14.11.09

40 PERGUNTAS AOS ADVENTISTAS III - QUAL A RESPOSTA?

30. No Novo Testamento se encontra a palavra sábado 70 vezes. Vocês admitem que em todos os casos, menos em um, se faz referência ao dia de sábado conforme o cerimonial judaico, sem qualquer problema. Porém, neste caso único, a saber, o texto de Colossenses 2:16, onde a palavra é a mesma dos textos no grego, querem nos fazer crer que ela tem outro sentido. Por quê? Não será por que têm consciência de que Colossenses 2:16,17 faz cair por terra seus argumentos doutrinários de que os cristãos estão obrigados a guardar a lei cerimonial mosaica, onde está incluído o sábado que vocês defendem como tábua de salvação?

RESPOSTA: Já demonstramos pela resposta às perguntas 26 e 27 como o “samba anti-sabático de uma nota só”, como é utilizado o texto de Colossenses 2:16, somente mostra a incapacidade exegética dos que tanto capitalizam sobre uma passagem que parece ter linguagem favorável a seus preconceitos, ignorando o contexto e todo o teor do ensino bíblico com respeito ao tema da lei e do dia de repouso. Tudo isso já foi muito bem explicado nas respostas às perguntas indicadas.

PERGUNTA PARA RETRIBUIÇÃO: Se o sábado é preceito cerimonial que mais tarde seria abolido (o que se refletiria em Colossenses 2:16) por quê o autor de Hebreus dedica ao sábado um tratamento muito especial nos capítulos 3 e 4, em lugar de tratar de sábado nos capítulos 7 a 10, dedicados à discussão do cerimonialismo judaico na epístola?

31. Vocês sabem que em Gálatas 3:22-25 se diz que a lei nos foi dada como aio (mentor) para nos levar a Cristo, pelo que, vinda a fé, já não estamos debaixo de aio? Portanto, já não estamos debaixo da lei. Devemos desacreditar deste trecho da Bíblia?

RESPOSTA: A lei foi, é e sempre continuará actuando como aio para conduzir pecadores a Cristo. Ela é como um espelho que mostra a mancha, porém não tem condições de limpá-la, como ilustrou João Calvino em suas Institutas. Lutero dizia sempre que o cristão é simul iustus et peccator, ao mesmo tempo justo e pecador, e Paulo declarou que tomou conhecimento da lei pelo mandamento “não cobiçarás” (Rom. 7:7, 8). E essa era aquela lei que ele disse que servia com a mente (Rom. 7:25) de que recomendou seus 5º, 6º, 7º, 8º, 9º e 10º mandamentos aos GENTIOS de Éfeso e Roma (Efe. 6:1-3; 4:25-31; Rom. 13:8-10).

Ademais, o mesmo Paulo que disse estas palavras, tiradas de seu contexto, também afirmou que a fé NÃO VEIO cancelar a lei, senão, ao contrário, CONFIRMÁ-LA (Rom. 3:31). Há dois problemas básicos dos evangélicos em seus estudos sobre o tema da lei e do sábado: não compreendem o teor dos debates de Cristo sobre o sábado; b) não entendem o teor dos debates de Paulo sobre a lei.

Sobre o primeiro problema, basta saber definir que Cristo não discutia com o liderança judia SE era para observar o sábado, nem QUANDO fazê-lo, senão que COMO observar o dia em seu correcto espírito.

Para o entendimento de seus debates sobre a lei, o texto de Rom. 9:30-32 ilumina plenamente a questão: “Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé. Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não chegou à lei da justiça. Por quê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da lei; tropeçaram na pedra de tropeço”.

PERGUNTA PARA RETRIBUIÇÃO: Em Hebreus 9:15 o autor deixa claro que com a morte de um testador não pode mais haver mudança no testamento. Assim, como pode ter havido troca do sábado pelo domingo, ou do sábado por dia nenhum ou um dia qualquer com a morte do divino Testador?

32. Há uma advertência no Novo Testamento contra cada pecado moral (e não cerimonial) mencionado em cada um dos dez mandamentos, menos do quarto. Na verdade, não se faz menção em todo o Novo Testamento da obrigatoriedade de se guardar o sábado cerimonial judaico como atestado moral do crente. Observem as citações das Sagradas Escrituras fazem de cada caso do capítulo 20 de Êxodo (como obrigatoriedade moral e não cerimonial), com sua correspondente menção no Novo Testamento:
a. Não terás outros deuses diante de mim (Êxodo 20:3; I Coríntios 8:4-6; Actos 17:23-31);
b. Não farás para ti imagem de nenhuma semelhança (Êxodo 20:4-5, I João 5:21);
c. Não tomarás o nome do Senhor Teu Deus em vão (Êxodo 20:7; Tiago 5:12)
d. Guardar o dia de sábado (Êxodo 20:8 – NÃO HÁ NEHUMA REFERÊNCIA NO NOVO TESTAMENTO);
e. Honra a teu pai e a tua mãe (Êxodo 20:12; Efésios 6:1-3);
f. Não matarás (Êxodo 20:13; Romanos 13:9);
g. Não adulterarás (Êxodo 20:14; Romanos 13:9; I Coríntios 6:9; Efésios 5:3)
h. Não furtarás (Êxodo 20:15; Efésios 4:28)
i. Não dirás falso testemunho (Êxodo 20:16; Colossenses 3:9; Tiago 4:11)
j. Não cobiçarás (Êxodo 20:17; Efésios 5:3)
Agora, se é pecado não guardar o sábado como os judeus, como é possível que em todo o Novo Testamento não apareça esta advertência, especialmente quando figuram todos os outros mandamentos das listas dos dez?

