entramos em contato: e quanto mais íntima for nossa relação com nossos semelhantes, maior será nossa responsabilidade. Somos uma grande irmandade, e o bem-estar de nossos semelhantes deve ser o nosso grande interesse. Não temos um momento para perder. Se temos sido descuidosos nesse assunto, esta é a oportunidade para remirmos o tempo, não aconteça que o sangue das almas encontrado em nossas vestes. Como filhos de Deus, nenhum de nós se pode recusar a tomar parte na grande obra de Cristo, na salvação de nossos semelhantes.
Muito difícil será vencer o preconceito e convencer os incrédulos de que são desinteressados os nossos esforços para os auxiliar. Isso, porém, não deveria impedir-nos o trabalho. Não há preceito algum na Palavra de Deus que nos fale em fazer o bem somente aos que apreciam e reconhecem os nossos esforços, e beneficiar apenas quem nos agradece. Deus nos mandou trabalhar em Sua vinha. Cumpre-nos fazer tudo que pudermos. "Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará: se esta, se aquela." Ecl. 11:6.
Temos bem pouca fé. Limitamos o Santo de Israel. Deveríamos ser gratos por condescender Deus em usar alguns de nós como Seus instrumentos. Haverá resposta para toda oração fervorosa em que se peça com fé alguma coisa. Pode não vir exatamente como a esperávamos; mas virá, talvez não como havíamos imaginado, mas justamente na ocasião em que dela mais necessitemos. Mas oh, quão pecaminosa é a nossa incredulidade! "Se vós estiverdes em Mim, e as Minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito." João 15:7.
Planos Mais Vastos.
Em minha estada na Califórnia, no ano 1874, tive um sonho impressionante, em que me foi apresentado o papel do prelo na obra de proclamar ao mundo a mensagem do terceiro anjo.
Sonhei que vários dos irmãos da Califórnia estavam em concílio, considerando o melhor plano de trabalho para a próxima temporada. Alguns achavam prudente excluir as grandes cidades, e só trabalhar nos lugares menores. Meu esposo insistia ardorosamente em que se traçassem planos mais vastos e se fizessem esforços mais amplos, o que melhor corresponderia com o caráter de nossa mensagem.
Entrou então no concílio um jovem a quem eu freqüentemente vira em meus sonhos. Escutou com profundo interesse as palavras que eram ditas e, a seguir, falando com deliberada confiança e autoridade, disse:
"As cidades e vilas constituem uma parte da vinha do Senhor. Elas precisam ouvir a mensagem de advertência. O inimigo da verdade está fazendo esforços desesperados para desviar o povo, da verdade de Deus para a falsidade... Deveis semear junto a todas as águas.
"Talvez não vejais de pronto o resultado de vosso trabalho, mas isso não vos deveria desanimar. Tomai a Cristo como vosso exemplo. Ele teve muitos ouvintes, mas poucos seguidores. Noé pregou durante cento e vinte anos ao povo antediluviano; contudo, dentre as multidões que havia sobre a Terra naquele tempo, apenas oito almas se salvaram."
O mensageiro prosseguiu: "Estais alimentando idéias muito acanhadas quanto à obra para este tempo. Estais procurando planejar a obra de modo que possais abrangê-la em vossos braços. Deveis considerar perspectivas mais vastas. Vossa luz não deve ser posta sob o alqueire, nem debaixo da cama, mas no velador, para que alumie todos os que estão na casa. Vossa casa é o mundo.
"A certeza e verdade da vigência do quarto mandamento devem ser apresentadas com clareza perante o povo. 'Vós sois as Minhas testemunhas.' Isa. 43:10. A mensagem irá com poder a todas as partes do mundo, ao Oregon, à Europa, à Austrália, às ilhas do mar, a todas as nações, línguas e povos. Preservai o prestígio da verdade. Ela atingirá grandes proporções. Muitos países estão à espera da luz progressiva que o Senhor para eles tem; e vossa fé é acanhada, muito pequena. Vossa concepção da obra necessita ser grandemente aumentada. Oakland, São Francisco, Sacramento, Woodland, e as grandes cidades dos Estados Unidos, devem ouvir a mensagem da verdade. Avançai! Deus operará com grande poder, se diante dEle andardes com toda a humildade de espírito. Falar-se em impossibilidades não significa fé. Para Deus, nada é impossível. A luz relativa à vigência da lei de Deus será uma prova para o mundo." ...