RESPOSTA: Esta é uma alegação já totalmente desmoralizada, sem nenhum nexo. Primeiro, que o objectivo do Novo Testamento não é repetir mandamentos do Velho para os revalidar. Ademais, não há repetição ipsis literis de mandamentos tais como de não confeccionar imagens de esculturas, nem mesmo há proibição de utilizar em actos de culto imagens de santos da Igreja (o Novo Testamento fala de “ídolos” e isso se refere a divindades pagãs, pois naquele tempo nem se tinha o costume de utilizar tais imagens, como os católicos e ortodoxos advogam hoje).

Também não há qualquer referência directa, só indirecta, ao preceito de não proferir o nome de Deus em vão. E nenhuma menção de proibição clara, directa, objectiva, contra a consulta aos mortos.

Sobre o sábado, Jesus não só confirmou seu estabelecimento na criação do mundo, portanto tendo caráter universal (Mar. 2:27), como isso é, para desconsolo dos anti-sabatistas, reconhecido pelos três grandes nomes do Movimento Protestante (Calvino, Lutero, Wesley) e pelas mais representativas confissões de fé, credos, declarações doutrinárias das Igrejas históricas do Protestantismo. O fato de que o reinterpretam para equivocadamente aplicá-lo ao domingo não altera as bases ideológicas da questão.

PERGUNTA PARA RETRIBUIÇÃO: O facto de não haver no Novo Testamento qualquer proibição clara, objectiva, específica, de não se confeccionar imagens de escultura, não utilizá-las para os santos da Igreja, não dizer o nome de Deus em vão e não consultar os mortos significa que os cristãos podem praticar todas essas coisas mencionadas?

33. O sábado judaico é parte da lei, portanto, colocar-se debaixo da obrigatoriedade de se guardar o sábado como os judeus é pôr-se debaixo da lei. Em Gálatas 3:10 nos é dito que todos os que estão debaixo da lei estão debaixo de maldição. Como vocês podem desejar tanto a maldição de Deus?

RESPOSTA: A lei não tem só o sábado, como o “não matarás”, “honra a teu pai e tua mãe”, “não adulterarás”, “não cobiçarás”. Assim que discriminam claramente o mandamento do sábado para alegar que os que o cumprem se põem “sob a lei”. Vamos, então, raciocinar um pouco: sendo que os sabatistas respeitam o preceito do sábado, junto com os demais NOVE de entre os DEZ Mandamentos, então com isso se põem sob a lei em uma proporção de 100%. Os anti-sabatistas admitem que NOVE de entre os DEZ mandamentos devem ser obedecidos, com isso se põem sob a lei em 90%!

Pode-se ver que a diferença, enfim, afinal de contas, não é tão grande. . .

PERGUNTA PARA RETRIBUIÇÃO: Quando Paulo em Gálatas 5:16-21 contrasta os que estão sob a lei com os que são guiados pelo Espírito, indicando que os primeiros são os que praticam os pecados todos enumerados nos vs. 19-21, os últimos os que produzem aqueles frutos de obediência a Deus (vs. 22), com isso está dizendo que “sob a lei” nesse caso significa obedecê-la ou violá-la?

34. Gálatas 5:4 nos diz que “separados estão de Cristo” os que voltam a se colocar debaixo da obrigatoriedade de se guardar a lei como os judeus e que “da graça tendes caído”. Como explicam isso? Ou rejeitam o claro ensino das Escrituras Sagradas?

RESPOSTA: Interessante que este texto contradiz totalmente os que ensinam que a pessoa que está salva nunca mais perde a salvação. Pois quem cai de algum lugar, é porque antes estava firme nesse lugar. A questão aqui, porém, é que a prática do falso juízo em contradição ao que Cristo deixou bem claro em Mat. 7:1: “Não julgueis, para que não sejais julgados”.

Vejamos o último dilema de nosso artigo “10 Dilemas dos que Negam a Validade dos 10 Mandamentos Como Norma Cristã”:
O décimo dilema dos que pregam o fim do Decálogo divino na cruz é que precisam recorrer à pura e simples mentira para promoverem a falsa equação: “Observância do sábado = justificação por obras”. Ou seja, insinuam insistentemente que quem deseja observar o sábado do sétimo dia é por estar querendo salvar-se pelas obras da lei!

Apesar de lhes terem sido apresentadas as POSIÇÕES OFICIAIS das igrejas observadoras do sábado sobre a salvação pela graça, nunca pelas obras da lei, esses “apologistas cristãos” passam por alto tais fatos devidamente documentados e partem para a repetida, injusta e falsa alegação de que todos os que ensinam e praticam a guarda do sábado do 7º dia pregam a salvação pelas obras da lei, sendo, portanto, legalistas.

Há, porém, duas simples razões pelas quais demonstramos ser isto uma falsidade caluniosa:

1o. -- É antibíblico: Crer em salvação ainda que parcialmente pelas obras e ensinar isso choca-se com o teor todo do que as Escrituras ensinam, e os adventistas e demais observadores do sábado conhecem muito bem suas Bíblias para incorrerem em erro tão primário. Sabemos o que Paulo diz em Romanos, Gálatas, Efésios, e não iríamos jamais contrariar tão claras exposições do apóstolo. Ademais, no exame dos textos de Efés. 2:8 e 9, tão citados em círculos evangélicos, não podemos nos esquecer do verso seguinte, o 10. . .
2o. -- É desnecessário: Não há nenhuma condição sine qua non para quem observa o mandamento do sábado de crer em salvação por obras por sua prática de guardar o dia do Senhor bíblico. Ou seja, não precisamos apelar a essa posição antibíblica de salvação por obras para defender a vigência e guarda do sábado, tanto quanto os demais cristãos não obtêm mérito por não adorarem imagens, por exemplo. Assim, se os evangélicos respeitam os termos do mandamento contra as imagens, acaso com isso se tornam legalistas e obtêm salvação por cumprir tal obra? Claro que não. O mesmo raciocínio se aplica à questão do sábado e a todos os demais mandamentos da lei divina.
PERGUNTA PARA RETRIBUIÇÃO: Sabiam que Romanos foi escrito DEPOIS de Gálatas, e em Romanos Paulo diz que a fé não anula a lei, e sim a confirma (Rom. 3:31)? Como explicam isso?