Em minha última visão foi-me mostrado que deveríamos trabalhar na Califórnia para estender e consolidar a obra já começada. Foi-me mostrado que se deve realizar trabalho missionário na Califórnia, Austrália, Oregon e outros territórios, trabalho muito mais extenso do que o tem imaginado o nosso povo, ou tem jamais previsto e planejado. Vi que não avançamos tão depressa quanto a providência de Deus nos abre o caminho. Vi que a verdade presente poderia ser uma grande força se os crentes na mensagem não dessem lugar ao inimigo pela incredulidade e egoísmo, mas concentrassem os esforços em um único objetivo - a promoção da causa da verdade presente.
Vi que deveria haver um jornal, publicado na costa do Pacífico. Deveria ser estabelecido ali um hospital e fundada uma casa publicadora.
O tempo é breve; e todos quantos crêem nesta mensagem devem sentir a obrigação solene de serem obreiros desinteressados, que exerçam influência adequada; e nunca, quer por palavras, quer por atos, se oponham aos que procuram avançar os interesses da causa de Deus. As idéias de nossos irmãos são muito acanhadas. Pouco é o que esperam. Muito pequena é sua fé.
Um jornal publicado na costa do Pacífico daria força e influência à mensagem. A luz que Deus nos deu não será de muito valor para o mundo, a menos que seja vista ao ser apresentada diante dele. Declaro-vos que nossa visão deve ser ampliada. Vemos as coisas de perto, e não de longe.

18.5.10

VISÃO DO CONFLITO

Vi em visão dois exércitos em terrível conflito. Um deles ostentava em suas bandeiras as insígnias do mundo; guiava o outro a bandeira manchada de sangue do Príncipe Emanuel. Estandarte após estandarte era arrastado no chão, à medida que companhia após companhia do exército do Senhor se juntava ao inimigo, e tribo após tribo das fileiras do adversário se unia ao povo de Deus que guarda os mandamentos. Um anjo que voava pelo meio do céu pôs o estandarte de Emanuel em muitas mãos enquanto um forte general bradava em alta voz: "Perfilai-vos! Tomem agora posição os que são leais aos mandamentos de Deus e ao testemunho de Cristo. Saí do meio deles e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai e vós sereis para Mim filhos e filhas. Venham todos quantos queiram acudir em socorro do Senhor, em socorro do Senhor contra os valentes."
O combate prosseguia. A vitória ia alternadamente de um para outro lado. Às vezes os soldados da cruz cediam terreno, "como quando desmaia o porta-bandeira". Isa. 10:18. Mas a sua retirada aparente não foi senão para ganhar uma posição mais vantajosa. Ouviram-se aclamações de alegria. Ressoou um cântico de louvor a Deus, e as vozes angélicas uniram-se a ele, quando os soldados de Cristo hastearam Sua bandeira sobre os muros da fortaleza, até então em poder do inimigo. O Príncipe da nossa salvação estava dirigindo a batalha, e enviando reforços a Seus soldados. Grandemente se manifestava o Seu poder, encorajando-os a impelir o combate às portas. Ele lhes ensinou coisas terríveis, em justiça, enquanto os guiava passo a passo, vencendo e para vencer.
Finalmente ganhou-se a vitória. Triunfou gloriosamente o exército que seguia a bandeira portadora da inscrição:
"Os mandamentos de Deus e a fé de Jesus." Apoc. 14:12. Os soldados de Cristo estavam junto às portas da cidade, que com alegria, recebeu o seu Rei. Foi estabelecido o reino de paz, alegria e eterna justiça.
A Igreja Triunfante
A igreja é hoje militante. Enfrentamos agora um mundo em trevas de meia-noite, quase inteiramente entregue à idolatria. Mas aproxima-se o dia em que a batalha terá sido ferida, e ganha a vitória. A vontade de Deus deve ser feita na Terra como o é no Céu. Então as nações não possuirão outra lei senão a do Céu. Juntas, constituirão uma família feliz, unida, trajada com as vestes de louvor e ações de graça - vestes da justiça de Cristo. A natureza toda, em sua inexcedível beleza, oferecerá a Deus um constante tributo de louvor e adoração. O mundo se inundará da luz do Céu. Os anos transcorrerão em alegria. A luz da Lua será como a do Sol, e a deste será sete vezes mais brilhante do que é hoje. Ante esse cenário as estrelas d'alva cantarão juntamente, e os filhos de Deus exultarão de alegria, ao Se unirem Deus e Cristo para proclamar: "Não mais haverá pecado, tampouco haverá morte."