35. Se Romanos 7:4 nos ensina que o crente em Cristo está morto para a lei, por que a doutrina adventista apresenta aos seus “crentes” como estando vivos para a lei? Como explicam essa grave contradição com a Palavra de Deus?

RESPOSTA: Os formuladores de tal questionário são ignorantes não só do que ensina a Bíblia, como também do que explicam importantes teólogos protestantes, pois atribuem aos adventistas uma ideia julgando falsamente, uma vez mais, que é uma interpretação exclusiva dos adventistas. Vejamos o que outros importantes servos de Deus, dedicados estudiosos da Bíblia, ensinam sobre o texto, porém antes recordando a conclusão sem nexo que se pode tirar de tal argumento: se os crentes estão mortos à lei, no sentido que não mais a devem observar, então só há uma situação possível--NÃO A OBSERVARÃO, o que resultará em caos ético e moral! Poderão fazer tudo o que é proibido pela lei, ademais de não respeitar o mandamento do sábado (é claro o grande visado nesse raciocínio. . .). Assim, se poderá matar, roubar, mentir, adulterar, blasfemar contra Deus. . .

Agora, vejamos o que eruditos protestantes do maior destaque têm dito sobre este texto de Rom. 7:4 que os anti-sabatistas distorcem tão evidentemente, o que é muito perigoso à luz de II Pedro 3:15-17:
Albert Barnes:

“também vós estais mortos para a lei . . . O elo entre nós e a lei foi desfeito dentro do âmbito do argumento que o Apóstolo tem em mente. Ele não diz que estamos mortos para ela, ou libertados dela como uma norma de dever, ou como questão de obrigação em obedecê-la; pois não há, nem pode haver, tal liberdade, contudo estamos mortos para ela como um meio de justificação e santificação. Na questão maior de aceitação diante de Deus, cessamos de depender da lei, fazendo-nos mortos para ela, e tendo hospedado outro plano”.

John Gill:

“[A lei] somente tem domínio sobre um homem enquanto este vive, porém a lei esta morta para ele; não tem qualquer poder sobre ele, para amenizar e os aterrorizar forçando-lhes a obediência; nem ainda para exigir rigorosa obediência ou dar ordens numa forma compulsória, nem há necessidade para isso tudo, uma vez que os crentes se deleitam nela segundo o homem interior, e a servem com suas mentes, livre e voluntariamente”.

Jamieson, Fausset & Brown:

“tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos . . . a morte referida, como temos visto, não é a da lei, senão a nossa, mediante união com o crucificado Salvador. . . .

“não sob o regime velho da letra — não em nossa antiga maneira de obediência literal, mecânica à divina lei, como um conjunto de regras externas de conduta, sem qualquer referência ao estado de nosso coração; senão numa nova forma de obediência espiritual que, mediante união com o Salvador ressuscitado, aprendemos a prestar”.

Fonte: Antologia de comentários bíblicos do site e-sword.net.

João Calvino:

“. . . a palavra 'lei' não é mencionada aqui em toda parte com o mesmo sentido: pois num lugar significa a regra de um matrimónio; noutro, a autoridade de um marido sobre sua esposa; e noutro, a lei de Moisés: devemos, porém, recordar que Paulo se refere aqui somente àquela função da lei que era peculiar à dispensação de Moisés; pois no que toca ao que Deus há ensinado nos Dez Mandamentos do que é justo e correcto, e dadas instruções para guiar nossa vida, nenhuma ab-rogação da lei deve ser imaginada; pois a vontade de Deus deve permanecer a mesma para sempre. Devemos cuidadosamente recordar que isto não se refere a uma liberação da justiça que é ensinada na lei, senão de seus rígidos requisitos, e da maldição que daí se segue. A lei, pois, como uma regra de vida, não é ab-rogada; porém o que a ela pertence em oposição à liberdade obtida em Cristo, ou seja, no que ela requer absoluta perfeição: pois como não cumprimos essa perfeição, ela nos colocou sob uma sentença de morte eterna”.

(Fonte: http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom38.xi.i.html)
PERGUNTA PARA RETRIBUIÇÃO: Como explicam que o mesmo Paulo, que teria dito que os cristãos estão “mortos para a lei”, no mesmo capítulo, mais adiante, diz que com sua mente serve à lei de Deus, que é a que traz o mandamento “não cobiçarás” (vs. 25, cf. 7 e 8)? Faz sentido para ele servir a uma lei da qual os crentes estariam livres, mortos para seus preceitos?

36. Os dez mandamentos gravados em “letras de pedra” são um ministério de morte, segundo II Coríntios 3:7. Este ministério de morte haveria de perecer (II Coríntios 3:11). Porém, não é certo que os senhores adventistas, ao citar os mandamentos, quase sempre deixam fora estas palavras introdutórias? Seria por que este texto demonstra que os mandamentos foram dados somente a Israel (por mais que manifestem a nós gentios a santidade de Deus), e deixam a entender que a doutrina adventista está errada?

RESPOSTA: É incrível como podem dizer uma coisa tão sem sentido, apresentando-nos a Deus como um terrível carrasco que entrega a Seu povo escolhido uma lei de morte! Vejamos como discutimos isto revelando que os que utilizam tal argumento nem percebem que estão disparando um “tiro” interpretativo que lhes sai pela culatra:
* 2 Coríntios 3:3-8: “. . . Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.... E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória, como não será de maior glória o ministério do Espírito?”
Entendem alguns que em 2 Coríntios 3:3 Paulo se refere aos Dez Mandamentos, escritos em “tábuas de pedra”, como um “ministério de morte”. Unindo isso ao texto de Romanos 8:3, onde diz que a lei se fez “débil pela carne”, pensam que o Apóstolo está revelando que o Decálogo necessitava dar lugar a outra lei.

Paulo em 2a. Coríntios 3:3-8 está estabelecendo um contraste entre o ministério da velha aliança com a nova e atribui o qualificativo de “ministério da morte”, por mencionar as “tábuas de pedra”. Com isso alguns intérpretes bíblicos confundem as coisas e dizem que essas tábuas de pedra representariam o “ministério de morte”.

Então, não há saída, o Deus que Se apresentava a Israel como “longânimo, misericordioso, bondoso, piedoso e perdoador” em verdade preparou uma terrível armadilha para aquele povo no Sinai, outorgando-lhes ali uma norma legal que resultaria certamente em morte! Ele deixou em reserva a “lei de amor e graça” só para o povo do Novo Testamento! É este o Deus que não faz acepção de pessoas?

Remontando ao ambiente onde a lei divina foi solenemente proclamada ao povo, lemos em Êxodo 19:10 a ordem de Deus para Israel purificar-se, e até abster-se de actividade sexual (vs. 15) para uma dedicação integral a Ele em preparação à proclamação da lei. Limites foram estabelecidos ao redor do monte para o povo não dirigir-se até ali, e finalmente os Dez Mandamentos foram pronunciados de forma audível, antes de ser escritos nas tábuas de pedra.

Agora, tanta preparação, tanta expectativa, tanta solenidade para a entrega de . . . uma “lei de morte”! É incrível! Qualquer um se sentiria enganado! Contudo, é, em última instância, a exegese que se lê nos escritos de intérpretes neo-antinomistas que não conseguem perceber que “a lei do Senhor é perfeita e restaura a alma”, como diz o salmista (Sal. 19:7) referindo-se a TODA a lei Tora, é verdade, o que significa inclusão, não exclusão, do Decálogo.

Algo, porém, saiu errado nessa aliança, transformando-se o seu ministério em geração de morte. Por que? Onde se acha o problema? Era a lei assim mesmo, transmissora de morte? Então não poderia ser perfeita!

O que muitos não conseguem compreender é que o problema não estava com a lei, senão com o povo que, ainda antes de conhecer plenamente o que seria pronunciado, precipitadamente declarou diante da proclamação da lei no Sinai: “Tudo o que o Senhor falou, nós faremos” (Êxo. 19:8). Era um povo de “dura cerviz”, tantas vezes condenado por suas falhas. Assim, se faz fácil de entender isso: o problema não estava na lei, senão no povo, o que é fato muito claro na promessa da Nova Aliança ao tempo de Ezequiel—“tirarei de vossa carne o coração de pedra”. Portanto, os que tinham o coração errado era o povo, daí a necessidade desse povo mudar de atitude, permitindo que Deus operasse uma séria transformação—o coração de pedra eliminado e posto em seu lugar um de carne. Assim, o que devia ser mudado não era a lei, senão os corações de pedra do povo.

E um detalhe importante é que quando Paulo utiliza a alegoria “tábuas de pedra/tábuas de carne” mostra que sua intenção era incluir TODOS os mandamentos das “tábuas de pedra” como agora encontrando-se nos “corações de carne”. Doutro modo, não faria sentido o uso mesmo da comparação, e ele teria que utilizar outra linguagem mais adequada no vs. 3:3, algo como, “ sendo manifestos como carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração, ou seja, só nove mandamentos das tábuas de pedra, excluido o do sábado. . .” Não foi essa, porém, a linguagem de Paulo, assim que o mandamento do sábado DEVE ESTAR INCLUÍDO nas tábuas de carne.

Conclusão: Em 2 Coríntios 3 Paulo não diz que a lei é de morte, senão que o ministério da velha aliança veio a assim tornar-se. A ilustração paulina de “tábuas de pedra” e “tábuas de carne” se ocupa da antiga promessa divina a Israel em Ezequiel 36:26, 27 de que, por acção do Espírito, o coração de pedra lhes seria removido para que um coração de carne, mais maleável, lhes fosse concedido. Nesse coração de carne seria escrita a lei moral de Deus completa, como prometido na Nova Aliança (Heb. 8:6-10).

Quando utiliza a alegoria “tábuas de pedra/tábuas de carne”, que é a mesma de Ezequiel (ver 11:19, 20 e 36:26, 27), Paulo certamente não pensaria em excluir nenhum dos mandamentos das “tábuas de pedra”, assim como Ezequiel não excluiu. Se o fez, teria que explicar que o cristão seria uma carta escrita, não em tábuas de pedra, porém nas tábuas de carne, excluindo-se o mandamento do sábado, ou algo assim.