Em Guarda
Tal é a cena que me é apresentada. A igreja, porém, deve combater e combaterá contra inimigos visíveis e invisíveis. Estão a postos forças satânicas sob forma humana. Homens se têm confederado para oporem-se aos exércitos do Senhor. Essas confederações continuarão até que Cristo deixe Seu lugar de intercessor diante do propiciatório e envergue as vestes de vingança. Agentes satânicos encontram-se em todas as cidades, ocupados em organizar em partidos os que se opõem à lei de Deus. Alguns que professam ser santos e outros declaradamente incrédulos, se filiam a esses partidos. Não é hora de o povo de Deus fraquejar. Não podemos deixar de ficar em guarda um momento sequer.
"Fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra os exércitos espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça; e calçados os pés na preparação do evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus." Efés. 6:10-17.
"E peço isto: que a vossa caridade aumente mais e mais em ciência e em todo o conhecimento. Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros e sem escândalo algum até ao dia de Cristo, cheios de frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus." Filip. 1:9-11.
"Deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, ... estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho. E em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas para vós, de salvação, e isto de Deus.
Porque a vós foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nEle, como também padecer por Ele." Filip. 1:27-29.
Existem reveladas nestes últimos dias visões de glória futura, cenas traçadas pela mão de Deus; e estas devem ser prezadas por Sua Igreja. O que alentou o Filho de Deus em Sua traição e julgamento? - Ele viu o trabalho de Sua alma, e ficou satisfeito. Teve uma visão da eternidade, e viu a felicidade daqueles que por Sua humilhação receberiam perdão e vida eterna. Foi ferido pelas transgressões deles, e moído por suas iniqüidades. O castigo que lhes traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras foram sarados. Seus ouvidos ouviram as aclamações dos resgatados. Ele ouviu os remidos entoando o cântico de Moisés e do Cordeiro.
Devemos ter uma visão do futuro e da felicidade do Céu. Postai-vos no limiar da eternidade e ouvi a acolhida amável feita aos que nesta vida cooperam com Cristo, considerando privilégio e honra sofrer por amor dEle. Ao reunirem-se aos anjos, lançam eles suas coroas aos pés do Redentor, exclamando: "Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças... ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre." Apoc. 5:12 e 13.
Ali os remidos saudarão aqueles que os guiaram ao Salvador crucificado. Unem-se em louvor Àquele que morreu para que os seres humanos tivessem vida tão duradoura quanto a de Deus. O conflito está terminado. As tribulações e lutas chegaram ao fim. Cânticos de vitória enchem todo o Céu, enquanto os remidos permanecem em volta do trono de Deus.
Todos entoam o jubiloso coro: "Digno é o Cordeiro que foi morto" (Apoc. 5:12), e vive novamente, como triunfante vencedor.
"Depois destas coisas, olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; e clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro." Apoc. 7:9 e 10.
"Estes são os que vieram de grande tribulação, e lavaram os seus vestidos, e os branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus, e O servem de dia e de noite no Seu templo; e Aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a Sua sombra. Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem Sol nem calma alguma cairá sobre eles. Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de Seus olhos toda a lágrima." Apoc. 7:14-17. "E não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." Apoc. 21:4.

12.5.10

O LAR DA ETERNA FELICIDADE

O dia da vinda de Cristo será um dia de redenção não apenas para o povo de Deus, mas para toda a Terra, além de ser um dia em que o mal será completamente destruído.
Deus criou a Terra para ser o lar do homem. Adão viveu em um jardim deleitoso que o Próprio Criador embelezara. E embora o pecado tenha manchado a obra de Deus, a raça humana não foi abandonada por seu Criador, nem Seu propósito em relação à Terra foi deixado de lado.
Anjos foram enviados para dar a mensagem de salvação e os vales e colinas ecoaram suas canções de júbilo. Os pés do Filho de Deus tocaram o seu solo e por mais de seis mil anos, em toda a sua beleza e nos seus dons de sustento, a Terra tem testemunhado o amor do Criador.
Essa mesma Terra, livre da maldição do pecado, será o lar eterno dos salvos. A Bíblia diz a respeito dela: Deus "não a criou para ser um caos, mas para ser habitada". Isa. 45:18. E "tudo quanto Deus faz durará eternamente". Ecl. 3:14.
Por isso, no Sermão da Montanha o Salvador declarou: "Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra." Mat. 5:5.
O salmista já havia escrito muito tempo atrás: "Mas os mansos herdarão a Terra e se deleitarão na abundância de paz." Sal. 37:11.
Com essa declaração concordam também outros testemunhos das Escrituras: "Os justos herdarão a Terra e nela habitarão para sempre." Sal. 37:29.
Fogo Purificador.
O fogo do último dia há de destruir "os céus que agora existem e a Terra", mas do seu caos devem surgir novo céu e uma nova Terra, conforme "a Sua promessa". II Ped. 3:7 e 13. O céu e a Terra serão renovados.
"Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam." I Cor. 2:9. Nenhuma linguagem humana pode descrever plenamente a recompensa dos justos. Apenas os que desfrutarem dela, poderão compreendê-la. Não podemos conceber a glória do paraíso de Deus.
Contudo, temos alguns vislumbres do mundo vindouro revelados a nós pelo Espírito Santo. I Cor. 2:10. Os quadros que a Escritura Sagrada nos apresenta a respeito da nova Terra são preciosos ao nosso coração.
Ali o Pastor divino conduz o Seu rebanho às fontes de águas vivas. A árvore da vida dá o seu fruto a cada mês e suas folhas são para a saúde das nações. Ali as correntes de água são claras como o cristal e nunca secam. Às suas margens, árvores frondosas lançam sua sombra sobre o caminho
dos salvos. As planícies se estendem, elevando-se em colinas verdejantes e em montanhas majestosas que apontam para o céu. Nesses campos tranqüilos, ao lado das correntes vivas, o povo de Deus, peregrinos e estrangeiros na Terra por tanto tempo, finalmente encontram ali o seu lar.
"O Meu povo habitará em moradas de paz, em moradas bem seguras e em lugares quietos e tranqüilos." Isa. 32:18. "Nunca mais se ouvirá de violência na tua Terra, de desolação ou ruínas, nos teus limites; mas aos teus muros chamarás Salvação, e às tuas portas, Louvor." Isa. 60:18.
"Eles edificarão casas e nelas habitarão; plantarão vinhas e comerão o seu fruto. Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam." Isa. 65:21 e 22.
"O deserto e a terra se alegrarão; o ermo exultará e florescerá como o narciso." Isa. 35:1. "Em lugar do espinheiro, crescerá o cipreste, e em lugar da sarça crescerá a murta." Isa. 55:13.
"O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. Não se fará mal nem dano algum em todo o Meu santo monte", diz o Senhor. Isa. 11:6 e 9.
Lá não haverá mais lágrimas, mais cortejos fúnebres, nem sinais de luto. "E a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram." Apoc. 21:4. "Nenhum morador de Jerusalém dirá: Estou doente; porque ao povo que habita nela, perdoar-se-lhe-á a sua iniqüidade." Isa. 33:24.
Ali está a Nova Jerusalém, a capital da Terra.
renovada, "uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real na mão do teu Deus." Isa. 62:3. A sua luz é "semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina. As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da Terra lhe trazem a sua glória." Apoc. 21:11 e 24.
O Senhor diz: "E exultarei por causa de Jerusalém e Me alegrarei no Meu povo, e nunca mais se ouvirá nela nem voz de choro nem de clamor." Isa. 65:19. "Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles." Apoc. 21:3.
Na Nova Terra só habitará justiça. "Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira." Apoc. 21:27. A santa lei de Deus será honrada por todos. Aqueles que deram provas de sua fidelidade a Deus, guardando os seus preceitos, habitarão com Ele.
"E não se achou mentira na sua boca." Apoc. 14:5. "São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham no trono de Deus e O servem de dia e de noite no Seu santuário." Apoc. 7:14 e 15.
"Os preceitos do Senhor são retos. ...Em os guardar há grande recompensa." Sal. 19:8 e 11.
"Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas." Apoc. 22:14.

4.5.10

O CARACTER CRISTÃO

O caráter do cristão é manifesto em sua vida diária. Disse Cristo: "Toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus." Mat. 7:17. Nosso Salvador Se compara a uma videira, da qual Seus seguidores são os ramos. Ele declara positivamente que todos aqueles que desejam ser Seus discípulos precisam produzir frutos; e então mostra como podem tornar-se ramos frutíferos. "Estai em Mim, e Eu, em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em Mim." João 15:4.
O apóstolo Paulo descreve o fruto que o cristão deve produzir. Diz ele que "está em toda bondade, e justiça e verdade". Efés. 5:9. E outra vez: "O fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio." Gál. 5:22 e 23. Estas preciosas graças são apenas os princípios da lei de Deus, demonstrados na vida.