A intenção de Paulo é mostrar que para o cristão renovado pelo Espírito, os termos da lei moral divina deixam as frias tábuas de pedra para se registar em seus corações aquecidos pela graça (ver Rom. 8: 3 e 4), o que faz da interpretação antinomista de 2 Coríntios 3:3 outro “tiro” interpretativo que sai pela culatra.
PERGUNTA PARA RETRIBUIÇÃO: Como poderia Paulo alegar em sua defesa: “Eu não pequei em coisa alguma contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César.” (Actos 25:8) se não fosse um fiel observador do sábado, sendo seus acusadores os líderes judeus que, certamente, encontrariam motivos para condená-lo se o fosse um violador desse importante mandamento para eles?

37. Já observaram que os Dez Mandamentos começam com: “Eu Sou o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egipto, da casa da servidão.” (Êxodo 20:2)? Não vêem que novamente estamos frente a uma manifestação clara de que se trata das ordenanças dadas especificamente a Israel?

RESPOSTA: Se somente os 10 Mandamentos se aplicam aos judeus, isso parece muito estranho, pois então seus princípios elevados não se ajustariam aos cristãos. Paulo menciona a “lei de Cristo” em 1 Cor. 9:21 sem dar-lhe uma definição, sem mencionar nenhum de seus preceitos, porém como o faz em Gál. 6:2 falando de levar as cargas uns dos outros, e isto nada é mais que a metade da “Lei Áurea” de amar ao próximo, nada muda no fato de que estes mandamentos são aplicáveis aos cristãos e a todos os servos de Deus em todos os tempos.

PERGUNTA PARA RETRIBUIÇÃO: Se estas ordenanças foram dadas especificamente para Israel, como Deus sempre condenava as nações pagãs por sua prática de idolatria, se Sua lei não se aplicava a eles, e convidou aos estrangeiros a se unir ao pacto que estabelecerá com Israel mediante a guarda do sábado (Isa. 56:2-7)?

38. Os Dez Mandamentos são repetidos em Deuteronómio 5 e ali se encontram as seguintes palavras: “Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egipto, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado.” (Deuteronómio 5:15) Novamente vemos claramente que a ordenança do sábado foi dada a um povo que havia saído do Egipto. Não vêem que isto não se enquadra com a doutrina adventista que afirma que os cristãos gentios do Novo Testamento estão obrigados a guardar o sábado dado a Israel?

RESPOSTA: Esse argumento não se enquadra com as Escrituras, pois é um disparate dessa teoria ao estilo moderno do neo-antinomismo dispensacionalista. Se assim fosse, primeiro que os netos, bisnetos e outros descendentes dos que saíram do Egipto não tinham que respeitar o sábado. Ademais, já vimos na pergunta anterior que o sábado é aplicável aos estrangeiros, QUE NÃO SAÍRAM DO EGITO, se aceitassem o pacto divino com Israel.

A palavra “Deuteronómio” significa repetição da lei, e Moisés simplesmente recorda ao povo o privilégio que tinham de observar um dia para descanso e dedicação a Deus, o que não desfrutavam quando escravos no Egipto. Assim, vemos como o sábado é não só um “memorial da criação”, como também da redenção. Os que foram redimidos da escravidão do Egipto de pecado são os que gratamente dedicam ao Senhor todo um dia de 24 horas completo uma vez por semana, em obediência a Sua lei.

PERGUNTA PARA RETRIBUIÇÃO: Que é mais importante—a proclamação solene de toda a lei por Deus aos ouvidos do povo, ou o comentário particular de Moisés sobre um detalhe da lei?

39. Os adeptos do adventismo ensinam que há duas leis: (1) os Dez Mandamentos, que chamam de a lei de Deus, e (2) a lei cerimonial, que chamam de lei de Moisés. Poderiam dar-me, por favor, um só capitulo e versículo (no Antigo ou no Novo Testamento) onde é feita esta distinção?

RESPOSTA: Uma vez mais a chocante ignorância de fatos do mundo religioso protestante-evangélico. Os que redigiram este questionário deveriam fazer primeiro seu “dever de casa” pois aqui vêem só dar demonstração de sua deficiência total de preparo para saber que essa “divisão da lei” não é um ensinamento “exclusivo do adventismo”, senão que os cristãos baptistas, presbiterianos, metodistas, anglicanos, e antes deles, católicos e ortodoxos ensinavam (e ensinam) EXATAMENTE isso. Deveriam consultar os documentos confessionais como a Confissão de Fé de Westminster, o artigo VII dos 39 Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra, ou as confissões baptistas de 1689, revisada em 1855 por Charles Spurgeon, ademais de declarações de Lutero, Calvino, Wesley e eruditos, comentaristas bíblicos, pregadores, e tantos outros estudiosos deste tema das diferentes confissões protestantes.

PERGUNTA PARA RETRIBUIÇÃO: Se um dado interpretativo de doutrina só serve se há terminologia apropriada e específica para defini-la, onde há um versículo em toda a Bíblia que traga as palavras Trindade, onisciência, onipresença, onipotência, teocracia, milênio, ascensão?

40. Observemos Neemias 8:1-3; 8:14; 9:3. Ao se falar de um único livro que se lia, aquelas passagens referem-se à (1) lei de Moisés, (2) lei de Deus, (3) o livro da lei, (4) a lei do Senhor seu Deus. As palavras se combinam indiferentemente por tratar-se de um só livro, uma lei somente. Ou desprezam mais esta verdade bíblica?

RESPOSTA: A Bíblia não se preocupa com certas classificações “técnicas”, com as terminologias e classificações que se utilizaram depois. Conheço um ateu, crítico da Bíblia de um foro em português, que faz pouco caso da Bíblia por sua falta de fundamento científico, segundo ele. Por exemplo, os morcegos são classificados como aves, o que biologicamente não é correcto. Estava, porém, Moisés preocupado com as classificações dos animais como muito depois foram definidas por Lineu?

PERGUNTA PARA RETRIBUIÇÃO: Onde há qualquer lista clara dos preceitos da “lei de Cristo” que se perceba que são diferentes dos da “lei de Deus”?

* A estes adventistas, acredito que lhes falte a leitura de um folheto explicativo com o plano de salvação.

RESPOSTA: Quem diz isto certamente está somente praticando o falso testemunho contra o próximo, pois somente basta examinar os tópicos 9, 10 e 18 de nosso documento confessional, “Nisto Cremos”, para ver a falsidade de tal insinuação.

Mas é fácil entender o motivo de tal comentário infeliz. O que se dá é que estes são pobres indivíduos aos quais se aplicou uma tremenda lavagem cerebral que nem percebem as consequências de seus actos. Pois se lhes é passada a ideia da “abolição total da lei”, então sentem-se livres para dar falso testemunho de seus semelhantes.

Esta somente pode ser a razão de tais lamentáveis comentários. Deviam lembrar-se, porém, de que um dia terão que prestar contas não só por seus actos, como por suas palavras vãs (Mat. 12:36).

09- A MENSAGEM DO SÁBADO

10 RAZÕES QUE EVIDENCIAM O SÁBADO COMO MANDAMENTO DA LEI UNIVERSAL

1) Por que Deus mesmo apresenta um contraste entre os sábados cerimoniais e o sábado especial, da lei moral, não só por proferir solenemente aos ouvidos do povo cada um e todos os 10 Mandamentos, escrevendo-os depois com o Seu próprio dedo nas tábuas de pedra, mas por contrastar os sábados semanais dos demais, cerimoniais, como se reflete em Lev. 23:37, 38 que fala das várias festas especiais (sábados cerimoniais) “além dos sábados do Senhor”. John Wesley confirma isso no seu comentário sobre a passagem: “. . . embora outros dias festivais são às vezes chamados sábados, contudo estes são aqui chamados os sábados do Senhor, numa forma de contraste, para mostrar que eram de maior destaque do que quaisquer dos outros dias de festa”.
2) O sábado antecede o pecado e fora dado antes da Queda, portanto antes que o homem necessitasse de Redenção (Gén. 2:2, 3). Por conseguinte, nada tem de típico e não aponta para a expiação. Se não tivesse havido a tragédia da Queda, o que aconteceria com o sábado? Continuaria a ser observado pelo homem no Éden, para o qual foi estabelecido, como Jesus declarou (Mar. 2:27) com o privilégio da companhia de Deus. Mas não há dúvida que continuaria a ser observado. Tanto isto é verdade que, na Restauração de todas as coisas quando enfim a maldição for removida desta Terra e tudo voltará à pureza da criação e o homem à glória original, o sábado continuará a ser observado e para sempre, segundo lemos em Isa. 66:22. 23. Portanto, o sábado é a única instituição que associa os três fundamentos basilares da fé cristã: Criação, Queda e Redenção.
3) O sábado como todos os preceitos morais aplica-se igualmente a todas as nações, terras e tempos, pois todas as leis morais são de aplicação universal, não se restringem a um povo e não sofrem mudança por nenhumas circunstâncias. Por isso, é moral.
Obs.: Em Isa. 56:2-7 vemos como Deus convida os ESTRANGEIROS a se unirem ao concerto divino com Israel, demonstrando isso a partir da GUARDA DO SÁBADO, o que é dito no contexto da expressão do divino ideal de que “a Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos”.
4) Os deveres morais são os que emanam dos atributos de Deus. O poder criador é um atributo divino, um atributo distinto e exclusivo do Deus vivo, e o sábado emana directamente deste atributo na Criação do mundo. É, pois, um preceito nitidamente moral. Pode-se acrescentar que o dever de o homem amar e obedecer a Deus repousa principalmente no fato de que o Senhor criou todas as coisas, e o sábado é um memorial deste fato, trazendo sempre a consciência disso.
Obs.: O salmista Davi lembra que Deus fez as Suas obras “memoráveis” (Sal. 111:4). Outro dia não poderia fazê-lo, pois não teria este característico, este sentido e esta finalidade, assim como o 8 de Outubro, o 9 de Novembro ou o 10 de Dezembro não serviriam para o propósito de celebrar a Independência do Brasil. O sábado é totalmente e inequivocamente moral.
5) A natureza do homem física e mental requerem precisamente tal dia de repouso como o preceito do sábado exige, em consonância com o bem-estar moral e espiritual da criatura. Esta necessidade humana foi prevista e provida pelo próprio Deus, sendo associada ao culto, à reverência e à adoração. Por isso, o sábado é UM DEVER DO HOMEM PARA COM DEUS, como os demais preceitos que constam da primeira tábua do decálogo. A moralidade do sábado, porém, reside na relação do mandamento com o acto criativo de Deus e isto não pode ser preenchido por qualquer outro dia. A bênção colocada no dia do sábado nãofoi dele removida. É um mandamento moral.
Obs.: Luteranos, presbiterianos e baptistas dizem nos seus documentos confessionais que os primeiros 4 mandamentos tratam de nossa relação para com Deus, e os 6 últimos, idem para com o próximo. Antes deles já católicos e ortodoxos diziam a mesma coisa. A base de tal raciocínio são as palavras de Cristo de que “destes dois mandamentos {de amor a Deus e ao próximo} dependem TODA A LEI e os profetas”. Se o amor é um princípio moral e universal, então cada um e todos os preceitos dessa lei divina têm tais características, pois sua base é um princípio moral universal—[b]amor[/b].