A lei de Deus é a única norma verdadeira de perfeição moral. Essa lei foi praticamente exemplificada na vida de Cristo. Ele diz de Si mesmo: "Tenho guardado os mandamentos de Meu Pai." João 15:10. Nada menos que esta obediência satisfará às exigências da Palavra de Deus. "Aquele que diz que está nEle também deve andar como Ele andou." I João 2:6. Nós não podemos alegar que somos impotentes para fazer isso, porque temos a afirmativa: "A Minha graça te basta." II Cor. 12:9. Ao olharmos no espelho divino - a lei de Deus - vemos a excessiva malignidade do pecado e nossa própria condição de perdidos, como transgressores. Mas, pelo arrependimento e fé, somos justificados perante Deus, e, mediante a graça divina, habilitados a prestar obediência aos Seus mandamentos.
Amor a Deus e ao Homem
Aqueles que têm genuíno amor a Deus, manifestarão um intenso desejo de conhecer Sua vontade e executá-la. Diz o apóstolo João, cujas epístolas tratam tão cabalmente do amor: "Este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos." I João 5:3. A criança que ama aos pais, mostrará esse amor por voluntária obediência; mas a criança egoísta, ingrata, procura fazer tão pouco quanto lhe seja possível por seus pais, enquanto, ao mesmo tempo, deseja desfrutar todos os privilégios assegurados ao obediente e fiel. A mesma diferença é vista entre os que dizem ser filhos de Deus. Muitos que sabem ser o objeto de Seu amor e cuidado, e desejam receber Sua bênção, não têm nenhum deleite em fazer Sua vontade. Consideram as exigências de Deus como uma desagradável restrição, Seus mandamentos um danoso jugo. Mas aquele que está verdadeiramente procurando a santidade de coração e de vida, deleita-se na lei de Deus, e lamenta unicamente o fato de que fica muito aquém de satisfazer a suas reivindicações.
É-nos ordenado amar-nos mutuamente, como Cristo nos amou. Ele manifestou Seu amor, dando Sua vida para remir-nos. O discípulo amado diz que devemos estar dispostos a dar a vida pelos irmãos. Porque "todo aquele que ama ao que O gerou também ama ao que dEle é nascido". I João 5:1. Se amamos a Cristo, amaremos também àqueles que a Ele se assemelham na vida e no caráter. E não somente isto, mas havemos de amar àqueles que estão sem "esperança e sem Deus no mundo". Efés. 2:12. Foi para salvar os pecadores que Cristo deixou Seu lar no Céu, e veio à Terra para sofrer e morrer. Por isso Ele Se fatigou, agoniou-Se e orou, até o ponto de, com o coração partido e abandonado por aqueles a quem veio salvar, derramar Sua vida no Calvário.
Imitar o Modelo.
Muitos se esquivam de uma vida como a que viveu nosso Salvador. Sentem que requer muito sacrifício imitar o Modelo, produzir frutos em boas obras e então, pacientemente suportar a poda divina, para que possam produzir mais fruto. Mas quando o cristão se considera apenas um humilde instrumento nas mãos de Cristo e se esforça por cumprir fielmente todo dever, confiando no auxílio prometido por Deus, então tomará o jugo de Cristo e achará fácil fazê-lo; então assumirá responsabilidades por Cristo, e dirá serem agradáveis. Ele poderá olhar para cima com ânimo e confiança, e dizer: "Eu sei em quem tenho crido e estou bem certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia." II Tim. 1:12.
Se encontramos obstáculos em nosso caminho e fielmente os vencemos; se deparamos com oposição e descrédito, e, em nome de Cristo, ganhamos a vitória; se temos responsabilidades e nos desempenhamos de nossos deveres no espírito de nosso Mestre - então, de fato, alcançamos um precioso conhecimento de Sua fidelidade e poder. Não mais dependeremos da experiência de outros, porque temos o testemunho em nós mesmos. Como os samaritanos da antiguidade, podemos dizer: "Nós mesmos O temos ouvido e sabemos que Este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo." João 4:42.