6) O casamento é uma instituição moral, defendida pelo sétimo mandamento. A instituição do sábado, tendo sido feita ao mesmo tempo, pela mesma Autoridade, para as mesmas pessoas e da mesma maneira, é logicamente moral, pelas mesmas razões.
Obs.: Uma pergunta para reflexão: Por que santificar um dia para o Senhor não constituiria um preceito de carácter MORAL e UNIVERSAL, mas santificar o Seu nome o seria? Se um espaço de tempo em si não tem nada de santo, em que isso difere de uma palavra em si, utilizada para definir a Deus? Claramente o que importa no primeiro caso não seria uma suposta santidade das letras que compõem o nome divino, e sim o sentido envolvido em tal nome—o Deus absolutamente santo. O mesmo se dá com o TEMPO do sétimo dia, dedicado ao Senhor.
7) O próprio fato de Deus ter posto o mandamento do sábado no coração do Decálogo –o sumário de toda a lei moral, mostra inquestionavelmente o carácter moral do preceito. Fosse ele cerimonial, no todo ou em parte, não seria esculpido nas tábuas de pedra pelo próprio Deus, mas meramente deixado para Moisés incluí-lo nos rolos que redigiu, trazendo todo o preceituário cerimonial judaico.
Obs.: Arranjem-se os pretextos que quiserem, o fato é Deus mesmo indica uma [b] diferença de tratamento[/b] entre as leis. Ao proferir os 10 Mandamentos audivelmente aos ouvidos do povo (o que incluiu o preceito do sábado) é dito que Deus “nada acrescentou” (Deu. 5:22). Quem quiser acrescentar ao Decálogo outras leis de diferentes características e objectivos para formar um só “pacote legislativo” de igual peso e valor está indo “além do que está escrito” (1 Cor. 4:6). Todas as demais leis foram dadas NOUTRA OCASIÃO para Moisés escrever em rolos, deixados ao lado da arca, enquanto o Decálogo era guardado dentro da arca (Deu. 10:5). Então, como diz aquela piadinha clássica, “Há uma diferença; e que diferença!. . .”
8) Cristo mesmo diferenciou o sábado, de qualquer preceito cerimonial, quando declarou: “Se o homem recebe a circuncisão [rito cerimonial] no sábado [mandamento moral] para que a lei de Moisés [cerimonial] não seja quebrantada, indignais-vos contra Mim porque no sábado [mandamento moral] curei de todo um homem?” João 7:23. Não tivesse o sábado o seu carácter exclusivamente moral, inconfundível, Cristo não teria o cuidado de dissociá-lo de práticas cerimoniais como a circuncisão, no caso em foco.
Obs.: Paulo também distingue preceito cerimonial, da lei moral quando diz: “A circuncisão é nada e a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus.” 1 Cor. 7:19. Embora aludindo aos judeus e não judeus, ou aos que queriam impor o rito aos novos convertidos na Igreja nascente, Paulo distingue entre os mandamentos de Deus e uma prática judaica, não mais aplicável.
9) O sábado não pertence ao sistema expiatório, portanto não é cerimonial. É uma temeridade afirmar que o sábado tenha uma parte cerimonial e que esta era o “sétimo dia”, pois, ao contrário, essa questão numérica indica o passado, aponta à Criação, o que não tem nada de cerimonial. Tudo quanto é cerimonial aponta ao FUTURO; a expiação em Cristo, e “sétimo dia” nada tem a ver com isso, nada simboliza em termos da Sua morte na cruz.
10) Tanto os documentos confessionais do maior peso da cristandade protestante, nenhum deles descartado, desqualificado, desautorizado, reconhecem HÁ SÉCULOS que o sábado é mandamento MORAL e UNIVERSAL (como as Confissões de Fé de baptistas, presbiterianos e outros cristãos), como comentaristas bíblicos da maior autoridade e prestígio, do passado e do presente, confirmam isso. Eis como o metodista Adam Clarke comenta o fato: “É digno de nota que nenhum destes mandamentos, OU PARTE DELES, pode . . . ser considerado cerimonial. Todos são morais e, consequentemente, de eterna obrigação” (comentário de Clarke sobre Êxodo 20).
Várias outras autoridades em Teologia, tanto antigas quanto mais modernas, poderiam ser citadas nesse sentido. Vejamos só mais um exemplo, o International Standard Bible Encyclopedia (verb. “Ethics” [Ética]):
O Decálogo
Primeiro entre os vários estágios da ética do Velho Testamento deve ser mencionada a legislação mosaica, centrada no Decálogo (Ex 20; Dt 5). Sejam os Dez Mandamentos provenientes do tempo de Moisés, ou um sumário posterior de dever, eles ocupam um lugar supremo e formativo no ensino moral do Velho Testamento.
Todos, inclusive o 4o. [mandamento] são puramente imposições morais. . . . Embora essas leis possam ser apresentadas como tendo as suas raízes e sanções na consciência moral da humanidade e como tais aplicáveis a todos os tempos e todos os homens, é evidente que foram primeiro escritas pelos israelitas que as tinham recebido de forma oral dos seus antepassados e naturalmente da raça humana.

QUAL FOI O DIA QUE DEUS ABENÇOOU?

Rom. 14: 5 e 6
5 “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente.
6 Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.”
Quanto aos textos que menciona, o que precisamos é entender a discussão levantada à luz de seu contexto histórico. O que na época ocasionou tais palavras? Havia entre os cristãos primitivos muitas influências, sobretudo os judaizantes e os gnósticos. Paulo se dedica a mostrar que os cristãos precisavam ser compreensivos para com aqueles membros mais fracos da congregação que tivessem ainda apego por certos feriados judaicos importantes para os de origem judaica, mas não para a comunidade cristã, bem como outras pequenas regras.

Que com essas palavras Paulo não está estabelecendo a anarquia entre um dos mandamentos divinos é óbvio. Essa noção de que tanto faz guardar o sábado, o domingo ou dia nenhum se choca com as claras instruções bíblicas e exemplos registrados nas Escrituras. Por exemplo, João relata, ao situar-se no tempo e no espaço, que achou-se em espírito “no dia do Senhor” (Apo. 1:10). Havia, pois, um dia que dedicava ao Senhor “segundo o mandamento” (Lucas 23:56) e não era um dia arbitrário por ele escolhido conforme suas conveniências. Não haveria propósito nisso.

Lucas 23:56
56 “Então voltaram e prepararam especiarias e ungüentos. E no sábado repousaram, conforme o mandamento.”

Jesus disse que “o sábado foi feito por causa do homem” (Marcos 2:27), com isso confirmando o seu caráter universal e moral como uma divina instituição importante que serve ao propósito de dar ao homem o necessário repouso físico, mental e oportunidade para uma adoração ao Senhor mais detida, além de ser o memorial da Criação (Êxo. 20:8-10).

Não existe nenhuma evidência bíblica, ou extrabíblica, que houvesse essa noção de observar qualquer dia que melhor conviesse aos cristãos. Não há qualquer registro de que prevalecesse isso entre os primeiros crentes, Mateus observando o domingo, Pedro a segunda, André a terça, Tiago a quarta, Natanael a quinta, Paulo a sexta, João o sábado. . . Afinal, em que dia se reuniam para o culto especial ao Senhor? A Bíblia diz que Deus é de ordem, não de confusão.

João no Apocalipse fala do “dia do Senhor” (1:10), então o dia é “do Senhor”, não do homem.

Nos primeiros séculos houve debates acirrados quanto à questão de observância do sábado ou domingo, quando as autoridades religiosas de Roma começaram a adaptar o festival do “dia do sol”, no domingo, para que fosse adotado pelos cristãos a fim de evitar serem comparados com os judeus, pois o Imperador Adriano havia estabelecido rigorosas leis contra os judeus, proibindo a prática da religião judaica em geral, e do sábado em particular. Isso se deu especialmente pelo ano 135 AD após a revolta judaica de Barcocheba. Enfim, os romanos estavam já “cheios” com os judeus, sempre rebelando-se contra seus opressores.

O problema é que alguns tentam justificar suas objeções à guarda do sábado para defender a tradição de suas igrejas observarem o domingo à base do ataque aos que defendem o sétimo dia como o verdadeiro “dia do Senhor”. E partem para uma exposição antinomista, pois não suportam simplesmente o confronto de idéias de que o domingo não tomou o lugar do sábado dentro de uma lei divina ainda vigente, uma vez que isso não pode ser provado biblicamente. Então vão além, para confundir as coisas pregam que a lei toda foi abolida, indo de embrulho todos os mandamentos, inclusive o sábado. Mas com isso eles despejam o bebê com a água do banho, como se diz. Pois a contradição é óbvia--se TODOS os mandamentos da lei moral foram abolidos (para com isso livrarem-se do 4o. mandamento), então TODAS as regras da lei moral deixaram de vigorar. Mas se contradizem ensinando que 9 dos mandamentos foram “restaurados” no Novo Testamento, menos o sábado.

Enfim, o que percebo no meio evangélico é, como disse num outro estudo que preparei recentemente, uma tremenda confusão por falta de convicção sobre a tradição de observância dominical. Eis como exponho o “oitavo dilema” dos que pregam o fim dos 10 mandamentos (são 10 dilemas. . .):

O oitavo dilema desses negadores da validade do Decálogo como norma de conduta cristã é que não sabem o que fazer com a norma sobre dia de repouso dentro da “nova lei”: ora dizem que os cristãos primitivos adotaram logo o domingo para comemorar a ressurreição de Cristo, mas por falta de comprovação bíblica dizem alternativamente que não há mais dia nenhum para observar, ou que o mandamento agora é o descanso num mero “dia em sete”, não necessariamente no 7º. dia (então, se qualquer dia serve, por que não ficar logo com o que é claramente instituído na Bíblia, o 7º.?), ou que o repouso na verdade significa simplesmente aceitar a Cristo, etc.

Não há consenso entre os vários crentes e igrejas, algumas observando rigorosamente o domingo, outras não dando muito valor ao dia, sendo usado apenas como o “horário do culto”, ou não tendo qualquer escrúpulo por dia algum. Mas Jesus disse que “o sábado foi feito por causa do homem [não do judeu]” (Mar. 2:27) e João revela, na introdução de seu livro profético, que tinha um “dia do Senhor” que dedicava a Deus (Apo. 1:10). Que não se refere ao domingo fica claro pelo fato que, ao escrever o seu evangelho na mesma época, refere-se ao dia da Ressurreição simplesmente como “primeiro dia da semana”, sem nenhuma indicação de nada de especial quanto ao dia (ver Jo. 20:1).

João 20:1
1 “No primeiro dia da semana Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra fora removida do sepulcro.”

10- A MENSAGEM DO SÁBADO

11- A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA

12. A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA

13. A REFORMA DA SAÚDE

14- A REFORMA DA SAÚDE

15- NAUFRÁGIOS NA FÉ

16- OS NAUFRÁGIOS NA FÉ