Quanto mais contemplarmos o caráter de Cristo e quanto mais experimentarmos de Seu poder salvador, com tanto maior perspicácia reconheceremos nossa própria fraqueza e imperfeição, e mais fervorosamente olharemos para Ele como nossa força e nosso Redentor. Não temos poder em nós mesmos para purificar o templo da alma de sua contaminação; mas ao nos arrependermos de nossos pecados contra Deus e procurarmos perdão mediante os méritos de Cristo, Ele comunicará aquela fé que opera por amor e purifica o coração. Pela fé em Cristo e obediência à lei de Deus, podemos ser santificados e assim obter aptidão para a sociedade com os santos anjos e os remidos vestidos de branco no reino da glória.
A União com Cristo, Nosso Privilégio.
Não é somente o privilégio, mas o dever de todo cristão manter uma íntima união com Cristo e ter uma rica experiência nas coisas de Deus. Então sua vida será frutífera em boas obras. Disse Cristo: "Nisto é glorificado Meu Pai: que deis muito fruto." João 15:8. Quando lemos a vida de homens que foram eminentes por sua piedade, muitas vezes consideramos suas experiências e realizações como muito além de nosso alcance. Mas este não é o caso. Cristo morreu por todos; e é-nos assegurado em Sua Palavra que Ele está mais pronto a dar Seu Santo Espírito àqueles que Lho pedirem do que os pais terrenos a dar boas dádivas a seus filhos. Os profetas e apóstolos não aperfeiçoaram o caráter cristão por milagre. Eles usaram os meios colocados por Deus ao seu alcance; e todos os que fizerem o mesmo esforço hão de conseguir os mesmos resultados.
A Oração de Paulo Pela Igreja.
Em sua carta à igreja de Éfeso, Paulo apresenta perante os membros o "mistério do evangelho" (Efés. 6:19) - "as abundantes riquezas de Cristo" (Efés. 3:8) - e então lhes assegura suas fervorosas orações em favor de sua prosperidade espiritual:
"... Me ponho de joelhos diante do Pai, ... para que, segundo a riqueza da Sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o Seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus." Efés. 3:14, 16-19.
Escreve ele também a seus irmãos de Corinto: "Aos santificados em Cristo Jesus, ... graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Sempre dou graças ao meu Deus por vós pela graça de Deus que vos foi dada em Jesus Cristo. Porque em tudo fostes enriquecidos nEle, em toda a palavra e em todo o conhecimento (como foi mesmo o testemunho de Cristo confirmado entre vós). De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo." I Cor. 1:2-7. Estas palavras são dirigidas não somente à igreja de Corinto, mas a todo o povo de Deus até ao fim dos tempos. Todo cristão pode desfrutar a bênção da santificação.
O apóstolo continua nestes termos: "Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer." I Cor. 1:10. Paulo não teria apelado para eles a fim de que fizessem o impossível. A união é o resultado certo da perfeição cristã.
Também na epístola aos colossenses são apresentados os gloriosos privilégios concedidos aos filhos de Deus. "Desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos; ... também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus; sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da Sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria." Col. 1:4, 9-11.
A Norma da Santidade.
O próprio apóstolo esforçava-se por alcançar a mesma norma de santidade que apresentara a seus irmãos. Ele escreve aos filipenses: "O que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; ... para O conhecer, e... na Sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." Filip. 3:7, 8, 10-14. Há um notável contraste entre pretensões vaidosas e de justiça própria daqueles que professam estar sem pecado e a modesta linguagem do apóstolo. Contudo, foi a pureza e a fidelidade de sua própria vida que deu poder às suas exortações a seus irmãos.
A Vontade de Deus.
Paulo não hesitava em salientar, em toda ocasião oportuna, a importância da santificação bíblica. Diz Ele: "Vós bem sabeis que mandamentos vos temos dado pelo Senhor Jesus. Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação." I Tess. 4:2 e 3. "De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade. Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo." Filip. 2:12-15.
Ele convida Tito a instruir a igreja quanto a que, embora devessem seus membros confiar nos méritos de Cristo para a salvação, a graça divina, habitando em seus corações, conduzirá à fiel execução de todos os deveres da vida. "Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam e estejam preparados para toda boa obra; que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda mansidão para com todos os homens. Fiel é a palavra, e isto quero que deveras afirmes, para que os que crêem em Deus procurem aplicar-se às boas obras; estas coisas são boas e proveitosas aos homens." Tito 3:1, 2 e 8.
Paulo procura impressionar-nos a mente com o fato de que o fundamento de todo serviço aceitável a Deus, ao mesmo tempo que a própria coroa das graças cristãs, é o amor; e de que somente no coração em que reina o amor é que habitará a paz de Deus. "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.
Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai." Col. 3:12-17.